sexta-feira, 3 de março de 2017

Carnaboards: JogaJF e Conclave Editora


No último domingo, tive a oportunidade de visitar meu primeiro evento em outro estado. Foi uma viagem bem rápida, mas muito divertida. Fomos eu, Felipe, Jesiel (Meeple Divino) e Talita. Chegamos na hora do almoço em Juiz de Fora e fomos muito bem recebidos pelo simpático Igor Knop (Jogatina na Batista), que nos levou para comer em um lugar ótimo. De barriga cheia, nossa primeira parada foi no evento JogaJF que ocorre no China In Box. Eu não almocei lá porque comida chinesa não é a minha praia, mas todos os demais consumiram alguma coisa ao longo do dia. Faço questão de ressaltar isso, porque muitos eventos de boardgames acontecem em lugares que comercializam comida e eu acho importante a galera dar uma força consumindo no local.

Enchendo a barriga antes do evento.

O espaço disponibilizado é bem bacana, fica no segundo andar, separado da área mais movimentada do restaurante. Isso dá mais privacidade e liberdade para o evento. Além disso, o local é bastante arejado, pois além de um ventilador potente, ele possui uma pequena área externa. Eu senti até frio, já que choveu praticamente durante todo o dia. Porém, mesmo com chuva, o evento atraiu uma boa quantidade de pessoas. Infelizmente, fiquei estava tão concentrada em jogar que acabei esquecendo de tirar fotos. Eu sofro bastante com esse problema, aí acabo tirando fotos para postar apenas no meu Instagram pessoal. 

Início do evento e já estava bem cheio.

Acho que o saldo do dia foi bem positivo, joguei quatro jogos que eu ainda não conhecia. Só para abrir a jogatina é que comecei com um bom e velho DC Comics Deck-Building Game. Depois tive a oportunidade de conhecer o tão comentado Santorini. Fizemos uma sessão Histeria Games com Masmorra: Dungeons Of Arcadia e Reinos de Dunagor. E para fechar os trabalhos, uma partida rápida de Jórvík, lançamento da Conclave Editora

Santorini me decepcionou um pouco, achei simples demais, muita beleza para pouco jogo. Cada jogador tem dois workers e na sua vez pode mover um deles e realizar uma ação de construção. Os prédios tem um limite de três andares, o vencedor é aquele que conseguir colocar seu worker no alto do terceiro pavimento. Para impedir que isso aconteça, os jogadores podem construir cúpulas no alto dos prédios. Um worker só pode subir um andar por vez, mas para descer é livre. Uma boa estratégia é tentar bloquear o caminho do oponente. Cada jogador conta também com um deus que dá uma habilidade especial. Ele me lembrou muito um joguinho pequeno que eu tenho chamado Docker, já escrevi sobre ele aqui.

Vitória nas duas partidas que eu joguei.

Santorini é um jogo que impressiona pela beleza.

Eu não gosto de Masmorra de Dados e nem de Arcadia Quest, então foi com zero de expectativa que fui jogar Masmorra: Dungeons Of Arcadia. Não achei que houve nenhuma mudança significativa em relação a versão nacional. É apenas o mesmo Masmorra de Dados só que com miniaturas de Arcadia Quest no lugar dos dados de heróis e os dados de monstro agora são maiores e com ilustrações chamativas para combinar com o restante da estética nova.

A CMON deixou o jogo visualmente mais atrativo.

Quanto ao Reinos de Drunagor, eu até que achei ele bem interessante, o problema é que me lembrou demais Warcraft, então ficou aquela sensação de versão genérica. É uma boa opção dentro do mercado nacional para quem gosta do esquema de coletar recurso, construir coisas e matar monstros. A qualidade dos componentes está muito boa e o preço justo para o porte do jogo. Gostaria de jogá-lo novamente para uma melhor apreciação, eu joguei só com o Felipe, acredito que com mais jogadores ele deva brilhar mais. 

Uma proposta diferente dentro do que temos disponível no mercado nacional.

Componentes bonitos e de boa qualidade.

Jórvík foi jogado na versão rápida de meio tabuleiro porque já estávamos no final do evento, minha intenção foi mesmo ter uma visão geral de como era o funcionamento do jogo. Ele é bem simples, basicamente work placement com manipulação de mercado. Todo turno cartas são abertas e o valor delas é determinado pelo interesse demonstrado pelos jogadores. Apesar de não ter uma habilidade muito grande, exige boa visão de mesa e capacidade de blefe, é um tipo de mecânica que me agrada bastante. Quero jogar novamente, mas não acho que compraria o jogo. O tema é totalmente colado com cuspe e a arte é feia.

Partidinha no modo rápido, metade do tabuleiro, só para conhecer.

Depois do JogaJF, ainda demos uma passadinha na casa do Igor e jogamos Pega em 6 e That´s Life, mini sessão de Kramer. Eu achava que não sabia jogar Pega em 6, mas eu descobrir que o problema é o povo do BGA que é muito monstro nesse jogo. Eu só tinha jogado online, foi a primeira vez fisicamente. Ganhei o jogo e em nenhum momento tive a sensação de não saber o que estava fazendo como sempre ocorre quando estou online. 

Print BGA.

Pega em 6 é um jogo de gestão de mão e pouco de sorte, o que pode desagradar alguns jogadores. Porém, quanto mais eficiente for seu gerenciamento das cartas, menor será o efeito da sorte, apesar dela nunca ficar de fora da equação totalmente. Os jogadores possuem 10 cartas que serão distribuídas ao longo de 4 fileiras por proximidade de valor. Cada fileira possui um limite de 5 cartas, quando a sexta é colocada, o jogador responsável pega todas as cinco cartas que estavam nela. 

As cartas possuem além dos números em si, uma determinada quantidade de chifres. Quando a soma dos chifres das cartas acumuladas por um jogador chega a 66 a partida termina e vence aquele que tiver a menor soma de chifres. É um jogo simples, mas bem divertido, quando você finalmente consegue saber o que está fazendo. Ele é relativamente fácil de achar e super barato. Comporta até 10 jogadores.

Em That's Life, o Kramer mostra que dá para fazer jogo divertido usando roll and move. A mecânica mais popular e desprezada dos jogos de tabuleiro ganha uma nova vida através da adição de elementos para mitigar a sorte. Os jogadores possuem três workers e podem escolher qual deles mover livremente. O caminho é formado por tiles negativos (maioria), positivos e alguns que transformam negativos em positivos, chamados de tiles de sorte. É uma sequência: negativos, sorte, positivos e negativos. 

Um role and move estratégico.

Cada tile de sorte acompanha também um tipo especial de worker. Isso é importante porque quando o jogador move um worker seu que está sozinho em um tile, ele retira esse tile da partida para contar como sua pontuação. O jogador sempre deve tentar permanecer em um tile negativo até que tenha ao menos um outro oponente junto, saindo o mais rápido possível quando isso ocorrer. No caso dos tiles positivos, a luta é para ser o último a sair. Os workers especiais servem para ajudar o jogador e atrapalhar os oponentes. Eles funcionam como uma espécie de worker fantasma, dando uma opção adicional. Porém, só podem ser movido se estiverem acompanhados de, ao menos, um worker de jogador.

That´s Life é um jogo sem nenhum atrativo estético e que nem tenta colar tema nenhum, sendo puramente abstrato. Achei incrível como acrescentando apenas poucos detalhes, Kramer foi capaz de usando uma mecânica tão simplória criar um jogo elegante e estratégico. Uma verdadeira aula de game design. Sempre fico feliz quando tenho a oportunidade de ter contato com jogos assim, é como observar os mecânicos de um relógio. Eu gosto bastante de jogos temáticos e com artes elaboradas, mas isso acaba por vezes mascarando mecânicas pobres, desprovidas de engenhosidade.

No dia seguinte, segunda-feira, visitamos a sede da Conclave Editora. Fomos muito bem recebidos pelo Cristiano e pelo Kleber, uma pena que não deu para jogarmos nada. Porém, o bate-papo foi bem agradável. Sempre legal saber como rola as negociações com as empresas lá de fora e como são as coisas nas feiras internacionais, principalmente em Essen. Algumas histórias de bastidores sobre disputas por licenças com outras editoras nacionais. E como nem tudo são flores, as dificuldades do nosso mercado, impostos e mais impostos.

Já me conquistou logo na entrada.

Teria dado uma bela entrevista se eu tivesse me organizado para isso. Eles comentaram bastante sobre o contrato com a Haba, que é algo que eu tenho bastante interesse, pois é um segmento completamente inédito de jogos chegando ao Brasil. E a qualidade de todo material da Haba é sensacional. Espero que a Conclave consiga logo vencer todo o embaraço da certificação do Inmetro. Falaram também sobre a nova edição do Dominion que está chegando, lançamento de expansões e kit de conversão para quem possui a edição anterior. 

Ambiente bastante acolhedor para bater um bom papo.

Dando uma espiada básica no depósito.

Durante toda a visita, fiquei só de olho na estante de jogos, tentando identificar futuros lançamentos em potencial. Eles disseram que muitos dos títulos que estavam ali haviam sido oferecidos por editoras em reuniões. A Conclave é a editora nacional com um dos catálogos mais diversificados, sempre surpreendendo bastante na divulgação dos seus lançamentos com títulos inesperados.

Será que temos algum futuro lançamento nessa estante?

Foto clássica de visita.

Como eu já disse no início do texto, foi uma viagem bem rapidinha, mas super divertida. Deu para jogar bastante coisa, apesar de não ter conseguido jogar nenhum dos jogos mais pesados que eu queria. Só pude mesmo ficar admirando a coleção do Igor Knop, devia ter batido uma foto. Espero algum dia ter uma coleção como a dele. Meu muito obrigada ao Igor por nos receber tão bem, foi muito legal conhecer o JogaJF. Agradeço também ao pessoal da Conclave Editora por ter aberto as portas para gente e disponibilizado seu tempo para nos atender. Espero que possamos jogar em uma próxima oportunidade. E espero também conseguir visitar mais eventos fora do RJ.

Fotinha turística para fechar o post. :)

Um comentário:

  1. Que bom que o saldo da viagem foi positivo. Fiquei com receio de ter sido corrido demais e não ter podido dar atenção suficiente ao evento a à vocês. Mas como dizemos sempre aqui: agora que aprendeu o caminho, volte sempre. :)

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