segunda-feira, 27 de março de 2017

Guadalupeças


O post sobre o Guadalupeças deste mês é uma espécie de "antes tarde do que nunca". Eu sempre demoro para escrever e publicar, mas nunca tinha ocorrido nada neste nível, um atraso de mais de uma semana. Até cheguei a pensar em não fazer mais o post, mas rolaram umas coisas bem legais no evento e que eu não queria que ficassem sem registro. 

Nós recebemos a visita do Igor Knop e do Patrick Matheus apresentando o Gnomopolis, um Pool Building "frita cérebro" muito bom para quem gosta de combos infinitos. Além disso, também tivemos a presença do Luiz Murilho que trouxe o Folia, um Worker Placement com temática de Carnaval que utiliza umas ideias bacanas para passar aquele "feeling" de administrar uma escola de samba e colocar um desfile na avenida. 

Eu comecei o dia estreando a expansão Chibis do Takenoko, que acrescenta além da Senhora Panda e seus filhotes, novos tiles de terreno e cartas de objetivo. Em geral, não tenho uma boa relação com expansões, porque sempre espero que elas adicionem algo verdadeiramente relevante ao jogo, que enriqueça a experiência e abra novas possibilidades. Porém, não foi esse o sentimento provocado por Chibis neste primeiro contato.


A expansão na real não mudou em nada meu modo de jogar Takenoko, Comentando sobre a minha decepção, o Igor Knop disse que a diferença é sentida em mesas mais competitivas, em jogos casuais realmente a expansão não brilha tanto. Vamos ver se jogando mais vezes, essa minha impressão inicial sobre Chibis muda em alguma coisa. O problema é que só jogo Takenoko competitivo no BGA. Não escrevi explicando como funciona a expansão porque deve rolar vídeo e/ou texto em breve por aqui.


Depois de me decepcionar um pouco com o acasalamento dos pandas, fui conhecer o surpreendente Folia. Digo isso porque ele ainda está com um visual meio confuso e ocupa um bom espaço na mesa, dois fatores pouco atrativos. Fora que eu já joguei o Ziriguidum do Leandro Pires, impossível evitar comparações, tendo ambos o mesmo tema. Mas são jogos com mecânicas bem diferentes. O Folia é um Worker Placement bem tradicional. Os jogadores usam seus Workers para adquirir os diversos itens necessários para o desfile de sua escola.


Além dos tiles que serão posicionados no tabuleiro individual que representa os desfiles individualmente, os jogadores tem a opção de comprar cartas de personalidades do samba, elas dão um benefício imediato e a possibilidade de ganho ou perda de pontos mediante a exigência do cumprimento de determinado Set Collection no final do jogo. Existe também os personagens fixos que dão bônus aos jogadores e variam a cada turno.


Outros pontos que valem menção: No tabuleiro individual, além de posicionar os tiles que vão compor o desfile, ainda existe a opção de ações internas da escola que eu gostei bastante, são coisas como: ensaio fechado ou festa na quadra. Um dos recursos do jogo é componentes (isso mesmo, pessoas), eu achei uma ótima sacada temática. Outra ideia muito boa ainda dentro da questão do tema é a possibilidade do atraso, que permite ao jogador perder pontos para jogar um turno adicional após o encerramento do jogo.

Existem alguns itens que são requisitos mínimos e que se não forem cumpridos levam a uma grande perda de pontos. Utilizando essa opção de atrasar o desfile, o jogador tem a possibilidade de completar esses itens obrigatórios e ainda aumentar sua pontuação, apesar da penalidade sofrida. Em virtude do Set Collection das cartas, o jogo oferece boas chances de combo.

O Folia é um jogo com ideias interessantes para retratar o tema proposto, mas que talvez por isso mesmo, acabe sofrendo com uma certa gordura. É complicado querer colocar cada detalhe do tema. Acredito que o Luiz Murilho deveria pensar em como enxugar um pouco o jogo. Além disso, ele precisa melhorar bastante a parte gráfica para deixar a iconografia mais clara e o tabuleiro menos confuso.

Sobre enxugar o jogo, talvez seja interessante cortar a variação de Workers nos turnos. Não sei se a ideia tem um fundo temático, mas acho que adiciona uma aleatoriedade que não agrega em nada. Outro ponto que talvez mereça ser repensado é a trilha que os Workers precisam percorrer na ação do Barracão. Ela engessada o jogo e acrescenta um complicador adicional. Olhando isoladamente a mecânica criada até que é interessante, mas é preciso analisar a integração com o restante. A percepção dessa questão especificamente foi prejudicada porque não joguei a versão completa do jogo e a adaptação deste ponto foi falha na versão reduzida proposta.

Mas essa ideia da versão reduzida foi bem legal, apesar de um problema ou outro na execução. Acho que é uma boa dica para a galera que está criando jogos de maior porte. Não dá para querer que o pessoal em um evento tenha disposição para jogar um protótipo que leva 2-3 horas de duração. Sei que isso não é o ideal, mas é melhor do que ficar com o jogo parado, servindo apenas de exposição. 

Eu curti bastante a versão reduzida do Folia e fiquei interessada em jogar a versão completa, o que tem uma boa chance de acontecer já que moramos no mesmo bairro. Porém, se o jogo tivesse sido apresentado na integra, talvez eu não tivesse parado para jogar, mesmo sendo grande entusiasta de protótipos. 

Um evento tem cerca de 6-8 horas de duração, pode parecer um tempo razoavelmente longo, mas não é. A maioria dos jogadores não fica durante todo o evento e a oferta de jogos disputando atenção é bem variada. Aproveito para deixar uma outra dica que é explicação rápida e concisa das regras. Deixa para entrar em certos detalhes, conforme eles forem aparecendo no decorrer da partida. Uma explicação longa desanima e o jogador não vai gravar tantas informações novas de uma só vez.

Depois eu joguei uma partidinha de A Fake Artist Goes To New York, mais um joguinho japonês simples, rápido e criativo. Um jogador escolhe uma categoria e escreve em uma folha de papel para que todos vejam. Em seguida, ele escolhe um item específico dentro da categoria escolhida e escreve em placas individuais que são entregues secretamente ao demais jogadores. Porém, em uma dessas placas, no lugar do item específico haverá apenas um X. A folha de papel rodará a mesa duas vezes e cada jogador deverá desenhar o item específico que foi informado. Após isso, haverá um votação para determinar quem é o artista falso.


Fechando o dia, eu joguei o Gnomopolis. Foi a minha segunda vez, então tive uma experiência diferente. É legal quando você tem a oportunidade de jogar mais de uma vez um jogo ainda em desenvolvimento e ir acompanhando as modificações que vão sendo realizadas. A principal mudança foi a inclusão de um tabuleiro de ações básicas, que não tinha na última vez que eu joguei. Se eu não me engano, as opções de ação eram indicadas em uma carta. Com o mini-tabuleiro fica mais claro, já que você realmente aloca o meeple na ação.

O Gnomopolis para quem não conhece é um jogo cujo a principal mecânica é o Pool Building. A historinha é que os gnomos precisam de uma nova cidade para morar e cabe aos jogadores construir a melhor possível. Os jogadores começam a partida com um certo número de meeples iniciais, que são colocados em um copo e vão sendo comprados a cada turno. É o mesmo sistema do Deck Building, conforme os meeples vão sendo utilizados, eles vão para o descarte e só voltam ao copo depois que este fica vazio.


A principal ação do jogo é comprar cartas, que são as localidades da nova cidade dos gnomos. Cada uma delas irá atrair um novos moradores e abrir novas possibilidades de ação. Outro modo de obter novos meeples é transformando os já existente. Os meeples básicos são adultos e crianças, adultos podem se especializar em uma profissão e as crianças viram novos adultos. Porém, é preciso fazer um planejamento muito eficiente, pois o jogador precisa ter construções para alocar todos os seus meeples no final da partida. Esta é uma outra parte do jogo que eu gostei muito.

Cada prédio que vai sendo construído, além de liberar uma nova ação, tem espaço também para abrigar meeples em cores específicas. Então, o jogador precisa ir controlando se ele vai ter lugar para colocar os seus meeples, pois cada um sobrando será menos um ponto. Muitos meeples de variadas cores permite uma grande possibilidade de ações, até porque os jogadores não estão limitados apenas as suas próprias construções. Mas não vai adiantar muito se no final não for possível alocá-los. Tematicamente quando sobram meeples é como se eles fossem desempregados. Uma cidade incapaz de absorver a mão de obra de todos os seus habitantes não é um bom lugar para morar.

O jogo começa bem rápido, pois praticamente só tem as ações básicas disponíveis, porém no final quando todos já possuem muitas construções, ele fica bastante lento. O Gnomopolis é um jogo de eficiência, maximizar pontuação através dos melhores combos. A grande quantidade de opções faz com que até mesmo o mais ágil dos jogadores gaste um bom tempo avaliando o melhor caminho a seguir. Eu tenho muita dificuldade com jogos com alto grau de exigência de combos. Não consigo pensar em sequências de mais de cinco ações. E as ações em Gnomopolis são muito dependentes umas das outras.


Eu gostei bastante do Gnomopolis pelo Pool Building e pela questão da alocação dos meeples no final da partida, são pontos que dão um bom diferencial ao jogo. Porém, ele não é para mim por causa dos combos. Acho que mesmo que eu jogasse mais vezes não conseguiria pegar o jeito. Além disso, o tema é bem pouco atrativo. Geralmente, eu insisto um pouco mais em jogos que tenho dificuldade quando o tema me agrada.

Confira mais alguns jogos que rolaram nesta edição do Guadalupeças:




Obrigada a todos pela presença em mais um Guadalupeças, espero revê-los no mês de maio, quando ocorrerá a nossa próxima edição. Em abril, não teremos evento por causa da Páscoa. Mas estaremos participando nos dias 8 e 9 do Family Geek, no horário de 13h às 18h, no próprio Shopping Jardim Guadalupe. Não deixe de nos acompanhar nas redes sociais para saber de mais novidades, estamos no Facebook, Youtube e Instagram.

quarta-feira, 15 de março de 2017

The Meeple



Desde que o evento começou que eu estava querendo ir lá, isso já tinha mais de um ano. Finalmente, neste último sábado, consegui criar coragem e atravessar a "poça" (como a gente chama aqui no RJ). Há anos que eu não pegava a barca, que é o jeito mais legal de fazer a travessia. O restaurante Tio Cotó, local onde ocorre o The Meeple, é relativamente próximo da estação das barcas, uns 15 minutos mais ou menos de caminhada.

O evento começa às 14 horas, mas a gente chegou lá por voltar das 18 horas. Apesar de estar bastante cheio, o ar-condicionado do local deu conta legal, uma informação super importante para todos os cariocas. O The Meeple ocorre em uma área separada do restante do restaurante, que lembra um pouco um salão de festas. Isso dá uma privacidade maior ao evento, coisa que eu acho particularmente bacana. Além de facilitar o monitoramento das atividades por causa do acesso mais controlado.

Espaço onde rola o evento.

Os meninos da organização usam camisetas e crachás, o que os torna facilmente identificáveis. Eles são bem simpáticos na recepção das pessoas e solícitos na explicação dos jogos. Uma coisa que sempre me chamou atenção no The Meeple é o quanto ele é bem organizado. As informações sobre os jogos que estarão disponíveis são sempre divulgadas previamente. Tem uma placa identificando a área do acervo e eu acho bem bacana o uso das toalhas de mesa com o nome do evento.

Organizadores facilmente identificáveis.

Apesar de realizar evento em uma praça de alimentação de shopping e da maioria dos eventos que frequento sempre serem em locais com consumo de comida e bebida, nunca tinha visto uma convivência tão intensa entre alimentos e jogos como no The Meeple. É sempre bastante perturbador vê-los dividindo a mesma mesa. 

A convivência entre comida e jogos na mesma mesa.

Como a gente chegou um pouco tarde já, nem deu para jogar muita coisa. O pessoal da Conclave Editora estava lá, rolou um sorteio bem bacana de uma cópia do 4 Gods para quem jogou algum dos jogos deles durante o evento. Eu estou bem curiosa para jogar Barony e Ultimate Warriorz. Também quero jogar 4 Gods novamente, ainda não experimentei a versão final. Depois de escrever sobre Isle Of Skye, fiquei com vontade de escrever sobre ele, por ter também aquela pegada Carcassonne.

4 Gods tem um conceito de tile placement em tempo real bem interessante.

Acabei jogando Attack On Titan Deck-Building Game, o novo jogo lançado utilizado o sistema Cerberus da Cryptozoic, mesmo sistema do DC Comics Deck-Building Game. Quando foi anunciado, eu não levei muita fé. Mas a adaptação ao tema ficou bem bacana. Começa pela acertada decisão de colocar o jogo como um cooperativo. Depois temos a introdução da muralha como elemento central, com toda a dinâmica compra de cartas e enfrentamento de inimigos controlada por ela. Não vou entrar em muitos detalhes aqui, pois certamente vai rolar em breve post completo e vídeo sobre o jogo. Sinto que ele vai ver muita mesa este ano.

Bom trabalho de adaptação da mecânica ao tema.

Basicamente, para vencer é preciso derrotar quatro titãs arqui-inimigos e perdemos se todas as partes da muralha forem destruídas ou dois personagens forem mortos. As habilidades individuais dos personagens aqui são muito importantes e como todo cooperativo as ações precisam ser bem combinadas. Jogamos em 4 pessoas e surpreendentemente conseguimos vencer. Até pensei que tínhamos jogado com alguma regra errada, mas ao conferir depois vimos que estava certinho. É um jogo difícil, mas não tanto quanto outros cooperativos. Ou talvez tenha rolado aquela sorte de principiante. 

Depois jogamos dois joguinhos fillers, um chatinho e outro legal. Achei Celestia bastante insatisfatório porque falha no que considero principal em um jogo de press your luck, não provoca nenhuma emoção. Isso o torna monótono e repetitivo. Rola-se os dados e o jogador da vez precisa jogar cartas com os mesmos símbolos do resultado. Os demais jogadores devem apostar se ele tem as cartas, permanecendo na viagem, ou não, descendo naquele ponto e comprando um carta de pontuação. 

Bonito, mas não divertiu.

Ao longo do caminho, as cartas vão aumentando de valor. Se o jogador não possui as cartas, todos que estiverem com ele voltam ao início do caminho. Quem decide descer fica sem jogar até que isso aconteça. O jogo acaba quando um jogador soma 60 pontos. Celestia é bem bonito e pode ser que funcione bem como gateway, porém achei caro (R$200) para o que oferece, acredito que existem opções mais interessantes para se adquirir na mesma faixa de preço 

Minha experiência com Loot já foi melhor. Não é nenhum jogo incrível, mas ao menos diverte. Os jogadores possuem cartas de navios piratas e mercantes, além dos próprios piratas e almirantes. Na sua vez, o jogador pode colocar um navio mercante na mesa ou baixar um navio pirata para tentar pegar a carta de navio mercante de outro jogador. É um jogo de gestão de mão com leilão. O lance é que os jogadores não podem jogar cartas de piratas de cores repetidas. As cartas de piratas e almirantes permitem vencer automaticamente uma disputa, mas precisam ser baixadas de acordo com a cor. O jogo acaba quando o deck chega ao fim.

Imagem meramente ilustrativa retirada do BGG.

Eu gostei bastante do evento, espero poder voltar outras vezes. Até porque ainda quero ir na hamburgueria e no café com boards e também ficam lá em Niterói. Pelo que me disseram fica tudo meio perto um do outro. Talvez em um próximo The Meeple, eu consiga ir mais cedo para fazer turismo por lá.

Aproveitando que o Igor Knop e o Patrick Matheus estavam no The Meeple playtestando o Gnomopolis, gravamos um pequeno bate-papo com os dois sobre o jogo. Eles também estarão com a gente no Guadalupeças (dia 19). Venha conhecer antecipadamente mais um futuro sucesso nacional.


sexta-feira, 3 de março de 2017

Carnaboards: JogaJF e Conclave Editora


No último domingo, tive a oportunidade de visitar meu primeiro evento em outro estado. Foi uma viagem bem rápida, mas muito divertida. Fomos eu, Felipe, Jesiel (Meeple Divino) e Talita. Chegamos na hora do almoço em Juiz de Fora e fomos muito bem recebidos pelo simpático Igor Knop (Jogatina na Batista), que nos levou para comer em um lugar ótimo. De barriga cheia, nossa primeira parada foi no evento JogaJF que ocorre no China In Box. Eu não almocei lá porque comida chinesa não é a minha praia, mas todos os demais consumiram alguma coisa ao longo do dia. Faço questão de ressaltar isso, porque muitos eventos de boardgames acontecem em lugares que comercializam comida e eu acho importante a galera dar uma força consumindo no local.

Enchendo a barriga antes do evento.

O espaço disponibilizado é bem bacana, fica no segundo andar, separado da área mais movimentada do restaurante. Isso dá mais privacidade e liberdade para o evento. Além disso, o local é bastante arejado, pois além de um ventilador potente, ele possui uma pequena área externa. Eu senti até frio, já que choveu praticamente durante todo o dia. Porém, mesmo com chuva, o evento atraiu uma boa quantidade de pessoas. Infelizmente, fiquei estava tão concentrada em jogar que acabei esquecendo de tirar fotos. Eu sofro bastante com esse problema, aí acabo tirando fotos para postar apenas no meu Instagram pessoal. 

Início do evento e já estava bem cheio.

Acho que o saldo do dia foi bem positivo, joguei quatro jogos que eu ainda não conhecia. Só para abrir a jogatina é que comecei com um bom e velho DC Comics Deck-Building Game. Depois tive a oportunidade de conhecer o tão comentado Santorini. Fizemos uma sessão Histeria Games com Masmorra: Dungeons Of Arcadia e Reinos de Dunagor. E para fechar os trabalhos, uma partida rápida de Jórvík, lançamento da Conclave Editora

Santorini me decepcionou um pouco, achei simples demais, muita beleza para pouco jogo. Cada jogador tem dois workers e na sua vez pode mover um deles e realizar uma ação de construção. Os prédios tem um limite de três andares, o vencedor é aquele que conseguir colocar seu worker no alto do terceiro pavimento. Para impedir que isso aconteça, os jogadores podem construir cúpulas no alto dos prédios. Um worker só pode subir um andar por vez, mas para descer é livre. Uma boa estratégia é tentar bloquear o caminho do oponente. Cada jogador conta também com um deus que dá uma habilidade especial. Ele me lembrou muito um joguinho pequeno que eu tenho chamado Docker, já escrevi sobre ele aqui.

Vitória nas duas partidas que eu joguei.

Santorini é um jogo que impressiona pela beleza.

Eu não gosto de Masmorra de Dados e nem de Arcadia Quest, então foi com zero de expectativa que fui jogar Masmorra: Dungeons Of Arcadia. Não achei que houve nenhuma mudança significativa em relação a versão nacional. É apenas o mesmo Masmorra de Dados só que com miniaturas de Arcadia Quest no lugar dos dados de heróis e os dados de monstro agora são maiores e com ilustrações chamativas para combinar com o restante da estética nova.

A CMON deixou o jogo visualmente mais atrativo.

Quanto ao Reinos de Drunagor, eu até que achei ele bem interessante, o problema é que me lembrou demais Warcraft, então ficou aquela sensação de versão genérica. É uma boa opção dentro do mercado nacional para quem gosta do esquema de coletar recurso, construir coisas e matar monstros. A qualidade dos componentes está muito boa e o preço justo para o porte do jogo. Gostaria de jogá-lo novamente para uma melhor apreciação, eu joguei só com o Felipe, acredito que com mais jogadores ele deva brilhar mais. 

Uma proposta diferente dentro do que temos disponível no mercado nacional.

Componentes bonitos e de boa qualidade.

Jórvík foi jogado na versão rápida de meio tabuleiro porque já estávamos no final do evento, minha intenção foi mesmo ter uma visão geral de como era o funcionamento do jogo. Ele é bem simples, basicamente work placement com manipulação de mercado. Todo turno cartas são abertas e o valor delas é determinado pelo interesse demonstrado pelos jogadores. Apesar de não ter uma habilidade muito grande, exige boa visão de mesa e capacidade de blefe, é um tipo de mecânica que me agrada bastante. Quero jogar novamente, mas não acho que compraria o jogo. O tema é totalmente colado com cuspe e a arte é feia.

Partidinha no modo rápido, metade do tabuleiro, só para conhecer.

Depois do JogaJF, ainda demos uma passadinha na casa do Igor e jogamos Pega em 6 e That´s Life, mini sessão de Kramer. Eu achava que não sabia jogar Pega em 6, mas eu descobrir que o problema é o povo do BGA que é muito monstro nesse jogo. Eu só tinha jogado online, foi a primeira vez fisicamente. Ganhei o jogo e em nenhum momento tive a sensação de não saber o que estava fazendo como sempre ocorre quando estou online. 

Print BGA.

Pega em 6 é um jogo de gestão de mão e pouco de sorte, o que pode desagradar alguns jogadores. Porém, quanto mais eficiente for seu gerenciamento das cartas, menor será o efeito da sorte, apesar dela nunca ficar de fora da equação totalmente. Os jogadores possuem 10 cartas que serão distribuídas ao longo de 4 fileiras por proximidade de valor. Cada fileira possui um limite de 5 cartas, quando a sexta é colocada, o jogador responsável pega todas as cinco cartas que estavam nela. 

As cartas possuem além dos números em si, uma determinada quantidade de chifres. Quando a soma dos chifres das cartas acumuladas por um jogador chega a 66 a partida termina e vence aquele que tiver a menor soma de chifres. É um jogo simples, mas bem divertido, quando você finalmente consegue saber o que está fazendo. Ele é relativamente fácil de achar e super barato. Comporta até 10 jogadores.

Em That's Life, o Kramer mostra que dá para fazer jogo divertido usando roll and move. A mecânica mais popular e desprezada dos jogos de tabuleiro ganha uma nova vida através da adição de elementos para mitigar a sorte. Os jogadores possuem três workers e podem escolher qual deles mover livremente. O caminho é formado por tiles negativos (maioria), positivos e alguns que transformam negativos em positivos, chamados de tiles de sorte. É uma sequência: negativos, sorte, positivos e negativos. 

Um role and move estratégico.

Cada tile de sorte acompanha também um tipo especial de worker. Isso é importante porque quando o jogador move um worker seu que está sozinho em um tile, ele retira esse tile da partida para contar como sua pontuação. O jogador sempre deve tentar permanecer em um tile negativo até que tenha ao menos um outro oponente junto, saindo o mais rápido possível quando isso ocorrer. No caso dos tiles positivos, a luta é para ser o último a sair. Os workers especiais servem para ajudar o jogador e atrapalhar os oponentes. Eles funcionam como uma espécie de worker fantasma, dando uma opção adicional. Porém, só podem ser movido se estiverem acompanhados de, ao menos, um worker de jogador.

That´s Life é um jogo sem nenhum atrativo estético e que nem tenta colar tema nenhum, sendo puramente abstrato. Achei incrível como acrescentando apenas poucos detalhes, Kramer foi capaz de usando uma mecânica tão simplória criar um jogo elegante e estratégico. Uma verdadeira aula de game design. Sempre fico feliz quando tenho a oportunidade de ter contato com jogos assim, é como observar os mecânicos de um relógio. Eu gosto bastante de jogos temáticos e com artes elaboradas, mas isso acaba por vezes mascarando mecânicas pobres, desprovidas de engenhosidade.

No dia seguinte, segunda-feira, visitamos a sede da Conclave Editora. Fomos muito bem recebidos pelo Cristiano e pelo Kleber, uma pena que não deu para jogarmos nada. Porém, o bate-papo foi bem agradável. Sempre legal saber como rola as negociações com as empresas lá de fora e como são as coisas nas feiras internacionais, principalmente em Essen. Algumas histórias de bastidores sobre disputas por licenças com outras editoras nacionais. E como nem tudo são flores, as dificuldades do nosso mercado, impostos e mais impostos.

Já me conquistou logo na entrada.

Teria dado uma bela entrevista se eu tivesse me organizado para isso. Eles comentaram bastante sobre o contrato com a Haba, que é algo que eu tenho bastante interesse, pois é um segmento completamente inédito de jogos chegando ao Brasil. E a qualidade de todo material da Haba é sensacional. Espero que a Conclave consiga logo vencer todo o embaraço da certificação do Inmetro. Falaram também sobre a nova edição do Dominion que está chegando, lançamento de expansões e kit de conversão para quem possui a edição anterior. 

Ambiente bastante acolhedor para bater um bom papo.

Dando uma espiada básica no depósito.

Durante toda a visita, fiquei só de olho na estante de jogos, tentando identificar futuros lançamentos em potencial. Eles disseram que muitos dos títulos que estavam ali haviam sido oferecidos por editoras em reuniões. A Conclave é a editora nacional com um dos catálogos mais diversificados, sempre surpreendendo bastante na divulgação dos seus lançamentos com títulos inesperados.

Será que temos algum futuro lançamento nessa estante?

Foto clássica de visita.

Como eu já disse no início do texto, foi uma viagem bem rapidinha, mas super divertida. Deu para jogar bastante coisa, apesar de não ter conseguido jogar nenhum dos jogos mais pesados que eu queria. Só pude mesmo ficar admirando a coleção do Igor Knop, devia ter batido uma foto. Espero algum dia ter uma coleção como a dele. Meu muito obrigada ao Igor por nos receber tão bem, foi muito legal conhecer o JogaJF. Agradeço também ao pessoal da Conclave Editora por ter aberto as portas para gente e disponibilizado seu tempo para nos atender. Espero que possamos jogar em uma próxima oportunidade. E espero também conseguir visitar mais eventos fora do RJ.

Fotinha turística para fechar o post. :)

quarta-feira, 1 de março de 2017

Isle Of Skye


Faz um bom tempo que estou para escrever sobre Isle Of Skye aqui no blog. Já tem alguns meses que o jogo está na minha lista de espera junto com tantos outros títulos maravilhosos. O vencedor do Kennerspiel des Jahres de 2016 causou bastante comoção devido as comparações com Carcassonne, um dos maiores clássicos modernos. Como grande fã do inconfundível jogo de colocação de tiles de Klaus-Jürgen Wrede, vencedor do Spiel des Jahres de 2001, foi com bastante ansiedade que fui jogá-lo pela primeira vez.

Sendo o Spiel des Jahres um prêmio essencialmente dedicado aos jogos familiares, em 2011 foi criado o Kennerspiel como uma categoria para premiar jogos mais complexos. Muita gente reclama da premiação, por não contemplar jogos verdadeiramente pesados, que acabam no máximo figurando na lista de recomendações do prêmio. Assim foi com Mombasa, outro jogo muito elogiado do Alexander Pfister, em 2016 e com o tão adorado Terra Mystica em 2013.

Se Carcassonne ganhou o Spiel des Jahres e o Isle Of Skye ganhou o Kennerspiel des Jahres, logo podemos concluir que um é mais simples do que o outro. Antes de prosseguir é importante deixar claro que faço referência a conjunto de regras, não a questões estratégicas. Carcassonne é um jogo extremamente simples de ensinar, são quatro formas diferentes de pontuar de acordo com a forma como os tiles e meeples são posicionados. A partir daí, vai de cada jogador como maximizar sua pontuação.

Setup montado para dois jogadores.

Isle Of Skye utiliza o princípio básico de colocação de tiles característico do Carcassonne, mas retira sua outra grande mecânica que é o controle de área ao individualizar o mapa. Cada jogador tem a sua própria área e a organiza da forma que desejar, sem a interferência direta dos demais. Em Carcassonne, a colocação dos tiles é realizada de forma coletiva em um mesmo local, então é preciso ter um planejamento flexível.

Cada jogador organiza seu mapa da forma que desejar.

Outra questão de bastante aleatoriedade em Carcassonne que é alterada em Isle Of Skye é a forma como os tiles entram em jogo. Ao invés de simplesmente pegar um tile randomicamente em uma pilha ou sacola, foi implementado todo um sistema de seleção muito interessante, e que é o coração do jogo. Cada jogador retira três tiles da sacola, secretamente escolhe um para eliminar e coloca preço nos restantes. Então, os jogadores irão pagar o valor informado para comprar um tile do oponente que seja do seu interesse.

O biombo além de servir para fazer as escolhas secretamente, ainda tem um resumo bem útil das fases do turno.

Um jogador compromete seu dinheiro ao precificar seus tiles, por isso é preciso avaliar bem quanto colocar em cada tile e quanto reservar para comprar os dos oponentes. Os tiles do jogador que não forem comprados por ninguém, ficam com ele. Então, uma estratégia para permanecer com o seu próprio tile é colocá-lo por um preço bem alto. O problema de fazer isso, é que deixa claro sua intenção. Assim sendo, é uma linha de ação mais imediatista e arriscada. Vai ser interessante ou não dependendo da situação da partida. A forma de ganhar dinheiro, além da venda dos tiles, é pela quantidade de tiles com baús ligados ao seu castelo, que é o tile inicial, no início de cada turno.

É preciso ficar esperto para posicionar os tiles com baús ligados por estradas ao seu castelo.

Os critérios de pontuação em Isle Of Skye variam de uma partida para outra. Em cada uma delas serão usados quatro tiles de pontuação de diferentes, em princípio separados e depois combinados ao longo dos seis turnos de duração da partida. O jogo vem com uma grande quantidades deles, o que permite bastante variação e aumenta ainda mais a sua rejogabilidade. A forma como os objetivos vão gradativamente se combinando durante a partida é bacana porque leva o jogador a pensar tanto a curto como a médio prazo.

Muito bacana o sistema de pontuação através de objetivos variáveis.

A primeira vez que joguei o Isle Of Skye tive um pouco de dificuldade com esse esquema de compra dos tiles. Não conseguia visualizar todas as opções e escolher a mais adequada com rapidez suficiente. Isso me fez ficar travada, gerando impaciência em todos na mesa, inclusive em mim mesma. Então, minha primeira avaliação do jogo não foi tão positiva. Até porque, meio que inconscientemente, acho que estava esperando aquele clima mais tranquilão de Carcassonne. A pegada do Isle Of Skye é muito mais tensa. 

Mesmo assim, gostei muito desse sistema de compra elaborado pelo Alexander Pfister, só achava que não era para mim. Além disso, demorei a enxergar o quanto ele era central no jogo. Nesse contato inicial, fiquei mais admirada com a pontuação variada e suas combinações. Só quando joguei novamente e superei a dificuldade com a seleção de tiles na compra foi que enxerguei melhor a elegância do processo.

Isle Of Skye foi bastante comentado aqui no Brasil porque além de ter vencido do Kennerspiel de Jahres, o que sempre aumenta a visibilidade de qualquer jogo, ele ganhou versão nacional em tempo recorde pela Papergames. Eu não tive contato com a versão gringa, mas achei a brasileira de ótima qualidade. O preço é um pouco mais elevado do que o do Carcassonne, mas acho justo para o porte do jogo, ele está saindo na maioria das lojas por volta de R$200. O Isle Of Skye possui semelhança suficiente para justificar a comparação com o Carcassonne, mas é diferente o bastante para que ambos possam figurar lado a lado na coleção

Confira o nosso vídeo para mais informações sobre o jogo: