terça-feira, 27 de setembro de 2016

Inauguração da loja Game Of Boards



Sábado rolou a inauguração de uma nova loja aqui no RJ. A Game Of Boards abriu sua primeira unidade física em uma galeria bem bacana localizada no Catete, bem próxima ao metrô. O local é pequeno e simples, porém bem arrumado e organizado. Eles conseguiram criar um ambiente bastante acolhedor com poucos elementos. As estantes feitas de pallets de madeira unem beleza e praticidade. Eles usaram esse mesmo material no Diversão Offline, sendo um dos melhores estandes do evento e atraindo bastante a atenção de todos.

Dentro da loja só há espaço para apenas uma mesa, mas há um bom espaço livre nos corredores que pode ser usado para jogatinas e ainda há um pequeno teatro nos fundos que também pode ser usado com esse objetivo. Exatamente o que aconteceu na inauguração, eles utilizaram esse local para fazer um espaço bem bacana para a galera jogar. Havia um acervo disponibilizado pela loja com jogos de diversas editoras e os jogadores também podiam aproveitar para estrear logo suas aquisições.



Eu joguei Abyss, um jogo que o Felipe já tinha jogado algum tempo atrás e dito que era muito bom, mas que demorou para entrar para a coleção por causa do seu alto preço. Acabamos comprando em uma promoção louca da Livraria Cultura poucos dias atrás, mas eu ainda não havia jogado. Gostei bastante do jogo, mais um trabalho de qualidade do Bruno Cathala. Devo fazer um post sobre ele em breve.

Para a inauguração, eles fizeram um esquema de desconto progressivo. O que estimulou ainda mais o público presente a comprar em quantidade. A loja estava bem abastecida com uma grande variedade de títulos de todas as principais editoras, além de alguns títulos importados também. Algo que me chamou atenção e que me deixou muito feliz, é que foi a primeira vez que vi um loja que trabalha apenas com boardgame. Na Game Of Boards, o boardgamer não precisa se preocupar em disputar espaço com jogadores de Magic e afins. É um espaço aberto por boardgamers para boardgamers.


Eu comprei apenas o Tokaido, que foi um dos jogos mais vendidos, acredito que por ser um dos lançamentos mais recentes da Galápagos Jogos. Quase todo mundo no local estava levando uma cópia dele para casa. Outro jogo que acabou de sair e também vi que saiu bastante foi o Rock N Roll Manager, jogaço nacional do game designer Leandro Pires publicado pela Conclave Editora. A venda de jogos pequenos como Matryoskha e Dead Man's Draw também foi considerável.

Para quem ainda não é cliente da Game Of Boards vale uma visita na loja para conhecer esse novo espaço do boardgame carioca. Os sócios da loja são todos muito acessíveis, sempre procurando se fazer presentes para prestar o melhor atendimento. Para quem já é cliente, a existência da loja física é mais uma facilidade, pois agora te dá a opção de um local fixo para ir buscar o seu jogo, para quem prefere pegar em mãos ao invés do envio pelos correios. Lembrando que o Guadalupeças é parceiro da loja e sempre existe a opção de pegar compras realizadas através do site lá no nosso evento.


Confira mais detalhes na entrevista que fizemos com o Victor e o Daniel, sócios da loja:


Serviço:

Endereço: Rua Correa Dutra, 99, loja 214 - Catete - Rio de Janeiro/RJ
Funcionamento: De segunda a sábado, das 15h às 21h.
Mais informações: http://www.gameofboards.com.br/

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Guadalupeças


Domingo tivemos uma edição um tanto quanto atípica do Guadalupeças, ocorreram alguns problemas que atrapalharam um pouco o bom andamento do evento. Em virtude disso, não pude me comprometer em jogos novos ou longos. Por isso, peço desculpas ao rapaz que estava lá com um protótipo e me convidou para experimentar, mas tive que declinar por não estar em condições de dar o tempo e atenção necessários. Espero poder compensar em uma outra oportunidade. Peço desculpas também por não lembrar os nomes nem do jogo, nem do autor.

Pelo menos a foto, eu consegui tirar.

Como eu precisava jogar algo rápido e de preferência que eu já soubesse a regra, acabei caindo no Ascension. Eu já havia jogado antes para conhecer e ver se valia a pena pegar porque eu já tinha o DC Comics Deck-Building Game. Minha conclusão foi que o jogo é genérico demais e não oferece nenhum diferencial que justifique sua presença na minha ludoteca. Mas é uma boa opção de compra aqui no Brasil para quem não tem nenhum jogo do gênero, acho melhor do que Dominion e se não me engano ainda é mais barato.

Joguei três partidas seguidas de Ascension, ele é bem agradável de jogar porque é bem rápido. Não é possível guardar cartas de um turno para o outro, independente de terem sido utilizadas ou não, todas vão para o descarte no final da vez do jogador. Isso faz o jogo ficar muito dinâmico e quanto mais você conhece as cartas, mais rápido faz suas jogadas e mais tem vontade de jogar, seja para tentar novas combinações ou corrigir falhas só percebidas posteriormente.

Eu joguei com o Heitor, um amigo de algum tempo já, que ficou um pouco sumido do universo do hobby, mas agora está de volta. Ele é um grande fã de cardgames, em especial essa mecânica de construção de deck. Ele ainda não conhecia o Ascension, mas já havia jogado bastante Dominion. Foi uma vitória para cada lado nas duas primeiras e na terceira foi uma vitória fácil dele. 

Então, fui apresentar para ele o DC Comics Deck-Building Game. Jogamos apenas uma partida, mas a opinião dele foi a mesma que a minha, e lamentou que só seja possível comprar o jogo através de importação. DC Comics Deck-Building Game deve ser o jogo que mais viu mesa esse ano e todos para quem apresentei sempre gostaram muito, tanto é assim que sempre rola várias mesas dele ao longo do dia no evento. Confira o nosso post completo sobre ele.

Um dos jogos mais jogados do evento. 

Depois foi a vez dele me apresentar um jogo novo. Rise To Power é um dos futuros lançamentos da Pensamento Coletivo no Brasil divulgados no Diversão Offline. Eu confio bastante nos gostos do Filipe Cunha, pois são muito parecidos com os meus, então sempre que eles anunciam novidade quero logo experimentar. E eu já tinha gostado bastante do jogo visualmente. Ele tem uma arte futurista que me remete a Race For The Galaxy.

Rise To Power é um jogo de construção de cidade que lembra Citadels, mas sem durar uma eternidade, porque aqui ninguém pode destruir suas construções, e também sem os papéis, apesar de que parece que eles existem em expansão. Mas o objetivo é construir um determinado número de construções, quando isso acontece o fim da partida é disparado e os demais jogadores têm mais um turno para tentar aumentar suas pontuações. 

As cartas são dupla face, de um lado temos os contratos e do outro as construções em si. O jogador pega o contrato e precisa pagar do valor em dinheiro especificado da sua mesma cor para virar para construção. Mas o lado do contrato possui ações muito boas, se o jogador optar por usar a ação, a carta vira para construção e vai para uma área aberta onde o próximo jogador pode pegá-la sem custo. Isso, entre outras coisas, torna Rise To Power um jogo de decisões difíceis. 

Visão geral do jogo.

Ele não tem regras complicadas, mas possui uma certa curva de aprendizagem. A primeira partida é só para pegar as regras mesmo, até porque o design e a iconografia geram um estranhamento inicial que precisa ser rompido. Escrevi bem superficialmente aqui porque pretendo fazer um post completo só sobre ele em breve. Rise To Power despertou em mim aquela vontade de jogar repetidas vezes para entender as suas regras e possibilidades estratégicas.

Como eu já disse no início, esse foi um Guadalupeças um pouco atípico por uma série de problemas que tivemos, isso acabou afetando também o registro fotográfico do evento. Como só eu estava tirando fotos, e quando sento para jogar acabo por esquecer de fazê-lo, acabamos com uma quantidade bem limitada, e nenhuma das partidas que participei, Preciso aprender a ficar mais atenta a isso e também tirar fotos de mim mesma quando jogo. Mas segue abaixo, algumas mesas que consegui fotografar.

Galera adorou jogar Vudu. Foi o sucesso dessa edição do evento.

Pessoal montando Cazadores de Fósiles, um jogo mexicano sobre o qual em breve vai rolar post aqui.

E é claro que não poderia faltar o Rock N Roll Manager.

Agradecemos a todos pela presença e esperamos revê-los no mês que vem. Curtam as páginas do Guadalupeças e do Turno Extra no Facebook para acompanhar todas as novidades. Estamos com uma parceria com a Bravo Jogos, compre com desconto utilizando o código TURNOEXTRA. E a nossa loja parceira aqui no RJ, a Game Of Boards, vai inaugurar sua primeira unidade física no próximo sábado com muitas promoções e descontos. Estaremos lá, apareça para conhecer a loja e também jogar com a gente. Com certeza será uma tarde muito divertida. 


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Rock N Roll Manager


Rock N Roll Manager é sem nenhuma sombra de dúvida um dos melhores lançamentos nacionais do ano, dividindo o posto apenas com o "arrasa-quarteirões" Space Cantina, pelo menos até o momento. A Conclave Editora foi bastante ousada ao optar por um lançamento direto ao público, algo que infelizmente ainda é pouco comum no nosso mercado. Admiro muito o trabalho desta editora mineira que, na minha opinião, tem se destacado com ações que a colocam sempre um passo a frente da concorrência. Trilhando caminhos alternativos, mas com o cuidado aprendido com  os longos anos de experiência. Isso passa credibilidade ao produto apresentado.

Jogo montado com setup para duas pessoas.

Sendo o primeiro investimento em jogo nacional feito pela Conclave Editora, não levei em consideração aqui o Midgard por ser de autoria do próprio Cristiano Cuty, desde o fechamento do contrato até o lançamento em si tivemos um processo que levou mais de um ano. Um tempo longo se considerarmos o quão sólido já estava o protótipo em termos de regras, tanto que as mudanças apresentadas no produto final foram mínimas, apenas ajustes finos

O grande trabalho da Conclave Editora foi na parte de arte e diagramação, além disso é perceptível o capricho nos componentes (a qualidade das cartas está absurdamente boa). O resultado final foi um produto que não fica devendo nada para nenhum jogo gringo. Algumas contribuições de destaque que ajudaram a enriquecer ainda mais esse produto que já era incrível foram: os workers no formato da famosa "mão chifrada", o dinheiro no formato de palhetas, as paródias de bandas clássicas e as pequenas modificações no tabuleiro que o tornaram ainda mais funcional.

Muito boa a ideia dos workers em formado de "mão chifrada".

O dinheiro em formato de palheta foi outra ótima sacada. 

O Rock N Roll Manager é um Euro leve-médio com regras bastante intuitivas e fluidas, usando uma das mecânicas mais queridas e clássicas - Work Placement, e um tema muito bem encaixado, além de altamente atrativo. Considero um bom gateway para apresentar o estilo a novos jogadores, mas sem deixar de lado a profundidade estratégica para os jogadores mais experientes. O tempo de duração das partidas também é um bom fator, pois dificilmente passa de duas horas, mesmo contando com a explicação. A quantidade de componentes é bem tranquila, o que torna fácil montar e guardar depois, tudo fica perfeitamente acomodado dentro da caixa. Além de rodar muito bem com qualquer quantidade de jogadores.

As cinco bandas disponíveis no jogo.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Meu primeiro contato com Rock N Roll Manager foi no primeiro semestre de 2014 em uma edição do Guadalupeças. Gostei muito do jogo porque ele unia duas coisas que gosto muito, Rock e Work Placement, de uma maneira simples e bem integrada. O tempo de partida relativamente rápido para o tipo de jogo que era também foi algo que considerei bem positivo. Além disso é um jogo que apesar de apertado, não chega ao nível frustrante de não conseguir fazer nada ou só começar a fazer as coisas já no final. Eu gosto dos chamados "jogos de cobertor curto", um dos meus Euros favoritos é Agricola. Porém, é bom ter opções para sentar e relaxar, administrando com mais tranquilidade seja lá o que for. Um jogo que me passa muito isso é Myrmes, Eu achei o Rock N Roll Manager mais próximo da paz de Myrmes do que do desespero de Agricola, guardadas as devidas proporções, pois ambos são jogos mais complexos.

Meu primeiro contato com o jogo.

Enfim, no segundo semestre de 2014, fizemos uma edição do Guadalupeças especial com a Conclave Editora. Era uma prática bastante comum que tínhamos e quero muito trazer de volta, especiais temáticos ou com editoras específicas. Neste dia, o Leandro estava novamente no evento e foi assim que o Cristiano e o Kleber conheceram o Rock N Roll Manager. Por menor que tenha sido a minha participação nesta história de sucesso, não posso deixar de expressar o orgulho que sinto por isso. Claro que eles poderiam ter se encontrado em qualquer outro evento, o crédito é todo do Leandro Pires pelo excelente trabalho como game designer e dos caras da Conclave Editora que tiveram visão para reconhecer o valor do material  que estava diante deles.

Primeiro contato da Conclave Editora com o jogo.

Depois disso, foi só a ansiedade de aguardar o lançamento do jogo. No post de retrospectiva de 2014, eu escrevi que o Rock N Roll Manager era um dos melhores protótipos que eu tinha jogado no ano e que tinha grande expectativa de vê-lo lançado em 2015. Nem lembro se na época eu já sabia que estava fechado com a Conclave Editora, acredito que não. Tudo aconteceu em dezembro, com poucos dias de intervalo, acho que eles nem tinham como ter negociado nada mais sério.

Em 2015, fiquei no processo de perturbar o Cristiano e o Leandro para saber novidades. As coisas pareciam estar andando devagar e a Conclave Editora estava envolvida em tantos projetos grandes. Eu lembro que soltaram a arte de capa e depois mais nada por meses. Quando chegaram com o protótipo no Diversão Offline fiquei bem feliz, o projeto estava andando. Ainda assim, entrei 2016 perturbando tanto designer quanto editora por mais informações. Nesse meio tempo, o Leandro me deixou ler o manual. A notícia do lançamento no Diversão Offline foi maravilhosa, mais uma vez a Conclave Editora acertando muito. Como pude ter dúvida do trabalho deles?

Diversão Offline 2015.

Diversão Offline 2016.

Antes do lançamento, eu ainda peguei a versão quase final do jogo. A ideia era fazer um vídeo de gameplay, o que infelizmente acabou não rolando. Usamos ele no nosso vídeo pré-evento para tentar passar uma ideia do que era o jogo. O que a Conclave Editora fez no Diversão Offline na verdade foi uma espécie de pré-lançamento com uma quantidade limitada de cópias, agora que o jogo está chegando as lojas de todo o Brasil. Eu gostei bastante disso por várias razões: valorizou o produto, prestigiou o evento e deu visibilidade para o game design nacional.

Leandro Pires, o feliz game designer do Rock N Roll Manager.

O JOGO

Este post está sendo quase como um álbum do Dream Theater, mas eu não tinha como simplesmente escrever sobre o jogo sem colocar todas as outras questões, Por isso mesmo, resolvi fazer o texto com divisões para quem quiser ir direto ao que interessa. Acho que vou fazer isso com tudo o que escrever de agora em diante, meus posts têm essa tendência de serem bem grandes, isso vai facilitar a leitura e a identificação mais rápida das informações.

Como eu já disse mais acima, Rock N Roll Manager é um Euro leve-médio cujo o tema é administração de banda de rock e a mecânica principal é o Work Placement. Com regras bem intuitivas e fluidas, acho um bom gateway para jogadores novatos no estilo. Cada jogador possui um tabuleiro individual que representa a sua banda e no tabuleiro principal temos as ações possíveis do jogo, em uma notável ordem lógica: Loja, Ensaio, Estúdio, Mídia e Shows.

Uma visão do geral do tabuleiro ainda vazio.

O jogo possui 9 turnos divididos em 3 temporadas, ao fim de cada uma delas, temos um evento extraordinário que é o Festival, algo que é verdadeiramente significativo no mundo do Rock. Além disso, nós temos as trilhas interligadas de Fama e Talento, importantes no gasto e ganho de dinheiro por causa da Parada de Sucesso. Mais Talento aumenta a Fama, porque aumenta o valor de seus álbuns lançados, porém também faz a banda ter um custo de manutenção maior. Essa é uma parte sensacional do jogo que vou detalhar mais abaixo.

Vamos ao funcionamento do Rock N Roll Manager, cada jogador possui três workers que serão posicionados alternadamente. A ordem inicial é feita através de sorteio. O primeiro jogador começa com $10, o segundo com $12 e assim sucessivamente, sempre aumentando em 2 o valor. Cada tabuleiro de banda tem uma formação inicial impressa, os jogadores escolhem dois tokens de instrumentos adicionais dos tipos mostrados para começar, porém precisam ser do primeiro nível. Toda banda possui um instrumento começando no segundo nível. As fichas extras não são adicionadas diretamente ao tabuleiro da banda, ficando do lado de fora.

Tabuleiro individual no início do jogo.

Anteriormente, não haviam essas fichas extras e nem a formação inicial fixa. Isso fazia com que os jogadores corressem obrigatoriamente para a ação de Loja e tornava o jogo mais lento e truncado. Essa modificação além de promover maior adequação temática como será explicado mais abaixo, também deu mais fluidez ao jogo por aumentar a liberdade de escolhas.

Vamos ao detalhamento de cada uma das ações possíveis em Rock N Roll Manager:

- LOJA

Essa é uma das principais ações do jogo e a que tem mais detalhes de regras. Cada tipo de instrumento possui duas tonalidades diferentes e cada linha da loja contando de cima para baixo um valor de custo crescente, conforme a tabela da temporada. O jogador pode comprar até três instrumentos, sendo que fichas coringas e instrumentos 2X valem como 2 fichas comuns. Os jogadores só podem comprar da linha no qual o worker foi posicionado. Porém, existe um espaço de alocação mais abaixo que permite comprar de qualquer linha, entretanto essa compra vai ser feita pelo preço mais alto da tabela e por último. No manual, essa opção é tratada como uma variante. Mas como aprendi o jogo já com ela, acabo sempre utilizando dessa forma e ensinando isso como parte da regra regular.

Os diferentes tipos de tokens de instrumentos do jogo.

Workers posicionados na Loja.

Worker alocado no espaço extra

O preenchimento da Loja não muda independente do número de jogadores, o que me deixou um pouco confusa por causa da última linha que vem indicando utilizando apenas com 4/5 jogadores. Não me pareceu a princípio fazer sentido preencher uma linha que não será utilizada. Porém, as fichas restante da primeira linha são retiradas e as demais deslocadas para cima, ficando assim mais baratas. Portanto, temos um mercado futuro que fica ainda mais proeminente na partida com 2/3 jogadores. Para completar, ocorreu um erro de diagramação que mostra 5 linhas preenchidas, quando na verdade essa quinta linha não existe, é só um espaço extra de alocação como explicado no parágrafo anterior.
Os tokens restantes sobem e os espaços vazios são completados por novos instrumentos.

- ENSAIO

A ação de Ensaio serve para o jogador posicionar as fichas compradas na ação de Loja. Ele pode colocar até 4 fichas de um único instrumento a sua escolha, respeitando a tonalidade previamente determinada. O limite de evolução de um instrumento é o nível 5, porém os níveis 3 e 4 exigem a sobreposição de duas fichas de instrumento ou então o uso da ficha especial 2X. Sempre que houver um avanço de nível deve ocorrer o ajuste correspondente na trilha de Talento. Existe uma linha em branco no tabuleiro da banda, para caso o jogador queira adicionar um instrumento extra.

Baterista rockstar.

Como já dito anteriormente, cada banda já vem com uma formação padrão, o instrumento dessa inicial que já vem com nível 2 homenageia em que a banda parodiada se destaca. Achei bacana a preocupação com esse tipo de pequeno detalhe. A escolha das bandas foi muito boa, cada banda com destaque em um instrumento específico, só os grandes clássicos. Ficou uma parada tipo "dream team". E ainda teve homenagem a nossa maior banda nacional. Só achei que poderia ter mais bandas, o número é certinho para a quantidade de jogadores. Fica aí aquela sugestão para uma futura expansão. Senti falta de Twisted Sister por motivos de I Wanna Rock. XD

Minhas bandas favoritas.

- ESTÚDIO

Uma ação bem importante no jogo é a gravação de álbuns, pois são fonte de Fama e Dinheiro. Quanto maior a posição na trilha de Talento, melhor colocado o álbum entra na Hit Parade, que eu realmente não entendo porque tem esse nome. Por que não Parada de Sucesso? O interessante aqui é que os álbuns são por temporada, dois para cada uma delas. Se não for lançado na temporada correta fica completamente inutilizado. Um álbum rende pontos de Fama apenas no momento de seu lançamento, apenas a renda em dinheiro é contínua. Entretanto, todo fim de turno os álbuns descem uma posição na Parada e sofrem uma diminuição de valor até chegarem a zero. Aqui ocorreu outra modificação interessante, pois anteriormente os álbuns eram descartados. Assim ficou mais suave.

Conseguir lançar todos os álbuns e mantê-los bem colocados é importante.

- MÍDIA

Essa ação permite escolher entre 3 opções diferentes: pegar o primeiro jogador e aumentar em 1 posição o valor de 1 dos seus álbuns na Parada de Sucessos, avançar um ponto nas trilhas de Fama e Talento ou receber dinheiro de acordo com a temporada ($7 / $10 / $15). Uma malandragem dessa ação especificamente é colocar seu worker no último espaço disponível, se o objetivo for pegar o lugar de primeiro jogador na ordem do turno. Particularmente, não me preocupo muito com isso não, meu objetivo é mais subir os álbuns na Parada de Sucesso para ganhar mais dinheiro.

- SHOWS

Aqui não tem muita disputa, o worker é alocado no show específico que o jogador deseja fazer. Diferente dos Festivais, os Shows não possuem nenhum tipo de pré-requisito. O jogador simplesmente ganha a recompensa mostrada na carta e pronto. Elas também vêm com símbolos geométricos que simbolizam os cinco diferentes continentes. O jogador que conseguir fazer esse pequeno Set Collection ganha um bônus de pontuação (Fama) no final da partida. Afinal, se a banda se apresentou em todos os continentes, ela é bem famosa. Sobrando cartas de show não realizados no final do turno, elas são descartadas e substituídas por novas. Essa é uma parte que ficou um pouco confusa no manual. Isso é explicado na parte de Manutenção que acabou ficando misturada a algumas outras questões relacionadas com a Mudança de Temporada. Era algo que deveria ter sido reforçado na parte específica que trata de Shows.

Exemplo de shows disponíveis na primeira temporada.

Shows em todos os continentes durante as três temporadas do jogo.

- PAGAMENTOS E EMPRÉSTIMOS

Depois de resolvidas todas as cinco ações do tabuleiro, é hora de fazer a contabilidade da sua banda. Verificar quanto ela arrecadou com os álbuns lançados e quanto precisará pagar de custos operacionais, o que é determinado pelo seu nível na trilha de Fama. Na falta de dinheiro o jogador recebe uma ficha de empréstimo de valor $10, ele também pode solicitá-la a qualquer momento da partida, porém não faz muito sentido pegar empréstimo quando se tem dinheiro em caixa. Empréstimos geram cobrança de $1 por turno e podem ser quitados a qualquer momento. Terminar a partida sem pagá-los acarreta na perda de pontos de Fama.

- FESTIVAIS

Eles ocorrem no final de cada temporada, após a fase de Pagamento. Existe uma variante que sugere fazê-los antes porque assim aumentaria os custos pagos pela banda dificultando mais o jogo. Ainda não experimentei jogar dessa forma. Em cada temporada, são resolvidas duas cartas de Festival, na primeira ambas ficam abertas, nas demais apenas as do lado esquerdo, ficando aquelas a direita como surpresas. Outro ponto que o manual falha na clareza da explicação.

Rock In Rio ou Tuska Open Air? XD

Para vencer um Festival, a banda precisa ter o maior nível somado dos instrumentos solicitados na carta. A ideia é com isso representar os anseios dos diferentes públicos. Só achei pequena a quantidade de cartas de Festival. Em caso de empate, ambos levam a pontuação de Fama do Festival. Porém, não a carta, que pode ser importante no final por se tratar de um critério de desempate, na verdade o único.

Após o último Festival da terceira temporada é hora de fazer a pontuação final, que foi colocada de uma maneira muito clara no tabuleiro de cada banda, para que os jogadores possam jogar saber o que dará ponto ou não no final e assim escolherem seus caminhos em busca dos pontos de Fama, que são o grande objetivo do jogo.

- OBJETIVOS

O jogo possui uma área de Objetivos aleatórios, sorteados no momento da montagem do Setup, que dão 5 pontos de Fama quando completados. Reivindicar Objetivo é uma ação livre que pode ser realizada a qualquer momento em que o jogador perceber que conseguiu cumpri-lo. É apenas um algo a mais no jogo para oferecer mais uma possibilidade para ganhar mais Fama.

Todos os Objetivos disponíveis no jogo.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Rock N Roll Manager é um jogo que consegue cumprir o que se propõe com regras simples que trabalham muito bem em prol do tema. Ele oferece sim boas opções estratégicas, mas nada que exija uma grande curva de aprendizado. O manual deixa a desejar em alguns pontos, mas não chega a ser ruim e dá conta de explicar bem o jogo. As regras intuitivas fazem com que depois de uma ou duas leituras iniciais só seja necessário consultá-lo para esclarecer questões muito pontuais. Digo isso por experiência própria, passei mais de um ano sem jogar e quando peguei novamente senti uma profunda familiaridade. Quanto aos componentes, a Conclave Editora fez um ótimo trabalho. Por seu tamanho e qualidade, acredito que o jogo saiu por um preço justo, cerca de R$220.  

Confira também as nossas opiniões sobre o jogo assistindo o vídeo abaixo:


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Guadalupeças



No último domingo ocorreu mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. Ele foi realizado uma semana depois do habitual em razão do conflito de data com o Diversão Offline. Foi um evento um pouco mais vazio do que os anteriores em razão disso, até porque também não trabalhamos tanto a nossa divulgação, já que estávamos ocupados liberando o material produzido no Diversão Offline

Nesta edição do Guadalupeças, tivemos uma presença ainda mais significativa de pessoas completamente de fora do hobby, muitas famílias com crianças. Tanto que estamos pensando em ações para atender melhor a esse crescente e público nas próximas edições. Como jogadora, eu tenho uma inclinação bem maior para o lado dos jogos mais pesados; porém quando se organiza evento é preciso pensar mais no que é adequado aos seus frequentadores.

Fruit Salad estreou já fazendo sucesso.

Contamos com a presença do parceiro Filipe Cunha da Pensamento Coletivo, que trouxe os jogos novos da editora: Entropy, Don't Turn Your Back e Rise To Power. Infelizmente, ainda não foi desta vez que consegui experimentá-los, mas dei uma conferida nos componentes e gostei muito do que vi. Só a explicação sobre do que se tratava cada jogo já tinha me deixado bastante animada com eles. Assim sendo, ver a beleza do material só aumentou a minha ansiedade por oportunidade de jogá-los. Porém, o Filipe estava mais no clima jogador e acabou colocando na mesa o bichão que vocês podem ver nas fotos abaixo.


Cartas que não acabam mais.

Outra presença querida que tivemos no nosso evento foi do game designer Rodrigo Rego que trouxe o Micropolis e o Copacabana para apresentar para a galera, dois jogos que estão planejados para serem lançados pela Redbox Editora em 2017. No Diversão Offline, eu só tive a oportunidade de jogar rapidamente o Micropolis em uma partida contra o próprio Rodrigo. Tinha ficado só na vontade em relação ao Copacabana. Questão resolvida neste Guadalupeças.

Comecei jogando o Copacabana, um jogo com uma temática que tem bastante apelo com os cariocas e acredito que com jogadores de outros lugares do Brasil também, afinal é um local mundialmente conhecido, um dos símbolos do nosso país. O jogo situa os jogadores no momento histórico da expansão do bairro com a abertura do Túnel Velho e o mandato como prefeito de Pereira Passos que ficou conhecido pelo seu trabalho intenso de reforma urbana. Essas não são questões fundamentais no jogo, mas é interessante de saber.

A mecânica principal de Copacabana é colocação de tiles. A peça inicial do jogo marca as ruas mais importantes do bairro, tem a Praça Serzedelo Correa como área central, acima dela temos uma área para alocação de tiles de construções e os tiles de morro que delimitam a expansão do mapa; na parte de baixo ocorre o mesmo, um espaço para tile de construção e os tiles de praia. Então, temos uma expansão que ocorre basicamente na horizontal. O objetivo do jogo é montar ruas valorizadas para colocar nossos meeples.

Rodrigo explicando as regras para a galera.

Na sua vez, o jogador tem duas opções de tiles de construção abertas e os tiles de morro e praia. Ele vai escolher um deles e colocar em um local da sua escolha. Quando uma rua é fechada, duas colunas de três tiles posicionados lado a lado, verifica-se quem tem a maior quantidade de meeples na rua e o jogador ganha um tile especial que é algum marco do bairro, tipo o Copacabana Palace.

As primeiras ruas se formando.

Existem quatro tipos de tiles de construção no jogo: hotel, boate, cinema e apartamentos, cada um deles possui regras diferentes para colocação de meeples. O mais interessante é a boate que te dá pontos quando você coloca, mas desvaloriza a rua. É ótima para colocar em uma rua que outro jogador tenha maioria de meeples, porque te fazer pontuar e ainda atrapalha o oponente. Os hotéis também são um investimento importante, principalmente na orla.

Uma foto mais de perto para melhor visualização. 

Não vou entrar em mais detalhes porque o final é muito salada de pontos. Foi a parte que achei mais complicada no jogo. Porém, eu consegui ter uma boa visão do que fazer para ganhar o jogo. Minha vitória não foi um acidente inesperado, teve um planejamento. Apesar de eu estar jogando com uma mesa na qual praticamente todos eram novatos, isso claro que pesou a meu favor. Porém, eles conseguiram entender bem o jogo e a partida teve uma boa fluidez.

Fim de partida. Foi assim que ficou nossa versão de Copacabana.

Depois foi a vez de experimentar o Micropolis em duplas, tem em vista que eu já havia jogado a versão 1X1 na semana anterior. Ele é um jogo mais simples de regras e quantidade de componentes do que o Copacabana, porém com uma curva de evolução de aprendizado bem mais alta porque exige muito da sua atenção espacial e a temática é bem menos presente, o que torna ele um jogo mais seco.

Rodrigo explicando as regras de Micropolis.

Em Micropolis, tentamos juntar tiles de cores específicas conforme nossos objetivos, um aberto composto por três tiles e outro secreto formado por quatro. O jogo começa com três aleatórios sobre a mesa e a compra pode ser realizada de duas formas, pegar um tile aberto ou dois fechados para escolher um, o outro será colocado aberto na área de compras, não existe um limite para seu tamanho.

Quando um jogador cumpre um objetivo, ele coloca marcadores de influência em cima de cada tile usado para isso e o tile do objetivo é posicionado em cima de qualquer um deles, a escolha do jogador. Essa é a única influência definitiva possível no jogo, as demais podem ser futuramente substituídas pelas de outro jogador que venha a cumprir seu objetivo usando algum dos outros tiles restantes. O jogo acaba quando a última influência for utilizada.

Partida em andamento.

No jogo em dupla, os jogadores sentam intercalados e a principal estratégia é tentar preparar caminho para o seu parceiro fechar o objetivo dele, um deve tentar o outro a fechar seus objetivos ao invés de ficar focado em seu próprio, além é claro de manter o olho aberto nos objetivos dos jogadores da outra dupla para não entregar objetivo de bandeja. O jogo de dupla exige muito mais atenção e por isso acaba por fritar ainda mais o cérebro do que uma partida cada um por si. Eu gostei bastante da experiência apesar de ter sido massacrada. Para pegar as manhas do Micropolis é necessário jogar várias vezes. Espero poder jogar ambos os jogos outras vezes, pois gostei muito deles.

Momentos finais da partida. Na próxima, quero fazer dupla com o Rodrigo. XD

De resto, meu Rock N Roll Manager foi estreado no evento, mas eu não joguei, só ensinei as regras para a galera. A recepção foi muito boa como já era de se esperar, a Conclave Editora acertou muito em apostar nesse Euro nacional incrível. Eu já escrevi sobre ele aqui na época que joguei o protótipo, uns dois anos atrás. Mas pretendo fazer um post totalmente dedicado a ele para mostrar como ficou a versão final. E espero em uma próxima edição contar com a presença do Leandro Pires, game designer do jogo, pois já tem outros projetos rolando e quero conhecê-los.

Joguinho bom até para explicar. As dúvidas foram mínimas ao longo da partida.

E não parou por aí de nacional rolando no evento não, tivemos mesa de Zona Mágica, que o Shamou do Castelo das Peças trouxe para gente. Porém, o Michael da Arcano Games gentilmente já nos enviou uma cópia do jogo. Então, teremos sempre Zona Mágica no Guadalupeças, mas esse eu não vou fazer post de versão final porque o protótipo que recebi era praticamente uma versão final e o texto que fiz na época do FC dele ficou bem completo, porque não foi algo jogado apenas em evento, como é o mais comum. Eu tive a oportunidade de analisar com mais calma. O Contária, próximo lançamento da editora, já está a caminho aqui do RJ. Em setembro, teremos mais essa novidade para a galera conhecer.

Pessoal conferindo o Zona Mágica.

O Felipe apaixonado pelo Masmorra de Dados como é, toda edição ele quer levar o jogo para evento, aproveitou para apresentar o jogo para o pessoal. Acho que esse é o jogo que ele tem mais prazer de explicar. O Masmorra de Dados foi o primeiro jogo lançado pelo Daniel Alves da Histeria Games  e que recentemente ganhou uma versão pela CMON no universo de Arcadia. O game designer mineiro atualmente está no FC do seu quarto jogo, Sonhando com Alice. Uma pena que não conseguimos trazer o jogo para apresentar no evento.

Felipe feliz da vida explicando o Masmorra de Dados.

Foi uma edição com bastante presença de jogos brasileiros, tanto já lançados quanto ainda em fase de protótipo. Isso é algo que me alegra bastante. O Guadalupeças é um evento que abraça o trabalho de game design nacional, assim como este blog. Então, se quiser playtestar seu jogo com a gente, será muito bem-vindo. Nosso público é bastante variado, então acredito ser uma boa experiência.

Segue fotos de outros jogos que rolaram no evento:

Tokaido.

Red 7. 

Wasabi.

Obrigada a todos que compareceram a esta edição do Guadalupeças, espero poder rever a todos no mês que vem, voltando a data normal do terceiro domingo (18). Curtam as páginas do Guadalupeças e Turno Extra no Facebook para acompanhar todas as novidades. Tem algumas parcerias que a gente está negociando por aí, sempre procurando fazer um evento cada vez mais bacana para todos. Fiquem ligados!!!