terça-feira, 21 de junho de 2016

Guadalupeças - 3 Anos


Domingo rolou mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. Completamos 3 anos de existência com recorde de público. Quando chegamos ao shopping, percebemos que eles tinham separado uma área maior que a do mês passado. Achamos que não precisava de tanto, mas no final das contas, a galera da organização do shopping estava certa e nós é que estávamos errados. No meio do evento, estava faltando mesa para tanta gente. 


Além de ter sido a nossa edição com a maior quantidade de pessoas, foi também a que houve maior concentração. Geralmente, o que acontece é um grupo chegar e outro sair, então no final você tem uma soma de 50 pessoas, mas elas não estiveram todas ao mesmo tempo. Dessa vez não, tivemos 70 pessoas ao mesmo tempo. Outra coisa bacana foi ver a galera chegando cedo e ficando por bastante tempo, jogando diversos jogos diferentes. 


Bastante gente veio nos parabenizar pela organização do evento. É muito gratificante saber que além de diversão, conseguimos proporcionar um ambiente acolhedor. Esse é um ponto destacado de forma recorrente. Nos orgulhamos por receber no Guadalupeças um público sempre bem variado. Temos a galera que começou no hobby frequentando o nosso evento e hoje tem uma coleção maior do que a nossa. Mas também tem muita gente que se torna frequentador assíduo, mesmo sem virar "heavy gamer". É legal não apenas ver pessoas novas, mas vê-las voltando e trazendo os amigos. 

Nosso evento contou com parceiros antigos e novos. Tivemos a presença do pessoal da Ace Studios e da Pensamento Coletivo mostrando seus jogos. Ambas já realizaram edições especiais com gente, são editoras pequenas cujo o trabalho admiramos demais e é sempre um prazer divulgar. A Galápagos Jogos, que não é uma parceira regular, mas sempre dá uma moral para o evento quando entramos em contato. Não tem como não admirar o trabalho dos caras, maior e melhor editora brasileira. Acreditaram e investiram muito no hobby, eles podem dizer que quando chegaram o mercado nacional era praticamente só mato.

Die die DIE, futuro lançamento da Ace Studios.

Space Cantina, jogo em financiamento coletivo da Ace Studios.

The Manhattan Project, jogo em pré-venda da Pensamento Coletivo.

Fechamos uma parceria bacana com a loja Game Of Boards. Rolou código de desconto para compras realizadas no site para serem retiradas no evento e também sorteio de diversos cupons promocionais. Eles se mostraram bastante satisfeitos com a participação no evento e nós também estamos. A Game Of Boards é uma loja online que em breve deve abrir sua primeira unidade física. A editora Papergames mandou o Flip City para gente. Foi uma grande surpresa porque não temos um contato mais próximo com eles, foi totalmente espontâneo. 

Nessa edição, eu comecei ensinando um pessoal a jogar Wasabi, que é um jogo com tema de culinária japonesa muito divertido. Depois acabei jogando Marco Polo, que é um jogo que fazia tempo que eu queria conhecer. Ele é um dice placement bem legal, mas não possui nada diferente para me motivar a comprar. Eu tenho outros jogos com esse tipo de mecânica e conheço bastante gente que tem o jogo, então sempre vai rolar oportunidade de jogar. O lance dele é viajar e cumprir contrato, para isso é necessário obter recursos. A duração dele é cinco turnos, acredito que se todos na mesa já conhecerem o jogo deva ir bem rápido. Não é um jogo em que se tenha muito para pensar, ele é bem enxuto de opções.



Depois ensinei Flip City para um grupo e entrei em uma mesa de um jogo totalmente desconhecido. Simurgh é um work placement com uma temática de universo alternativo medieval que confesso não prestei muita atenção. O que achei interessante foi a dinâmica diferente dos tiles de ação e sua relação com todo o andamento do jogo. É possível observar a existência de um bom mecanismo de controle e equilíbrio nele, porém não tão bem utilizado quanto poderia.



Os jogadores recebem uma mão inicial de tiles de ação que vão sendo colocados no mapa durante a partida. Não lembro de ver isso em nenhum outro jogo. Claro que ele tem locais básicos fixos no mapa, mas essa questão dos jogadores acrescentarem outros, adiciona um fator imprevisibilidade que me agradou. Se esse tile móvel ficar vazio, ele é retirado do tabuleiro. A quantidade descartada deles é o que controla a duração da partida. Pegar um worker de volta é uma ação assim como colocá-lo e cada jogador começa apenas com dois deles, que são de tipos diferentes. 

O evento começa às 14 horas, então a partir das 17 horas começamos os sorteios. Primeiro fizemos o Flip City e depois os cupons de desconto da loja Game Of Boards. Nós tínhamos anunciado o Sapotagem como sorteio, mas isso acabou sendo mudado na hora. Levou o ganhador da partida. Foi legal, porque ficamos com mais uma modalidade diferente de premiação. O Romulo do Die die DIE distribuiu bottons do jogo. Teve o Quarriors que a Galápagos Jogos enviou para gente e que demos para quem levou a maior quantidade de amigos, ganhou o William que trouxe quase Magé inteira para o evento.






Segue fotos de outros jogos que rolaram durante o Guadalupeças:

Ticket To Ride.

 DC Comics Deck-Building Game.

Dixit.

Agradecemos a todos que compareceram ao Guadalupeças, espero reencontrá-los no mês que vem, e aos parceiros que nos ajudaram nesta edição: Ace Studios, Galápagos Jogos, Game Of Boards, Papergames e  Pensamento Coletivo. Também acho importante agradecer ao pessoal que colaborou com a nossa divulgação: Mesacast e After Math. E por último, mas não menos importante, pessoal do Shopping Jardim Guadalupe por acreditar no projeto e ceder tão gentilmente o espaço. Estamos trabalhando para conseguir mais parceiros e promover um evento cada vez melhor. Curtam as páginas do Guadalupeças e do Turno Extra no Facebook para acompanhar as novidades. 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Flip City


Flip City é um cardgame simples e rápido lançado recentemente no Brasil pela editora Papergames. Ele reúne alguns conceitos diferentes e interessantes, mas que deixam um pouco a desejar na prática. Antes de começar a escrever sobre as regras do jogo em si, quero começar explorando um pouco essa questão. Como simplesmente juntar boas ideias pode não funcionar tão bem quanto o esperado. É preciso saber a forma correta de fazer isso e verificar se elas realmente possuem harmonia.

Componentes.

A temática de cidade junto com a arte que lembra SimCity são bacanas, mas podem gerar uma falsa expectativa. O jogador não se sente construindo uma cidade. Se ele for jogar esperando por isso vai se decepcionar. Isso poderia ter sido melhorado um pouco usando uma forma diferente de disposição das cartas na hora em que são baixadas na mesa. 

Forma como as cartas são tradicionalmente jogadas.

 Forma de jogar de maneira mais temática?

A proposta de aplicar a mecânica de Deck Building em um jogo de pequeno porte é bacana, mas não funciona tão bem como o desejado aqui. O início da partida é bem arrastado, praticamente burocrático, demora até os jogadores formarem um deck razoável. Além disso, contribui para questão exposta no parágrafo anterior. A mecânica colabora para deixar o tema com aparência de colado.

As "grandes inovações" propostas por Flip City são as cartas dupla face, que é o que motiva o nome do jogo, e o esquema de jogar sem utilizar uma mão de cartas, a jogada é baseada apenas na carta no topo do deck. Ideias teoricamente bem interessantes, mas que enfrentam problemas de ordem prática.

A cartas dupla face funcionam em um esquema de "evolução", em que virar o lado é preciso pagar um custo. O jogador joga sabendo apenas a carta que tem no topo do deck, ele não pode ver o que o está atrás. O que é bem difícil, porque para isso, o jogador precisa jogar com o deck na mão tomando cuidado, pois o sleeve faz a carta escorregar ou grudar, o que estraga o turno todo. Pois o jogo depende fortemente da mecânica de Press Your Luck nessa fase.

Nada prático.

Por isso, no momento de embaralhar o descarte para formar um novo deck, o mesmo deve ser feito sem olhar. Só que dessa forma, uma carta dupla face pode ser virada ou cair no chão por acidente. Uma situação nada absurda, tanto que está prevista no manual, que orienta que em caso de dúvida a carta deve ser colocada em sua posição inicial. Então, o risco de perder o investimento feito é considerável.

Como eu escrevi no início, muitas ideias interessantes, mas que não harmonizam bem juntas. Algumas se atrapalham nitidamente, enquanto outras simplesmente não são funcionais. Mas, apesar de todas as questões colocadas, o jogo é bacana. Nada de essencial para se ter na coleção, mas ainda assim uma boa alternativa. Falta sinergia entre os elementos, mas ele tem versatilidade. É um jogo barato, pequeno, simples, visualmente agradável, componentes de qualidade e roda tranquilo com qualquer quantidade de jogadores.

Dito tudo isso, vamos as regras do jogo em si. Cada jogador começa com um deck de 9 cartas, uma de cada tipo das existentes no jogo e mais 4 de Área Residencial As demais cartas vão ser separadas por tipos para formar as diferentes pilhas de compras. O turno é dividido em duas fases: jogar cartas e fazer ações. Cada carta possui obrigatoriamente um efeito especial, um custo de compra (com exceção da área residencial) e um custo para virar a face da carta; e de forma variável valores em dinheiro, prestígio e insatisfação.


Cartas iniciais.

Os jogadores em seu turno podem jogar quantas cartas quiserem desde que não ultrapassem o limite de duas insatisfações, por isso é fundamental jogar sem ver a carta de trás. A carta de área residencial possui o efeito de entrar em jogo imediatamente. O jogador não pode optar por parar se ela aparecer no topo do deck e é geralmente assim que se estoura o limite, pelo menos no início da partida. Se isso acontecer, o jogador perde o turno e todas as cartas jogadas são descartadas.

Na segunda fase do turno, o jogador irá verificar quanto de dinheiro conseguiu colocar na mesa e escolher uma das três ações possíveis: comprar carta, virar uma carta do descarte ou comprar e virar ao mesmo tempo. A partida acaba quando um jogador conseguir colocar 8 de prestígio na mesa ou baixou uma Loja de Conveniência e mais 18 cartas.

Cartas para compra.

Vitória por prestígio.

Loja de Conveniência mais 18 cartas.

Bem simples, três parágrafos para dizer como o jogo funciona. O resto é prestar atenção aos efeitos de cartas. Por exemplo: o Hospital dá dinheiro a mais por insatisfação; já a sua evolução, que é a Igreja, aumenta o limite de insatisfação. Os efeitos fazem sentido tematicamente, mas porque a igreja é evolução do hospital escapa a minha compreensão. Outra carta interessante de comentar é o Apartamento, ele é a evolução da Área Residencial. O efeito dele é que pode ser virado, voltando a ser Área Residencial, e colocado no deck de outro jogador. Isso me pareceu muito bom, se não fosse tão caro para fazer.

Lado a lado para comparação.

Na variante solo, não é utilizada a carta da expansão Escritório, a carta de Área Residencial quando for virada para Apartamento é removida da partida e toda vezes que o deck precisar ser reembaralhado, uma carta da pilha de compras (que vai ser bem menor) também é removida. As condições de vitória se mantém inalteradas. Como quase todo modo solo é mais um treino do que um modo de jogo independente.

Setup de partida solo.

A Papergames fez um bom trabalho no lançamento do Flip City na questão de componentes, preço, respeito aos prazos e publicidade. Escolheram um jogo de pequeno porte, com regras simples, de fácil produção e uma arte atrativa. Claro que existem vários jogos mais interessantes que também atendem esses critérios. Mas, apesar de todos os pesares já expostos aqui, é um jogo que tem suas qualidades se encarado da maneira certa.

Tire suas próprias conclusões sobre ele no Guadalupeças e ainda tenha a chance de levar uma cópia para casa.