quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Primeiras Impressões - Space Cantina na Redbox Store


Segunda-feira tive a oportunidade de participar do primeiro playteste público do Space Cantina, o principal projeto da Ace Studios para 2016, que rolou na Redbox Store. A editora carioca liderada por Fel Barros, game designer do Warzoo, apresenta uma proposta ambiciosa com esse novo jogo. Apesar de leve e divertido, Space Cantina é bem mais complexo do que todos os outros lançamentos já realizados. A Ace Studios é conhecida pelo Warzoo, que está tendo distribuição pela Galápagos Jogos, e mais recentemente o Sapotagem, primeiro com distribuição própria. Entre os dois, tivemos o Muffin Games e o Gekido que foram lançados de forma quase artesanal, em edições bem limitadas. Todos eles são party games pequenos, tanto em componentes quanto em regras. Não uso a palavra simples, porque são jogos que oferecem muitas possibilidades, o que considero admirável.

O que sinto observando a trajetória da Ace Studios até o momento, é que eles estavam testando a si mesmos e o mercado. A opção por investir em um jogo de maior porte ao invés de continuar na linha dos jogos pequenos mostra uma evolução da editora, algo que considero bastante animador, apesar do receio que tenho de estar sendo um passo um pouco rápido demais. Sentiria mais segurança se antes do Space Cantina tivéssemos ainda mais uns dois pequenos. Temos a promessa que o Sapotagem foi o primeiro de uma linha de quatro jogos, o próximo seria o Encantados. Não que eu duvide da capacidade de criação de um jogo de maior porte, mas confesso que tenho preocupações sobre as questões práticas relacionadas a produção e distribuição.

O Space Cantina é um Euro leve, de tamanho médio e com uma temática bem humorada. Cada jogador gerencia um restaurante e vence quem terminar com mais dinheiro. Existem três tipos de recurso no jogo: comida, bebida e sobremesa. Os jogadores começam com um recurso de cada tipo, uma carta de garçom e um objetivo secreto. Outros objetivos ficam abertos na mesa e podem ser pegos no exato momento que forem cumpridos, eles não são repostos. A quantidade de turnos varia de acordo com a quantidade de jogadores. Cada turno é composto por quatro ações que são realizadas de forma intercalada.

Ignore a segunda carta de garçom e temos o setup.

Existem dois tipos de cartas no jogo: funcionários e clientes. Uma mesma quantidade de ambas estará disponível na mesa para compra. Os funcionários são cartas que produzem recursos, eles entram como garçons. Como o jogador já começa com um, então sobram apenas mais dois espaços disponíveis para esse tipo de carta. Ao pegar uma carta de funcionário, já tendo todos os espaços de garçons preenchidos, o jogador tem duas opções: vender um garçom para abrir espaço para o novo ou promover de acordo com o indicado na carta do funcionário, ele pode virar gerente, maitre ou cozinheiro. Cada uma dessas funções oferece uma vantagem distinta acumulativa, pois não existe limite de cartas que podem ser colocadas nesses espaços. Mas o jogador precisará pagar por eles no final do jogo, então é bom ir fazendo as contas com atenção.

Começando a liberar o plano de carreira da galera.

Os clientes são as cartas que consomem os recursos e em troca nos dão dinheiro, alguns são críticos, isso é indicado por uma estrela na carta. Atender esse tipo de cliente dá benefícios adicionais. Mas os clientes precisam ser atendidos no mesmo turno que em são pegos. Caso o turno termine e ele não seja atendido, o jogador recebe um marcador de insatisfação, acumulando três desses no mesmo cliente, ele vai embora. Para cada marcador de insatisfação, o jogador perde dois pontos no final do jogo. Não é fácil se livrar desses marcadores.

Cliente aguardando atendimento. Nessa foto dá para ver os objetivos.

Esse cliente merece ser apreciado mais de perto.

Tanto para gerar recurso com seus garçons quanto para consumir com seus clientes é necessário ter um dado com um valor específico. São três raças que passam pelo nosso restaurante, aliens, ciborgues e robôs. Por isso, temos três cores de dados diferentes no jogo. Não é obrigatório combinar a cor do dado com a carta, mas quando isso ocorre, o jogador avança na trilha de fidelidade correspondente da raça, o que lhe oferece benefícios imediatos e de fim de jogo. Os dados são rolados no início do turno e ficam disponíveis para compra. É possível gastar um recurso para modificar o valor de um dado para um número a mais ou a menos. Cada restaurante também possui uma habilidade especial exclusiva.

Tabuleiro geral do jogo.

Minha habilidade era modificar o dado em dois gastando um recurso, então foquei mais em atender os clientes com prontidão e, de preferência, aqueles que tivessem estrelas. Tanto que passei um bom tempo do jogo na frente. Optei por não promover funcionários, vendi bastante nos primeiros turnos quando eles valem mais, pois não queria chegar no final tendo que perder dinheiro pagando salários. Só que depois, comecei a ter dificuldade para produzir os recursos, precisava acumular muito para atender os clientes dentro do turno e ficar mudando os dados. Tinha um objetivo de atender seis clientes disponível na mesa, fiquei travada no quinto. Quem ganhou a partida foi o Lucas (ilustrador do jogo) e eu fiquei em segundo, então foi como se eu tivesse vencido. O restaurante dele tinha uma habilidade muito boa de limpar marcadores de insatisfação.

Lucas (ilustrador), Felipe, Warny (game designer), Lucas e Eu.

Apesar de alocação de dados ser a principal mecânica do jogo, senti falta de uma presença maior dela. Esperava por algo mais no estilo Alien Frontiers, de combinação de dados. Acho que as trilhas de fidelidade precisam ser melhoradas, achei desproporcional os benefícios concedidos. A parte das estrelas está confusa tanto visualmente quanto sobre a relação com a trilha de fidelidade. As possibilidades de mudar resultado de dado deveriam ser mais limitadas. Acredito que seria interessante acrescentar um sinal de + entre o dado e os recursos nas carta de cliente, daria mais clareza. Por fim, o jogo poderia ter algum tipo de marcador de contagem de ações. Os dados não têm um local muito preciso para alocação, então acabam ficando meio solto, podendo gerar confusão na mesa. Não sei se seria viável a criação de mais um tabuleiro para colocação do que está disponível para compra.

Mas, no geral, o jogo agradou bastante. As regras são simples e fáceis de entender. O tempo de duração é bom e o downtime é muito pequeno (nossa partida deve ter durado uma hora e meia contando com a explicação), as paródias nas cartas são divertidas e a estrutura mecânica está bem sólida, apesar de achar que algumas coisas precisam ser melhoradas. A contagem da pontuação no final também está bacana, porque não deixa quem está mais para trás desanimar, talvez pudessem acrescentar pontos por recursos. Só é possível pontuar com eles com objetivo secreto específico. Gostei da utilização de set collection, apesar de só ter usado uma vez no jogo, achei que combinou bem com o tema.

Como todos os demais jogos da Ace Studios, a arte do Space Cantina também está sensacional. Um trabalho incrível do Lucas Ribeiro, acredito que as cartas e tabuleiros individuais devam mudar bem pouco. Gostei muito do estilo. Ele tem humor, mas não é bobo. Como fã de FC, gostei de referências mais obscuras, não apenas aquelas conhecidas. Só o tabuleiro principal e os objetivos (principalmente) é que ainda precisam ser trabalhados. É bom que essa parte já esteja bem avançada, afinal isso é uma das questões que mais empacam lançamentos de jogos.

A ideia é que o jogo entre em financiamento coletivo ainda no primeiro semestre desse ano. Ainda não há estimativa de valores. Eles devem percorrer os eventos para fazer divulgação. Espero conseguir tê-los presentes no Guadalupeças de março (não haverá evento em fevereiro por conta do Carnaval). É um projeto que vale a pena acompanhar. Apesar de ter feito diversas críticas, acho que vai ser mais um jogo nacional de qualidade para a coleção. Acredito que a medida que os playtestes forem sendo realizados, eles vão fazer os ajustes necessários.

Ouça também o podcast sobre o jogo:



ATUALIZAÇÃO (14/03/2016)

Vídeo gravado durante o Guadalupeças de 03/2016 com o próprio Warny Marçano, game designer do jogo, explicando as regras.



segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Primeiro Guadalupeças de 2016


Esperávamos que o nosso primeiro evento do ano fosse ficar meio vazio por causa da proximidade do Ano Novo, por isso ficamos surpresos com a quantidade de pessoas que compareceram. Ainda mais se levarmos em consideração o horário novo e o tempo nublado e meio chuvoso de ontem. Achei o dia bastante produtivo e agradável, como sempre com jogos para todos os gostos.

Comecei o dia jogando The Manhattan Project, que eu só conhecia de nome mesmo. Foi uma excelente surpresa, apesar da arte de capa sem graça e que não desperta a vontade de jogar que deveria. Mas os problemas nesse aspecto param por aí, porque os componentes são todos muito bacanas, até o manual que simula a capa de um jornal. O jogo é basicamente um worker placement com temática de construção de bombas atômicas.

Foto de final de partida.

O tabuleiro principal tem os locais para alocar seus trabalhadores, cada jogador começa com quatro comuns, podendo conquistar mais oito especializados (divididos em cientistas e engenheiros). Alcançado o limite de trabalhadores ainda é possível conseguir mais, porém esses serão temporários, para uso único no turno. Uma das principais ações do jogo é a compra de construções, que serão colocadas no tabuleiro particular do jogador. Tudo que elas dão pode ser conseguido em ações no tabuleiro principal, porém com um grau de dificuldade maior, seja de custo ou pela limitação do local. Construir é a única ação ilimitada do jogo, todas as demais só podem ser usadas por um jogador de cada vez.

Tabuleiro principal.

Em The Manhattan Project, os jogadores só podem colocar ou tirar seus trabalhadores no turno, nunca ambos ao mesmo tempo. Como é muito rápido e relativamente fácil aumentar a quantidade de trabalhadores, um determinado local pode ficar travado por bastante tempo. Pois, normalmente, um jogador só vai recolher seus trabalhadores depois de já te usado todos ou se não houver mais ação de seu interesse para realizar, o que é difícil.

Tabuleiro individual.

Além do espaço para colocar suas construções, o tabuleiro individual vem com os marcadores de Fighter e Bomber, o primeiro é para defender/atacar e o segundo para carregar suas bombas depois de construídas, isso dá cinco pontos extras. Existem dois tipos de bombas no jogo: Plutônio e Urânio. Ambas envolvem aquisição e transformação de matéria-prima, mas o grau de dificuldade é diferente. Bombas de Plutônio são mais fáceis de produzir, por isso valem menos. Para aumentar seu valor é preciso usar um teste, que é o descarte de uma de suas bombas já produzidas.

O jogo termina imediatamente quando um jogador conseguir atingir um determinado número de pontos, que irá variar de acordo com o número de jogadores. As bombas disponível para compra ficam abertas em um local próprio para todos verem seus pontos e requisitos. Quando um jogador faz ação de projeto para construção de bombas, as cartas são recolhidas e ocorre um drafting. Quem fez a ação fica com duas cartas de bomba e os demais com uma. Não é necessário ter os requisitos no momento, mas todo mundo sabe mais ou menos o que todo mundo quer fazer, isso eleva bastante o nível de interação da partida.

Cartas de bombas disponíveis.

Não é fácil fazer a bomba, independente do tipo, então a partida demora um pouco. Mas como é um jogo com muita tensão, em que é preciso ficar ligado o tempo todo, não fica pesado. Primeiro, vem a preocupação em construir sua bomba e pegar todos os workers, depois que um faz todo mundo também consegue fazer. Depois começa a questão de quem vai construir a segunda bomba, porque é geralmente ela que fecha o jogo. 

A primeira partida foi eu, Felipe e Cunha. Foi bem tranquilo, cada um cuidando de fazer sua própria bomba. Só no final que os meninos se atacaram porque sabiam que ambos estavam bem próximos da vitória. Fiquei com a impressão que a diferença de pontuação é sempre bem pouca e que todo mundo em algum momento da partida acredita ter chance de ganhar. É um jogo que oferece muitas opções de estratégia.

Depois joguei uma partida com 5 jogadores, utilizando a expansão The Second Stage. Rolou muito mais conflito dessa vez. Com essa expansão temos a adição de quatro novos elementos importantes ao jogo. Cada jogador recebe um carta de nação que lhe dá um poder especial, temos os foguetes que permitem ataques diretos a construções, upgrade para bomba de plutônio - bomba H e personagens com habilidades especiais que os jogadores recebem a cada vez que recolhem seus workers. Achei a expansão bacana, adiciona bastante ao jogo, principalmente para quem gosta de interação. 

Início de partida com 5 jogadores.

Entre uma partida e outra do The Manhattan Project, joguei Star Wars Card Game com o Cunha. Eu já tinha jogado com o Felipe e não tinha curtido muito, então ficou a dúvida se a gente tinha jogado certo mesmo, já que esse é um jogo tão elogiado. Tínhamos jogado certo sim e eu que realmente não gostei mesmo. Talvez a curva de aprendizado dele seja um pouco alta e isso tenha atrapalhado a minha apreciação, ele pareceu depender da capacidade do jogador de formar os combos certos mais do que normalmente já se vê em outros jogos do estilo. 

Tentando gostar...

Enquanto eu jogava The Manhattan Project e Star Wars Card Game, o Felipe finalmente conseguiu estrear o nosso The Witcher. Não posso escrever muito, pois não joguei. Mas surpreendeu as comparações com Eldritch Horror e que o jogo é grande demais para a quantidade de personagens. Se com quatro jogadores já ficaram com essa impressão de espaço sobrando, fico imaginando uma partida só com dois jogadores, já que ao contrário de outros jogos não rola o tão comum esquema de controlar mais de um personagem. Ouvi comentários também de que apesar de ser competitivo, os jogadores precisam se ajudar para completarem suas quests. Logo saberei mais sobre o jogo, ele está em cima da mesa aqui de casa aguardando para ser jogado e eu também posso jogar a versão digital na Steam, só preciso vencer a preguiça e o desanimo na vida. Quero jogar o Gwent também.

Bem bonito o tabuleiro.

Fechei o dia com Notre Dame do Feld. Esse era um jogo que eu queria jogar já fazia bastante tempo, apesar de saber que o tema era colado com cuspe. Mesmo deixando de lado a questão do tema e focando só na mecânica, achei o jogo bem decepcionante. Quando o Cunha comentou que era tipo La Isla para tentar convencer a Paula a jogar, já senti que não vinha coisa boa por aí. Sim, eu também não gosto de La Isla. Até agora só curti Burgundy

Notre Dame funciona em um esquema de drafting bem interessante. A catedral fica no centro e cada jogador tem seu distrito próprio onde estão as ações a serem realizadas. Em cada rodada, os jogadores compram três cartas do seu deck, escolhem uma para ficar e passam o resto. Porém, os jogadores só podem utilizar duas cartas, a terceira é descartada. Após realizadas as ações das cartas, ficam disponíveis ações especiais que podem ser realizadas mediante o pagamento de uma moeda. São três cartas de personagem que são abertas toda rodada, além de possibilitar ações diferentes, essas cartas vem com a contagem de ratos.

Podemos trocar Notre Dame por uma empresa de dedetização.

Cada jogador tem em seu distrito um contador de ratos e toda rodada são somados os ratos mostrados em cada carta para subir o contador, quando ele passa de nove, o jogador perde dois pontos a cada rodada que esse resultado persista. Então, o jogo vira uma caça aos ratos. Achei isso muito chato. Eu sei, eu sei, que a Europa no período medieval tinha sérios problemas com ratos e tem a questão da peste negra. Mas como recurso no jogo não ficou legal. Talvez se ele tivesse uma mecânica de administração de territórios mais consistente, mas é tudo na base do ganhe dinheiro, ganhe cubo, ganhe ponto... É um jogo seco demais. Ainda jogarei muita coisa do Feld e outros amores como Burgundy podem acontecer, mas por enquanto está 2X1 contra ele.

Segue abaixo algumas fotos de outros jogos que rolaram nessa edição do evento.

The Speicherstadt (Goulart gosta do Feld)

Ca$h 'n Guns


Dixit

Obrigada a todos pela presença e por fazerem nosso evento ser tão agradável. Não sabemos como ficará no mês que vem por causa do Carnaval. Pensamos em adiantar em uma semana, mas tem Expo Geek. Colocar para a semana seguinte também não sabemos se é uma boa opção porque ainda vai estar todo mundo em clima de Carnaval. Então, talvez só voltemos com o evento em março. Mas fiquem ligados nas páginas do FB tanto do Turno Extra quanto do Guadalupeças para saber todas as informações. Inscrevam-se também no canal do blog no Youtube.

Valeu, galera!!!


Ouça nosso podcast sobre The Manhattan Project: