segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Entrevista com Christophe Boelinger, designer do Dungeon Twister: The Card Game


Na minha opinião, Christophe Boelinger foi a grande atração do Diversão Offline. O game designer francês esbanjou simpatia, sempre se mostrando disposto a explicar seus jogos, dar autógrafos e tirar fotos. Trazido ao evento pela Conclave Editora, sua apresentação memorável de Illegal em frente ao próprio estande deles fez todas as cópias do jogo esgotarem. Se eu já não o conhece previamente, talvez me deixasse levar pela empolgação também e comprasse. 

Illegal é divertido, mas não vale o preço pelo qual é vendido. Bem diferente do seu novo lançamento no Brasil, o Dungeon Twister Card Game. Uma excelente adaptação de um de seus jogos mais populares e com uma das melhores relações custo-benefício que eu já vi nos últimos tempos. Não vou continuar escrevendo sobre o jogo porque vai rolar texto sobre ele aqui em breve. 

A entrevista a seguir foi realizada no final do evento, quando todos já estávamos bem cansados depois de um dia de bastante agitação. Eu achei que fosse ser um bate papo bem rápido, o que seria bastante compreensível. Mas o Christophe sentou no chão e conversou com a gente, simples assim. Sem formalidades, perguntas e respostas foram fluindo naturalmente, nada muito planejado ou cronometrado. Espero que vocês curtam ler a entrevista tanto quanto a gente curtiu fazer. No aguardo de mais jogos desse grande game designer no Brasil, a bolsa de protótipos estava carregada.


TE: Esta é sua primeira vez no Brasil?

CB: Não, é minha segunda vez. Eu estive aqui há dois anos atrás. Podemos dizer que vim com quatro objetivos em mente. Era um país que eu queria muito visitar. Estranhamente, eu visitei muitos outros antes, deixando o Brasil por último. É como diz aquele ditado popular sobre a “cereja no bolo”. Eu sabia que iria amar o lugar, por isso deixei-o por último. Passei por Fortaleza para conhecer algumas atrações locais. Depois pelo Rio de Janeiro, eu quis verificar como estava o mercado de jogos no Brasil, para isso fiquei durante três semanas na companhia do Fel Barros, o designer de Warzoo.

TE: Legal! Você jogou Warzoo?

CB: Sim. Na época, ele ainda estava fazendo os playtestes, então gostei mais de observar e ver como os jogadores encaravam o jogo. Assim poderia dar ao Fel algumas dicas sobre o que estava funcionando ou não, algumas dicas de design. Mas, eu provavelmente mexi em pouca coisa, pois ele estava no final do desenvolvimento.

TE: Certo, e o quarto motivo da visita ao Brasil?

CB: Ah sim! O quarto motivo foi pelo fato de que sempre pensei em achar a mulher dos meus sonhos aqui, no Brasil. E na verdade, eu a encontrei! (risos) Então acho que conclui os quatro objetivos que tinha. (Nota da redação: Christophe estava acompanhado de sua esposa brasileira durante o evento, que estava auxiliando nas explicações dos jogos e nas apresentações para quem não falava inglês)

TE: Legal, parabéns! E nessa segunda vez que você está aqui, veio para acompanhar o evento?

CB: Na verdade, vim porque minha esposa é daqui, do Rio. Ela se mudou para a França, mas eu vim conhecer seus pais. Calhou do Cristiano, da Conclave Editora, me convidar para o evento e outras programações. Eles também estão lançando o meu Dungeon Twister Card Game, então pude encaixar todos os meus compromissos. Participei de dois ou três pequenos eventos durante a semana, que ocorrem aqui no Rio, na verdade.

TE: De dois anos para cá, o mercado brasileiro de jogos mudou muito. Você percebeu isso?

CB: Eu percebi essa mudança. Quando voltei para a França há dois anos pensei: “Os brasileiros estão começando a descobrir jogos modernos, como se o ovo estivesse rachando”. Depois de um tempo, tivemos aqui o meu primeiro jogo, Illegal, e agora Dungeon Twister. Voltei depois de dois anos e posso realmente dizer que o mercado de boardgames aqui está crescendo muito rápido. Isso é muito bom. 

TE: Quais foram suas impressões sobre o Diversão Offline?

CB: Para um primeira edição, foi muito legal. Vi que teve bastante gente, foi bem organizado... Sabe, eu fiquei boa parte do tempo ocupado e sempre autografando jogos, explicando as regras. (risos) Fiquei bem ocupado, mas o que vi gostei.

TE: Por que você decidiu lançar no Brasil o Dungeon Twister Card Game e não o Boardgame, que é mais antigo?

CB: Creio que seja uma questão de custo de produção. Ainda que o mercado esteja crescendo, os números de tiragem de um jogo não cresceram tanto, temos apenas mil unidades. Para um jogo de tabuleiro nessa tiragem, que usa miniaturas, o custo seria proibitivo, e isso não é nada bom. Então, optamos primeiro pelo card game, ele não usa miniaturas e com ele podemos ter a tiragem de mil cópias sem correr muitos riscos. Na verdade, os dois jogos possuem a mesma “pegada”. As regras são similares, falam de controle de área, sem sorte. Os dois são muito parecidos. Se você assistir ao vídeo do Tom Vasel, por exemplo, ele diz que o cardgame se parece muito com o boardgame, a ponto de ele não querer mais carregar o boardgame por aí, graças a caixa menor do cardgame. Por tudo isso, acho que tomamos uma decisão acertada ao lançar o de cartas por aqui, principalmente pelos custos.

TE: E será que podemos esperar ter o boardgame por aqui, mais tarde?

CB: Se formos reimprimir o jogo no mundo tudo, então provavelmente sim. Mas se somente a Conclave quiser fazer isso... Aí o seu mercado teria que crescer um pouco mais rápido, para que possamos rodar talvez cinco ou dez mil cópias de tiragem. No momento, duvido um pouco que isso aconteça. Talvez em três ou quatro anos... A não ser que tenhamos uma nova tiragem no mundo todo, ou lancemos uma campanha de financiamento coletivo, algo nesse estilo.

TE: Não sabemos se você está por dentro de alguns lançamentos mundiais, mas há criadores brasileiros que estão lançando jogos exclusivamente no exterior, ou primeiro no exterior. Você acha que podemos ter o fluxo contrário? Digo, ao aproximar relações com o mercado brasileiro, talvez o Christophe Boelinger lance um jogo primeiro por aqui, para o público brasileiro?

CB: Sabe, alguns eventos que fui aqui no Rio, como na RedBox e na Magic Store, me revelaram muitas coisas. A RedBox, por exemplo, não é só uma loja. Eles começaram a se tornar uma editora, e estão atrás de jogos para publicar. Por isso,  enviei para eles arquivos de alguns dos meus protótipos. Tenho toneladas de protótipos em casa, e acho que não tenho tempo de cuidar deles a todo o momento.

TE: Vimos sua mala extremamente pesada! (risos)

CB: Sim, sim, eu trouxe alguns comigo, mas são muitos. Eu faço apenas uma cópia de cada um deles, pois sou preguiçoso. Mas há arquivos digitais, e foi isso que mandei para a RedBox, com regras, imagens, tudo o que for necessário para que eles possam imprimir um dos meus protótipos. Quando eu retornar à França, eles vão me dizer aqueles que gostaram. A partir daí, eu vou mandar novas cópias para que eles testem e divulguem... Então sim, isso pode acontecer pela primeira vez. Há alguns jogos que eu não penso em publicar pela minha editora, a Ludically. Mas isso seria algo excepcional, e não algo que vá ocorrer comumente.

TE: Ainda sobre Dungeon Twister Card Game, que tipo de jogador ele pode agradar? Casuais? Experientes?

CB: Primeiramente, jogadores que gostam muito de Magic The Gathering. Normalmente o que um jogador de Magic não gosta é da falta de controle total de suas cartas. Aqui você pode montar sua equipe de personagens, distribuí-la da forma que quiser e não há aquele efeito de compra de cartas ou algo aleatório. 

Sei disso pois, na França, muitos jogadores de Magic gostaram de Dungeon Twister. Eu mesmo, amo Magic! Por isso, acho que esse tipo de jogador seja o primeiro alvo. Esse é um tipo de jogo que já vem com tudo que é necessário para se jogar, sem novas regras, sem cartas adicionais, é muito rico nesse sentido, uma partida sempre vai ser bem diferente da outra.

O outro tipo de jogador que deve se sentir atraído por Dungeon Twister Card Game está nos casais. Casados principalmente, por ser um game para apenas duas pessoas. Na Europa, principalmente na França, tivemos muitos relatos de casais, que jogavam todas as noites e postavam seus resultados na Internet. Toda noite, depois da janta, eles jogavam, e, quem perdia, precisava lavar a louça. (risos)

Além dos casais, por ser um jogo muito fácil, também acredito que as crianças sejam um bom público-alvo. Uma criança que goste de xadrez, por exemplo, mas com algo mais interessante. Eu não estou criticando o xadrez, claro, é um jogo milenar, mas ainda assim é abstrato. Aqui ele tem todos os personagens de fantasia, que podem lembrar O Senhor dos Anéis, desenhos, etc. Pode ser um pouco mais atrativo do que o xadrez. Somando isso ao total controle, as crianças podem gostar muito do jogo.

Basicamente, você pode atingir todo mundo com Dungeon Twister Card Game, casuais, primeira vez, jogadores experientes, casais, quem joga Magic, etc.

TE: Agora a mesma questão, só que sobre Illegal. Que tipo de jogador poderia se interessar por esse seu outro game?

CB: Illegal tem um apelo muitíssimo alto para um enorme público, principalmente por não ter quase nenhuma regra. Você basicamente precisa dar as cartas para os jogadores e começar a trocar pela sala.

TE: Mas talvez não para crianças, certo?

CB: Não, não para crianças. Lançamos ele por aqui voltado para o mercado de maiores de 18 anos, é o que está na caixa. Mas não por ser ilegal. Na França, podemos lançar o jogo sem colocar a idade adequada na caixa. Isso é só algo que estamos dizendo que você vai lidar com temas pesados no jogo, como drogas, prostituição, álcool. Por conta do tema, para ser honesto com o público.

Mas sabemos que não adianta muito, quem dita isso são jogadores. Hoje as crianças jogam GTA, o Grand Theft Auto, que é proibido para menores de idade, e fazem coisas dez vezes piores do que você faz em Illegal. Por isso, colocamos na caixa para termos a consciência tranquila.

Mas voltando às regras, elas são muito, muito simples. Além disso, cada partida dura sempre menos de 30 minutos. É como um party game com elementos de RPG, pois você tem um papel para interpretar e desempenhar. Não é exatamente um boardgame, pois usa cartas, mas também não é um cardgame. No final das contas, é algo totalmente casual.

TE: E para o futuro, Chris? Você tem algum jogo novo já programado para a Conclave? Ou algum jogo saindo no mercado nos próximos meses?

CB: Tenho um protótipo que apresentei aqui no evento e estou começando a receber algum feedback dele, o nome é Four Gods. Mostramos ele em Essen [Nota do editor: outro nome para a feira de boardgames “Spiel” na Alemanha), onde eu conheci o pessoal da Conclave. Eles adoraram o jogo e colocaram para ser apresentado aqui, no Diversão Offline.

Também testei o Four Gods nos pequenos eventos aqui do Rio e todos adoraram. A Conclave, na teoria, vai participar da produção. Ainda não estamos fechados e não tenho certeza quanto a isso, mas estamos quase certos. O jogo deve sair a partir de abril ou início do segundo semestre do ano que vem. Há outro título que também estou trabalhando, esse mais voltado para o gênero party game, que é o Fruit Salad. Mas não tive muito tempo de demonstrá-lo por aqui, por conta de falta de espaço e de tempo. Estarei com eles em Juiz de Fora nas próximas semanas para mostrar mais dos meus protótipos e falar também sobre esses próximos jogos.

TE: Ótimo! Chris, agradecemos seu tempo e esperamos que curta bastante o Brasil e tenha sucesso com seus jogos por aqui.

Ao final do bate-papo, conversamos com o Christophe por mais alguns minutos, onde ele comentou sobre o peso na decisão entre lançar um game baseado na temática ou na mecânica. “Penso sempre na temática”, disse. Ele nos exemplificou que é possível fazer um game de qualquer tema, utilizando um de seus antigos jogos, sobre piolhos, chamado Les Poux, lançado em 2008. “Ele é muito interessante. É um party game onde você precisa se movimentar bastante, coçar a cabeça, catar os piolhos, ficar de olho nas cartas para que os outros jogadores não as roubem de você”, mencionou. “Por isso, acredito que é possível ser criativo na forma de criar um jogo, independente do tema, apenas encaixando a mecânica depois”, finalizou.

Enquanto não sai o texto sobre o Dungeon Twister Card Game, ouça nossas primeiras impressões sobre o jogo no vídeo abaixo. Esse é um novo formato que estamos testando para ampliar e diversificar nossa oferta de conteúdo. O blog sempre será o foco principal, mas isso não nos impede de querer "brincar" com outros modelos. Já fizemos alguns vídeos aqui ao longo da existência do blog e agora teremos também esse rápido podcast, porque de longo já bastam os textos aqui. Inicialmente, estamos disponibilizando apenas através do canal do Youtube que criamos para o Turno Extra, onde iremos reunir outros materiais já postados e que se encontram em perfis particulares. Estamos estudando ainda a melhor forma de oferecer apenas o áudio e também opção para download. Agora, além de curtir nossa página no FB, curta também o nosso canal no Youtube.


domingo, 29 de novembro de 2015

Entrevista com os organizadores do Diversão Offline


Domingo passado tivemos pela primeira vez no RJ um evento de grande porte totalmente voltado aos jogos de mesa. O Diversão Offline proporcionou um momento incrível de encontro entre jogadores e editoras em um ambiente com total infraestrutura e comodidade. Mas quase nada sabemos sobre os organizadores de tão inovadora e ousada iniciativa. Então, resolvi mandar algumas perguntas para tentar conhecê-los melhor.


TE: Comentem um pouco sobre a história da Geek Carioca. 

GC: A Geek Carioca surgiu este ano, com o desejo de tratar com carinho e qualidade o entretenimento geek, produzindo eventos com vontade de que deem certo!

TE- Como surgiu a ideia de fazer um evento voltado aos jogos analógicos?

GC: Além do interesse pessoal dos sócios, adoram os jogos analógicos, existia também uma demanda do mercado por um evento que fosse feito com uma grande estrutura, para comportar diversos fãs e reunir as empresas produtoras em um só lugar. Atendendo a essas demandas, o Diversão Offline está promovendo a manutenção das pessoas que já praticam o hobby e atraindo adeptos a se apaixonarem, assim como nós.

TE: Vocês são jogadores de boardgames e/ou RPG?

GC: Sim. Temos em torno de 40 títulos e com frequência marcamos com os amigos e familiares para jogar. Não conseguimos ficar muito tempo sem rolar os dados.

TE: Qual foi o número final de público no evento? Atendeu as expectativas?

GC: Sim. Tivemos uma presença de mais de 1000 pessoas e confesso que foi até mais do que esperávamos, por se tratar da primeira edição e algumas pessoas estarem ainda "desconfiadas" da proposta.

TE: O que vocês mais destacam como positivo do evento inteiro?

GC: A felicidade das pessoas ao verem o espaço reservado e a estrutura que foi montada voltada exclusivamente para seu hobby. Além disso, foi incrível ver um público que antes era totalmente de fora do nicho, saindo das salas de jogos e indo comprar seu primeiro board ou RPG para jogar com os seus amigos. Recebemos inclusive diversos e-mails assim, de agradecimento por termos apresentado o mundo dos jogos analógicos àqueles que antes tinham certa resistência e talvez nunca se permitiram a tal.

TE: O que vocês acham que poderia ter sido melhor?

GC: Estamos recebendo o feedback do público para através da opinião deles sabermos o que podia ter tornado a experiência imersiva nos jogos analógicos ainda mais incrível. Mas, da visão de organização, um dos pontos que mais nos incomodou foi a questão dos valores da alimentação.

TE: Existem planos para realização de um próximo? Alguma previsão sobre datas?

GC: Com certeza, já está confirmado! Ainda vamos sentar para definir data, mas já adiantamos que vem muita novidade boa por aí.

TE: O que houve com os estandes da Galápagos e da Grow? Nenhuma das duas empresas estavam lá, de verdade. Isso chamou bastante atenção.

GC: Em uma primeira edição de um evento com uma proposta ousada e em um estado onde tínhamos uma lacuna muito grande de eventos deste porte, é normal que nem todas as editoras estejam dispostas a vir de longe para participar, mandando assim um representante. A Galápagos já entrou em contato conosco após o evento e informou que devido a um problema de logística os jogos que eles haviam enviado para a representante (Tabuleiro Mix) não chegaram a tempo do evento. Mas, garantiram que para a próxima edição eles virão pessoalmente. Acredito que a Grow fará o mesmo.

TE: Outro fato bastante notório, foi que a área de RPG ficou muito mais vazia que a de boardgames? Qual a análise de vocês sobre isso?

GC: Todas as mesas de RPG do evento foram reservadas para as editoras. Para cada uma já havia um mestre e jogo cadastrado, bastando assim apenas que o público sentasse e jogasse. O que ocorreu foi que nem todas as editoras conseguiram ocupar a quantidade de mesas que haviam reservado, deixando muitas vazias. Com o passar do evento fomos liberando as mesas para o próprio público narrar, foi quando começou a encher mais as salas de RPG. Esse foi um ponto que iremos rever e melhorar para a próxima edição.

TE: Será que podemos esperar uma próxima edição com uma área destinada aos boards ainda maior e com mais atrações específicas para esse público?

GC: Sem dúvidas nossa meta é melhorar sempre. Estamos analisando todas as possibilidades para fazermos uma segunda edição ainda maior e com mais novidades do que a primeira. Em breve divulgaremos detalhes.

TE: Como vocês enxergam a relação do Diversão Offline com os pequenos eventos de bairro mensais e semanais? 

GC: Somos muito gratos a cada um. Eles foram fundamentais no nosso trabalho de divulgação, pois estivemos presentes em vários, e continuarão sendo fundamentais para alimentar o nosso público nas lacunas entre as edições do evento. O mais legal é isso, ver no Diversão Offline o público e os organizadores de cada encontro que acontece no RJ, tanto de RPG como de Board Game, reunidos.

TE: Que tipo de "diversão offline" além de RPG, cards e boards uma segunda edição pode trazer?

GC: Temos bastante vontade de investir em HQs e trazer editoras, autores e atrações da temática para o evento.

Gostaria de deixar registrado meu agradecimento ao pessoal da Geek Carioca que tão gentilmente respondeu minhas perguntas. E que 2016 venha com um Diversão Offline ainda melhor e maior. Novamente parabéns pelo trabalho incrível que foi recompensado com um sucesso mais do que merecido.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Saiba o que rolou no Diversão Offline


Uma das minhas distrações favoritas é pesquisar fotos de boardgame no Instagram. Domingo, antes de sair de casa para ir ao Diversão Offline, descobri que estava rolando BGG Con. No caminho todo para o evento, fui pensando como seria incrível algo desse nível no Brasil. Quem leu meu post anterior, sabe o quanto admiro os eventos especializados que ocorrem lá fora. Espero um dia ter a oportunidade de visitar algum deles. Mas, naquele momento, eu estava indo para um forte candidato a ser o nosso grande evento nacional. Sim, minhas expectativas em relação do Diversão Offline eram, e ainda se mantêm, bem elevadas. Apesar de um ou outro problema, normal para primeira edição, considero que o evento foi um sucesso.

Foto da BGG Con. Vamos chegar lá.

Cheguei ao Diversão Offline por volta das 11 da manhã, estava rolando a palestra do Marcos Barreto, game designer do Zodiacus, sobre criação de jogos. Tinha uma boa galera assistindo. A área de torneios estava meio vazia, não parecia que tinha começado nada ainda. Resolvi dar uma volta por todo o evento para ter uma visão geral. Dei uma olhada em todos os estantes e salas destinadas aos jogos, além de trocar ideias com algumas pessoas. Tinha muita gente conhecida com quem eu gostaria de ter falado mais, porém a timidez me impediu.

A estrutura oferecida pelo Centro de Convenções SulAmérica é ótima, os eventos que ocorrem lá são sempre bem confortáveis. Eles tem um espaço amplo, um sistema de ar-condicionado que funciona, banheiros limpos e elevadores, só o preço do estacionamento que é um pouco salgado. Mas o grande problema foi a parte de alimentação, simplesmente não haviam opções. Porém, essa deve ser uma questão bem difícil de resolver, porque é recorrente nos mais diferentes eventos. A divisão do espaço também deixou a desejar um pouco, poderia ter sido melhor, mas reconheço que essa é outra questão complicada. No planejamento, tudo parece muito satisfatório, só quando colocado em prática é que aparecem os problemas. São diversas variáveis envolvidas que que são difíceis de prever, ainda mais quando é a primeira edição do evento.

Eu achei um pouco ruim os estantes terem ficado tão separados das mesas de jogos, acredito que para algumas pessoas não tão familiarizadas com o hobby, pode ter ficado complicado identificar de qual editora era aquele jogo que tinham acabado de conhecer. Talvez fosse mais interessante ter os estandes e mesas de jogos em um mesmo espaço. A pessoa sentou, jogou e já pode comprar, se quiser. A identificação das mesas de cada editora era confusa, dava para saber mais ou menos quem era quem pelo agrupamento de jogos. 

Haviam três salas de jogos, duas que foram anunciadas como freeplay e uma destinada apenas aos protótipos. Todas elas ficaram muito cheias durante todo o dia e ocupadas com demonstrações de jogos por editoras, era difícil encontrar uma mesa disponível para jogar algo aleatório. Acho que deveriam ter deixado mais claro, quais mesas eram para as editoras demonstrarem seus jogos e quais eram realmente livres para quem quisesse chegar e jogar qualquer coisa.

 Visão geral de uma das salas.

A sala de protótipos ficou pequena, haviam muitos jogos e era difícil se movimentar por lá, tanto é assim que alguns protótipos podiam ser encontrados espalhados nas outras duas salas. Também faltou uma melhor identificação do jogos, porém aí acho que é mais responsabilidade de seus criadores. Só o Acre e o Zodiacus estavam bem identificados, pois estão em financiamento coletivo. 


O pessoal do Acre foi com tudo que tinha direito: banner, camiseta, buttons... 

Tom Vasel fake jogando Zodiacus. :p

Uma dica para galera que vai apresentar seus jogos em eventos, coloquem o nome de maneira bem visível. Não precisa gastar dinheiro com banner, escreve grande em uma folha de papel mesmo, pode ser até mesmo à mão. Muitas vezes, a gente vê um jogo interessante, mas acaba pelos mais variados motivos não conseguindo jogar. Porém, se tivermos o nome, podemos procurar por ele depois. Todo mundo hoje em dia tem páginas para divulgar seus jogos. 

Comecei dando uma geral nos estandes para já identificar o que queria comprar. Nisso já notei algo de estranho, a Galápagos Jogos e a Grow não estavam realmente no evento, mas apenas sendo representadas por lojas - a Tabuleiro Mix e Magic Store. A primeira teve problema com a remessa da editora que não chegou a tempo e acabou levando o que já tinha em seu próprio estoque. Já a segunda, não tinha o único jogo que me interessava, o Card Wars. Eles informaram que as 200 cópias levadas esgotaram logo no início do evento.

Não achei isso uma postura bacana, mas pior foi a Devir que nem isso fez, ignorando totalmente o evento. Bom para editoras menores como a Funbox Jogos e a Conclave Editora que fizeram a festa. Quando vi o estande da Funbox Jogos fechando no meio tarde fiquei um pouco confusa, mas aí eu soube que estavam fechando porque simplesmente venderam tudo. As mesas de demonstração deles eram as mais disputadas. Tinha uns amigos meus que queriam jogar Flash Point e ficaram só na vontade mesmo, porque não conseguiram vaga.

 Mesas da Funbox Jogos disputadas durante todo o dia.

Fiz duas compras no estande da Conclave Editora, a expansão do Camel Up e o Dungeon Twister Card Game. O estande deles ficou bem movimentado por conta da presença do Christophe Boelinger, que esbanjou simpatia durante todo o evento, se mostrando sempre disponível para explicar seus jogos, dar autógrafos e tirar fotos com o pessoal. Quando ele foi demonstrar Illegal direto no estande, todas as cópias esgotaram. O que só reforça a minha opinião de que deveriam ter colocado as mesas de demonstração perto dos estandes de venda. 


Christophe Boelinger explicando Illegal no estande foi sucesso absoluto.

O Christophe Boelinger nos explicou o Dungeon Twister Card Game com muita paciência e bom humor. Meu inglês é péssimo, então muitas vezes, ele tinha que esperar o Felipe traduzir para mim. No final do evento, fizemos uma entrevista com ele que também foi ótima. Em breve, será publicada aqui no blog. Nós gravamos em áudio, então vai ser preciso transcrever e traduzir, o que demanda algum tempo. Mas temos esperança de conseguir postar ainda essa semana, junto com os materiais em vídeo que gravamos. 


Aprendendo as regras com Christophe Boelinger.

Conversamos com alguns nomes nacionais sobre projetos para 2016. Entre eles, o Leandro Pires, autor do Rock N Roll Manager, um excelente Euro nacional que vai ser lançado pela Conclave Editora no primeiro semestre do ano que vem. A mesa de demonstração do jogo também ficou bastante cheia durante todo o evento, bem difícil conseguir uma vaga. Como se tudo isso já não fosse suficiente, ainda trouxeram o famoso Igor Knop para demonstrar vários jogos da editora e tínhamos o próprio Cristiano Cuty, que também é autor de jogo, o ótimo Midgard. Ás vezes, a gente esquece e acaba vendo só o dono da Conclave Editora. Como sempre, ele foi bastante simpático, conversou bastante com a gente. 


 Leandro Pires apresentando seu jogo.

I wanna rock!!!

O Cristiano junto com outros grandes nomes do meio participaram de um bate-papo bem bacana que infelizmente eu não consegui descer para assistir. Como eu sei que foi bacana? Bem, só pelas pessoas em questão já dava para imaginar, porém o Felipe conferiu para mim. Muitos grandes nomes do hobby estavam participando, além do dono da Conclave Editora, tivemos também o Jack Explicador, Shamou do Castelo das Peças, Antonio Marcelo da Riachuelo Games, Marcelo Groo da Gigante Jogos e Vanessa Hellen da Funbox Jogos, que acabou entrando no bate-papo por ter imposto sua presença. Uma situação que considerei extremamente desagradável, ela deveria ter sido uma das primeiras a ser convidada.

Os DBGN atraíram bastante público.
Eu comecei o dia jogando Sentinelas do Multiverso, jogo que a Gigante Jogos vai lançar em breve aqui no Brasil. Não havia uma demonstração oficial do jogo, apenas uma cópia que estava rolando para quem estivesse interessado, algo bastante informal. O Felipe tinha jogado no último Guadalupeças e ficou apaixonado por ele. Não achei isso tudo não. Ele disse que eu não soube usar a minha personagem. Sentinelas do Multiverso é um cardgame cooperativo, em que cada jogador é um herói tentando derrotar o vilão. Acho que não é meu tipo de jogo ou talvez eu só não tenha jogado em condições ideias, foi uma partida meio apressada. Mas vou ter bastante tempo para descobrir quando for lançado, porque certamente o Felipe irá comprar.

Depois disso, dediquei uma parte do meu tempo para demonstrar o Gunrunners, lançamento da Pensamento Coletivo. Eu fiz a revisão do manual do jogo, então sou um pouco parte da equipe. Ele tinha acabado de chegar da gráfica e fiquei surpresa com a qualidade, principalmente das cartas. É um jogo bastante divertido, fácil de aprender e relativamente rápido. Ensinei para um amigo que estava com a gente e ele ficou lá demonstrando o jogo tranquilamente quando me ausentei para ir jogar o Dungeon Twister Card Game.


Ficou muito bom o menino Gunrunners.

Por falar nisso, joguei muito pouco. Só Sentinelas do Multiverso e algumas partidas de Gunrunners. A gente não jogou uma partida inteira do Dungeon Twister Card Game, o lance foi mais ouvir a explicação ser dada pelo próprio autor. Todo mundo sabe que adoro playtestar jogos, então passar pela sala de protótipos sem ter tempo de jogar nada foi triste. Vi vários jogos que eu já estou há algum tempo querendo experimentar e outros que eram totalmente novidade, mas chamaram a minha atenção.


Herdeiros de Khan está tão bonito que nem parece protótipo.

Esperava jogar também com o pessoal da Ace Studios, mas eles vieram bem decepcionantes, apenas com Sapotagem no estande. Nem uma mesinha no estande para demonstrar o próprio jogo que estavam vendendo tinha, e ele tem um ótimo apelo popular. É fácil, divertido, rápido, bonito e barato. Voltaram com muitas cópias para casa por culpa da postura deles mesmos. O que é realmente uma pena, poderiam ter ganhado muita divulgação no evento, pois tem jogos bastante atrativos para o público mais casual.

Estante da Ace Studios deixando muito a desejar.


Enfim, gostei muito do evento. Não foi perfeito, mas para o primeiro foi um grande êxito. Teve problemas, mas coisas que considero pequenas. As questões que já citei acima, como a organização do espaço de estandes e mesas, a ausência de opções de alimentação e as palestras que poderiam ter sido melhores. Deveriam ter chamado alguém mais relevante para falar sobre criação de jogos e no bate-papo sobre o mercado, o Cristiano da Conclave Editora entrou de última hora e a Vanessa da Funbox Jogos precisou impor presença para participar. No mais, acho que algumas editoras, principalmente as grandes, erraram em não dar a devida atenção ao evento. Os torneios não atraíram tanto público, a organização destinou um espaço bem grande para eles, mas foi algo que não tinham muito como prever. 

Já estou ansiosa pela próxima edição do evento, acho que tem tudo para crescer e figurar entre os principais eventos nerds do RJ, e talvez até mesmo do Brasil, não ficando limitado apenas ao nosso público específico, apesar do foco nos jogos analógicos. Por favor, não percam o foco!!! Espero ano que vem um evento maior e melhor, que os organizadores possam receber as críticas com a mente aberta e trabalhar para corrigir as falhas. Mas o que eu acho de principal é que as editoras vão dar muito mais atenção ao evento na próxima edição. No mais é parabenizar a galera da organização pela coragem de fazer um evento pioneiro como o Diversão Offline.



Foto de final de evento. Todo mundo cansado, mas bem feliz.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Saiba o que vai rolar no Diversão Offline


O nosso hobby tem crescido de uma maneira muito expressiva nos últimos anos. A Galápagos Jogos sacudiu o mercado trazendo ao Brasil grandes lançamentos internacionais. O que obrigou empresas como Devir e Grow, já bem estabelecidas, a saírem da inércia em que se encontravam. Também deu oportunidade para o surgimento de várias ótimas pequenas editoras como a Conclave Editora e a Funbox Jogos, além de uma onda de financiamentos coletivos motivada pela criação de diversos jogos nacionais. Uma enorme quantidade de jogadores descobriram, e continuam a descobrir, todo um mundo novo que vai muito além de War e Banco Imobiliário.

Pôster comemorativo do aniversário de 6 anos da Galápagos Jogos.

Aos poucos, eventos direcionados ao público nerd tem aberto espaço, ainda que de forma tímida, para os jogos de mesa. Eu, particularmente, tive a oportunidade de promover espaços específicos para o nosso hobby no Anime Pocket e no Expo Geek. Na Bienal do Livro, a Devir abriu um pequeno espaço em seu estande para demonstração de jogos com a presença do Jack Explicador, o nosso grande youtuber. Tivemos também a Galápagos Jogos com uma participação de destaque na BGS e prometendo chegar ainda mais fortes na CCXP, com atrações internacionais de peso e anúncio de lançamentos. 


Porém, o nosso cotidiano, ainda é o dos pequenos eventos específicos, organizados pelos próprios companheiros de hobby em locais improvisados. O Castelo das Peças, que é o maior e mais antigo evento de jogos de tabuleiro do RJ, ocorre atualmente em uma área externa cedida pela Universidade Veiga de Almeida, estando sujeito a diversos tipos de limitações. O máximo que estamos acostumados diferente disso, são os eventos promovidos por lojas especializadas. A Redbox Store no Centro tem realizado um trabalho bacana nesse sentido e agora temos também a Magic Store na Tijuca.

Foto tirada na edição do mês passado do Castelo das Peças.

Olhamos os grandes eventos que ocorrem lá fora, como a Gen Con nos EUA e a Essen na Alemanha, com suas estruturas enormes e lamentamos não ter nada minimamente parecido por aqui. Um evento pensado para o nosso hobby, que ofereça infraestrutura adequada, reúna as editoras especializadas em um só local para demonstrar e vender seus jogos, além de promover bate-papos sobre assuntos que nos interessam com figuras reconhecidas do meio. Então, eis que surge o Diversão Offline oferecendo tudo isso. Pode parecer exagerado da minha parte tal comparação, mas eu vi a BGS nascer em uma quadra de escola em Niterói e em alguns poucos anos se tornar um dos maiores eventos de videogame do mundo. Assim sendo, acho que posso me permitir ter esperanças e sonhar um pouco.

O Diversão Offline ocorrerá no próximo dia 22 de novembro das 9h às 18h no Centro de Convenções SulAmérica e promete ser o primeiro grande evento com foco em jogos de mesa do RJ e isso me deixa muito animada. Quase todas as editoras nacionais estarão presentes demonstrando e vendendo os seus jogos, serão 5 sala de 120 m² repletas de opções para todos os gostos e 14 estandes de venda; haverão torneios diversos com premiação, sorteios de jogos e vários bate-papos ao longo de todo o dia com nomes conhecidos discutindo assuntos da nossa área. O evento ocupará dois andares do Centro de Convenções SulAmérica. No 1º andar, teremos a área destinada aos bate-papos e torneios; enquanto o 2º andar será onde as editoras iram ficar apresentando seus jogos. O lugar para a galera sentar e jogar com todo o conforto. Preciso dizer onde vou passar a maior parte do tempo? XD

Apesar de não ser um evento exclusivo do nosso hobby, a galera do RPG também estará junto, teremos um espaço bastante considerável na programação. O fato de utilizarem um nome mais abrangente foi algo que já achei bem positivo. Não seremos tratados como um espaço separado dentro de um evento de RPG, como é comum acontecer. Acho que teremos uma divisão relativamente equilibrada. Aqui tratarei apenas da parte que interessa aos jogadores de boards e cards, pois esse é o foco do blog. Quem quiser conferir o que vai rolar em termos de RPG é só entrar no site oficial do evento para conferir a programação completa.

Banner mostrando todas as editoras que participaram do evento.

Começando os trabalhos do dia, no palco às 10h teremos o Marcos Barreto, game designer do Zodiacus, com a palestra "Quero criar um jogo! E agora?". Achei o tema bem legal, mas podiam ter colocado alguém com mais experiência para falar sobre o assunto. O Zodiacus é o primeiro jogo dele e vai entrar agora em financiamento coletivo. Já vi rolando em vários eventos, mas nunca despertou muito interesse. Não parece ser meu tipo de jogo, pelo que pude ver do tema e das mecânicas.

O Marcos tem um canal no Youtube chamado Rabiscando Game Design, que inclusive tem um com o mesmo título. Vi alguns vídeos e achei bacana, principalmente quando ele bate-papo com outras pessoas, tem um bem interessante com o Fel Barros. Porém, na minha opinião, o momento mais interessante da nossa área no palco vai rolar às 13h. Teremos Jack Explicador, Shamou (Castelo das Peças), Antônio Marcelo (Riachuelo Games), Marcelo Groo (Gigante Jogos) e Cristiano Cuty (Conclave Editora) conversando sobre "Board Games: Uma Visão de Futuro.

Um dos melhores produtores de conteúdo sobre o nosso hobby.

Ainda no 1° andar, teremos torneios de Magic, Pokémon, Battle Scenes e X-Wing, Já joguei todos eles, gosto bastante, mas a alta competitividade me desestimula. Eu jogo para me divertir, não para ficar me estressando. Atualmente, o que eu mais tenho curtido é o X-Wing. Gosto muito da mecânica de movimentação dele, acho bastante inovador. Eu já tenho uma certa experiência com jogo de miniaturas por causa do Heroclix e gosto bastante de combates táticos. O Battle Scenes foi um trabalho incrível realizado pelo pessoal da Copag. A principio, achei que só tinha bombado pelo tema. Mas como passar do tempo, o jogo foi provando que tinha consistência, tanto que está aí seguindo firme. As premiações ocorreram no final do dia às 17h30, já os sorteios ocorreram em dois momentos: 12h e 16h.


Porém, acho que a parte mais interessante mesmo vai ser o 2º andar, com todas as editoras disponibilizando seus jogos livremente. No estande da Conclave Editora, teremos a presença de Christophe Boelinger, o autor de Illegal. Ele estará autografando Dungeon Twister Card Game, mais um jogo dele que está sendo trazido ao Brasil pela editora mineira. Não posso deixar de mencionar que o game designer francês também é responsável por jogos como Earth Reborn e Archipelago. A Conclave Editora é uma editora que eu gosto bastante, lançaram um dos jogos nacionais que eu mais gosto, o Midgard, e estão para lançar outro ainda mais incrível, o Rock n Roll Manager. Eles vão estar com um protótipo bem legal do jogo lá para mostrar para a galera com a presença do autor, o Leandro Pires. A previsão de lançamento é primeiro semestre de 2016.

Atração internacional.

Primeiro contato do pessoal da Conclave Editora com Rock N Roll Manager foi no Guadalupeças. \,,/

Outra editora que também vale prestar atenção é a Ace Studios que tem como principal nome Fel Barros, o autor do incrível Warzoo. Ele foi recentemente lançado pela Galápagos Jogos, que passou bastante tempo sem lançar nada nacional no mercado. A pegada do pessoal da Ace Studios é justamente essa de jogos rápidos, fáceis, divertidos, surpreendentes e com visual caprichado, com muita criatividade e inovação. Além do Warzoo, eles também são responsáveis por Gekido, Muffin Games e Sapotagem, que estará sendo lançado no evento com a presença de um dos autores, o Warny Marçano. A ideia é que ele seja o primeiro de uma série de quatro jogos, os próximos devem ser Encantados (que já foi divulgado), Khan e Medievalia.


Joguei Sapotagem quando ainda se chamava Agentes do S.A.P.O. lol

Teremos também o pessoal da Riachuelo Games que promete divulgar novidades para 2016. Estou aguardando esperançosamente o retorno do Vaporaria e do Cruz de Ferro, jogos que curti muito e lamentei bastante quando vi serem deixados de lado. No estande vai rolar Fields Of Gore, Fortaleza de Berdolock e Orcorrida, o mais atual deles, que é uma paródia de Mad Max. O que me incomoda na Riachuelo Games é que eles costumam criar uns jogos muito bacanas, mas acabam se enrolando um pouco na logística de divulgação e lançamento. Além de exagerarem na criação e desenvolvimento do Lore, acho que isso faz eles perderem um pouco o foco do que interessa - o jogo.


Esse mesmo problema, eu tenho visto acontecer com a BEST Games que se uniu à Riachuelo Games para criar a iniciativa Bravery Games, que ainda me parece uma ideia bem confusa, Não consegui captar o objetivo. O Wagner vinha trabalhando legal com o Beat Em Up, então ele meio que parou e apareceu com o Folclore, que entrou em FC de uma maneira que achei muito apressada. Eu joguei uma vez e achei bem bacana, principalmente pelo tema. Mas devia ter sido trabalhado mais antes de ir para o mercado. Acredito que teria sido mais vantajoso terminar o Beat Em Up e lançá-lo primeiro, pois tem mais apelo e estava melhor desenvolvido. E eles ainda tem o Jornada do Herói da Luz, que é inspirado em Final Fantasy Tatics.

Eu estarei no estande da Pensamento Coletivo fazendo demonstração do Gunrunners, jogo de estreia fora do universo RPG da editora, Ele foi lançado no esquema de pré-venda e o Diversão Offline vai ser o primeiro evento onde vai estar disponível para compra direta pelo público. O jogo acabou de sair da gráfica e está incrível. Passem por lá para conferir o Gunrunners, um jogo bem bacana, rápido e divertido. A Pensamento Coletivo é uma editora nova com foco mais em RPG, mas que também está abrindo espaço para o nosso hobby, até porque o Filipe Cunha é um grande boardgamer.


Essa parece ser a tendência, a Redbox Editora que é uma conhecida editora de RPG está lançando seu primeiro boardgame também, o Red Dragon Inn e quem ouviu a entrevista do Antônio Pop no Leite Night sabe que vem mais coisa por aí. No aguardo de boas novidades para o ano que vem. Eles que já tem aberto um espaço incrível na loja, promovendo eventos e aluguel de jogos. Na entrevista, o Antônio conta um pouco da naturalidade do processo, que se desenrolou pela demanda dos clientes da loja. A Conclave Editora também tem na sua origem o RPG e hoje é mais conhecida pelo seu trabalho com boardgames.

No mais é a galera das editoras maiores como a Funbox Jogos, que deve vir com Quartz, Ascension, Bullfrogs, Neuroshima Hex e Flash Point. Não sei se virão com jogos que estão como esgotados no site. Eles tem uma linha de joguinhos pequenos que é muito legal. Adoro Emboscada e Metrocity. A Grow deve vir com Puerto Rico, Ave Caesar, Bang, o Catan com a recém lançada expansão Navegadores. Não sei se trarão jogos como Istanbul e Burgundy que estão na lista de próximos lançamentos, seria bom se rolasse. Ainda tem o Card Wars, joguinho que aparece no desenho Adventure Time. Aposta certeira, deve vender muito. Temos também a Copag que tem como principais produtos Battle Scenes e Pokémon. Eles tem diversos joguinhos casuais e rola de descobrir algumas pérolas perdidas vez ou outra. Por fim, a Galápagos Jogos que deve vir com todos os últimos grandes lançamentos, dando grande destaque ao Dungeon Fighter, XCOM e Krosmaster Arena.

Como eu já disse no início do texto, estou bem animada com evento, acho que vai ser muito legal. Torcendo para dar super certo para que não apenas tenha outras edições como também cresça em tamanho e relevância, ampliando a divulgação do nosso hobby cada vez. O texto ficou enorme, como sempre, eu não consigo escrever pouco. Mas para facilitar, resolvi fazer um guia do que vai rolar de bom no evento, tipo um resumo.

Palco:

10h - Quero criar um jogo! E agora? com Marcos Barreto, game designer do Zodiacus
13h - Board Games: Uma Visão de Futuro com Jack Explicador, Shamou (Castelo das Peças), Antonio Marcelo (Riachuelo Games), Marcelo Groo (Gigante Jogos) e Cristiano Cuty (Conclave Editora)

Torneios:

Battle Scenes
Magic
Pokémon
X-Wing

Jogos em Financiamento Coletivo:

Acre Board Game
Folclore Volume I: Dossiê Guimarães
Zodiacus Board Game

Destaque das Editoras:

Ace Studios - Lançamento do Sapotagem e demonstração de vários outros joguinhos incrivelmente divertidos, rápidos e bonitos. Eles são os caras que criaram o Warzoo. O trabalho deles é muito bom.

Bravery Games (BEST Games e Riachuelo Games) - Folclore que está em FC e Orcorrida. Eles criam um jogos bons, apesar de serem um pouco confusos com lançamentos e divulgação. Beat Em Up é um jogo bem interessante para se conhecer. Prometem anunciar novidades. No aguardo de Vaporaria e Cruz de Ferro.

Conclave Editora- Acho que é o grande destaque do evento, trazendo o game designer francês Christophe Boelinger, autor do Illegal, e que estará lançando Dungeon Twister Card Game. Outro destaque do estande é o Rock N Roll Manager, um jogo nacional foda que vai ser lançado ano que vem por eles.

Copag: Battle Scenes e Pokémon. lol

Funbox Jogos: Quartz, Ascension, Bullfrogs, Neuroshima Hex e Flash Point.

Galápagos Jogos: Dungeon Fighter, XCOM, Krosmaster Arena e mais uma porrada de jogo bom que todo mundo conhece e adora.

Grow: Card Wars porque estou na onda Adventure Time. Mas acho que o destaque na real é a expansão Navegadores do Catan.

Pensamento Coletivo: Venha jogar (e comprar) Gunrunners comigo. =P

Redbox Editora: Vale dar uma conferida no Red Dragon Inn.

Seguem Mapas:



Baixe o aplicativo do evento no Google Play.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O Autor e Seu Jogo - New York 1901 por Chénier La Salle


Li o texto que parcialmente reproduzo abaixo no Diário do Designer, um canal da Ludopedia destinado a apresentar relatos dos próprios autores sobre a criação de seus jogos. Técnicas, passo a passo, testes, protótipos e tudo mais que envolve o processo. Ele é a tradução de um texto publicado no BoardGameGeek pelo Chénier La Salle, designer do New York 1901. Já postei sobre ele aqui antes, um relato muito interessante do Zumbi Gordo, que teve a oportunidade de jogar diretamente com o autor em Essen. O jogo também fez bastante sucesso na Gen Con, rendendo comparações com o maravilhoso Ticket To Ride. Aqui no Brasil, ele parece ter passado um pouco despercebido. O que eu acho uma pena, pois parece ser muito bacana.

O texto completo conta toda a trajetória de vida do Chénier La Salle. O autor de New York 1901 não é designer por profissão, mas acabou se tornando um por causa da paixão pelo hobby. Achei incrível como ele conseguiu se sair tão bem logo na sua primeira experiência. Eu escolhi postar aqui, apenas a parte do relato em que ele fala mais diretamente do processo de criação do jogo, mas acho importante destacar o quanto o tempo todo ele fala sobre a importância da sua família no processo.

Ele não era boardgamer frequentador de eventos especializados ou que tinha um grupo específico de jogo. Era só um cara comum que descobriu nos jogos de tabuleiro uma boa forma de diversão com sua mulher e seus filhos. Quando já tinha jogado todos os seus jogos e a grana para comprar novos ficou curta, resolveu criar um ele próprio. Assim sendo, convocou sua família para o desafio. Eles foram seu principal grupo de teste, antes da Blue Orange Games entrar na parada, já tinham jogado centenas de partidas. Só senti falta no relato sobre como ele foi descoberto pela editora.

 Chénier La Salle todo orgulhoso com seu "primeiro filho".

Eu sempre me perguntei o quanto deve ser revelado sobre o processo por trás do desenvolvimento de um jogo - ou um jogo de vídeo game ou filme sobre o tema. Eu, pessoalmente, adoro saber sobre o processo criativo, e quando eu pego uma revista de jogos, os únicos artigos que leio sistematicamente são as entrevistas com os criadores, porque eu adoro uma boa história. No entanto, eu não tenho certeza se quero saber muito sobre as "entranhas" de um filme, livro ou jogo. Eu sempre pensei que saber muito sobre algo poderia de alguma forma torná-lo um pouco menos mágico. Alguém concorda? Eu acho que é a minha desculpa para agilizar as últimas páginas deste diário. Eu não vou discorrer sobre todas as decisões e histórias por trás de todas elas - há apenas muitas - mas eu identificarei algumas das mais fundamentais e partilhar algum discernimento sobre como eu as vi e como elas evoluíram.

Por que é Nova Iorque?
"O tema ou a mecânica - o que vem primeiro?", esta pergunta é feita frequentemente. Às vezes é solicitada apenas para determinar a abordagem preferida de um designer. Às vezes é para tentar determinar a melhor prática - que é bastante inútil. Mas as várias respostas ainda são divertidas e é apenas divertido descobrir como diferentes criadores abordam seus trabalhos. A resposta é, obviamente, "cada um na sua". Mas uma coisa é certa, o jogo New York 1901 e todas as suas mecânicas evoluiu e fluiu a partir da cidade de Nova Iorque. O tema esclareceu as mecânicas.


Há muitas razões por que eu escolhi Nova Iorque como tema. A primeira é simplesmente porque Nova Iorque é uma cidade especial. Poucas cidades no mundo têm uma simbologia tão rica que não deixa ninguém indiferente. Paris e Londres são algumas dessas cidades, e Nova Iorque é outra - mas Nova Iorque tem um moderno e dinâmico anel de "novo mundo", um anel que mantém até hoje. Nova Iorque é Paris ou Londres do Novo Mundo. E mesmo hoje, muitos ainda as chamam de as maiores metrópoles do mundo. Se jogos de tabuleiro são pequenos playgrounds -  pequenas caixas de areia se quiserem - e se você está escolhendo seu playground, não há nenhum melhor do que Nova Iorque.


Eu sempre gostei de jogos que têm um pano de fundo histórico. Não estou me referindo às simulações históricas, que tendem a ser pesadas, mas sim à estética, ao "palco" imersivo que a história oferece. Como fase histórica para um jogo de tabuleiro, Nova Iorque tinha sido escolhida muitas vezes antes. Mas frequentemente, o período escolhido é o final da década de 1920 e início dos anos 1930, com sua bela aparência da Art Déco, vista em alguns  edifícios como Empire State e Chrysler. Embora seja claramente um período bonito para se explorar, eu queria fazer algo diferente. Através da minha pesquisa, descobri a primeira onda de arranha-céus de Nova Iorque na virada do século passado e escolhi esse período para o meu jogo. O jogo seria inicialmente chamado de "New York 1899", que iniciava em 1800, com uma configuração para que parecesse mais antigo. Ele acabaria por mudar para New York 1901 para facilitar a utilização de um contador que por sua vez começaria em 1901. Primeiro turno em 1901, segundo turno em 1902, fácil, não? O contador seria abandonado mais tarde no desenvolvimento, mas o nome ficaria.

Um protótipo (Set 2012) quando o jogo ainda era chamado de New York 1899 e incluía um sistema de pontos de ação (canto inferior direito) que foi abandonado.

Quando eu gosto de alguma coisa, tenho a tendência de fazê-la muito, talvez demais. A "virada do século" nova-iorquina, se tornou quase que uma obsessão. O período de virada do século foi elevado a um status especial em muitos países ao redor do mundo. Na França, ele é literalmente chamado de "la Belle Époque" e eu acho que a versão francesa é usada "como é", na língua alemã. Na Inglaterra, este período atravessa as eras Vitoriana e Eduardiana, ambas as épocas muito sugestivas. O período também viu os Estados Unidos crescerem a uma velocidade tremenda durante a sua "Era Dourada". Foi um período de grande avanço tecnológico e artístico ao redor do mundo. Os primeiros acontecimentos desta época inspiraram o movimento Steampunk, que iria mostrar o quão profundo e sedutor é o seu imaginário. A "Belle Époque" terminou com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, e depois dela o mundo saudava uma nova potência mundial, os Estados Unidos.

Devorei livro após livro sobre o assunto, e como eu precisaria de imagens depois, foi bom ser intelectualmente preguiçoso e preferir livros com muitas fotos. É claro que os meus esforços foram focados na Nova Iorque da época. Descobri centenas de arranha-céus bonitos com fachadas elaboradas. Eu fiquei tão encantado com o período que comecei a colecionar cartões postais "vintage" de Nova Iorque. O período de virada do século foi o auge dos cartões postais, e foi muito fácil de encontrar no eBay. É também um passatempo relativamente barato, e alguns dólares poderiam comprar um bom cartão postal de mais de 100 anos. Não media meus esforços, então minha coleção continuou a crescer e, finalmente, chegou a bem mais de dois mil cartões. Eu fiquei tão encantado com o período que eu criei uma página no Facebook dedicada a esses cartões postais de época de Nova Iorque, e até hoje, eu ainda a atualizo diariamente.

Eu fiquei muito satisfeito em saber que a arte de New York 1901 foi baseada em imagens autênticas, e eu estou feliz por minha editora ter comprado esta minha ideia obsessiva. No entanto, e você pode achar isso estranho, em mais de uma ocasião eu tive de evitar dizer às pessoas muito sobre a pesquisa por trás do visual que introduziria no jogo. A razão é que New York 1901 sempre foi concebido para ser um jogo de família e na minha mente - diga-me se estou enganado - eu temia que se eu mencionasse todas as fontes históricas por trás da arte, ou seja, que cada tile de arranha-céu único em New York 1901 foi inspirado em um edifício real a partir desse período, o jogo poderia ser comparado com uma dessas simulações históricas pesadas, que ele simplesmente não é. Talvez, eu pensei demais.

A grande maioria dos arranha-céus da primeira fase foram construídos na baixa Manhattan, no centro financeiro de Nova Iorque. Eu vou admitir que um jogo como Ticket To Ride e seu tema geográfico familiar (um mapa da América do Norte com suas maiores cidades destacadas) mostrou que a familiaridade geográfica realmente ajuda muito para que os jogadores tenham facilidade em um jogo de tabuleiro. Foi definitivamente, no processo criativo, um "momento eureka", identificar o centro financeiro e suas ruas familiares como Broadway e Wall Street  como o cenário ideal para usar como pano de fundo para New York 1901.


 O tabuleiro quase final de jogo.
 
 Mapa vintage da baixa Manhattan de 1916 com a área de jogo delineada.

Agora, se você vai construir arranha-céus, você precisa adquirir os terrenos para construir sobre eles. Aqui, novamente, um pouco de pesquisa traria a inspiração para algumas das mecânicas fundamentais. A baixa Manhattan foi a parte mais antiga da cidade, e o tamanho dos lotes foi determinado quando Nova York era apenas uma pequena cidade em uma nova colônia britânica; por conseguinte, os lotes eram muito pequenos. Empreendedores imobiliários da virada do século tinham de adquirir muitos pequenos lotes de terra contíguos antes que eles pudessem, finalmente, construir um grande edifício.

Além disso, não era incomum que pequenos redutos imobiliários arruinassem grandes planos de um empreendedor. Quando confrontados com essa situação, esses empreendedores muitas vezes construíam em torno deles. Isso deu-nos alguns arranha-céus com formatos muito peculiares. O fato de que tais estruturas estilo "Tetris" realmente existiram me deu a liberdade de usar essas formas no jogo. Eu não comecei com essas formas em mente; na verdade, os arranha-céus em meus primeiros protótipos foram quadrados ou retangulares. Se estes edifícios "Tetris" não houvessem existido realmente, eu não teria usado essas formas, porque sentiria ser um pouco "forçado" para o jogo. A história ditou a forma dos tiles, ou melhor, me permitiu colocar um "Tetris" neles. 


 O City Investing Building de 1908, um pequeno reduto imobiliário (lado inferior esquerdo)
obrigou os empreendedores a mudar seus planos e construir em torno dele.

O tile do City Investing em New York 1901.

Alguns fatos históricos interessantes: na "virada do século" a tecnologia de construção foi avançando rapidamente, tornando algumas estruturas obsoletas muito rapidamente. Esses avanços foram tornando possível construir melhores e mais altos arranha-céus. Não era raro que edifícios que tinham apenas dez ou quinze anos fossem demolidos para dar lugar a outros melhores. Este também é um dos conceitos que eu usei no jogo. Muitos dos conceitos do jogo foram "revelados" (soa quase como algo religioso) pela história de Nova Iorque. Eu precisei apenas empurrá-los e fazer com que coubessem em um agradável, eficiente e, esperançosamente, formato divertido. Peguei tanto emprestado de Nova Iorque, que eu sinto que devo à cidade. Então, novamente, eu estou alimentando o mito de Nova Iorque, criando um jogo em torno dele, certo? 

Estudo utilizando apenas lotes de dois quadrados. Na versão final, optei por uma mistura de lotes de dois e três quadrados o que torna o desenvolvimento do cenário mais imprevisível.

 Alguns dos tabuleiros protótipos. Devo ter feito umas trinta variantes ao longo do desenvolvimento, 
e é realmente relaxante fazer um protótipo em uma tarde de domingo.



Leia o texto completo traduzido aqui.

Leia o texto completo em inglês aqui