domingo, 29 de março de 2015

Pacotão Funbox - O Retorno: Metrocity, Emboscada e Lobisomem Por Uma Noite


Mais uma vez temos um belo trio de jogos lançado pela Funbox marcando presença no blog. Eles foram comprado na Black Friday do final do ano passado. Novamente, um excelente negócio. Além dos jogos mencionados no título, ainda vieram o Shift, que por já termos foi dado a um amigo, e a expansão A Reforma do Coup, sobre a qual já comentei aqui. No post do primeiro Pacotão Funbox, escrevi sobre Coup, Cook-off e o próprio Shift.

Os jogos da Funbox continuam chamando atenção pelo visual incrível, esses especificamente ainda têm o charme adicional do tamanho pequeno. Eles vêm em caixinhas do mesmo tamanho de Shift e também têm a proposta de serem simples e rápidos, porém são muito mais bem sucedidos no quesito diversão.


O meu favorito é disparado o Metrocity, fiquei interessada assim que vi. Gostei tanto do tema quanto da mecânica, além da arte de muito bom gosto. Passa bem o ambiente de cidade futurista apenas com uma combinação acertada de traço e cores simples, mas que são bem fortes e marcantes.


Cada jogador possui um deck de cartas de uma determinada cor para construir suas rotas de trem, ao mesmo tempo em que vão formando a cidade. O objetivo é conseguir criar os caminhos mais eficientes. A pontuação é feita de acordo com o número de prédios diferentes por onde eles passam, o jogo tem cinco no total.

O deck é embaralhado e na sua vez o jogador irá comprar uma carta que será jogada adjacente a uma outra já colocada sobre a mesa, elas são unidas como em um quebra-cabeça e a cidade vai sendo assim formada. Para cada número de jogadores, temos um padrão diferente. As cartas quando colocadas "em pé" não tem nenhum mistério, mas quando colocadas lateralmente encaixam só a metade, ficando a parte restante para fora ou conectada a uma outra carta. A cidade vai sendo formada por colunas com um limite decrescente de cartas, contando a partir do centro (que não ficará necessariamente no meio) que terá o maior número de cartas.

 Posicionando as cartas corretamente.

Padrão 4 jogadores.

Padrão 3 jogadores.

 Padrão 2 jogadores.

Dificilmente, um jogador irá formar uma rota do início ao fim sozinho. Os pontos são conquistados por quem tiver mais cartas, em caso de empate, ambos ganham. Além dessa pontuação normal, cada jogador recebe no começo da partida 2 cartas de Objetivo, que são tipos específicos de construção de rotas que valem 3 pontos cada. Eles ficam secretos e só são revelados no final do jogo. Conseguir conclui-los ou não pode ser decisivo.


A questão dos Objetivos é o meu único ponto de crítica ao jogo, achei que vem muito poucos. Em uma partida com 4 jogadores apenas 1 carta desse tipo fica de fora, isso porque a edição nacional tem justamente 1 carta a mais. Na minha opinião, seria mais legal se houvesse uma maior quantidade de Objetivos, isso deixaria o jogo mais diversificado. Depois de algumas partidas, eles já ficam gravados na mente. Fora que são um pouco desequilibrados, alguns muito fáceis e outros muito difíceis.


Tirando isso, super recomendo Metrocity. A questão do padrão da cidade e colocação das cartas lateralmente pode parecer um pouco confusa a princípio, mas acostuma rápido e em pouco tempo nem será mais preciso olhar os formatos no manual. Apesar de ser mais divertido jogando com 4 pessoas, o jogo continua funcionando bem com uma quantidade menor de participantes.

Quebrar a cabeça para construir as linhas de transporte mais eficientes de uma cidade futurista não foi o suficiente? Então, que tal tentar descobrir uma tropa misteriosa escondida na floresta? Emboscada é um joguinho bem rápido, mas muito intrigante, de dedução, blefe e lógica.


Ele é composto por 13 cartas, em cada uma temos uma condição de vitória diferente e um número de estrelas que indica a pontuação que a carta dá. Elas são divididas em dois grupos de cores (azul e vermelho) e numeradas de 1-6, mais 1 carta que não tem cor, número ou pontuação. O dragão possui apenas condição de vitória.

Emboscada é um jogo pensado para apenas 3 jogadores, o que é uma desvantagem. Porém, juntando dois jogos, é possível elevar a quantidade para 4-6 jogadores. Mas nunca experimentei jogar dessa forma, então não posso dar opinião.

O turno começa com o jogador inicial, que chamamos de General, distribuindo 4 cartas para cada um dos demais, sobrando 1 carta que ficará fechada no centro da mesa e que ele olhará para saber a condição de vitória. Sua jogada deverá ser pensada para induzir os outros ao erro.

Durante a rodada, os jogadores têm a opção de jogar uma carta, observar e recuar. Com base nas cartas de sua própria mão e naquelas que vão sendo jogadas, vamos eliminando as possíveis condições de vitória, que sempre serão maior ou menor número em jogo ou na mão, geralmente de uma determinada cor.

 Para ninguém ficar perdido.

Acho jogar a carta sempre o mais difícil, porque é uma análise complicada. Podemos jogar como descarte ou por achar que a condição é estar na mesa. Observar é passar a vez sem fazer nada, só para ver o que os demais jogadores farão e decidir a melhor ação a ser tomada na sua próxima jogada, se houver. Pode acontecer dos demais também só observarem e o turno terminar antes do esperado.

Além de todos os jogadores observarem seguidamente, as outras formas do turno acabar são: a soma das cartas em jogo chegar a 20 ou 2 jogadores recuarem. É importante ficar atento a soma das cartas na mesa para não perder a chance de vitória por excitar na hora de jogar uma determinada carta, mesmo caso do observar.

Recuar é a jogada mais estratégica do jogo e se usada com habilidade pode ser decisiva para a vitória, que ocorre quando um jogador chega a 10 pontos. Quando o jogador recua, está fora do turno. Se recuar e no final for verificado que ele não tinha carta que atendesse a condição de vitória, ganha 1 ponto. Entendesse que ele recuou porque apesar de saber a condição de vitória, não tinha a carta necessária para cumpri-la, agiu com sabedoria. Caso fosse vencer, não ganha nada, pois calculou mal e perdeu sua vantagem. Na minha opinião, quem recua errado deveria perder 1 ponto. lol

Ao cada novo turno a condição de General passa para o jogador a esquerda do que a teve anteriormente. A pontuação é concedida pela carta que atendeu a condição de vitória. No caso do dragão, os pontos são da menor carta em jogo do vencedor daquele turno. Em caso de empate, ambos ganham.

 Exemplo de turno.

Emboscada é um jogo que me dá aquele orgulhinho, pois a arte da edição nacional está fantástica. Ela deu uma nova vida ao jogo, além de lhe dar também uma nova temática, que foi reforçada pela oportuna mudança de nome. O jogo original é bem fraco nesses quesitos de tema e arte. Apesar de achar que o desenho lembra muito Patapon, achei que a arte ficou com um cara bem brasileira, pois me lembra ao mesmo tempo literatura de cordel.

 Capricho nos menores detalhes.

E já que estamos falando sobre arte foda, esse é o destaque principal do último jogo do nosso pacote. Lobisomen Por Uma Noite é todo desenhado em pixel art, ele é uma versão simplificada do Werewolf, como o próprio nome já indica. Eu nunca joguei o original, então é um pouco difícil comentar. Eu joguei duas vezes seguidas e ninguém curtiu. Ele é dedução com blefe, mas pareceu muito aleatório.


Cada jogador recebe 1 carta, que poderá ser: Aldeão, Lobisomem, Vidente ou Ladrão Fantasma. As cartas são separadas de acordo com o número de jogadores, devendo sobrar 2 que ficaram fechadas no centro da mesa. Depois que cada um tiver conferido seu papel, todos fecham os olhos e em ordem começam a utilizar seus poderes.

Os Aldeões não fazem nada, o Vidente pode olhar a carta de outro jogador ou as 2 cartas fechadas no Centro da mesa, os Lobisomens abrem os olhos para se verem e o Ladrão Fantasma troca a sua carta com a de outro jogador, sem olhar. Depois de todas as ações, os jogadores abrem os olhos e começa uma votação de quem seria o Lobisomem.

Os Aldeões não têm como ter ideia de qualquer coisa, nas duas vezes eu fiquei nesse papel. Os Lobisomens vão proteger uns aos outros e tentar convencer o restante a votar em outro jogador, o Vidente é o único que pode ter condição de dizer algo realmente contra os Lobisomens e o Ladrão Fantasma está ali só para ser agente do caos.

Os Lobisomens podem utilizar a alegação de Paz na Vila para tentar convencer os demais jogadores que não há nenhum Lobisomem entre eles. Acho que são os que mais jogam efetivamente, porque o Vidente só é útil se ele ver carta de Lobisomem, se for uma carta de Aldeão de nada adianta. Os Lobisomens também podem mentir dizendo que são o Vidente.

Se o escolhido na votação for um Lobisomem, o time dos Aldeões ganha. Caso contrário, eles ganham. Se a escolha for Paz na Vila e não houver nenhum jogador realmente com carta de Lobisomem, os Aldeões ganham. Mas se houver, eles perdem. Achei desequilibrado, é muito mais fácil os Lobisomens vencerem. Enfim, o jogo leva o nome deles.

Os três jogos ainda estão disponíveis no site da Funbox por um ótimo preço, principalmente o Emboscada. Apesar do Metrocity ser o meu favorito, em questão custo-benefício ele é mais vantagem. São jogos pequenos, mas com propostas bastante diversificadas. Tem opção tanto para quem gosta de coisas mais tranquilas como para quem curte um desafio maior.

Em breve, teremos Bullfrogs por aqui. Aguardem!!!

quinta-feira, 5 de março de 2015

Guadalupeças


Ocorreu no último domingo mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. Mesmo não tendo nenhum especial, playteste ou jogo novo, o evento foi muito agradável. Tivemos um bom público, como sempre bastante diversificado, o que acho que já podemos considerar como uma característica nossa. Apesar de termos a presença de amigos que são constantes, e dos quais sentimos falta quando deixam de ir, é legal ver uma galera totalmente casual se interessando e tendo o primeiro contato com jogos modernos. Outra questão que está ficando bem marcante no Guadalupeças é o destaque do mercado nacional que está ocorrendo naturalmente. É engraçado ver a surpresa das pessoas ao saberem que jogaram um produto criado por profissionais e empresas brasileiras. Nessa edição, tivemos Masmorra de Dados, The Cook-off e Midgard.

Mais uma vez joguei bem pouco, comecei o dia com sempre muito divertido Concept, depois uma mega partida de Midgard. Eu girei a roda do tempo errado, o que fez o jogo ficar bem mais longo do que deveria. Apesar disso, os meninos que jogaram comigo gostaram bastante e demonstraram bastante interesse em adquiri-lo. Para quem quiser conhecer mais sobre Midgard, leia o post que escrevi sobre ele aqui no blog. Para quem quiser comprar, uma ótima notícia: os jogos da Conclave Editora começaram a ser vendidos no site da Livraria Cultura.



Na minha opinião, existem três grandes categorias de jogos: os que gostamos muito a princípio, mas que vão perdendo a força com o passar do tempo; aqueles que não agradam tanto de início, mas depois vão mostrando seu valor e os que são amor a primeira jogada e isso só vai crescendo cada vez mais. Ainda é um pouco cedo para afirmações, porém acredito que Midgard é um forte candidato a fazer parte desse seleto último grupo.

Para fechar o dia, estreando a expansão A Reforma do Coup. Fiquei um pouco decepcionada, não achei que as religiões acrescentaram tanto ao jogo. Posso estar sendo precipitada, pois só joguei uma vez. A Reforma deveria aumentar a intriga, pois membros da mesma religião não podem se atacar. É possível mudar a sua religião ou a de outro jogador pagando para o Asilo, o dinheiro acumulado pode ser pego por qualquer jogador que alegue não ser o Duque.


Acho que o problema da nossa partida é que foi rápida demais, três jogadores morreram quase em sequência logo no início. Dos que sobraram, eu era a única que tinha uma religião diferente, então tive que pagar para mudar, porque senão eu seria alvo de todo mundo. Quando todos os jogadores restantes pertencem a mesma religião, a regra de não agressão passa a não valer mais. Sendo a única a mudar de religião no jogo, o Asilo nem foi usado. A Reforma deve funcionar melhor com jogadores mais experientes em Coup. Na nossa partida, pareceu que a expansão diminuiu os conflitos ao invés de acentuá-los.

Tivemos vários outros jogos durante o dia, The Cook-off causou boa impressão, gerando comentários elogiosos. Outro jogo que o pessoal gostou bastante foi o Nosferatu, embora não seja nacional, a Conclave fez um ótimo trabalho disponibilizando-o no Brasil.



Por fim, gostaria de agradecer a presença de todos. Sentimos falta dos amigos Felipe Goulart e Carlos Ross, mas tivemos o prazer de receber o Shamou, organizador do Castelo das Peças, que fazia tempo não aparecia no evento e os amigos de Piabetá, Taís e William, que vieram super de longe e ainda nos ajudaram com o transporte dos jogos.

Sobre o próximo Guadalupeças, fiquem ligados nos nossos perfis do FB para saber novidades. O primeiro domingo de abril é Páscoa, então ainda estamos verificando a viabilidade de fazer ou não o evento. Transferir para o domingo seguinte não tem como, pois já existe um outro evento que ocorre no local nessa data. Mas o que não falta são bons eventos aqui no RJ, além de sempre termos a opção de reunir os amigos para uma jogatina caseira. Confira abaixo fotos de mais alguns outros jogos que rolaram durante o evento.