quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Caçadores da Galáxia no Joga de Natal



No último final de semana, tive o prazer de participar de um playteste do Caçadores da Galáxia, novo trabalho do Daniel Alves, um dos criadores do super sucesso Masmorra de Dados. O jogo é um Euro com temática Sci-Fi de Mechas lutando contra Alienígenas. Pronto, juntou duas coisas que eu simplesmente amo. Porém, por se tratar de uma combinação inusitada, estava acompanhando o projeto com desconfiança. Até porque não faço parte dos entusiastas do primeiro lançamento da parceria Taberna do Dragão e Histeria Games.

A oportunidade surgiu devido ao convite do Cacá do blog E aí, tem jogo? para o Joga de Natal, que reuniu várias figuras da cena boardgamer carioca, além de nos brindar com a presença especial do game designer mineiro, que entregou a cópia do Masmorra de Dados do Felipe em mãos com direito a autógrafo e tudo mais. Então, fica aqui meu agradecimento por poder estar entre esse pessoal que admiro e trabalha bastante para o desenvolvimento do nosso querido hobby.


Caçadores da Galáxia foi uma surpresa maravilhosa, com mecânica e temática muito bem integradas. As regras são simples, mas proporcionam uma infinidade de opções estratégicas. O funcionamento geral é o básico já conhecido do todo Euro: alocar worker, coletar recurso e fazer construções para ganhar pontos. O grande lance é como isso foi utilizado dentro da proposta do jogo.

Cada jogador controla um Mecha que possui um piloto ligado por conexão neural (*_*), que tem uma função no desenvolvimento da partida, não é apenas um detalhe para ficar bonito ou para dar uma melhor ambientação. Os pilotos possuem três habilidades básicas, mas só duas ficam ativas. Essas serão definidas pelo Mecha escolhido. Os pilotos também possuem espaços para aprimoramentos, que podem (e devem) combar com as características do Mecha, suprindo algum tipo de deficiência, por exemplo.

O Mecha possui diversos espaços para equipamentos, mas o piloto traz consigo um projeto básico, se o jogador conseguir cumpri-lo, ganha uma pontuação adicional. Isso adiciona ainda mais integração entre Mecha e piloto, além de um desafio adicional. Se não houvesse o projeto, cada um equiparia a esmo.

Os Mechas vêm sem equipamentos, só com as características básicas de armadura, munição e energia. Então, início de jogo é correr com seus workers para coletar os recursos necessários para comprar logo uma arma. Depois da fase de alocação e coleta de recursos vem a hora da porrada. Só que existe um porém, ao escolher um Alienígena para enfrentar outro deverá entrar em seu lugar, mantendo sempre quatro disponíveis para a escolha do próximo jogador, mas alguns (vários) vêm com símbolo de invasão. Ao invés de entrar na área destinada aos conflitos, eles invadem os planetas bloqueando assim os recursos. Por isso, é tão importante pegar uma arma o mais rápido possível.


 


Esse esquema de invasão dos planetas torna o jogo mais tenso e proporciona mais possibilidade de batalhas. Matar Alienígenas é a principal forma de pontuar, pois dá dinheiro, reputação e um recurso específico que serve para comprar missão (não há outro meio de adquiri-lo), além de equipamentos especiais para o seu Mecha que geralmente são de pontuação e habilidades fodas. Mas o principal é o material genético, que serve para completar as missões. O tipo e quantidade de material genético do Alienígena é a única informação que fica aberta, as demais só são descobertas após a batalha.

O jogo dura nove turnos, o que dá uma média de duas horas. Isso porque nos primeiros turnos o pessoal vai devagar, sabendo a regra legal deve cair em quase metade esse tempo. A arte está muito bonita, gostei bastante dos desenhos dos Mechas e pilotos. A diagramação também é outro ponto que, na minha opinião, merece destaque, tudo muito bem colocado em seus devidos lugares. O mapa modular está bem bacana, no estilo de jogos como Eclipse e Twilight Imperium, facilitando a inserção de expansões com novos planetas.

O Daniel Alves, autor do jogo, nos disse que o jogo já deve ser lançado no financiamento coletivo com mini-expansões. Teremos a princípio as opções de um jogo básico até a edição de Colecionador que está prometendo ser sensacional. Além dos adicionais destravados através do cumprimento de metas. Chorei ao saber que pode rolar um Mecha inspirado em EVA. A previsão é começar a campanha em fevereiro, após o Carnaval.

A partida foi bem disputada entre eu e o Fabrício (que já conhecia o jogo). O Rodrigo e o Felipe comeram poeira. Rolou invasão e eles ainda não tinham comprado armas. Isso deixou o jogo travado para eles, o que o Daniel considerou um defeito. Segundo ele, isso nunca tinha acontecido. O problema é que nós deixamos os planetas ficarem invadidos, principalmente eu, para focar em outras coisas e ganhar ponto. No geral, quem tem armas limpa os planetas e facilita a vida dos demais. Desculpa gente, eu fui egoísta e só pensei no meu próprio jogo. Mas, espera, o jogo não é cooperativo. Então, é foda-se os amiguinhos e vamos pontuar nessa porra. Agora sério, eu sou um pouco agressiva jogando, principalmente quando percebo que tenho chances de ganhar, não fiquem chateados ou espantados. Valeu a pena o esforço, consegui uma boa vitória.

         


A parceria Taberna do Dragão e Histeria Games se mostrou super vitoriosa com o Masmorra de Dados, não só por ter superado em muito a meta do financiamento, mas por ter começado a entregar o jogo antes do prazo e com um material de ótima qualidade. Os caras estão com crédito.

Como eu já disse no início do texto, não faço parte dos entusiastas do Masmorra de Dados. Mas não é por nenhum problema com o jogo. A questão é mesmo de estilo, dificilmente um dungeon crawler vai me conquistar, mesmo com dadinhos charmosos. O jogo está bonito e as regras bem amarradas. As únicas críticas que tenho são ao esquema de utilização de habilidades de cartas de personagem e ao guia de iconografia dos monstros, achei ambos bem confusos. De resto, o jogo se mostrou o que eu já esperava, nada de surpreendente. O Felipe adorou, cada um com seus gostos.



Infelizmente, não deu tempo de jogar mais, porque já estava ficando meio tarde e a gente mora longe. Felipe ficou babando no Concept, ainda não entendi o que ele enxergou de tão incrível nesse jogo. Talvez, quando eu jogar, mas duvido. Definitivamente, gostos diferentes. Eu queria ter jogado Pandemic: The Cure.


É isso pessoal, mais uma vez obrigado ao Cacá pelo convite e ao Daniel pelo jogo incrível. Já comecem a guardar dinheiro para o financiamento coletivo de Caçadores da Galáxia em fevereiro. Com certeza, esse vai ser um dos grandes destaques de 2015. Vamos trabalhar firme para bater todas as metas e ficar com um jogo recheado de extras incríveis. O meu vai ser Edição de Colecionador, já está decidido. \o/

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