sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Conquistando os Planetas

Conquistando os Planetas é um jogo de tabuleiro lançado pela Copag em 1980. O autor não é creditado, então não dá para saber se é gringo ou nacional. Bem obscuro, né? Para início de conversa, nunca soube que a Copag já tinha se aventurado fora do universo das cartas. Não encontrei quase nada sobre o jogo na internet, as descrições se resumem a: "é um War simplificado". O que eu achei uma forma de menosprezo imerecido. Levando-se em consideração a época em que foi criado, ele é até bem bacana. Mas você deve estar se perguntando, onde foi que eu arranjei esse jogo?


Um lugar muito legal aqui no RJ para quem gosta de todo tipo de antiguidade é a Feira da Pça XV, que acontece todo sábado pela manhã. O forte não são os jogos de tabuleiro, mas procurando bem e com um pouco de sorte, a gente pode achar algumas coisas interessantes. Esse foi o terceiro jogo que comprei lá e nem sou uma frequentadora muito assídua. Eu gosto muito de tudo relacionado com Sci-Fi, então quando bati o olho nesse jogo quis logo comprar. Mas em lugares assim, é preciso segurar um pouco a onda, senão fica difícil negociar o preço.

Acabou saindo por um valor um pouco acima do que eu gostaria. O jogo está com duas naves e duas cartas faltando, além da caixa bem surrada. O vendedor começou pedindo R$30, fechamos por R$25, mas acho que dava para chegar em R$20 com um pouco mais de insistência. Se bem que o vendedor era um pouco ruim de negociação, ele não era nenhum especialista em boardgames, mas também não era bobo. É bom pegar aqueles que não fazem ideia do que estão vendendo, foi assim que comprei um Delorean novinho, lacrado na caixa, por R$50.

O que mais me atraiu em Conquistando os Planetas (além do tema, como já deixei claro) foram os componentes. Gostei muito do tabuleiro, cartas e peças (naves e mísseis), eles tem um estilo retrofuturista que lembra bastante as representações Sci-Fi dos anos 50 e 60. Por isso mesmo, achei um pouco estranha a caixa, destoava do restante do jogo. Ela sim tinha uma pegada bem anos 80. Mas bastou um pouco de pesquisa chegar a explicação.

A versão que adquiri da Copag é uma segunda edição do jogo, a primeira foi lançada uma década antes por uma empresa chamada RIAL. Consegui essa informação em um site sobre brinquedos raros. Infelizmente, não havia mais nenhum detalhe adicional. Procurei bastante, mas não encontrei outras referências. A Copag relançou o jogo com os componentes originais, só modificando a caixa e o insert. Acredito que a mudança na caixa foi para chamar mais atenção do público alvo na época.


O insert da Copag é realmente melhor, mas achei a caixa da versão da RIAL mais bonita. Ela parece uma pintura e combina muito mais com o restante dos componentes. São apenas três tipos de cartas, porém apesar da pouca variação, os desenhos se destacam por sua qualidade. As naves e mísseis foram os que mais chamaram minha atenção, pois são feitos de acrílico. Além disso, cada um dos cinco conjuntos possuem naves em formatos diferenciados.


 

Sou novata no universo dos jogos de mesa em geral, quanto mais antigos menor ainda é o meu conhecimento. Até porque as informações vão ficando escassas, não encontrar praticamente nada sobre a RIAL me deixou perplexa. É quase como se nunca tivesse existido, me senti meio em 1984 do George Orwell. Não sei se outros jogos antigos possuíam componentes com mesmo nível de qualidade. O único jogo antigo que tenho se chama Star Traders, comprei por causa do envolvimento do Asimov. Ainda não consegui jogar, mas parece ser mecanicamente interessante. Porém, os componentes não são dos mais animadores.

Conquistando os Planetas é um jogo com regras bem simples, tanto que vieram na parte de dentro da tampa da caixa, apesar de eu achar que deve ter existido um manual que foi perdido. Enfim, cada jogador possui seis naves e quatro mísseis. No início do jogo, as cartas são embaralhadas todas juntas, com exceção das cartas de missão. Serão distribuídas dez cartas para cada jogador, nelas virá sublinhada em destaque uma determinada localização. O jogador deverá posicionar suas peças de acordo com a indicação das cartas. Depois elas serão devolvidas, separadas por tipo e embaralhadas novamente. Serão formando dois decks diferentes: mísseis e naves. Após isso, cada jogador receberá uma carta de missão secreta.


Cada carta de missão vem com duas opções de objetivos a serem cumpridos. Geralmente, são conquistar determinadas localidades ou destruir um inimigo específico. O jogo comporta até cinco participantes e vem com seis cartas de missão, essa carta extra é para caso aconteça de um objetivo de conquista seja cumprido no setup inicial, a mesma possa ser substituída. Essa parte de missão é meio fraca, acho que deveriam vir mais cartas, para aumentar a rejogabilidade. Depois de algumas partidas as missões se tornam conhecidas.



O jogo vem com dois dados: um com as letras A e M e outro numerado de 1-3. No jogo, ele chama as naves de aeronaves, o que eu achei bem engraçado. Hoje o que chamamos de aeronaves são os aviões, por isso desde o início do texto utilizei a nomenclatura naves, por ser mais adequada ao nosso entendimento atual. Talvez na época o termo aeronaves fosse comum para designar um veículo espacial, apesar de já ler lido vários livros de FC clássico e nunca ter visto tal referência.

Mas voltando aos nossos dados, são eles que vão determinar a movimentação. No mapa, nós temos: planetas, planetóides (azul), satélites (amarelo) e meteoritos (vermelho). Alguns planetas maiores são divididos em áreas, não é permitido passar pelo seu interior para se mover entre elas. Outra limitação é quanto aos meteoritos, eles contam como casas normais para movimento, mas não se pode parar neles, pois senão sua nave ou míssil é automaticamente destruído. São regras boas que dificultam a movimentação, além das linhas que ligam os planetas, que obviamente não são continuas. As vezes, você vai estar perto do seu objetivo, mas sem um caminho direto, precisando fazer uma volta grande e nisso acabar sendo atingido por um ataque inimigo.

Se o resultado dos dados não lhe interessar, existe a opção de comprar uma carta. As cartas de naves trazem sugestão de ir direto até uma determinada localidade. Ligou o motor de dobra e foi para outro lugar completamente diferente, pode ser do outro lugar do mapa. Mas é opcional, pode ser que a movimentação oferecida pela carta também não lhe interesse, se esse for o caso, então passa o turno sem fazer nada.


As cartas de mísseis tem uma regra um pouco mais apertada, se optar por pegar uma carta desse tipo, você é obrigado a fazer o que ela diz. O que pode em alguns casos prejudicar o próprio jogador que comprou a carta. O jogo chama isso de tiro no escuro, um nome bem adequado. Acho isso bem legal. A carta de míssil vem com três ordens, a execução será de acordo com o resultado de numeração. Se o jogador tirou M+3 e escolheu por não mover um míssil três casas, mas sim pegar uma carta. Ele terá que executar a ordem de número 3 da mesma. As outras ordens podem ser muito melhores e pode rolar alguma lamentação nesse momento.


As cartas também podem vir com a informação de recuperar uma peça de acordo com seu próprio tipo, o que é muito bom. Apesar de não ficar muito claro (por isso acho que esse jogo vinha com um manual que foi perdido), eu entendi que uma vez que uma peça é trazida de volta ao jogo, apenas isso é feito no turno do jogador. Acho que faz sentido, senão o jogador ficaria com duas ações, o que seria injusto.

Já escrevi bastante sobre diversos aspectos do jogo, mas não sobre o que suas principais peças fazem exatamente. Então, vamos lá: Os mísseis eliminam qualquer nave ou outro míssil que esteja local onde seu movimento termine, mesmo que seja do próprio jogador. As naves são para ocupação, podemos ter naves diferentes em um mesmo local. Como eu já coloquei, os objetivos são basicamente conquista e destruição.

Mas se você é o tipo de jogador que gosta de "tocar o terror", Conquistando os Planetas oferece uma opção bem interessante. Que tal assumir o papel de suicida e acabar com a festa de todo mundo destruindo o Sol e consequente todo o sistema solar. Nesse caso, o jogo acaba sem vencedores. É o chamado Caminho da Morte. Para atingir esse objetivo, o jogador precisa colocar um míssil no Sol. Só existe um caminho para fazer isso, que é indo de Plutão até o Sol, através de planetóides e meteoritos.


Conquistando os Planetas é um jogo bem simples, mas tem seu charme para os fãs de Sci-Fi com seus componentes bacanas. Talvez algumas "house rules" possam tornar o jogo mais interessante. Eu tenho pensado em algumas coisas, mas ainda não experimentei nada, está tudo só no plano das ideias. Até porque preciso jogar mais vezes para poder começar a fazer modificações. A questão é encontrar interessados. Então, se alguém quiser topar essa aventura e for do RJ, é só chegar.



terça-feira, 23 de setembro de 2014

Segunda Sem Lei


Já faz algumas semanas que a Redbox começou com o evento Segunda Sem Lei, mas eu ainda não tinha tido oportunidade de participar. É complicado porque eu moro longe e preciso acordar cedo no dia seguinte para trabalhar. Por isso, faz tempo que não apareço no Boards & Burgers também, evento que acontecia no Burger King da Rio Branco às terças-feiras, agora eles estão de mudança para o Bob's da Senador Dantas. O evento de hoje deve ser a despedida e a partir da semana que vem já deve estar na casa nova. Pretendo me esforçar para marcar presença lá.

Mas voltando à Redbox, resolvi aproveitar que estava de folga do trabalho hoje e ir conferir o evento. Estava seca para jogar, porque como trabalhei no final de semana, não pude ir ao Castelo das Peças. Fiquei um pouco chateada por não encontrar o pessoal de sempre lá, no dia que resolvo ir ninguém vai. Cheguei lá um pouco cedo e fui surpreendida por um rapaz que me reconheceu aqui do blog. Foi uma coisa engraçada. A gente bateu um papo e jogou Ninja Dice, infelizmente ele não pode ficar para o evento.

Depois joguei uma partida incompleta de Jaipur com o Felipe, parece que ele não ficou muito feliz em levar uma surra logo de cara, tenho jogado bastante no BGA. Joguei também Coup, enquanto o Felipe ensinava Shift para um amigo que ele encontrou lá por acaso. Então, cai na besteira de jogar Citadels. É um bom jogo, mas demora demais. O pessoal com quem joguei era bem bacana, mas preferia ter embarcado no 7 Wonders que estava rolando na mesa ao lado. 



Enquanto isso, chegou o Wagner com seu Beat'Em Up. Mais um jogo de mesa seguindo na onda dos videogames, tendo Boss Monster como inspiração e Streets Of Rage como principal influência. Se você ainda não entendeu do que se trata, é aquele lance de andar e bater. Devo confessar que não sou muito adepta dos videogames, mas o Felipe (que entende do assunto) jogou e escreveu um texto bem legal no Finalboss. Queria ter jogado, espero ter uma oportunidade em breve.


Apesar de não ter jogado nenhum jogo fora do comum, gostei bastante do evento e recomendo. O ambiente é muito agradável e o pessoal da loja uma simpatia. Achei o preço de R$15 cobrado pela participação bastante justo, o buffet de salgadinhos estava muito bom. Pois é, dessa vez não foram esfihas, o que para mim foi ótimo. Além disso, você tem direito a uma cerveja ou refrigerante. A loja disponibiliza vários jogos, mas os participantes também podem levar os seus próprios livremente.


terça-feira, 9 de setembro de 2014

Guadalupeças - Especial Ace Studios


Domingo tivemos mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. No evento deste mês tivemos a presença a Ace Studios, desenvolvedora carioca criada pelo game designer Fel Barros. Como sempre, foi muito bom tê-lo conosco, não só pelos seus jogos que são maravilhoso, mas por sua pessoa agradável. Tivemos Warzoo, Gekido, Muffin Games e Agentes do S.A.P.O que viram mesa durante todo o dia. Eu ainda não tinha jogado os dois últimos, então esse foi o momento.

Amei o Muffin Games, ele é simples, rápido e divertido, pelo menos em seu modo básico. Assim como o Warzoo, ele também tem variantes mais complexas. Mas, pelo menos nesse primeiro modo, é o tipo de jogo que acaba uma partida e você já quer começar outra. O tema é muito legal e a arte das cartas também. Esse deve ser o próximo lançamento da Ace Studios, seguindo o exemplo do Gekido com edição limitada direto ao público. O jogo vai vir com caixa da Monster Factory e tokens de coração em acrílico. Não vou entrar em detalhes aqui sobre como é o jogo porque nós gravamos um vídeo com o próprio Fel Barros explicando as regras, seguido de uma partida divertidíssima e emocionante. Muffin Games foi um dos jogos mais jogados do evento.




Outro jogo que também não parou o evento todo foi o Gekido, a galera pirou muito nos dragõeszinhos. Ainda mais que o Fel Barros sempre leva aos eventos a sua versão exclusiva, com as miniaturas um pouco maiores e mais detalhadas. Não que os dragões que são vendidos ao públicos também não sejam incríveis, por isso fiz questão de comprar os meus no lançamento. E sempre deixo claro que só não comprei todos porque não tenho grana, pois ficou um trabalho muito bonito. Para quem é pobre como eu, uma 2ª edição está prevista só com as cartas e dados. Tendo em vista que as miniaturas são charme, não tendo nenhum papel na jogabilidade.



Um lance muito legal que rolou em relação ao Gekido, foi um cara que perguntou de qual empresa era o jogo. Eu expliquei que era da Ace Studios, uma empresa nacional nova, e disse que o criador estava presente no evento, apontando para o local onde o Fel Barros estava. O cara ficou super impressionado, ele achou que o jogo fosse gringo. É muito bom mostrar para quem não conhece ainda, que se faz jogo de qualidade no Brasil.




Nosso evento tem tido muito essa característica de receber um público que não é boardgamer. Talvez por ser realizado na praça de alimentação de um mercado, então sempre temos pessoas conhecendo os jogos modernos. É muito legal ver a admiração delas e mais ainda quando apresentamos um produto desenvolvido aqui no nosso país.

Ainda comentando sobre o Gekido, gostaria de agradecer os feedbacks que recebi sobre o vídeo que a gente gravou. Ficou feliz que o meu jeito meio louco de jogar tenha agradado. Eu sou uma pessoa muito tímida, um dos poucos momentos que me soltou é quando estou jogando. Acho que é por isso que gosto tanto dos jogos de mesa, eles são uma espécie de ponte que me permite interagir com outras pessoas. Normalmente nos eventos, se não for jogando, eu vou ter uma dificuldade enorme de conversar. Então, se me encontrarem por aí, não tenham uma ideia errada achando que eu sou antipática, é só timidez extrema mesmo.

O outro jogo que foi novidade para mim foi o Agentes do S.A.P.O, esse devo confessar que não me agradou tanto. Ele é uma espécie de Sueca modificada, palavras do próprio Fel Barros. Eu não sou boa nesses jogos de cartas tradicionais. O jogo é simples e até divertido, mas não funcionou comigo. Acho que foi uma questão de gosto pessoal mesmo. Jogos com esse lance de cores e números não funcionam comigo. Já tentei jogar Pega 6 várias vezes no BGA e foi a mesma sensação.



Por fim, temos o Warzoo que dispensa apresentações. Foi o jogo através do qual conheci o trabalho do Fel Barros. Com certeza, já faz parte da lista dos grandes jogos nacionais já criados. Não foi por acaso que bateu o recorde de financiamento a atingir a meta em menor tempo. Infelizmente, não joguei dessa vez. O velho drama dos eventos, a gente nunca consegue jogar tudo o quer. Mas daqui a pouco ele estará na minha coleção e com certeza vai rolar vídeo.


Para fechar a onda nacional, Funbox Jogos mais uma vez marcando presença com Cook-off e Coup. Dois jogos excelentes, o primeiro é nacional e o segundo, apesar de gringo, ganhou uma versão que é exclusividade nossa. Ambos são ótimos party games, simples e divertidos. É mais uma empresa brasileira que está fazendo um trabalho admirável. Não vou entrar em detalhes sobre os jogos, pois já escrevi sobre eles anteriormente.


Para completar o dia, joguei um dos indicados ao Spiel des Jahres de melhor jogo de 2014 - Splendor. É um jogo bem legal, tanto que foram duas partidas seguidas, mas nada de muito impressionante. O jogo é simples, administração de recurso e uma boa dose de sorte. São três níveis de cartas, cada uma delas com um recurso que permanecerá com jogador e as vezes uma pontuação. Para pegar as cartas é preciso pagar em recursos, para isso existem as fichas de recurso. Na sua vez o jogador pode: pegar duas fichas de recursos iguais (se houver no mínimo quatro no montante), pegar três fichas de recursos diferentes, pegar uma carta pagando seu custo ou reservar uma carta (recebe uma ficha coringa).

Além das cartas que dão pontos, existem também fichas de personagens que também concedem pontos, conforme seus pré-requisitos sejam alcançados pelos jogadores. Mas essas fichas não podem ser "pagas" com fichas de recurso, apenas com cartas que concedem recursos permanentes. Com o tempo os jogadores vão pegando as cartas "de graça" por causa dos recursos acumulados. Esse é o grande lance do jogo. As fichas são importantes no início, mas quanto antes conseguir diminuir a dependência delas melhor. O jogo acaba quando um jogador faz quinze pontos, então temos mais uma rodada, a menos que o jogador que marcou os quinze pontos seja o último. Porque nisso de rodar mais uma vez, alguém pode pontuar mais e vencer o jogo. Lembrou o esquema do Takenoko.



Um jogo que é certo em praticamente todo evento, mas que eu nunca havia jogado era o Resistance. Engraçado que chegamos a comprar a versão lançada pela Galápagos Jogos, mas vendemos quase de imediato, justamente por esse motivo. Com um mínimo de cinco jogadores, muito difícil jogar em outro lugar que não seja os eventos. O Resistance que joguei foi o Avalon, que o William traz religiosamente em todo Guadalupeças que nos dá o prazer da sua presença. O pessoal que conhece ambos disse que não muda pouca coisa.

O jogo é bacana, mas nada que seja essencial para coleção. Fiquei ainda mais certa que foi uma boa coisa vender. O Felipe Simões comentou sobre isso, mas no caso dele, é Munchkin que está parado. Esse é outro jogo que tem em todo evento e precisa de bastante gente. Além do mais, na minha opinião, perde a graça rápido. É sensacional nas primeira vezes, mas depois você já conhece todas piadas. Outro fator bem ruim, é o tempo de jogo que em geral acaba sendo terrivelmente longo. Porque fica um jogador sacaneando o outro e ninguém faz os dez pontos. É um vai e volta do caralho na pontuação. Fiquei traumatizada na última vez que joguei.

Voltando ao Resistance, eu fiquei do lado dos malvados. É difícil jogar sem revelar os outros membros do seu time. Blefar ou ser o traidor sozinho é muito mais fácil. Em geral, eu gosto de jogar nessa posição, como o jogador que sacaneia os outros. Nós conseguimos vencer, porque o pessoal do bem acabou se atrapalhando. É legal esse lance da acusação, só os maus se conhecem e o Merlin que conhece todo mundo. A galera do bem fica mais perdida que cego em tiroteio, o que é engraçado. Talvez jogando outras vezes, minha opinião sobre o jogo melhore.


O último jogo do dia, não só para mim, mas do evento todo, foi uma emocionante partida de Boss Monster. Começamos jogando em três pessoas, mas logo ficou só eu e o Felipe Simões. A princípio, pensei que ele venceria facilmente, mas depois fui conseguindo boas cartas de Room e minha Dungeon ficou bem forte. Porém, o Felipe investiu muito em Spell desde o princípio e foi assim que ele impediu minha vitória. Quando eu ia pontuar as dez almas, ele descarregou as Spells todas em mim. Depois foi só assistir impotente a vitória dele. Boss Monster é sensacional, mecânica e temática muito bem encaixadas e uma curva de aprendizagem baixa, sem perder com isso a complexidade. O Felipe não tirou nenhuma foto da gente jogando, mas teve uma que ele tirou de um outro pessoal que ficou muito boa. Esse jogo tem sido sucesso, todo mundo que conhece fica viciado.


Obrigada a todos que compareceram em mais uma edição do Guadalupeças. Espero encontrar a todos em 05 de outubro, onde estaremos prestigiando o trabalho do Filipe Cunha com a Pensamento Coletivo, que está trazendo para o Brasil o jogo Uruk: O Berço da Civilização, que apesar de gringo, vai seguir o mesmo exemplo do Coup e chegar para gente com arte nacional exclusiva. Eu já vi o Filipe fazendo playteste do jogo em vários eventos, inclusive no próprio Guadalupeças, mas nunca tive oportunidade de jogar. Mas já li o manual e jogo parece ser muito legal. Fiquem atentos as novidades curtindo o FB do Turno Extra e do Guadalupeças. Até a próxima, galera!!!

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Gekido: Texto + Vídeo


Está chegando mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. Para quem não sabe, o evento ocorre todo primeiro domingo do mês e, geralmente, tem um tema em destaque. Já tivemos, por exemplo, Futebol na época da Copa do Mundo e Game Of Thrones no final da temporada da série de TV. Agora, estamos tentando fazer parceria com desenvolvedoras nacionais para que venham mostrar seu trabalho em nosso evento. No mês passado fizemos o Vaporaria, jogo da Riachuelo Games que está para entrar em financiamento coletivo. E agora em setembro, teremos a Ace Studios. Uma desenvolvedora de jogos criada por Fel Barros junto com outros grandes nomes da cena carioca. Eles tem feito um trabalho incrível, mostrando muita criatividade e talento. Seus jogos são rápidos, bonitos, divertidos e viciantes.

Podemos dizer que o "carro-chefe" da Ace Studios é o Warzoo, que bateu o recorde de meta alcançada mais rapidamente no Catarse. É um jogo muito bacana, tivemos o prazer de tê-lo presente em nosso evento para playteste. Fazer um evento com foco em um jogo ou empresa nacional é algo que nos deixa muito feliz, pois mostra o forte crescimento do mercado nacional. Mas que fique claro que estaremos sempre aberto para o trabalho autoral independente. Se você tem um jogo e quer playtestar no nosso evento é só entrar em contato.

A Ace Studios tem trabalhado rápido e forte, além do Warzoo que foi um super sucesso. Já tivemos também o Gekido, o charmoso dice rolling de batalha entre dragões. Essa primeira edição é especial e vem com belíssimas miniaturas artesanais. Adquiri o meu no lançamento que ocorreu no final de julho na loja Redbox. Infelizmente, só pude comprar 2 miniaturas, das 6 que foram lançadas. Para quem quiser saber mais informações, é só dar uma conferida no texto que escrevi sobre o assunto. Além da "cobertura" do lançamento, tem também uma entrevista bem bacana com o Fel Barros. É um dos post com o maior número de visualizações aqui no blog, no meio de gigantes do universo de LoTR e GoT. Além do post sobre o lançamento, Gekido também já apareceu por aqui quando o joguei pela primeira vez, ainda na fase de playteste no evento Castelo das Peças.

 
Apesar dessas duas aparições, eu ainda não havia escrito sobre as regras dele. Quem acompanha o blog, sabe que esse é o nosso foco principal. Então, como um esquenta para o Guadalupeças Especial Ace Studios vamos a um post completo sobre Gekido, com direito a vídeo mostrando o desenrolar de uma partida.

Gekido é um jogo de batalha entre dragões para 2 jogadores. Cada dragão vem acompanhado por uma carta que traz do lado direito suas opções de ataque e do lado esquerdo seus poderes especiais. A vida dos dragões é marcada por 5 dados D6. Os dados de ataque tem em cada uma de suas fases uma joia diferente. Isso ocorre porque de acordo com a história do jogo, Jikan o dragão mais poderoso que existe e senhor de todas as joias, temendo ser superado por seus filhos resolve devorá-los para se ver livre da ameaça. Porém, os dragõeszinhos começam uma batalha em seu estômago para se libertarem, o vencedor tomará o lugar de seu pai.


Fel Barros mais uma vez utilizando ótimas referências. Já tínhamos a Revolução dos Bichos em Warzoo, agora vem Gekido com a Teogonia. Cada dragãozinho tem a sua própria joia símbolo que é correspondente a sua cor. No seu turno, cada jogador irá rolar os dados de jóia e separar os resultados que lhe interessarem. Então, deverão apostar em um dos possíveis ataques. O primeiro número é o dano que aquele ataque vai dar em caso de sucesso e o segundo número é o dano que irá tomar em caso de falha. O jogador terá mais duas rolagens para tentar atingir o resultado pretendido.


Cada vez que toma dano e perde um dado, o mesmo é alocado a esquerda, na área dos poderes especiais. Sempre tem um poder que é livre e dois que são limitados. Um poder livre pode receber quantos dados o jogador quiser, já o poder limitado recebe apenas um dado com o número de vezes que poderá ser utilizado. E as joias de cada dragão? Bom, elas atrapalham no golpe de cinco diferentes, porque não podem ser contadas no resultado.


É um joguinho super rápido e divertido, dá para jogar várias vezes seguidas sem cansar. Seria legal fazer um campeonato para ver qual seria o dragão campeão que iria roubar a soberania de Jikan. Além do Gekido e do Warzoo, teremos também Muffin Games e Agente do S.A.P.O. Pelo menos, esses são os confirmados, porque no ritmo que essa galera está trabalhando não duvido que apareçam com mais algum outro jogo surpresa.


Chega de papo e confiram a minha partida com o Felipe. Quem vocês acham que ganhou?