quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Ninja Dice: Locations Cards + Vídeo completo do jogo


No post em que comentei sobre Ninja Dice, reclamei bastante de não ter entendido o funcionamento das Locations Cards. De maneira geral, achei toda a parte de explicação de regras do jogo bem confusa. Mas nada que um pouco de esforço mental a mais não resolva, se conseguimos entender o jogo porque o mesmo não aconteceria com a expansão? Não era possível que fosse algo tão complicado assim. Depois de algum tempo olhando as benditas cartas, finalmente consegui entender. O engraçado é que depois que a gente descobre como algo funciona, fica aquela sensação de "mas era tão óbvio".

Eu já tinha achado Ninja Dice um dice rolling bem interessante pela sua inovação na questão de posicionamento de dados e rolagem simultânea, as Locations Cards tornam as coisas ainda melhores, acrescentando mais desafio ao jogo. Elas são divididas pelos três turnos, aumentando gradativamente o nível de dificuldade. Os três decks de Locations devem ser embaralhados e o número de cartas abertas será igual ao de jogadores mais um.


Seguindo a ordem normal do turno, cada jogador irá escolher uma carta e fazer sua ação. As cartas em geral trazem o número de dados de casa que deverão ser rolados, mais dados fixos e/ou efeitos adicionais. O valor no canto superior direito é a recompensa que o jogador irá ganhar se conseguir passar pelo desafio, além do valor normal por derrotar a casa.



Agora que sei como utilizar as Locations Cards não pretendo mais jogar sem elas, pois são um acréscimo realmente significativo ao jogo. Talvez jogue sem elas só para explicar para alguém que seja novato no jogo. Além disso, as cartas são todas muito bonitas, acho que elas ajudam a dar mais ambientação.

Na primeira partida utilizando Locations Cards obtive mais uma vitória esmagadora contra o Felipe. Eu consegui vencer todas as três cartas, enquanto o Felipe só conseguiu vencer uma. Agora, quando fomos jogar para gravar o vídeo, eu perdi miseravelmente. Fizemos, na verdade, duas partidas: Uma só o jogo sem expansão e a outra já com as Locations Cards. Na primeira consegui uma vitória tranquila. Mas, na segunda, apesar de nenhum dos dois ter conseguindo passar por nenhuma das Locations Cards, o Felipe soube administrar melhor seus resultados e conseguiu roubar mais dinheirinhos de mim. Foi justo, uma vitória para cada lado.

Como eu já havia dito, a ideia era fazer um gameplay em primeira pessoa sem tanto foco em explicação. O primeiro que gravamos não me agradou muito, como eu comentei no post anterior. Eu tentei gravar usando um suporte de cabeça, o que fez com que as imagens balançassem e eu também achei que a explicação não ficou muito boa. Acho que eu tenho uma tendência ao exagero. Agora, nós gravamos usando um tripé simples e como já tínhamos a experiência da tentativa anterior, a explicação saiu melhor. Consegui manter mais ou menos a ideia da primeira pessoa, talvez em um jogo maior isso não seja possível. Mas vamos com calma, a ideia é ir fazendo jogos pequenos e aumentar gradativamente.

Por fim, quero reforçar a ideia, que os vídeos deverão servir como um complemento dos textos aqui do blog. Sugestões e críticas são sempre muito bem-vindas. Então é isso, fiquem aí com o nosso primeiro vídeo.

domingo, 24 de agosto de 2014

Castelo das Peças


A edição deste mês do Castelo das Peças foi super agitada. Tivemos campeonato de Catan, demonstração do badalado Masmorra de Dados, Riachuelo Games com Vaporaria e Fortaleza de Berdolock, Fel Barros da Ace Studios com Gekido e Muffin e os mineiros simpáticos da Conclave com Nosferatu e Midgard. Era muita opção bacana para um tempo bem curto, ainda mais que chegamos um pouco mais tarde que o habitual.

Queria muito ter jogado o Masmorra de Dados, que está em financiamento coletivo, para saber se é isso tudo que estão dizendo. Mas, infelizmente, quando chegamos não havia nenhuma cópia livre. O Felipe está bem empolgado para comprar, mesmo sem ter jogado, só assistido vídeo. O mesmo ocorreu com Vaporaria, que apesar de já conhecer, sempre quero jogar. Até porque ainda não experimentei o lado dos Tripedem e o pessoal da Riachuelo Games levou as peças pintadas, fiquei babando, estão muito bonitas.



Catan não é minha praia. O próximo Guadalupeças vai ser especial Ace Studios e eu já tenho o Gekido (espero conseguir fazer um vídeo dele até lá), então o Muffin ficou para o evento. Assim, chegamos aos jogos da Conclave. Comecei o dia jogando Nosferatu e Midgard.

Foram duas partidas de Nosferatu, que já pegamos no financiamento coletivo. A primeira foi meio sem graça porque o vampiro foi descoberto muito rápido. A segunda foi mais longa e eu fiquei com o papel de morder os pescocinhos, o que foi bem mais divertido. O jogo é bacana, mas não achei nada de tão incrível não. O Felipe gostou bem mais do que eu, até porque ele já tinha jogado antes.


Nosferatu é mais um cardgame rápido de blefe. Um jogador é o vampiro, os demais são caçadores e existe o Renfeld, que é o único na mesa que sabe o papel de cada um. Ele funciona como um "organizador" do jogo. Cada jogador começa a partida com duas cartas e mais duas serão compradas no início de cada turno. Das quatro cartas na mão, uma carta deverá ser entregue para o Renfeld e a outra descartada aberta. Após isso, será aperto o deck de dia e noite. Sendo noite, o jogo segue para o próximo jogador até chegar ao último. Só então o Renfeld irá revelar as cartas de sua mão e aplicar os efeitos. Se for dia, as cartas são reveladas imediatamente e entra em jogo a estaca. Sendo dia, o jogador que estiver com ela pode tentar matar o vampiro. Quando é noite, a estaca só vai mudando de dono.

São quatro cartas possíveis: mordida, noite, rumor e componentes. As duas primeiras são boas para o vampiro. A terceira é indiferente para ambos os lados. A última é a que interessa aos caçadores, pois permite que eles realizem os rituais, cartas de efeito que ficam abertas na mesa. Mas isso é bem difícil, pois quando reveladas as cartas na mão do Renfeld, todas precisam desse mesmo tipo. Não me lembro o que todos fazem, mas um deles curava uma mordida.

O vampiro precisa distribuir um cinco mordidas para vencer o jogo e os caçadores precisam descobrir sua identidade e matá-lo antes que isso aconteça. O Renfeld é uma figura interessante do jogo, porque aparentemente ele só "organiza", suas jogadas são poucas e muito sutis. É fácil esquecer que ele também é um participante e que trabalha para ajudar o vampiro. Acredito que deva ser o papel mais legal do jogo, porém é preciso já ter alguma experiência nos demais.

Acho que tenho jogado cardgames demais no mesmo estilo e talvez por isso Nosferatu não tenha me conquistado tanto. Talvez jogando mais vezes, minha opinião sobre ele melhore. Mas por enquanto ainda acho Coup e Love Letter melhores opções.

Depois veio o surpreendente Midgard. O Felipe pediu que o pessoal da Conclave falasse um pouco sobre o jogo, pois ele tinha dúvidas quanto a comprar ou não por ter ouvido algumas opiniões ruins. Na época do financiamento coletivo, nós ainda estávamos começando no hobby. Eu, pessoalmente, tinha o "pé atrás" com o jogo, porque a minha primeira experiência com cardgame nacional não foi das mais satisfatórias. Mas melhor do que qualquer opinião é simplesmente sentar e jogar. E que jogo foda! Não vou entrar em detalhes porque ele logo fará parte da coleção e com certeza vai rolar um texto completo sobre ele aqui no blog.


O próximo jogo foi o curioso Japanese The Game, um cardgame que o Felipe pegou no Kickstarter. As cartas trazem uma palavra com sua classificação gramatical e o objetivo é formar frases. O que eu achei divertido é que elas não precisam fazer sentido, basta estarem corretas gramaticalmente. Joguei com o Marco Curvello, que sabe japonês de verdade e foi muito divertido assistir a revolta dele. Não vou detalhar muito também não porque quero fazer um texto só para ele depois.



Para fechar o dia: Ninja Dice. Eu escrevi sobre ele no post passado e ainda vai rolar um outro post só sobre a expansão Locations Cards. Minha ideia é gravar o primeiro vídeo aqui para o blog com ele. Na verdade, já até gravei. Mas estou em dúvida se vou utilizar essa gravação ou se farei uma outra. A ideia de gravar em primeira pessoa é boa na teoria, mas se mostrou um pouco desconfortável na prática. 


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Jogatina de final de semana: Jaipur, Ninja Dice e Go


Um dos grandes problemas lá em casa é o grande acúmulo de jogos sem ver mesa. O Felipe é muito empolgado para comprar, agora na hora de sentar e jogar, aí já é outra história. Nossos jogos ficavam empilhados em cima de três estantes. Com a coleção crescendo rapidamente, logo ficou impraticável guardá-los daquela forma. Além do problema de espaço, as caixas estavam começando a ficar danificadas e era complicado pegar qualquer coisa para jogar, porque tinha que praticamente tirar tudo do lugar e depois colocar novamente.

 A foto é meio antiga, só para dar uma ideia. A situação estava bem pior.

A solução era comprar um armário só para os jogos. Passei meses falando no ouvido dele sem sucesso. Não tínhamos onde colocá-lo, nosso apartamento é bem pequeno. Eu queria me livrar de um sofá-cama meio inútil que a gente tem para abrir espaço, mas ele foi contra. As viagens a trabalho para fora do Brasil só pioraram a situação, porque a mala sempre voltava carregada de mais jogos. A solução veio com a troca do PS3 pelo PS4 e a consequente venda da bateria do Rock Band.
 

Com o novo espaço, compramos o armário e veio a promessa de que jogaríamos mais. Pois, agora seria bem mais fácil pegar e guardar os jogos. Apesar de que não coube tudo, alguns cardgames maiores ainda ficaram de fora (AN, LOTR, GOT...). Aproveitando esse papo de móveis, acho que nunca comentei aqui sobre a compra da nossa mesa. Também foi em função dos jogos, bem no início do hobby, ainda não tinha criado o blog. Para vocês terem uma ideia, a gente mediu o tamanho da mesa pelo tabuleiro do Zombicide. O tempo passa tão rápido, parece que faz tanto séculos isso, mas tem só pouco mais de um ano.


Enfim, voltando ao armário. Ele já completou o seu primeiro mês em casa e ainda nada de começarmos a colocar em prática o combinado. Como eu já disse, o Felipe é meio compulsivo por comprar jogos e as viagens só facilitaram as coisas. O resultado são pilhas de jogos intactos. Então, sábado de tanto perturbar, consegui estrear dois jogos: Jaipur e Ninja Dice. \o/


Jaipur é um cardgame muito divertido, fácil e rápido. Cada jogador é um mercador indiano disputando para provar ser o melhor e conseguir se tornar o comerciante pessoal do Maharaja. Para isso é necessário saber negociar suas mercadorias para ter mais lucro que o seu adversário. A cada final de rodada, quem tiver sido mais bem sucedido ganha um selo de excelência, o primeiro a conseguir dois desses marcadores ganha o jogo.

A primeira vista, não é um jogo dos mais atrativos. Eu tomei conhecido dele através do Heitor alguns meses atrás e o Felipe trouxe uma cópia da França, o que também já tem um tempinho. Em Jaipur, nós temos seis tipos de mercadoria: Diamante, Ouro, Prata, Tecido, Especiarias e Couro. Os três primeiros são os mais valiosos e não podem ser vendidos sozinhos, é necessário no mínimo dois. Cada mercadoria tem uma determinada quantidade de fichas de valor. Começando com um valor mais alto e decrescendo aos poucos. É uma questão de oferta e demanda. É bom tentar vender os produtos menos valiosos o mais rápido possível para pegar as fichas correspondentes de maior valor.



Além das cartas de mercadoria, existem também os camelos. No início do jogo, são posicionadas três cartas desse tipo no meio da mesa, que representa o mercado. Os jogadores recebem cinco cartas, o que for camelo será posicionado aberto na frente do jogador. O restante das cartas vai formar o deck de compras. Serão retiradas dele duas cartas para completar o mercado, que deverá ter sempre cinco cartas disponíveis.


Na sua vez, o jogador tem a opção de: comprar, vender ou trocar mercadorias. Na compra é escolhida uma das cartas disponíveis no mercado (o limite da mão é sete cartas). Na venda é descartada quantas cartas de mercadoria o jogador desejar, pegando as fichas de valor correspondentes (só pode ser vendido apenas um único tipo de mercadoria de cada vez). Quando ocorre a venda de três, quatro ou cinco mercadorias de uma única vez, além das fichas de valor, é recebida também uma ficha de bônus. Na troca é onde entram os camelos na história. Só é possível pegar mais de uma carta no mercado através de troca. Para isso, pode-se utilizar cartas da mão e/ou então os camelos. É claro que utilizá-los é muito mais vantajoso. Importante: se for pegar camelos no mercado, é obrigatório levar todos os disponíveis. Existe uma ficha de bônus por maior quantidade de camelos no final da rodada, que tem duas formas de acabar: Quando as fichas de valor de três mercadorias acabam ou quando o deck de compras acaba.


O Felipe venceu por 2X0, mas ambas as rodadas foram bem equilibradas. Na primeira, ele vendeu muita mercadoria de valor mais elevado e pegou o bônus dos camelos. Achei que fosse ficar bem atrás na pontuação, mas depois de contar vimos que a diferença foi justamente a ficha bônus dos camelos. Na segunda, eu fiquei com ela e ainda peguei uma outra ficha bônus de venda cinco. Mas, novamente, ele vendeu mercadorias de maior valor e venceu. Não consegui fazer uma venda de diamantes. ¬¬

É um bom jogo para duas pessoas. Como eu já disse antes: é rápido, fácil e divertido. Além de ter uma visual bastante agradável e componentes de qualidade. As fichas de valor de mercadoria são bem bonitas, as cartas tem uma boa gramatura e o insert é muito funcional, além de ser uma graça. Se ainda resta alguma dúvida sobre a excelência do jogo. Jaipur está na lista recentemente publicada pelo Fel Barros no Redomanet dos melhores jogos para duas pessoas e ele é uma autoridade no assunto. Além disso, o jogo está em 10º no Family e 106º no Geral do BGG.

Depois disso, foi a vez do complicadinho Ninja Dice, mais um joguinho de Kickstater. Ele tem uma embalagem fofa demais e confesso que esse foi um dos principais motivadores para querer jogá-lo. Afinal, nem o tema nem a mecânica despertaram grande interesse. A dificuldade começou com o Felipe lendo o manual e não conseguindo entender. Se não me engano, ele já tinha tentado jogar com o Shamou sem sucesso no último Guadalupeças. Começou então a procura por vídeos, mas o pouco que encontramos, a maioria era só review sem gameplay. Então, chegamos ao Tom Vasel, sempre salvador.

Mesmo assim foi difícil. Ele via um pouco do vídeo e parava para olhar o manual. Assim foi até o final. Você deve estar se perguntando: Afinal, qual a dificuldade tão grande que pode existir em um Dice Rolling? Bom, a questão é que em Ninja Dice temos rolagem de dados simultânea e regras de posicionamento dos dados, que interferem um no resultado do outro.

O jogo que se desenvolve em três turnos. Cada jogador é um ninja invadindo uma casa para roubar o tesouro. A casa é representada pelos dados pretos, no primeiro turno são rolados quatro dados e mais um é adicionado para cada novo turno. Nos dados da casa temos fechadura, guardas e residentes. Nos dados do ninja temos fight, stealth, pick, wild, fortune e block. E ainda temos os dados que são rolados por outro jogador para atrapalhar que são arrow, block e hourglass. Os dados da casa são rolados primeiro e os demais simultaneamente. Cada jogador começa com três de dinheiro.


Para passar por um dado de guarda ou residente, o jogador precisa de um dado de fight ou stealth, porém precisam ser iguais. Se são dois dados de guarda, não é possível passar com um dado de fight e outro de stealth. Para as fechaduras é preciso pick. O wild serve como coringa, só não pode ser utilizado como fortune. Fortune tem o poder de quadruplicar o dado que está a sua frente. Nisso a distinção guarda e residente pode atrapalhar, até onde pude perceber é o único efeito prático.

O block é para evitar o arrow de outro jogador. Se um dado arrow é rolado na frente de qualquer outro dado que não seja block, o jogador perde um de dinheiro para o seu adversário. Isso tanto vale para o jogador ativo que está sendo atacado quanto para os demais jogadores que também são atacantes. É a guerra dos ninjas, todo mundo tentando atrapalhar todo mundo. O hourglass é posicionado ao lado da casa, se forem completados quatro e o jogador ativo ainda não tiver conseguido passar pela casa, ele perde e sai sem ganhar nada.

Enquanto não saírem os quatro hourglass, o jogador ativo pode re-rolar seus dados quantas vezes quiser em busca do resultado mais favorável. Ele pode utilizar um determinado dado na casa e rolar novamente o resto, mas também pode desistir se achar que não irá conseguir ou que está perdendo muito nos ataques inimigos. Quando desiste o jogador ganha um de dinheiro para cada dado utilizado. Quando consegue vencer a casa é um de dinheiro para cada dado da casa  e respectivamente por turno um, dois e três de bônus.

 
 
 


Demorei um pouco para entender o jogo e ainda tenho um pouco de dificuldade com a posição dos dados. Mas achei bem bacana essas inovações, são enriquecedoras. Dice Rolling é uma mecânica bem repetitiva e que está muito em evidência. Toda hora temos jogos desse tipo sendo lançados, então é preciso um diferencial. Já disse que a embalagem do jogo é fofa, né? As moedinhas também são muito lindinhas. Só os dados que são meio sem graça, mas aí acho que já era querer demais.



Minha grande crítica é vai para o manual, que é confuso. Os criadores do jogo podiam ter feito vídeos de  gameplay também. O jogo veio com uma expansão de acrescenta Locations Cards, mas a gente não conseguiu entender direito como funciona porque mais uma vez a explicação é falha. Custava muito colocar a imagem de uma carta como exemplo e detalhar cada item?





Ah! Esse eu ganhei de lavada, fiz mais que o dobro de pontos que o Felipe. É muito Can't Stop no BGA. Acho que eu tenho um bom equilíbrio entre continuar e parar, a menos que role muito azar nos dados. O fator sorte também está presente no Jaipur e me prejudicou bastante, porque as mercadorias boas sempre saiam quando era a vez dele.

Foram dois joguinhos pequenos, mas foi um início. Até porque, esse final de semana, eu estava de plantão no trabalho. No domingo, não jogamos em casa porque fomos à Festa do Japão. Estava tendo um workshop bem legal de Go lá. Mais uma vez tomei uma surra do Marco Curvello. Uma pena que não pude chegar mais cedo. Queria ter jogado mais, gosto muito Go, apesar de ser péssima.



 

Voltando ao assunto jogatinas caseiras, agora é tentar aumentar o ritmo ou pelo menos manter, estreando os inéditos e não deixando os demais abandonados. É legal ter um armário cheio de jogos, porém é ainda mais bacana colocá-los na mesa. Jogar em eventos é bom, mas eu gosto muito de jogar em casa também. É um ambiente mais tranquilo, uma boa forma de relaxar depois de um dia estressante.

Tenho pensando em algumas coisas para o blog. A ideia de fazer vídeos não morreu, apesar dos problemas que praticamente inviabilizaram o Guerra do Anel. Acho que tentei começar muito do alto. Estou querendo tentar coisas mais simples, jogos rápidos que não precisem de edição ou que sua necessidade seja mínima. Tudo com câmera em primeira pessoa, para quem estiver assistindo tenha a mesma visão que teria se estivesse jogando. A ideia seria focar mais em gameplay do que em explicação de regra. Sou melhor escrevendo do que falando, mesmo que seja para uma câmera. Os vídeos funcionariam como complemento dos textos.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Pacotão Funbox: Coup, Cook-off e Shift


A Funbox é uma conhecida locadora de jogos de São Paulo, que entrou ano passado no ramo de publicação. O primeiro lançamento foi o divertidíssimo party game nacional Cook-off do Luis Francisco. Nessa experiência inicial como editora, a Funbox parecia estar testando o mercado com um jogo despretensioso. O que, na minha opinião, foi uma decisão bastante acertada. Depois disso, veio o fenômeno Coup. Mais um party game, porém gringo e trazendo um diferencial que foi certeiro na estratégia de marketing: uma arte própria e exclusiva. Devo confessar, que torci o nariz, a princípio, para essa mudança. Mas hoje até prefiro a nossa arte, tem um estilo forte, com personalidade. Não é por acaso que a galera lá de fora ficou louca por ela.

Pegamos na pré-venda o pacote do Coup com o Cook-off, que ainda não tínhamos comprado em razão do número mínimo de jogadores ser muito alto. Mas como o preço estava ótimo, resolvemos não perder a oportunidade. Depois, ainda entrou o Shift na história, um cardgame bem incomum em que os jogadores lutam utilizando uma única carta. Foi mais um dinheirinho para complementar.



Quando recebemos o pacote fomos incrivelmente surpreendidos com a excelente qualidade do material. O Felipe falou que estava se sentindo dando prejuízo à Funbox e acho que isso resume bem nosso nível de satisfação. Não há do que reclamar, todos os componentes estão sensacionais. O único problema que tivemos foi com os sleeves, que vieram um pouco pequenos. Em razão disso, uma carta foi danificada. Mas tão logo entramos em contato para relatar o problema, eles nos mandaram novos sleeves e uma outra cópia da carta.
 
Agora chega de elogios à Funbox e vamos tratar dos jogos. Começando pelo Coup, o principal do pacote, que é um gateway muito bom. Ele é bem fácil, rápido e divertido. Em geral, sempre rolam várias partidas seguidas. O blefe é seu principal elemento, o que faz com que ocorra bastante interação entre os participantes. O jogo é composto por três cópias de cinco personagens diferentes. Cada jogador recebe duas cartas e duas moedas. Durante o turno apenas uma das ações possíveis pode ser escolhida, são elas: Pegar uma moeda, Pegar duas moedas (pode ser bloqueado pelo Duque), Eliminar uma carta de alguém pagando sete moedas (não pode ser impedido e se juntar dez moedas, essa ação é obrigatória) ou fazer uma ação de personagem.


A ação de personagem pode ser de qualquer um que o jogador quiser, independente de tê-lo ou não na mão. Porém, se for contestado terá que mostrar a carta para provar que é quem diz ser. Se for pego na mentira perde uma carta, mas se estiver falando a verdade quem perde a carta é o jogador que contestou. Quem fica sem cartas na mão é eliminado, vence aquele que sobreviver por último. Acho que a vantagem do Coup quando comparado com outros jogos de mesmo estilo, como Love Letter e Mascarade, é que ele é mais agressivo e direto, além da maior relevância do fator habilidade sobre a questão sorte.




Continuando na linha "atrapalhar o coleguinha" está na hora de Cook-off. Um divertido party game nacional criado pelo Luis Francisco. Adorei esse jogo, é também bem rápido e simples. Porém no lugar do blefe entra a sabotagem. Aqui cada jogador é um chefe de cozinha, que tenta atrapalhar os concorrentes enquanto luta para conseguir preparar seus próprios pratos. São dez turnos, em cada um deles os jogadores escolhem secretamente três cartas de ação, colocando-as na ordem em que devem ser realizadas. Depois que todos já tiverem posicionado suas cartas, a primeira é revelada e seus efeitos aplicados. Antes de revelar a próxima, os jogadores tem a opção de mudar a ordem de suas cartas restantes.


As cartas são: Preparar, Cozinhar, Pegar Ingredientes, Dobrar e Sabotar. As duas primeiras são verdes e as três últimas vermelhas. Um jogador quando utiliza uma ação de carta verde não pode ser sabotado. Cada um tem o seu tabuleiro individual que representa a sua cozinha, todos começam o jogo com uma carne e dois vegetais. A ação de Preparar passa um dos ingredientes para o fogão e Cozinhar faz com que um dos ingredientes fique pronto e possa ser convertidos em pontos de vitória. A carne precisa Cozinhar duas vezes e só pode ser feita no grill. A ação de Dobrar é muito boa para conseguir finalizar uma carne no mesmo turno. Essa ação permite fazer duas vezes a ação da próxima carta. Ela é boa também para Sabotar.



Existem dois tipos de sabotagem: 1- Roubar um ingrediente da panela ou do grill (não vai para o jogador que fez a sabotagem, mas para o estoque geral) e 2- Inutilizar uma panela ou grill. A segunda é a pior, principalmente se for o grill. A carne vale seis pontos, enquanto os vegetais valem apenas dois. Os jogadores só recebem os ingredientes iniciais, após isso é necessário utilizar a ação Pegar Ingredientes para poder preparar novos pratos e ganhar mais pontos.

Para se livrar das sabotagens é necessário fazer a ação de Limpar, para isso o jogador perde um turno inteiro. O tabuleiro individual fica virado para baixo indicando tal ação. Cada sabotagem bem sucedida dá um ponto de vitória. Se o jogador terminar o jogo com o grill ou panelas sabotadas perde dois pontos para cada sabotagem. Os vegetais dão menos pontos durante o jogo, porém quem tiver mais deles no final ganha três pontos extras e o critério de desempate também é por maior quantidade desse tipo de alimento.

Eu gostei muito desse jogo, tem um tema diferente e um visual muito bonito. A única pena é precisar de um mínimo de quatro pessoas, acho que só jogarei em eventos. Cook-off é extremamente agradável, os turnos passam em um piscar de olhos. Achei o jogo com uma mecânica bem fechadinha com a temática, algo que valorizo bastante. Tinha ouvido algumas críticas que diziam que o jogo era "zoneado", um lance meio Munchkin. Isso não poderia estar mais longe da verdade. Existe sacanagem com o coleguinha, mas nada que se compare. Até porque o problema do Munchkin não é esse, mas a forma como isso pode tornar o tempo de jogo extremamente longo. Além das piadas que se desgastam muito rápido, só tem graça nas primeiras vezes, quando ainda é novidade.

Continuando no assunto cardgame, chegamos ao Shift, mas aqui a zoeira fica limitada só a aparência das cartas. A mecânica é bem séria, não se deixe enganar pelo tamanho. Shift é uma batalha em que cada jogador utiliza apenas uma carta. Cada lado trás informações de ataque, defesa e poderes diferentes. Eles são numerados e chamados de gear, a ação chamada de shift é justamente para subir para a próxima gear. Quando essa ação é feita não pode haver ataque, a menos que se queime um espírito para isso.


Cada jogador tem cinco marcadores espirituais, a medida que vai tomando dano, eles podem ser utilizados para queimar o espírito. Além de permitir a realização de shift e ataque no mesmo turno, também são utilizados na defesa, é o que chamamos Defesa Espiritual. Ela utiliza o valor de uma gear acima. Existe também a Defesa Ativa, que soma o valor da sua gear atual com o de uma gear abaixo. Após a realização de ataques ou defesas (ativas ou espirituais) é realizado o Downshift, que é quando os jogadores voltam à gear inicial.


Cada gear tem poderes diferentes que podem ser ativados durante o ataque. O jogador escolhe um desses poderes, chamados Modificadores e que são divididos em: Alfa, Beta e Ômega. Para realizar a ativação de um poder é necessário uma rolagem de dados para verificar o sucesso. Existe também o poder Delta, mas esse é passivo, ele fica ativo só de o jogador estar naquela gear. O que pode ocorrer é uma dependência de eventos para um Delta ser válido.

Alguns modificadores vem acompanhados de um símbolo de poder adicional que chamamos Crítico. Para ativá-lo é necessário que o resultado da rolagem de dados ocorra na mesma ordem mostrada na carta. Na ativação "normal" a ordem dos dados não importa, tanto faz T+H ou H+T. Porém, se o modificador tem um Crítico e a ordem mostrada é T+H, então um resultado H+T ativa o modificador, mas não o Crítico.


O jogo termina quando um dos jogadores recebe mais um ataque após já ter recebido cinco de dano e já ter queimado todos esses espíritos. Lembrando que o tomar dano, o jogador perde um marcador espiritual, mas que esse fica disponível para ser queimado. É uma ação espiritual, como uma espécie de esforço maior que o personagem faz. Existem poderes de cura no jogo, tanto para desvirar um marcador já queimado, quanto para retornar um marcador da área de dano para a área inicial.

Dos três jogos, esse último é certamente o mais complexo e tanto o manual quanto a iconografia dele não ajudam muito. Foi o que eu menos gostei, achei que ele é desnecessariamente complicado. Além de ser um pouco repetitivo. Mas é um jogo rápido e compacto, bom para matar o tempo, se não tiver nada melhor. Ele é para dois jogadores, mas tem uma regra no site da Funbox para jogar em dupla. Também pensei que deve ser interessante jogar no estilo TodosXTodos, deve ser o caos. Talvez, um dia eu tente.

Todos os jogos estão disponíveis no site da Funbox com preços muito bons. Além dos citados no texto, ainda tem o For Sale, que peguei na época que ainda era Meeple Virus, também um ótimo party game; Bullfrogs que peguei no financiamento, mas dá para comprar como pré-venda e agora o Neuroshima Hex, que ainda não decidi se pego. Afinal, não dá para comprar tudo. Mas é perceptível a evolução da Funbox como editora, começando a pegar jogos mais pesados. Já temos anunciados como próximos lançamentos Flash Point e Ascension.

Torcendo muito para que continuem assim, evoluindo sempre e mantendo a qualidade. Minha única crítica é o aparente abandono dos nacionais, só tivemos o Cook-off e mais nada. Eu entendo a complicação envolvida no negócio. Um lançamento gringo é muito mais seguro e rentável, porque geralmente é um jogo já conhecido e querido pelo público. Enquanto que um nacional é tiro no escuro, é necessário começar o trabalho do zero. 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Gran Circo


Gran Circo foi o responsável por me fazer descobrir que se produzia jogos com nível internacional no Brasil. Foi um dos primeiros da minha coleção e o que me fez começar a prestar atenção ao mercado nacional. Eu sou uma grande admiradora do trabalho do Marcos Macri com a sua MS Jogos, os lançamentos são em tiragens limitadas para manter o alto padrão de qualidade e o excelente preço.  Em geral, são jogos em formato Euro com dificuldade entre leve e moderada.


Não sei como pude depois de mais de 6 meses de blog e chegando ao post 50, ainda não ter escrito sobre nenhum jogo desse game designer incrível que é o Marcos Macri. Mas estamos corrigindo isso agora, pois chegou agora no início do mês de agosto a 2ª edição do Gran Circo. Se você, caro amigo leitor, deixou passar a 1ª edição, chegou a hora de corrigir o seu erro.

A primeira vez que o Felipe apareceu com esse jogo em casa, não levei muito fé, pois não sou muito fã da temática. Aqui cada jogador é um dono de circo disputando com os demais para ver quem será o mais bem sucedido. É necessário contratar os melhores artistas, realizar melhorias, colocar barraquinhas e fazer propaganda. Mas você não estará só, existem os parceiros para ajudar. São quatro turnos, no segundo e no último, são realizados os espetáculos. São eles que determinaram as pontuações e o vencedor, os outros turnos funcionam como uma espécie de preparação.


Em Gran Circo, temos o tabuleiro principal representando um picadeiro, onde vai acontecer a maior parte das ações e cada jogador tem seu tabuleiro individual. Além disso, temos o mini tabuleiro da cooperativa, que também traz também a tabela de renda e uma espécie de lembrete do que faz cada parceiro. O número de artistas e parceiros irá variar de acordo com a quantidade de participantes do jogos que comporta de 3-5 pessoas. A 2ª edição vem com regra para 2 pessoas, mas essa e outras novidades serão comentadas depois.




Os artistas devem ser embaralhados e arrumados em 4 pilhas iguais viradas para baixo. As melhorias, propagandas e barraquinhas também devem ser embaralhadas e organizadas em pilhas separadas igualmente viradas para baixo. Cada jogador irá receber 3 fichas de artistas, elas vem com um valor numérico que irá determinar sua renda no turno. A qualidade do artista é determinada pela quantidade de estrelas que ele possui.


O dinheiro serve para comprar as propagandas, melhorias e barraquinhas que ficam devidamente posicionadas no centro do tabuleiro principal. Depois vem a escolha dos parceiros, começando do jogador inicial (que tem sempre um critério aleatório, aqui é o último que assistiu um espetáculo circense) e rodando em sentido horário cada jogador irá escolher um parceiro. Na escolha do segundo parceiro roda ao contrário, começando pelo último e terminando no primeiro jogador. Não é permitido pegar dois parceiros iguais.  

Agora o jogo começa, cada  jogador deve colocar um artista na área do picadeiro que representa o circo de outro jogador. Para colocar em seu próprio circo só utilizando o parceiro Caça-Talentos, isso é bom quando você tem um artista 3 estrelas na mão. Os circos não podem ter artistas repetidos, é aqui que começa a sacanagem dessa fase do jogo. É a parte que eu mais gosto, porque é o momento atrapalhar os coleguinhas. Ao término da distribuição, cada circo deve ter três artistas. Aqueles que estiverem repetidos deverão ser colocados na Cooperativa. Mas ainda existe uma salvação, o parceiro Empresário. Ele permite trocar um artista seu com o de qualquer outro jogador. Não pode ser impedido. Só não pode trocar artista que tenha sido colocado utilizando Caça-Talentos.

  


Terminada a distribuição, os jogadores colocam os artistas em seus tabuleiros individuais. Alguns artistas possuem uma faixa atrás de si, o que permite que formem duetos quando colocados lado a lado, o que dá mais pontos no espetáculo. Sempre que novos artistas forem chegando é permitido reorganizar a ordem em que os mesmos estão posicionados. A distribuição dos artistas vai ficando cada vez mais tensa a cada novo turno, pois a regra da repetição inclui todos os artistas em seu circo.

Depois vem a fase das compras, começando pelo jogador inicial e rodando para a esquerda, cada jogador pode comprar um item, que pode ser uma das fichas dispostas no picadeiro ou um artista da cooperativa pelo seu preço +1. O parceiro Investidor permite comprar por -1 no picadeiro e -2 fora dele, pois as peças que sobrarem depois que todos tiverem efetuados suas compras, são colocadas a parte. Mas só poderão ser compradas em um próximo turno e apenas com esse tipo de parceiro. O parceiro Sócio permite comprar sem pagar custo um artista da Cooperativa. Não há limite para comprar, o jogador pode gastar todo o dinheiro que tiver a sua disposição ou então comprar só o que lhe interessar, guardando o restante para o outro turno. O dinheiro é acumulativo.

No próximo turno, depois das fases já descritas acima, teremos o primeiro espetáculo. Para contar a pontuação o manual sugere começar pelos artistas, cada estrela vale um ponto. Depois confira os duetos, eles também valem um ponto. A pontuação das propagandas é variável, mas é fácil de identificar graças a excelente iconografia. Com a pontuação das melhorias ocorre o mesmo, mas existem dois tipos: ligadas a artistas, não considero muito vantajosas e as chamadas Especiais, essas sim, são muito boas.


As barracas podem causar uma certa dificuldade de entendimento. Primeiro ponto, elas não podem ser repetidas. Depois, elas não são acumulativas. O valor que será recebido é o correspondente a última barraca. Cada local de barraca tem um valor em dinheiro e um valor de estrelas. Elas não pontuam muito, mas dão bastante dinheiro. O que compensa, pois são bem baratas. Além disso, no último espetáculo todo dinheiro acumulado é revertido em pontos na proporção 3X1. As propagandas e barracas são retiradas de jogo e devolvidas à caixa depois do primeiro espetáculo. Para o próximo, novas precisarão ser adquiridas.

O vencedor do jogo é aquele que somar mais pontos com seus dois espetáculos, em caso de empate temos critérios para desempate, são eles respectivamente: mais artistas, mais melhorias e mais dinheiro.

Agora, vamos às novidades da 2ª edição. Além da já citada regra para 2 jogadores, o jogo foi originalmente pensado para ser 3-5 participantes e funciona muito bem com essa quantidade, temos também uma nova arte de capa e 3 mini expansões: Administradora, Apresentador e Bônus por Melhorias.


Começando pela nova arte da caixa, ela está bem bonita, trazendo em destaque o Apresentador e com alguns artistas. Não curti muito o tom rosa utilizado no lado esquerdo e substituiria o Domador por algum outro artista, sou contra animais em circos e zoológicos (é uma questão pessoal). Enfim, prefiro a capa da 1ª edição. Tem uma boa combinação de cores (azul e vermelho) com as letras amarelo e laranja combinando com a roupa do único artista na capa, o Homem-Bala. É uma capa mais sóbria e harmoniosa, na minha opinião.


Vamos as expansões: a administradora é uma ficha coringa que todo mundo possui, podendo ser utilizada uma única vez no jogo para uma de três finalidades especificas: Na fase de compra, ela pode dar desconto de -3 ou permitir uma barraca de cor repetida. Durante o espetáculo, conquistar os 3 pontos de uma melhoria especial sem que os pré-requisitos necessários tenham sido cumpridos.

O apresentador vem em uma quantidade de 10 fichas, sendo de 5 tipos diferentes. Eles devem ser embaralhados e separados em uma relação 2X1 de acordo com número de jogadores. Depois da escolha dos parceiros, cada jogador pode escolher pagar 2 de dinheiro para contratá-lo. Após o espetáculo, ele é retirado de jogo, assim como as barracas e propagandas. Durante a partida, cada jogador só poderá contratar no máximo dois apresentadores, um para cada espetáculo. Mais uma vez a iconografia das fichas não deixa dúvida sobre o que cada tipo faz.

Os bônus são 4 fichas numeradas de 1 a 4 e que o jogador ganha ao comprar sua sexta melhoria. O primeiro vai ganhar a de maior valor e assim vai indo sucessivamente. A quantidade de fichas bônus em jogo deverá ser proporcional ao número de jogadores, sendo retiradas em caso de necessidade as de menor valor. Em um jogo com 5 jogadores, o último a realizar sua sexta melhoria ganha um ponto na hora. A pontuação das fichas bônus só é contabilizada no final do jogo.

Agora, vamos as primeiras impressões: Achei a administradora fraca, por ser uma peça de uso único no jogo, acho que ela tinha que fazer alguma ação mais apelona. Só vejo vantagem no desconto de -3. O apresentador é o melhor, ele realmente acrescenta algo novo. Ele é uma espécie de melhoria especial só que em forma de personagem, mais barato e com potencial de gerar mais lucro. O fato dele ser eliminado depois do espetáculo é para equilibrar. Estou bem curiosa para experimentá-lo. Já os bônus de melhoria parece ser mais um incentivo, talvez pela razão que eu apontei mais acima, quando comentei esse item do jogo. Tirando as melhorias especiais, as restantes não oferecem tanta vantagem.

Deixei para o final a regra de 2 jogadores, desde que foi anunciada fiquei super curiosa e ansiosa por ela. Qualquer jogo com mínimo de 3 jogadores é um pouco problemático lá em casa, pois em geral, jogamos sempre só eu e Felipe. Jogos com mais gente só em eventos ou quando recebemos visitas. No primeiro caso, preferimos jogos que não temos. No segundo caso, geralmente acaba rolando jogos mais casuais. Porém, ao ler a primeira linha da regra uma onda de decepção veio sobre mim: "Em uma partida com dois jogadores, haverá um terceiro jogador imaginário."

Como assim, um jogador imaginário? Que tipo de regra é essa? Achei extremamente forçado. Também deve ser bem chato, porque os jogadores ficam se revezando no controle desse fantasma. O jogo segue todas as regras de uma partida de três, com algumas exceções: Nosso amigo Gasparzinho não tem parceiros, portanto só haverá um de cada tipo em jogo. Ele possui uma renda fixa de 6 e suas ações são sempre primeiro e de uma vez só. Ele coloca todos os seus artistas no picadeiro e compra sempre o máximo que puder, se sobrar dinheiro, o mesmo é devolvido para caixa.

Marcos Macri é um excelente game designer e também mágico profissional, ainda assim não tem como fazer essa regra encaixar na mecânica do jogo, sem que ele fique parecendo deformado. Imagino que deva ter ocorrido reclamações quanto do mínimo de 3 jogadores e por isso tenha sido criada essa regra de 2, mas ela é um grande e infeliz equívoco.

Agora deixando esse fato de lado, recomendo fortemente Gran Circo. É um dos melhores jogos nacionais que já joguei, muito divertido e com material de ótima qualidade, além de bem bonito. Sua curva de aprendizagem não é muito alta, então é tranquilo juntar na mesma mesa jogadores novatos e experientes. A temática leve e o bom nível de interação ajudam na receptividade. O tempo de jogo também é outro fator que considero positivo. Não tem como ficar arrastado ou chato, ele mantém o ritmo do início ao fim. Comprando até o dia 11, o frete é grátis. Então, esse jogaço vai sair por menos de R$100. Está esperando o quê? Lembrando que a edição é limitada, são apenas 200 cópias.