domingo, 28 de dezembro de 2014

Midgard

Desde que joguei Midgard pela primeira vez, que estou prometendo escrever sobre ele, porque achei o jogo realmente muito bom. Mas acabei postando sobre outros jogos e deixando a preguiça me pegar. Além do fato de que eu queria ter o jogo para poder fazer o texto. Dá para escrever sobre um jogo sem necessariamente tê-lo, mas não gosto muito de fazer isso, porque acaba ficando uma parada mais geral. Eu faço mais isso com o que jogo em eventos porque aí o lance é mais passar uma ideia mesmo. Existem vários jogos que eu tenho e sobre os quais quero escrever há mais tempo e ainda não consegui, nem sei se vou algum dia. Porém, uma das minhas promessas de Ano Novo é tentar ser mais produtiva em 2015.

Depois da experiência inicial, fiquei louca para comprar, mas acabou nas lojas aqui do RJ e eu não queria comprar online para evitar o frete. Eu e Felipe devíamos ter guardado os elogios para depois da compra. Esperei um tempo para ver se chegava, mas não teve jeito, tive que comprar pelo site da Conclave mesmo, afinal ia rolar especial deles no Guadalupeças e tínhamos que ter jogo. Aproveitei o desconto do financiamento do Nosferatu para dar uma aliviada.

Quando o jogo chegou ainda pensei que conseguiria escrever antes do evento, mas não rolou. Isso me deu a oportunidade de jogar novamente e confirmar minha impressão inicial. Eu sou muito de querer escrever na empolgação, o que pode ser ruim, pois jogando depois é possível pegar pequenos problemas que passaram despercebidos. Não me lembro de nenhum caso assim, ainda não passei pela tristeza de escrever elogiando e depois ver que não era aquilo tudo. Já passei pelo contrário, julgar um jogo não tão bom e depois com o tempo ver que ele era melhor do que eu tinha achado a princípio.

Jogando no último Guadalupeças.

Felipe aproveitou para garantir o autógrafo na nossa cópia do jogo.

Enfim, acredito poder dizer com segurança que Midgard é um jogaço que vale super a pena ter na coleção. Esse mês só deu mineiro por aqui, rolou Especial Conclave, depois tivemos o Caçadores da Galáxia que promete ser um dos grandes lançamentos de 2015 e agora finalmente vamos ao Midgard que teve seu financiamento em 2013, época que eu ainda estava engatinhando no hobby. E bem, quando a gente começa não tem muita noção, acaba investindo em coisas não tão legais e deixando passar outras bem melhores.

Eu torci o nariz achando que seria só mais um cardgame com temática colada com cuspe. Fora que depois ainda li uma crítica negativa, por isso não gosto (e até mesmo tento evitar) de escrever sobre o que não me agrada. Até porque acho um desperdício de tempo e esforço. Já fiz comentários negativos, por exemplo, eu acho Shadows Over Camelot fraco e detesto Dwarf King. No meu post anterior, deixei claro que Masmorra de Dados não me agradou. Gosto de comentar jogos em playteste. Por exemplo, apesar de ter adorado Beat Em Up, apontei vários pontos que acredito que podem ser melhorados quando escrevi sobre ele.

A questão é justamente que tudo é opinião, eu sempre tento argumentar da melhor maneira possível, para que as pessoas entendam minhas razões. Algumas podem ter um gosto parecido com o meu, outras não. O importante é sempre tentar conferir opiniões diversificadas, avaliar os argumentos utilizados, saber reconhecer o que se alinha ao seu próprio gosto e o fundamental, se tiver oportunidade, jogue. Nada substitui a sua experiência pessoal com o jogo.

Achei importante fazer essas colocações pela minha experiência pessoal, porque se a gente não tivesse encontrado o pessoal da Conclave no Castelo das Peças e o Felipe não tivesse chegado no Cristiano (um dos autores) e pedido "Me venda o seu jogo, me convença a comprá-lo" estaríamos provavelmente até hoje sem conhecer um jogo incrível.

Ufa! Tudo isso posto, vamos começar a escrever sobre o jogo em si. Midgard é um cardgame que comporta entre 2-6 jogadores e tem uma integração muito boa entre temática e mecânica, quem me conhece sabe o quanto valorizo isso. Para escrever esse texto, eu dei uma lida no manual e gostei muito do que encontrei. Além das regras bem explicadas, o texto te coloca no clima do jogo. Alguns pontos que tinham me causado estranheza ficaram melhor esclarecidos após a leitura. Por exemplo: O conceito da Krog não tinha ficado claro. Também a questão de "roubar" os curingas do amiguinho (Thor e Tyr), apesar de ainda achar que tinha que ter alguma carta para impedir isso. Não eram dúvidas de mecânica e sim de temática que foram esclarecidas satisfatoriamente.

Cada jogador em Midgard é um Järl procurando conquistar pontos de Renome vencendo os desafios espalhados pelos nove mundos da Mitologia Nórdica. O jogo possui cartas de tropa, curingas, eventos e reação que formam um deck único de Compra, também temos os decks de Desafio e Recompensas. Um dos maiores charmes de Midgard é o tabuleiro que vem com a representação dos nove mundos e os espaços para colocar organizadamente os decks. Além disso, vem também com um espaço para colocar o dinheiro chamado de Stak e uma Roda do Tempo que vai controlar a duração da partida. O local onde o deck de Compras fica é chamado de Thing e temos também a Krog e o Valhalla, que são lugares de descarte de cartas.

 Aquela clássica foto dos componentes gerais do jogo.

O tempo do jogo é divido entre inverno e verão, algumas cartas de desafio são influências pela estação vigente no momento em que forem enfrentadas. O calendário só gira se o desafio vencido tiver o símbolo indicativo. Pode ocorrer de se passarem vários turnos com o contador de tempo parado, seja porque ninguém enfrentou desafios ou porque os que foram enfrentados não possuíam o ícone que faz o calendário girar. Abrindo aspas para um comentário aleatório, isso me faz pensar nas estações do ano de Game Of Thrones.

Cartas de Desafio: A primeira com icone que move o calendário e a segunda com influência de estação.

No início da partida cada jogador recebe nove cartas da Thing e seis moedas do Skat. São abertos seis Desafios e os meeples que representam cada Järl são posicionados em Midgard. Aí está uma das minhas poucas críticas ao jogo, achei a utilização de meeples extremamente nada a ver, além de ficar feio mesmo. Aproveitando que estou criticando, outra coisa que não gostei foi a caixa estilo "placa mãe", é triste demais aquilo.

As cartas de tropa vem numeradas de 0-9, para baixar é preciso pelo menos 3 em sequência ou iguais. Exemplo: 2,3,4 ou 5,5,5. Não existe limite para quantidade de cartas que o jogador pode baixar, mas não pode haver mais do que 5 tropas na mesa. Depois que 1 tropa já estar na mesa, o jogador pode ir aumentando seu tamanho acrescentado mais cartas, sempre respeitando a sequência. As cartas curinga como se pode imaginar são substitutivas , o Tyr 1 carta e o Thor 2 cartas. Existe também uma carta chamada Snedig que só entra no inicio ou final da tropa, ele não é considerado como um curinga porque não substitui carta.

 Todas as cartas de tropa do jogo.

Cartas especiais.

Para roubar um curinga do amiguinho basta ter a carta que o mesmo está substituindo. Por exemplo: Se tiver uma sequência: 1, 2, 3, Tyr, 5, 6 ou 1, 2, Thor, 5, 6 basta ter um 4 ou 3 e 4. A explicação é que eles são deuses e portanto atendem ao clamor de qualquer Järl. Mas não me conformo de não existir uma carta de reação para isso. Importante sobre curingas é que não funcionam como requisito ou na contagem de cartas da tropa, no caso específico do Thor, ele substitui duas cartas, mas não vale por duas.

 Tropa com Tyr.

Tropa com Thor.

As cartas de tropa possuem além do seu valor sequencial, um outro valor que indica a força e um símbolo de runa. Os desafios possuem requisitos, entre eles está a runa, que é única para cada carta. Os curingas também possuem seus valores de força e símbolos rúnicos. Os Desafios também trazem o local onde deverão ser enfrentados. Alguns desafios trazem efeitos especiais, que podem afetar apenas o jogador que o está enfrentando ou a todos os jogadores.

Exemplo de enfrentamento de Desafio.

Cada mundo possui um requisito de quantidade de tropas diferentes para poder viajar e também oferecem uma recompensa. Para viajar é necessário engajar a tropa que ficará impedida de realizar qualquer outra ação, se sobrarem tropas disponíveis que cumpram os requisitos do Desafios, pode-se então enfrentá-lo também. Viajar ou enfrentar Desafios permite ao jogador completar sua mão até o valor inicial de 9 cartas.

 Admirando o tabuleiro mais de perto.

Ao vencer um Desafio as tropas utilizadas vão para o Valhalla. Isso é uma das coisas mais geniais do jogo, pois permite uma rotatividade muito grande das cartas e ainda é altamente temático, afinal tudo que um guerreiro nórdico quer é morrer com glória em batalha. Para enfrentar um Desafio, o jogador deve utilizar uma tropa que cumpra todos os requisitos, se necessitar de tropas adicionais deve pagar uma moeda para cada uma delas.

Ao final do turno, o jogador deve descartar 1 carta. Se for evento ou reação vai para Valhalla, se for tropa ou curinga vai para Krog. O próximo jogador pode escolher pagar uma moeda para pegar a carta da Krog, ao fazer isso ele ganha uma carta fechada da Thing e ainda vai ter direito de fazer a compra normal de inicio de turno. Por uma moeda, o jogador vai conseguir 3 cartas ao invés de apenas 1, nesse jogo é importante fazer rodar a mão. A explicação da Krog é boa, ela é a taverna para onde vão os soldados dispensados por um Järl, ficando assim disponíveis para serem contratados por qualquer outro que tenha interesse.

Até o momento deixei de fora as cartas de evento e reação, elas são as magias do jogo. As cartas de evento só podem ser jogadas uma vez sempre no início do turno, porém algumas cartas trazem a indicação de que outra carta de evento pode ser jogada. A carta de reação é o que o nome indica, ela pode ser jogada a qualquer momento do jogo em seu gatilho for acionado. Por exemplo: Um jogador declara que vai atacar outro Järl, então o mesmo baixa 1 carta de reação para impedir o ataque.

 Alguns exemplos de cartas de evento e reação.

Os jogadores podem atacar uns aos outros se estiverem no mesmo mundo, porém apenas com 1 tropa. O vencedor ganha 1 Recompensa. O atacado pode escolher defender ou não, a diferença é que no ataque sem defesa, o vencedor olha 2 cartas de Recompensa e escolhe 1. Quando há defesa, só a carta do topo é pega, sem essa possibilidade de escolha que pode fazer uma grande diferença. Atacar os amiguinhos não é o foco principal, é mais uma opção quando não se pode viajar ou enfrentar desafios, seus guerreiros não vão para Valhalla, não há glória nesse tipo de combate. Qualquer carta de Recompensa ganha fica oculta e só terá seu valor revelado ao fim da partida, já as cartas de Desafio vencidas pelo jogador devem ficar abertas.

Recompensas.

Uma coisa importante sobre as cartas de evento e reação é que elas vem com um valor numérico na parte inferior que pode ser usado para aumentar o valor de um Desafio e prejudicar outro Järl ou então para aumentar o poder da sua própria tropa. Não é acumulativo. Quando um jogador declara que vai enfrentar um Desafio, o próximo jogador a esquerda pode jogar uma carta para atrapalhar, se ele não quiser a oportunidade é passada para o próximo. Apenas um jogador pode jogar uma carta para atrapalhar. A compra na Krog funciona da mesma forma, apenas um jogador vai comprar e sempre a carta que estiver em cima, mesmo que haja outras cartas.

Quando acabam as cartas da Thing, as cartas do Valhalla são embaralhadas para formar um novo deck, se só houver evento e reação, então embaralha-se as cartas da Krog junto. Se não houverem cartas no Valhalla, então as cartas da Krog foram a nova Thing.

Simulação de partida.

Midgard é um jogo relativamente simples de entender, depois de alguns turnos todo mundo já está no clima e o que resta é uma dúvida ou outra em situações específicas. O jogo vem com um guia rápido bastante eficiente. A curva de aprendizagem dele é muito boa e o sistema de alta rotatividade das cartas não deixa o jogo ficar parado ou alguém abrir uma distância muito grande. Claro que tem um fator sorte alto envolvido, o Felipe ficou travado da última vez que porque não conseguia comprar nada que o ajudasse, se bem que ele é meio ruim mesmo. No Caçadores da Galáxia também ficou só assistindo e não tinha sorte envolvida no jogo.

 Não fique perdido.

Eu acho a arte de Midgard bem bonita, o tabuleiro é um charme só. Só é lamentável os meeples e a caixa como já havia exposto mais acima no texto. Também achei as cartas um pouco frágeis, não dá para jogar sem sleeves. É um jogo bom para jogar com umas 3 ou 4 pessoas, mais do que isso faz o downtime ficar meio alto demais, a menos que todos sejam jogadores experientes que façam suas ações com rapidez. Não acho que o jogo sofra muito com 2 jogadores, apesar de ainda não ter experimentado, a única alteração sugerida pelo manual é a retirada das cartas de evento e reação, mesmo assim é opcional.

Enfim, Midgard é um cardgame que achei excelente e recomendo para todo mundo. Para quem gosta de Mitologia Nórdica é um prato cheio, escrevi esse texto cantarolando as músicas do Secret Of The Runes do Therion (um dos melhores trabalhos da banda). O jogo não é colecionável (Odin seja louvado), as expansões adicionam elementos novos. Mas a caixa básica é completa e funciona perfeitamente sem necessidade de adições. Até o momento foram lançadas 4 expansões que custam por volta dos R$30 cada. O jogo básico está custando R$90 e o pacotão com tudo R$220, esse valor inclui também 300 sleeves, item essencial para todo jogo em que sejam utilizadas cartas. E se preparem para novidades em 2015: Midgard Dice.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Caçadores da Galáxia no Joga de Natal



No último final de semana, tive o prazer de participar de um playteste do Caçadores da Galáxia, novo trabalho do Daniel Alves, um dos criadores do super sucesso Masmorra de Dados. O jogo é um Euro com temática Sci-Fi de Mechas lutando contra Alienígenas. Pronto, juntou duas coisas que eu simplesmente amo. Porém, por se tratar de uma combinação inusitada, estava acompanhando o projeto com desconfiança. Até porque não faço parte dos entusiastas do primeiro lançamento da parceria Taberna do Dragão e Histeria Games.

A oportunidade surgiu devido ao convite do Cacá do blog E aí, tem jogo? para o Joga de Natal, que reuniu várias figuras da cena boardgamer carioca, além de nos brindar com a presença especial do game designer mineiro, que entregou a cópia do Masmorra de Dados do Felipe em mãos com direito a autógrafo e tudo mais. Então, fica aqui meu agradecimento por poder estar entre esse pessoal que admiro e trabalha bastante para o desenvolvimento do nosso querido hobby.


Caçadores da Galáxia foi uma surpresa maravilhosa, com mecânica e temática muito bem integradas. As regras são simples, mas proporcionam uma infinidade de opções estratégicas. O funcionamento geral é o básico já conhecido do todo Euro: alocar worker, coletar recurso e fazer construções para ganhar pontos. O grande lance é como isso foi utilizado dentro da proposta do jogo.

Cada jogador controla um Mecha que possui um piloto ligado por conexão neural (*_*), que tem uma função no desenvolvimento da partida, não é apenas um detalhe para ficar bonito ou para dar uma melhor ambientação. Os pilotos possuem três habilidades básicas, mas só duas ficam ativas. Essas serão definidas pelo Mecha escolhido. Os pilotos também possuem espaços para aprimoramentos, que podem (e devem) combar com as características do Mecha, suprindo algum tipo de deficiência, por exemplo.

O Mecha possui diversos espaços para equipamentos, mas o piloto traz consigo um projeto básico, se o jogador conseguir cumpri-lo, ganha uma pontuação adicional. Isso adiciona ainda mais integração entre Mecha e piloto, além de um desafio adicional. Se não houvesse o projeto, cada um equiparia a esmo.

Os Mechas vêm sem equipamentos, só com as características básicas de armadura, munição e energia. Então, início de jogo é correr com seus workers para coletar os recursos necessários para comprar logo uma arma. Depois da fase de alocação e coleta de recursos vem a hora da porrada. Só que existe um porém, ao escolher um Alienígena para enfrentar outro deverá entrar em seu lugar, mantendo sempre quatro disponíveis para a escolha do próximo jogador, mas alguns (vários) vêm com símbolo de invasão. Ao invés de entrar na área destinada aos conflitos, eles invadem os planetas bloqueando assim os recursos. Por isso, é tão importante pegar uma arma o mais rápido possível.


 


Esse esquema de invasão dos planetas torna o jogo mais tenso e proporciona mais possibilidade de batalhas. Matar Alienígenas é a principal forma de pontuar, pois dá dinheiro, reputação e um recurso específico que serve para comprar missão (não há outro meio de adquiri-lo), além de equipamentos especiais para o seu Mecha que geralmente são de pontuação e habilidades fodas. Mas o principal é o material genético, que serve para completar as missões. O tipo e quantidade de material genético do Alienígena é a única informação que fica aberta, as demais só são descobertas após a batalha.

O jogo dura nove turnos, o que dá uma média de duas horas. Isso porque nos primeiros turnos o pessoal vai devagar, sabendo a regra legal deve cair em quase metade esse tempo. A arte está muito bonita, gostei bastante dos desenhos dos Mechas e pilotos. A diagramação também é outro ponto que, na minha opinião, merece destaque, tudo muito bem colocado em seus devidos lugares. O mapa modular está bem bacana, no estilo de jogos como Eclipse e Twilight Imperium, facilitando a inserção de expansões com novos planetas.

O Daniel Alves, autor do jogo, nos disse que o jogo já deve ser lançado no financiamento coletivo com mini-expansões. Teremos a princípio as opções de um jogo básico até a edição de Colecionador que está prometendo ser sensacional. Além dos adicionais destravados através do cumprimento de metas. Chorei ao saber que pode rolar um Mecha inspirado em EVA. A previsão é começar a campanha em fevereiro, após o Carnaval.

A partida foi bem disputada entre eu e o Fabrício (que já conhecia o jogo). O Rodrigo e o Felipe comeram poeira. Rolou invasão e eles ainda não tinham comprado armas. Isso deixou o jogo travado para eles, o que o Daniel considerou um defeito. Segundo ele, isso nunca tinha acontecido. O problema é que nós deixamos os planetas ficarem invadidos, principalmente eu, para focar em outras coisas e ganhar ponto. No geral, quem tem armas limpa os planetas e facilita a vida dos demais. Desculpa gente, eu fui egoísta e só pensei no meu próprio jogo. Mas, espera, o jogo não é cooperativo. Então, é foda-se os amiguinhos e vamos pontuar nessa porra. Agora sério, eu sou um pouco agressiva jogando, principalmente quando percebo que tenho chances de ganhar, não fiquem chateados ou espantados. Valeu a pena o esforço, consegui uma boa vitória.

         


A parceria Taberna do Dragão e Histeria Games se mostrou super vitoriosa com o Masmorra de Dados, não só por ter superado em muito a meta do financiamento, mas por ter começado a entregar o jogo antes do prazo e com um material de ótima qualidade. Os caras estão com crédito.

Como eu já disse no início do texto, não faço parte dos entusiastas do Masmorra de Dados. Mas não é por nenhum problema com o jogo. A questão é mesmo de estilo, dificilmente um dungeon crawler vai me conquistar, mesmo com dadinhos charmosos. O jogo está bonito e as regras bem amarradas. As únicas críticas que tenho são ao esquema de utilização de habilidades de cartas de personagem e ao guia de iconografia dos monstros, achei ambos bem confusos. De resto, o jogo se mostrou o que eu já esperava, nada de surpreendente. O Felipe adorou, cada um com seus gostos.



Infelizmente, não deu tempo de jogar mais, porque já estava ficando meio tarde e a gente mora longe. Felipe ficou babando no Concept, ainda não entendi o que ele enxergou de tão incrível nesse jogo. Talvez, quando eu jogar, mas duvido. Definitivamente, gostos diferentes. Eu queria ter jogado Pandemic: The Cure.


É isso pessoal, mais uma vez obrigado ao Cacá pelo convite e ao Daniel pelo jogo incrível. Já comecem a guardar dinheiro para o financiamento coletivo de Caçadores da Galáxia em fevereiro. Com certeza, esse vai ser um dos grandes destaques de 2015. Vamos trabalhar firme para bater todas as metas e ficar com um jogo recheado de extras incríveis. O meu vai ser Edição de Colecionador, já está decidido. \o/

sábado, 20 de dezembro de 2014

Retrospectiva - 1º Ano do Blog


Esta semana o blog completou seu primeiro ano de existência. A ideia era colocar este post na data exata do aniversário, que foi segunda-feira (15), mas não rolou. Eu esperava conseguir ser mais produtiva neste mês de dezembro, queria ter escrito sobre Midgard e A Batalha dos Cinco Exércitos antes desse post. Cheguei a comentar sobre isso no post anterior, porém agora nem sei se consigo escrever qualquer outra coisa ainda esse ano. Talvez, na semana de festas de Natal e Ano Novo, porém não é só uma questão de tempo, está faltando ânimo também.

O post inaugural deste blog tem o mesmo título e conta como comecei no hobby: os primeiros jogos e eventos. Depois disso, muitos outros jogos foram jogados e comprados. Surgiram novos eventos, onde conhecemos mais pessoas bacanas. Este ano foi um ótimo, muitos lançamentos, tanto nacionais quanto importados, e empresas novas surgindo. A coleção cresceu em uma velocidade assustadora. Tivemos que comprar um armário para guardar tudo e já estamos sem espaço novamente.

 Coleção em 2013

Coleção 2014 - Parte 1

Coleção 2014 - Parte 2

Mas eu acho que joguei pouco, queria ter jogado mais. É a minha meta para 2015, comprar menos e jogar mais o que já tenho. Vários jogos da coleção ainda não viram mesa e tem outros que viram apenas uma vez. Eu adoro registrar tudo no BGG para depois olhar as listas e estatísticas. Até o momento foram 236 partidas e 100 jogos diferentes, isso sem contar os diversos playtestes. Também não entra o que foi jogado em formato digital. O top 3 dos campeões de mesa: Coup (12), Android Netrunner (11) e LOTR LCG (9).

Agora vamos um pouco aos números do blog, foram mais de 17 mil pageviews. O top 3 dos posts mais visualizados: Guerra do Anel (1086), GOT LCG (653) e A Game Of Thrones: The Board Game (624). Merecem destaque especial dois posts sobre material nacional que também tiveram uma boa quantidade de acessos: Lançamento do Gekido na Redbox (265) e Pacotão Funbox (233).

O post do Guerra do Anel é um fenômeno no blog, só comparar a diferença na quantidade de acessos entre ele e o segundo colocado. Mesmo sendo um post antigo, ele continua sendo o mais acessado, não importa se a estatística olhada for do mês ou da semana. Mas ele é também o responsável por uma das minhas maiores frustrações com o blog. Como eu tive uma resposta muito boa com esse post, tentei fazer um vídeo que, infelizmente, acabou não dando certo. Acho que eu quis começar grande demais.

 Chorei.

A ideia de fazer vídeos para o blog não morreu, ela foi retomada com vídeos mais simples. O primeiro vídeo que fizemos foi Ninja Dice, depois veio Gekido e Jaipur. Tivemos também os vídeos especiais de Muffin Games e Bifrost no Guadalupeças, jogados com seus respectivos criadores - Fel Barros e Cussa Mitre. Espero ano que vem conseguir fazer ainda mais vídeos.
Para fechar, uma seleção de coisas que surgiram ou que eu conheci esse ano e que eu acho que merecem destaque. Vou começar sendo bem regionalista: a abertura da loja Redbox e o evento Boards & Burgers, que ocorre toda terça-feira, ambos no Centro do RJ.



A Redbox está abrindo um espaço incrível para o nosso hobby. Além da venda de jogos, eles também realizam um evento chamado Segunda Sem Lei, no qual você paga um pequena taxa para jogar a vontade e ainda rola uns aperitivos. E agora, finalmente, começaram com o programa de aluguel de jogos. Algo que estava sendo super aguardado desde a inauguração da loja. Sempre ia lá e ficava olhando/babando a estande de jogos. Ainda não fui lá depois que eles implementaram esse novo serviço.

Ainda no assunto loja, não posso deixar de citar aqui a excelente Toys For Fans. Fui lá apenas uma vez, no Tabletop Day, por conta da distância. Mas achei o ambiente e o pessoal bem bacana. Uma pena ser tão longe, mas fica a dica para o pessoal da Ilha e adjacências ou que tenham mais disposição do que eu para grandes deslocamentos.

 

O Boards & Burgers é uma ótima opção para uma boa jogatina durante a semana, ainda mais depois que eles se mudaram para o Bob's da Senador Dantas, que fica bem em frente a Livraria Cultura e ainda tem o metrô pertinho. O ambiente é confortável e o pessoal muito bacana. Apesar de gostar muito do evento, faz um tempo que não apareço, o cansaço e o desânimo tem sido maiores que a vida. Vou tentar frequentar mais ano que vem, até porque ainda quero voltar a jogar Android Netrunner.


E as editoras? Começando em casa, temos a Pensamento Coletivo do amigo Filipe Cunha, muito playteste de jogo legal esse ano, em 2015 altas expectativas para os lançamentos. Temos também a Ace Studios, liderada pelo Fel Barros, criador do batedor de recordes do Catarse: Warzoo. Em SP, a Funbox que já era uma bem sucedida e conhecida Ludolocadora que esse ano se lançou como publicadora com o fenômeno Coup e o excelente Cook-Off do brasileiro Luis Francisco. Em 2015, no aguardo do Mehinaku 2.0, se a preguiça me largar, faço um post sobre isso. Se destacando bastante agora no final do ano, temos os mineiros da Conclave que vieram comendo quieto para depois meter o pé na porta anunciando vários jogos de destaque.

E os playtestes? Torcendo muito por Rock N Roll Manager do Leandro Pires, Beat Em Up do Wagner dos Santos e Engage do Sanderson Gomes. Os três são excelentes jogos que certamente serão comprados quando forem lançados. Menção especial ao Palmares do Rodrigo Rego, que conheci ano passado, mas ainda não foi lançado, então então para lista de lançamentos nacionais aguardados ansiosamente.





Obrigada a todos que nos acompanharam esse ano, espero que continuem conosco em 2015. Qualquer crítica ou sugestão é sempre muito bem-vinda. Apesar do blog ser totalmente amador, sempre tentamos apresentar um bom trabalho. Segue mais algumas fotos de momentos bacanas de 2014.

 Jogando com o Alexander, organizador do Castelo das Peças

Wargame, porra!!!

 Será que algum dia aprenderei a jogar Go?

Campeonato de GOT LCG.

1º Guadalupeças do Ano

Último Guadalupeças do Ano

 Retornaremos as atividades em fevereiro de 2015

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Guadalupeças: Especial Conclave Editora


Hora de tirar um pouco a teia de aranha do blog, afinal ficamos um mês parados, sem nenhum post novo. Novembro foi bem pouco produtivo em questão de jogatinas. Mas o ano em si foi muito bom, estava atualizando meu BGG e até que joguei bastante. Não vou entrar em detalhes porque pretendo fazer um post de Retrospectiva, que deve ser um resumo do que rolou de bom. De preferência, quero tentar publicar na próxima segunda-feira, data em que o blog completa seu primeiro ano de existência. Engraçado que esse foi o título do post inaugural, na época eu escrevi um pouco sobre meus primeiros passos no hobby. Agora em dezembro, vou tentar ser mais produtiva, jogar e escrever mais.

Ontem rolou o último Guadalupeças do ano e tivemos a felicidade de receber em nosso evento os simpáticos mineiros da Conclave Editora. Eles são os responsáveis pelo excelente cardgame nacional Midgard e estão com muitos lançamentos legais neste final de ano, jogos super badalados como Dominion, Camel Up e Keyflower. Tivemos também a presença do amigo Filipe Cunha da Pensamento Coletivo, Leandro Pires com o seu excelente Rock N Roll Manager e Cussa Mitre com o divertido Bifrost.




O dia começou com o Filipe me apresentando um joguinho de luta muito interessante. Apesar de ter uma mecânica relativamente simples, o alto nível estratégico eleva bastante a curva de aprendizagem. Ele simula jogos de luta tradicionais de videogame como Street Fighter. Os golpes são dados utilizando uma combinação de cartas, aí é que está o desafio do jogo. Gostei bastante também da simulação de movimento em ambiente 2D, a questão clássica de ficar preso no canto da tela (tabuleiro).


Minha personagem era porradeira enquanto o do Filipe era mais defensivo, só peguei o ritmo do jogo no final, o que é comum quando se joga pela primeira vez. Eu tinha que ter colado logo de início e descido o cacete, mas ao invés disso, fiquei fugindo. Quando cheguei junto consegui dar até bastante dano, mas aí já era tarde. O jogo acaba quando a vida de alguém é zerada ou após um determinado número de turnos. Quando seu personagem está com pouca vida, é possível usar uma carta de golpe especial, mas Filipe fez uma jogada que anulou isso quando eu utilizei. Ele sabia o que eu ia fazer, porque não me restavam muitas opções. Antes disso, ele já tinha conseguido prever e bloquear uma outra boa jogada que eu havia feito.

Depois disso, hora de descansar um pouco a mente com o sempre agradável e relaxante Blueprints. Sem sombra de dúvidas um dos melhores jogos da coleção. Não tem quem não elogie após uma partida. É um jogo com uma temática que explora muito bem a mecânica, além de ser muito bonito em sua simplicidade de componentes. Eu e Felipe dividimos a lanterna da partida. Acho que nunca ganhei nesse jogo, mas não me importo.


Seguindo os trabalhos com Illegal, um party game para maiores de 18 anos. Cada jogador representa dois papéis, traficante e comprador. Cada um deles vende e compra um determinado tipo mercadoria. O lance é conseguir vender e comprar sem que os demais percebam quem é você. Existe um contador de tempo, que marca a chegada de novas mercadorias. É a melhor parte do jogo, todo mundo voando em cima para pegar o que lhe interessa. Isso porque é preciso jogar em pé, andando entre os outros jogadores para fazer suas negociações. Essa interatividade é bem legal.


O que eu não gostei em Illegal é a parte do Mestre do Jogo, que é um cara que fica de fora só para organizar a partida e a parte do tribunal, que é quando os jogadores tentam adivinhar quem é quem. As cartas de suspeita são confusas e as acusações foram feitas meio a esmo. Ainda sobre as cartas, não gostei da arte. Os desenhos são todos bem genéricos. A pontuação é bem simples: um ponto para cada produto correspondente do seu comprador, mais um ponto para cada acusação indevida. Para cada acusação que for correta, o jogador perde cinco pontos.

É uma boa opção para jogar em uma reunião de amigos ou festa, mas não é o meu tipo de jogo. O fator "representação" é muito forte. Quanto melhor os participantes forem nisso, mais divertido vai ser jogo. Illegal exige um nível de extroversão um pouco alto demais para o meu gosto.

O jogo principal do dia para mim foi Midgard. Jogamos uma ótima partida, apesar de um pouco longa. Como sempre demorei a conseguir me desenvolver e conquistar os pontos. Tirando o Felipe, que ficou travado o jogo todo e não conseguiu fazer nada, acho que todos tiveram boas chances de ganhar. Eu adoro Midgard, mas ele tem seus problemas, como o alto fator sorte que pode praticamente "matar" um jogador na partida. Achei também muito forte a questão de você poder trocar a carta coringa de alguém, deveria existir uma carta de evento para impedir isso, do mesmo jeito que existe para se defender de ataque. Outro problema é o downtime elevado, leva bastante tempo até chegar na sua vez novamente (jogamos com 5 pessoas).


 

O que eu gosto em Midgard é que apresenta uma mecânica e temática que se encaixam muito bem, além disso ainda possui uma arte bacana. As regras são simples, mas proporcionam um bom nível estratégico. Acho sensacional a questão de descartar todas as cartas ao enfrentar um desafio. O lance do jogo é viajar pelos nove mundos em busca de recompensas e morrer com glória para ir para o Valhalla. Não vou explicar o jogo, pois ainda pretendo fazer um post só sobre ele, com todos os merecidos detalhes. Eu já falei isso antes, mas dessa vez vai. Deve ser o próximo post do blog. Sendo que eu ainda quero escrever sobre A Batalha dos Cinco Exércitos até o próximo final de semana, quando a última parte de O Hobbit chega aos cinemas. Será que consigo escrever sobre o jogo do Knizia também? lol

Fechando o dia, finalmente joguei o Uruk. Primeiro jogo que o Filipe anunciou que iria lançar pela Pensamento Coletivo. É um cardgame de civilização, o jogo se passa em quatro eras durante as quais você vai tentando desenvolver tecnologias e fundar cidades. Gostei bastante do jogo, apesar de ter me enrolado um pouco no uso de coringas. Junto com as cartas de tecnologias, tem as cartas de deuses e desastres para atrapalhar sua evolução. Preciso jogar novamente para ter condições de escrever melhor sobre ele.


Agradecemos a presença de todos e até ano que vem. Em janeiro não teremos evento, voltamos em fevereiro com força total. Desejamos a todos boas festas e muitas jogatinas. Não deixe de acompanhar as novidades curtindo o Turno Extra e o Guadalupeças no Facebook.