terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Guadalupeças



Todo terceiro domingo de cada mês acontece o nosso querido Guadalupeças. Nesta edição, por ser mês de Carnaval, convidamos o game designer Leandro Pires para apresentar o protótipo do seu novo jogo para a galera. Em Ziriguidum, os jogadores administram escolas de samba. Ele tem um esquema de mercado que lembra bastante o Rock N Roll Manager, mas ao invés de instrumentos temos os itens que compõem em um desfile. As guitarras e baterias cedem espaço para fantasias e enredos. A pontuação básica do jogo é realizada através de duplas formadas por esses tiles que precisam ter uma das cores da bandeira da escola de samba do jogador. 



Achei essa semelhança com o Rock N Roll Manager um ponto positivo, pois ajuda na familiarização com o jogo. Porém, qualquer comparação para por aí, Ziriguidum possui uma identidade própria, passando bem longe de ser apenas uma troca de skin. O clássico Work Placement dá lugar a um sistema de administração e seleção de cartas que utiliza um tipo de draft parecido com o do Notre Dame. O jogador escolhe uma carta para si, outra para descartar e distribui as demais para os jogadores ao seu lado. Isso aumenta ainda mais a tensão já normalmente causada pelo draft, pois é preciso manter uma atenção muito grande em tudo que está sendo feito na partida. Além, é claro, que proporcionar um fator interação significativo. 

Eu já tinha tido a oportunidade de jogar o Ziriguidum no finalzinho do ano passado.. Ele já está em desenvolvimento há bastante tempo. Acho que praticamente desde que conheci o Rock N Roll Manager que ouço comentários de sua existência. O Leandro é um game designer que testa muito suas criações antes de lançar, o que faz com que ele coloque no mercado jogos bem equilibrados. Acredito que o Ziriguidum ainda vai passar por muitos testes antes de chegar ser lançado. Além disso, o Leandro já está com outro jogo quase saindo, o Tsukiji pela Redbox Editora. Porém, isso é papo para outro post.

Eu esperava que esta fosse ser a mais carioca de todas as edições do Guadalupeças, pois teríamos a presença do game designer Rodrigo Rego com o Maracanã, um de seus jogos mais recentes em desenvolvimento. Ele é uma disputa entre torcidas para ver qual será a melhor através bandeirões, fogos, cânticos, etc. Porque é a torcida que empurra o time. O Rodrigo já tinha vindo em uma edição anterior do evento para mostrar o Copacabana, jogo que já está com contrato assinado para sair pela Redbox Editora também. Acho muito bacana o trabalho dele com temática nacional, fora que a seleção e combinação de mecânicas de seus jogos são sempre muito elegantes. Infelizmente, o Rodrigo acabou não podendo nos prestigiar com a sua presença. Aguardemos uma próxima oportunidade. 


Além da presença do Leandro com Ziriguidum, tivemos também o Swami com o Triax, o Sanderson com o La Muerte e os meninos do Alpha, que apareceram de surpresa. O Triax é um cardgame abstrato bem bacana. Ele ficou em primeiro lugar no evento de Novos Designers promovido no início do mês pela loja Game Of Boards em parceria com o canal After Match, deixando para trás vários concorrentes de peso. Já o La Murte é um party game muito divertido, eu gostei muito da temática puxada para um "humor negro". Ele está sendo lançado pela Hod Studio e está em plena campanha de financiamento coletivo. Por último, mas não menos importante, o Alpha que eu vi pela primeira vez lá no evento de Novos Designers. Ainda não joguei, mas estou bem curiosa, pois é mais um na onda de jogos de luta.




Nesta edição do Guadalupeças, eu joguei pouco, mas joguei muito bem. Finalmente, tive a oportunidade de experimentar Tavarua, um inusitado jogo sobre Surf. Maravilhoso trabalho de design, todas as mecânicas muito bem amarradas ao tema. Além disso, o trabalho de arte é magnífico. As ações do jogo são realizadas através de cartas que são jogadas simultaneamente. 


Existem duas situações básicas: nadar em direção a onda ou estar surfando sobre ela. Quando o jogador está nadando, a numeração determina o seu deslocamento na água. Porém, quando ele já está sobre a onda, o valor informado na carta irá controlar seu movimento sobre a prancha. Isso foi uma sacada muito legal. Se o jogador mover um número de espaço maior que o disponível na prancha, ele desequilibra e cai na água perdendo a maior parte dos pontos acumulados. 

Além da carta do jogador, existe também uma carta de movimentação da própria onda. Então, o jogador deve evitar cartas que o coloquem em uma situação muito apertada, é preciso deixar uma margem de segurança. A carta da onda informa em seu verso as possibilidades, para o jogador ter como se preparar. As ondas são tiles sobre o tabuleiro e todo final de turno o mais abaixo para cima. Cada tile de onda é acompanhado por um dado. Para entrar na onda, é necessário que o valor do dado seja maior ou igual a posição que ele ocupa no tabuleiro. Se for igual, o jogador recebe um bônus por ter conseguido uma onda perfeita.


Existem dois tipos de prancha no jogo: longboard e shortboard, cada uma com suas características específicas. Os jogadores são obrigados a jogar com ambas, pois o resultado final será a soma da melhor pontuação com cada uma dessas pranchas. O jogo termina quando acabam as cartas de onda. Isso faz com que ele tenha uma duração bem variável, vai depender muito das ações dos próprios jogadores. Porém, não é aquele tipo de jogo que termina de repente. O andamento é claro, então dá para fazer um bom planejamento.

A partida que eu joguei me pareceu um pouco longa demais para a proposta do jogo, apesar de oferecer algum potencial estratégico, ele possui uma complexidade baixa. Isso sem contar com o Press Your Luck bastante presente. O que é bastante temático também, afinal de contas o mar é bem imprevisível. Mas eu acho que demorou também porque era uma mesa com 5 novatos. Acredito que jogando com todo mundo já conhecendo as regras, ele deva rodar mais rápido. Estou bem ansiosa para jogá-lo novamente. Espero ter a oportunidade de fazer um post completo ou um vídeo sobre ele.

Confira mais alguns jogos que rolaram nesta edição do Guadalupeças:




Obrigada pela presença de todos em mais um Guadalupeças, espero revê-los no mês que vem. Quero agradecer também ao pessoal do Nerd Quest que compareceu ao evento pela primeira vez e escreveu uma matéria bem bacana sobre a gente, com direito a entrevista. Eles são um site que cobre eventos nerds no RJ. Não sabe o que fazer, para onde ir, dá uma olhada lá que tem um monte de dica legal. Não deixe de nos acompanhar nas redes sociais para saber novidades sobre o evento e ficar bem informado sobre as novidades do hobby. Além aqui do blog e da página no Facebook, agora nós estamos reforçando nosso trabalho no Youtube. Faça a sua inscrição que toda semana tem conteúdo novo.

Lembrando que a loja Game of Boards é a nossa parceira oficial. Em todas as edições, você pode comprar online e buscar seu jogo no evento. Compre em : www.gameofboards.com.br

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Dogs


Semana passada tivemos uma notícia muito bacana, o lançamento do FC internacional do jogo Dogs do Marcos Macri, um dos grandes nomes do game design brasileiro. Sendo reconhecido pelo público pela consistência e qualidade do seu trabalho, o autor viabiliza seus lançamentos de maneira independente através de sua própria editora, a MS Jogos. São lançados em média cerca de dois jogos por ano em edições limitadas e sistema de pronta-entrega. Ao todo já foram colocados no mercado oito títulos, sendo que os três primeiros já tiveram reedições. Todos os jogos do Macri são Euros de leve-médio porte e seguem um padrão de tipo e quantidade componentes, mas os temas são bem variados. Outro grande destaque da MS Jogos é o preço, melhor relação custo-benefício do mercado.


Eu só escrevi sobre um jogo do Macri até hoje aqui no blog, quando teve a reedição do Gran Circo, que foi o primeiro título lançado pela MS Jogos. Antes disso, o autor já havia publicado jogos por outras editoras, sendo Vale dos Monstros pela Galápagos Jogos, o mais conhecido desse período. No ano passado, após alguns lançamentos mornos, Macri voltou a ter grande destaque com Jester, vencedor do prêmio da Ludopedia de Melhor Nacional do Ano. 

Dogs é o único jogo do Macri a ter sido reeditado três vezes e ganhou uma boa repercussão ao ser resenhado pelo Rahdo, um dos youtubers gringos mais populares dentro do hobby. A segunda reedição deixou um pouco a desejar, introduzindo alterações que foram rejeitadas pelo público. O equívoco foi reconhecido na reedição mais recente que trouxe de volta o jogo original, acrescentando apenas uma nova arte de capa que deixou os donos da primeira edição passando vontade.


Eu gosto muito de Dogs e acho que é o jogo mais bem acabado do Macri. Devo deixar claro que ainda não tive a oportunidade de experimentar todos os títulos já lançados. Ele tem regras bem simples e fáceis de entender, além do tema bastante leve e convidativo. Acho que é um jogo muito bom para apresentar para novos jogadores, mas que não deixa de ser interessante para jogadores mais experientes, pois mantém o desafio clássico da administração de recursos.

Em Dogs, os jogadores disputam para ver quem é o melhor administrador de abrigo de cães. O tabuleiro principal apresenta a cidade onde os cães estão dispostos para serem coletados e cada jogador possui seu tabuleiro individual que representa seu abrigo. Ambos os tabuleiros são excelentes, o principal se destaca pelo ótimo trabalho de arte do Diego Sanchez e os individuais por sua funcionalidade, tem espaço para acomodar todos os itens necessários confortavelmente, tudo muito bem divido e indicado com clareza. Além disso, o jogo também possui um tabuleiro de seleção de ações, que consiste em sua parte mais estratégica.


Dogs é divido em 3 fases: andar pela cidade recolhendo os cães, selecionar ações específicas e manutenção. Os cães estão divididos em duas categorias: cidade e campo. Além disso, eles podem ser saudáveis, doentes ou perdidos. O jogo termina quando não é mais possível repor os tiles de cães. Todos os jogadores se movem alternadamente a partir do centro do tabuleiro e cada movimento gasta um de gasolina. Os jogadores podem se movimentar quantas vezes quiserem, a única exigência é que guardem combustível  para o retorno ao abrigo.


Os jogadores começam tendo duas baias liberadas para acomodarem os cães e outras três que ainda precisam ser construídas. Cada baia possui espaço para quatro cães, mas apenas duas raças diferentes podem ser colocadas juntas no mesmo espaço. A pontuação do jogo é através de Set Collection de cães. O ideal é colocar apenas uma única raça por baia. Toda vez que os jogadores distribuem os cães recolhidos na tabuleiro principal em seu abrigo, eles podem também reorganizar aqueles que já possui. Se em algum momento, o jogador não tiver como acomodar um cão, ele deverá doá-lo para um oponente ou para feira de cães. Isso só é válido para cães saudáveis, não é possível doar cães doentes.


Apenas os cães saudáveis vão direto para as baias, aqueles que estiverem doentes devem ser colocados primeiro na enfermaria, sendo necessário tratá-los com remédio para que fiquem curados. Cada cão doente ainda na enfermaria no final da partida faz o jogador vale 2 pontos negativos. Os cães perdidos são enviados para feira de cães e o jogador que o recolheu recebe uma recompensa em dinheiro. Os cães localizados no campo valem mais por causa da distância. O primeiro e o último jogador a retornarem aos seus abrigos recebem um recurso qualquer como bônus.

Após todos os jogadores terem recolhidos os cães pelo mapa e posicionado-os em seus respectivos abrigos, começa a segunda fase do jogo, que é a seleção de ações realizada através de um sistema de Work Placement. Cada jogador possui dois workers, o dono do abrigo e um ajudante, e são cinco as ações possíveis. Ao posicionar seu worker em um determinado local, além da ação em si, os jogadores ainda escolhem uma das duas cartas abertas. As cartas podem ter efeito imediato fornecendo recursos extras ou podem ter efeitos específicos para utilização em determinadas ações. Cada local comporta apenas dois workers e fazer a ação não é obrigatório. Pode ser que o jogador queira posicionar ali só para pegar uma carta ou bloquear um oponente.


Todos os locais de ação são bem simples de entender o funcionamento, pois a iconografia é bastante clara. O único local que pode precisar de um pouco mais atenção é a feira de cães, isso porque múltiplas opções estão concentradas nesse espaço. Nele é possível trocar, vender e comprar cães. As cartas em geral são também fáceis de entender, apenas uma ou outra necessita consulta ao manual, até porque não existe uma grande variedade delas. 

Terminada a alocação dos workers vem a fase de manutenção onde é necessário alimentar os cães, uma ração por baia, e pagar o ajudante, se não for pago, ele vai embora e no próximo turno o jogador fica com apenas uma ação. Depois disso, são repostos os cães nos espaços que estiverem vagos no tabuleiro e é iniciado um novo turno.

O jogo que está em FC no Kickstarter apresenta modificações mínimas em relação do que já foi lançado aqui no Brasil. Isso é algo que merece destaque porque demostra a sua qualidade. Eles mesmos destacam essa informação na página do financiamento. O jogo passou por alterações estéticas e adições de regras, mas tudo bem pequeno.  A edição internacional de Dogs altera a arte das cartas, que eu ainda prefiro a da nossa edição, e a arte do tabuleiro de seleção de ações, essa realmente ficou melhor na versão gringa. Eles adicionaram um espaço para cada animal da feira de cães, o que deixa o espaço bem mais organizado e fácil de consultar. A arte em si também ficou bem mais bonita, combinando até melhor com a do tabuleiro principal que se manteve inalterada.


A edição gringa também alterou a cor da parte de trás dos tiles dos cães para diferenciar os do campo e os da cidade, aqui é branco e preto, lá eles alteraram para azul e verde. Além disso, eles adicionaram sacolas para colocar os cães, que não ficarão mais empilhados. Acho que isso organiza melhor o jogo e ainda dificulta um pouco calcular o seu final.

Quanto as regras em si, eu não sei exatamente quais foram as alterações, pois não encontrei o manual desta edição. Na página da campanha é informado que houve adição de mais opções para disparar o fim da partida e tiles de obras na pista, que são misturados junto com os cães. É uma regra para dois jogadores, mas que pode ser utilizada para 3-4 jogadores também. Acredito que eles lá tenham sentido a necessidade de deixar o jogo mais apertado. Eles também diminuíram as quantidades dos recursos de acordo com o número de jogadores.  

Dogs atualmente está esgotado no site da MS Jogos, mas é possível comprá-lo de segunda mão. Neste caso, recomendo apenas atenção para verificar de qual edição se trata, dando preferência a primeira ou terceira edição. Espero que o Kickstarter do Dogs lá fora seja um enorme sucesso porque o jogo merece, mais da metade da meta já foi, e que com isso tenhamos em breve uma quarta edição nacional com as melhorias da edição gringa.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Tao Long


No post passado, eu comentei um pouco sobre as minhas impressões ao jogar o Tao Long pela primeira vez no Guadalupeças e escrevi que esperava ter a oportunidade de pegar o protótipo para fazer um texto mais completo sobre ele, além é claro de jogar mais. Porém, os últimos dias tem sido bastante agitados e não consegui um momento para sentar e escrever, coisa que demanda algum tempo. Tudo que consegui fazer foi gravar o vídeo que coloquei no ar semana passada, quando também aproveitei para tirar as fotos para este post. Desde então, elas me observam todos os dias na área de trabalho do meu notebook meio que condenando a minha demora.

Eu jogando Tao Long no Guadalupeças.

Eu fiz também uma entrevista com o Pedro Latro, game designer do jogo, que também ainda não consegui tempo para transcrever, pois ele me mandou as respostas em áudio. Assim sendo, se estou tão incrivelmente enrolada, por que não simplesmente deixar para lá? Por que escrever este texto de madrugada correndo no dia do término do FC/Pré-Venda? Acho que a resposta está naquele sentimento de empolgação que toma conta da gente quando jogamos algo que realmente consideramos bom e aí bate aquela vontade de compartilhar isso com as outras pessoas.

Depois de algum tempo no hobby e conhecendo vários jogos diferentes, vai ficando cada vez mais difícil ficar empolgado com novos jogos, pois acaba não existindo mais aquele fator surpresa. Então, foi incrível poder sentir essa sensação de novo que estava um pouco esquecida. Não apenas sentir satisfação por jogar um bom jogo, mas ser surpreendida com algo que realmente te colocou para pensar. Eu gosto de jogos que me fazem ficar refletindo sobre eles após as partidas.

Tao Long tem aquela elegância clássica de jogos com Xadrez, cujas regras são simples de aprender, mas difíceis de dominar. Um jogo que apresenta uma riqueza estratégica fantástica. A utilização do sistema de mancala para controlar a movimentação no grid do tabuleiro foi uma ideia incrível, pois facilita a visualização das possíveis jogadas do oponente de uma maneira mais direta. Ficou muito bem integrado ao tema pela questão do equilíbrio, o tempo todo o jogador precisa avaliar vantagens e desvantagens de cada ação disponível. Claro que inúmeros outros jogos fazem isso também, é um princípio fundamental conseguir antecipar jogadas, mas a forma como o Tao Long torna isso mais acessível é bastante significativo.

Simples e elegante.

No Tao Long, cada jogador controla um dragão lutando para assumir o controle do tabuleiro, que simboliza o mundo humano. Cada dragão é formado por quatro partes, ao perder três delas, restando apenas a cabeça, ele é derrotado. O jogo tem seu tema baseado nos princípios do Taoísmo e todas as suas regras procuram ter uma justificativa temática, apesar de ser classificado como um jogo abstrato. A mancala controla a movimentação dos dragões no grid do tabuleiro humano, sendo chamada no jogo de Ba Gua. A manipulação das pedras para escolha do movimento a ser feito pelo dragão é chamada de fase de Espírito, enquanto que a sua execução propriamente dita é a fase de Matéria.

A mancala funciona distribuindo as pedras de uma posição nas seguintes. A última irá determinar a ação.

Todos os movimentos possuem uma justificativa e funcionam de forma espelhada. Todo o jogo se baseia em dualidades e oposições, os dragões são um do Céu e o outro da Terra, que estão representados como movimentos no Ba Gua, vertical e horizontal respectivamente. Há ainda os movimentos livres concedidos pela Água e pelo Fogo, os dois elementos de ataque do jogo. Os movimentos em curva ficam por conta de Montanha, Lago, Trovão e Vento, sendo que os dois últimos concedem uma movimentação extra.

Entender a movimentação é uma parte fundamental do jogo e pode ser algo um pouco difícil a princípio, pois ela depende da direção em que está a cabeça do dragão. Ao lado de cada opção existe um pequeno desenho mostrando como é o movimento por ela concedido. Posicionar bem o dragão não é algo fácil e várias vezes vão ser necessários diversos movimentos para isso. Uma forma de facilitar a movimentação dos dragões pelo grid é através da utilização de portais, porém eles também os deixam mais vulneráveis a ataques.

Detalhe do movimento da ação Terra.

Os próprios portais são considerados áreas válidas para ataques quando estão sendo atravessados.

Os ataques do jogo podem ocorrer corpo a corpo quando a cabeça de um dragão fica de frente para qualquer parte do outro. A chamada Mordida causa 1 de dano. Outra forma é através de uma ataque à distância, seja utilizando Fogo ou Água. O jogo apresenta uma régua para medir o alcance, que irá determinar o dano junto com a reserva de fogo que o dragão atacante possua e resolva utilizar ou a água disponível no centro do Ba Gua. A cada 4 de dano, uma parte do dragão é perdida. É possível curar dano utilizando a ação de Água, que possui essa dupla função.

Mordida.

Ataque à distância na vertical.

Ataque à distância na horizontal.

Depois de dominar as regras básicas, o jogador tem a disposição algumas opções de variantes que utilizam as combinações de cores das pedras da mancala para adicionar ações especiais que tornam as partidas ainda mais desafiadoras. Não experimentei nenhuma delas, mas me pareceram bem interessantes. É uma forma de aumentar ainda mais a já elevada rejogabilidade.

Como eu disse no início deste post e no meu anterior, Tao Long foi um jogo que me surpreendeu muito e abriu com pé direito total o ano de 2017 para o game designer nacional. Hoje é o último dia do FC/Pré-Venda, então para quem curte jogos estratégicos para dois jogadores está aí uma excelente opção. A edição normal está saindo por R$90 e a de luxo por R$150, ambas incluindo todas as metas estendidas do KS que foi um super bem-sucedido.

Confira mais sobre o Tao Long assistindo o nosso vídeo:

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Tao Long no primeiro Guadalupeças de 2017



Domingo rolou o primeiro Guadalupeças de 2017 e começamos o ano muito bem recebendo o Pedro Latro, game designer do fenômeno Tao Long. O jogo da Octo Ludustudio está em FC lá fora pela ThunderGryph Gamestendo batido a meta em questão de poucas horas, abrindo muito bem o ano para o game design nacional. Muito bacana ver essa presença cada vez maior de brasileiros fazendo bonito no mercado internacional. A aquisição do jogo aqui no Brasil está rolando em sistema de pré-venda no site da editora, mas também soma com a arrecadação do Kickstarter para liberação de metas estendidas. A campanha vai até 3 de fevereiro e o jogo tem previsão de entrega para agosto. A versão básica está saindo por R$90, a de luxo por R$150 e a colecionador por R$350.

Pedro Latro, game designer do Tao Long, explicando o jogo.

O Tao Long é um jogo para dois jogadores no qual cada lado assume o controle de um dragão em uma disputa para mostrar quem é o mais forte. Cada dragão é formado por quatro peças, ao tomar uma determinada quantidade de dano uma delas é perdida. Quando a terceira peça for retirada, aquele dragão foi derrotado, pois restou apenas a cabeça. As ações do jogo são determinadas através do sistema de mancala, isso foi o que mais me chamou atenção no meu primeiro contato, pois é algo que eu gosto muito pelo alto grau de estratégia e variabilidade que proporciona. 

O estilo de arte oriental com aparência antiga ficou bem bonito.

São 4 ações distintas com 2 variações cada, o que dá um total de 8 opções disponíveis. A movimentação é o fundamento básico do jogo. Dependendo do posicionamento do seu dragão, vai ser possível fazer ou não determinado movimento. Quando um dragão fica de frente com qualquer parte do corpo do oponente, ele pode realizar uma mordida. Outra forma de infringir dano é através de uma ação específica, ela que permite um ataque à distância com fogo ou água, dependendo da variação utilizada. Mas, para isso, é necessário antes de ter acumulado o poder a ser utilizado. Usando a variação da água, também é possível se curar, pois a vida do dragão é medida por esse elemento. 

A parte que eu mais gostei no Tao Long.

O Tao Long aparece classificado como abstrato, porém eu achei que o tema está muito bem integrado com suas mecânicas. Ele se baseia em conceitos do Taoismo, sistema filosófico-religioso de origem chinesa. Apesar de gostar muito de cultural oriental, não possuo conhecimento sobre o assunto, mas gostei bastante da forma como o Pedro explicou na apresentação do jogo. Achei muito bom que ele não se preocupou apenas em explicar as regras em si, mas mostrou como elas se vinculam ao tema, qual a motivação para ser daquela forma. 

Galera jogando.

O Pedro não é do RJ e teve alguns problemas para chegar no evento, por isso ele acabou chegando um pouco tarde. Apesar de ser um jogo rápido, devido ao avançado da hora, acabei não jogando uma partida inteira, apenas alguns turnos para sentir o funcionamento. Eu já sabia por alto como era o jogo porque já tinha assistido alguns vídeos sobre ele. Mas, o pouco que joguei, foi o suficiente para me fazer querer adquiri-lo. Na minha opinião, ele já é um dos melhores nacionais do ano. Espero muito conseguir pegar o protótipo para poder jogar mais e fazer um post mais completo e inteiramente dedicado ao jogo.

Joguei pouco, mas foi o suficiente para me conquistar.

Desde já agradeço ao Pedro por ter se disponibilizado de vir ao nosso evento, foi um prazer conhecê-lo e ao seu jogo. Espero que, apesar das dificuldades, tenha sido proveitoso estar com a gente. Deixo registrado aqui mais uma vez os meus cumprimentos pelo trabalho incrível e desejo que o sucesso do Tao Long cresça cada vez mais. Tenho certeza que não apenas eu fui conquistada pelo jogo, a galera demonstrou bastante interesse e as mesas ficaram bem cheias.


O Tao Long foi o último jogo que joguei nesta edição do Guadalupeças. Então, agora voltemos ao início para comentar todos os demais que vieram antes. Comecei o dia conhecendo o Sugar Gliders, gostei bastante do jogo. As regras dele são muito simples, o que permite que qualquer um jogue, até mesmo crianças; mas ele tem um fator estratégico bem interessante. Ele é comumente comparado com o Hey That's My Fish, porém achei a questão do movimento ser limitado pela frutinha um diferencial significativo. 

Joguinho simples e rápido, mas com fator estratégico interessante.

Depois disso, joguei meu querido Blood Rage. Usando uma frase da moda: "Que jogão da porra". Tenho que escrever sobre ele aqui no blog. Podem reclamar o que for sobre a aplicação do tema, é uma crítica totalmente válida. Porém, isso não diminui em nada o brilho do jogo. Como sempre, joguei com a estratégia do Ragnarok. Eu não fui muito bem na primeira Era porque dei uns moles por esquecimento de regra. No sorteio dos tiles para saque, só saiu um de fúria, isso dificultou bastante a vida. Na segunda era, consegui fazer um trabalho um pouco melhor. Já na terceira era, sofri um duro golpe quando quase no final usaram aquela criatura que mata todo mundo quando entra no tabuleiro para me impedir de pontuar com a morte no Ragnarok. Na real, a disputa era pelo segundo lugar, porque o vencedor já estava bem definido durante toda a partida. Nunca vi Yggdrasil ser saqueada tantas vezes. A pessoa ficou com todos os status full ainda na segunda era. 

Sempre muito bom jogar Blood Rage.

Por fim, joguei o sempre muito agradável Sushi Go, o chatinho The Resistance e o surpreendente Vudu. Sushi Go é um jogo que eu acho que nunca vou cansar de jogar. The Resistance eu não curto muito porque sou péssima de blefe e o jogo é essencialmente isso, ficar trocando acusação. Vudu me surpreendeu porque eu não esperava gostar dele por ser um jogo de zoeira, eu não me dou bem em jogos assim por ser muito tímida. Os jogadores lançam maldições uns sobre os outros para ganhar pontos. Os requisitos para lançar as maldições são obtidos através de rolagem de dados e elas são basicamente tarefas vexatórias, aka "pagação de mico", tipo cacarejar. Quando o jogador esquece, a maldição é quebrada e ele perde pontos.

Surpreentemente divertido.

Confira mais algumas fotos de outros jogos que rolaram nesta edição do Guadalupeças:

Star Wars Destiny.

Room 25.

Kemet.

Camel Up.

Masmorra de Dados.

Obrigada a todos pela presença, espero que tenham se divertido tanto quanto a gente e que possamos nos encontrar na próxima edição. Gostaria de agradecer novamente a presença do Pedro Latro da Octo Ludustudio que abrilhantou o evento nos trazendo o Tao Long. O Guadalupeças não possui fins lucrativos, seu único objetivo é a divulgação do hobby. Nós estamos sempre abertos ao trabalho dos game designers nacionais e mês que vem a gente deve contar com a presença de mais um projeto bem bacana para a galera conhecer. Nos acompanhe nas redes sociais para saber das novidades do evento e do mundo do boardgame em geral. Neste ano de 2017, estamos nos esforçando para produzir mais conteúdo em vídeo, então faça a sua inscrição também no nosso canal no Youtube. Até a próxima!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Room 25


Um dos títulos mais legais que eu tenho na minha coleção está sendo lançado no Brasil pela Conclave Editora. Room 25 é um jogo bastante versátil que utilizando um conjunto de regras bastante simples consegue oferecer um total de cinco modos diferentes que vão desde o cooperativo até o competitivo, incluindo modo solo. Além disso, ele possui uma quantidade de componentes relativamente pequena, o que permite que seja jogado em praticamente qualquer lugar e comporta até 6 jogadores. É uma boa opção inclusive para levar em viagens.

Setup montado para 4 jogadores.

Os personagens.

O tabuleiro de Room 25 não é fixo, sendo formado a partir da junção dos tiles de sala, que irão formar um tipo de labirinto de onde os jogadores terão como objetivo escapar. Todos os tiles são dispostos virados para baixo, apenas o central começa revelado, sendo a posição inicial dos jogadores. Para conseguir a vitória, é necessário localizar a tal sala 25 que dá nome ao jogo. Para isso, a cada turno, os jogadores terão de escolher duas ações entre as quatro possíveis: Entrar, Espiar, Empurrar e Deslizar. Elas devem ser programadas simultaneamente e de forma oculta.

Sala inicial.

Sala 25.

Ao escolher a ação de Entrar, o jogador apenas entra em uma sala adjacente, aberta ou fechada. A ação de Espiar é para olhar a sala e não correr o risco de entrar em uma que seja ruim, A ação de Empurrar é mais popular entre os jogadores que são traidores para jogar os demais em salas ruins, mas também pode ser usada para ajudar no progresso de um amigo. A ação de Deslizar é a mais complexa de todas e consiste em mover uma linha ou coluna em uma sala. É uma ação muito boa para se mover rapidamente ou atrapalhar os demais jogadores.

Tiles de ações: Espiar, Entrar, Empurrar e Deslizar.

Selecionando e revelando ações.

Cada jogador tem uma espécie de tabuleiro individual que vem com a arte de seu personagem, uma lista de todas as salas existentes no jogo e um espaço para colocar os tiles correspondentes das ações escolhidas. É um item dispensável quando já se conhece bem o jogo, tendo uma função mais de referência do que de qualquer outra coisa. Os jogadores também contam com um token que serve para marcar uma determinada sala que ele tenha espiado e queira lembrar por qualquer que seja o motivo.

Marcador para lembrar da sala.

O contador de turnos é responsável também pela marcação da ordem e ele caminha em ordem decrescente em um tipo de contagem regressiva que irá variar entre 8-10 dependendo do modo que estiver sendo jogado. A diferença entre os personagens é só estética, servindo apenas para identificar cada jogador. Em geral, seria de se esperar algum tipo de poder específico para cada um, ainda mais que eles tem uma arte que lhes confere bastante personalidade. Isso é corrigido na Season 2 do jogo, que ainda acrescenta mais dois personagens, aumentando a capacidade para 8 jogadores.

Contador de turnos e marcador de ordem na mesma peça.

Todas as salas abertas.

A Season 2 também traz evidentemente novas salas e corrige uma outra questão que pode ter incomodado algumas pessoas no base, as miniaturas deixam de ser todas cinzas. A caixa é outra questão importante, pois vem em uma versão maior para poder acomodar todos os componentes do jogo em um mesmo local. Não sei como isso ficou na versão nacional, tendo em vista que a caixa do base também já vai ser na versão grande. É importante ressaltar que, apesar do que o nome poderia nos fazer supor, ela não é standalone.

Como eu já tenho o base, pretendo comprar apenas a Season 2 nacional. Achei que o preço está bem justo. O jogo ainda está em pré-venda, com previsão de entrega para março. Na loja Game Of Boards o base está sendo vendido por R$189,90 e a Season 2 por R$104,90. Porém, quem comprar os dois juntos paga o valor promocional de R$270.

Confira nosso vídeo para saber ainda mais informações sobre Room 25: