sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Guia de Atrações do Diversão Offline 2016


O Diversão Offline foi o primeiro evento a investir em uma infraestrutura de grande porte pensada para o nosso hobby. Sua edição de estreia ocorreu no ano passado e foi um incrível sucesso. Provando que temos público suficiente para isso, ao contrário do que muitos afirmavam anteriormente. A galera da Geek Carioca mostrou que não precisamos ficar limitados aos pequenos encontros regionais ou espaços cedidos dentro de outros eventos maiores. A ideia deste post é comentar as atrações que nos parecem mais interessantes. Para ficar mais claro e objetivo, isso será feito por meio de tópicos.

ESPAÇO:

A edição deste ano inverte a organização dos espaços em relação ao que foi feito na anterior. Ao entrar no Centro de Convenções SulAmérica, os jogadores já encontraram no térreo os estandes das editoras e a área free play. No mezanino, teremos as lojas e as áreas destinadas a outras atividades, sendo as mais relevantes, a sala de palestras e a sala de protótipos.

Térreo. 
Mezanino.

EDITORAS:

Conclave - O grande destaque da editora mineira é sem sombra de dúvida o lançamento do jogo nacional Rock N Roll Manager, do game designer carioca Leandro Pires.


Funbox - Segundo informação do Luis Francisco, teremos o retorno a venda do Quartz que estava esgotado. O jogo é um grande sucesso do game designer brasileiro Sérgio Halaban. E também foi anunciado que vai rolar pré-lançamento de Good Cop Bad Cop.



Galápagos - Corrigindo a falha do ano passado, nessa edição eles vem com estande próprio e com a presença do youtuber Jack Explicador. Os jogos mais prováveis de serem encontrados disponíveis para demonstração são: Flick'em Up, Munchkin Panic, Star Wars Destiny, Tokaido e X-Wing. É possível ainda que ocorra a exposição de futuros lançamentos que estão sendo muito aguardados como Imperial Assault, Mansion Of Madness e Seafall.


Pensamento Coletivo - Mesas de demonstração de Imperial 2030, The Manhattan Project, Morcego Covarde e Gunrunners. Além disso, haverá apresentação de três futuros lançamentos da editora, que está fazendo suspense e atiçando a curiosidade através das seguintes dicas: O primeiro é um jogo para que gosta de ficar acordado tempo demais, o segundo nos leva a um futuro um tanto quanto prismático e o terceiro nos joga em um vórtice de realidades totalmente dilaceradas. Alguém arrisca um palpite?


Redbox - Mesas de demonstração de The Red Dragon InnRaid & Trade e todos os demais jogos já anunciados pela editora. Além disso, haverá apresentação inédita de três jogos nacionais que serão lançados em breve, Micrópolis e Copacabana do Rodrigo Rego e Tsukiji do Leandro Pires.



LOJAS:

Duas lojas estarão representando editoras menores no evento.

Tabuleiro Mix - O mais estande de loja do evento e único a ficar no térreo junto com as editoras. Está estrategicamente posicionado ao lado da Galápagos e irá representar Ace Studios, Arcano GamesBest Games, Histeria Games, Lends, Meeple BR e Riachuelo Games. O maior destaque claro é a Ace Studios, que infelizmente não veio com estande próprio. Além de todos os jogos super bacanas da editora, teremos dois futuros lançamentos da CMON para a galera conhecer. A versão gringa do Gekido e Bloodborne, cardgame de Eric Lang baseado no famoso jogo de videogame. O outro destaque do estande é a Histeria Games que estará promovendo demonstração de Sonhando com Alice que está em FC no Kickante, com a presença do game designer Daniel Alves.

Gekido de Fel Barros e Rômulo Marques na versão CMON.

Sonhando com Alice, novo jogo de Daniel Alves.



PROTÓTIPOS E PALESTRAS:

Na minha opinião, a principal atração do Mezanino. Nesta edição em uma sala bem maior que a do ano passado. O grande destaque é o pessoal do Mansão das Peças, um coletivo de game design carioca que tem realizado um excelente trabalho. Space Cantina e Rock N Roll Manager são exemplos de jogos desenvolvidos por eles. Vai rolar uma palestra com Fel Barros, Warny Marçano, Rodrigo Rego, Leandro Pires e Rômulo Marques sobre o assunto. Além disso, também teremos uma palestra solo do Fel Barros falando especificamente sobre o processo de FC do Space Cantina.

Mansão das Peças, os donos do boardgame carioca. XD

RESUMO DO SERVIÇO:

Diversão Offline

Data: 21/08/2016
Horário: 10h às 19h
Local: Centro de Convenções SulAmérica
Ingresso: R$35

Assista também ao nosso vídeo comentando sobre as expectativas para o evento:

 


quarta-feira, 20 de julho de 2016

Guadalupeças


Domingo tivemos mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. Parece que foi ontem que eu estava escrevendo o post sobre o especial de aniversário que ocorreu mês passado. A vida tem andado tão corrida que os dias vão passando e a gente nem sente. Preciso retomar o ritmo de posts sobre jogos em si. São tantos sobre os quais eu gostaria de escrever que fica até difícil escolher por onde começar. Minha ideia depois do Arcadia Quest era fazer Blood Rage. Ainda quero muito fazer porque foi um dos melhores jogos que joguei esse ano. Outro que quero fazer há bastante tempo é o The Gallerist. Preciso terminar a campanha do Memoir 44. Tem Star Wars Rebellion e Zombicide Black Plague novinhos na estante. Portal e Dream Heist que são dois jogos adaptação de produtos de outros meios. Enfim, poderia continuar enumerando ainda por muitas linhas tudo sobre o qual quero escrever, isso sem mencionar a parte de podcast e vídeo.

Mas o assunto aqui é Guadalupeças, voltemos a ele. Como eu disse no início, o tempo tem passado muito rápido, isso também teve seu impacto no evento, mais especificamente na parte da divulgação. Então, esperávamos uma edição mais fraca de público. Porém, para nossa surpresa e alegria, tivemos uma quantidade de pessoas bem próxima da alcançada no mês anterior. Isso porque vários amigos mais próximos que são frequentadores assíduos não puderam vir. Senão, poderíamos até ter estabelecido um novo recorde. Continuamos a ter um bom retorno de pessoas que conheceram o evento mais recentemente. Além disso, sempre temos aqueles que estão passando e se interessam em conhecer o nosso hobby.

Essa senhora jogando Star Realms com o filho foi bem legal. 

Esta família que estava passeando e quis sentar para jogar também foi bacana.

Nesta edição, eu praticamente só joguei Power Grid. Um outro jogo sobre o qual também tenho muita vontade de escrever por aqui. Próximo post, talvez? Passei meses aguardando o lançamento dele no Brasil. O tempo entre o anúncio e a chegada efetiva foi considerável. Ele é um Euro médio-pesado que tem como principais mecânicas leilão, domínio de território e administração de recursos. É um jogo com regras e componentes bem enxutos e simples, mas que proporciona boas horas de fritação de cérebro. Apesar de ser fácil de aprender a jogar, ele é muito difícil de ganhar. Isso ocorre porque ele possui um foco no planejamento de longo prazo.

Em Power Grid, cada jogador é uma companhia elétrica e ganha aquele que conseguir iluminar mais cidades quando o final for disparado. O dinheiro no jogo é sempre bem apertado, porque é preciso administrar muito bem para conseguir comprar as usinas no leilão, pagar para ir dominando as cidades e expandir a rede de distribuição de energia no mapa e ainda comprar matéria-prima para alimentar as usinas.

Um jogo que te faz sofrer de uma forma boa.

Além do esquema de leilão das usinas, uma coisa que eu gosto muito nesse jogo é o lance do mercado de matéria-prima que é flutuante, seguindo a lei de oferta e procura. Power Grid consegue transpor isso para o tabuleiro de uma forma muito boa. O jogo possui um downtime que eu considero alto, porém ele consegue prender a atenção mesmo no turno dos demais jogadores. São muitos cálculos para fazer e existe bastante interação indireta. É um jogo que o tempo o jogador vai estar avaliando as suas possibilidades em relação ao que os outros estão fazendo e o que o próprio jogo está apresentando.

Como eu disse mais acima, ele é um jogo de planejamento a longo prazo. Tudo precisa ser pensado em função da última ação. Assim sendo, ele é bem punitivo com quem está em primeiro lugar, porque a fase de expansão de território e compra de recursos é realizada na ordem inversa. E até mesmo começar o leilão nem sempre é uma boa. Eu fui muito bem durante quase todo o jogo, mas cometi um erro de posicionamento inicial que me custou muito dinheiro para expandir no mapa, pois ficou bem fácil para os demais jogadores trancarem meu caminho. Além disso, eu não consegui evoluir satisfatoriamente as minhas usinas. O jogador que ganhou foi o que passou todo o tempo em último.

Depois disso, eu acabei indo jogar um protótipo sobre o qual ainda não posso comentar muito. É um jogo novo que o Sanderson, game designer do Engage, está desenvolvendo. Na semana passada, teve entrevista com o pessoal da Sherlock no Leite Night e eles anunciaram o lançamento do Engage. A Sherlock é a editora formada pelo Thiago Ferri do Possessão Arcana. Eu gosto demais desse jogo, tive o prazer de conhecer o protótipo há bastante tempo atrás. Fiquei muito feliz com a confiança demonstrada pelo Sanderson ao solicitar a minha avaliação. Gostei da proposta do jogo, acho que tem potencial. A temática é interessante e usa uma mecânica criativa. Espero poder jogar e escrever mais sobre ele em breve.

Confira abaixo mais algumas fotos dos jogos que rolaram nesta edição do Guadalupeças:

Codinomes. 

 Ticket To Ride.

Marco Polo.

Obrigada a todos que estiveram presentes em mais uma edição do Guadalupeças, espero poder reencontrá-los no mês que vem. Em agosto, nosso evento ocorrerá no quarto domingo ao invés do terceiro em virtude do Diversão Offline. Gostaria de agradecer também aos parceiros da loja Game Of Boards que mais uma vez esteve com a gente e a fotógrafa Rosana Rodrigues. Curtam as páginas do Guadalupeças e Turno Extra no Facebook para acompanhar as novidades.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Guadalupeças - 3 Anos


Domingo rolou mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. Completamos 3 anos de existência com recorde de público. Quando chegamos ao shopping, percebemos que eles tinham separado uma área maior que a do mês passado. Achamos que não precisava de tanto, mas no final das contas, a galera da organização do shopping estava certa e nós é que estávamos errados. No meio do evento, estava faltando mesa para tanta gente. 


Além de ter sido a nossa edição com a maior quantidade de pessoas, foi também a que houve maior concentração. Geralmente, o que acontece é um grupo chegar e outro sair, então no final você tem uma soma de 50 pessoas, mas elas não estiveram todas ao mesmo tempo. Dessa vez não, tivemos 70 pessoas ao mesmo tempo. Outra coisa bacana foi ver a galera chegando cedo e ficando por bastante tempo, jogando diversos jogos diferentes. 


Bastante gente veio nos parabenizar pela organização do evento. É muito gratificante saber que além de diversão, conseguimos proporcionar um ambiente acolhedor. Esse é um ponto destacado de forma recorrente. Nos orgulhamos por receber no Guadalupeças um público sempre bem variado. Temos a galera que começou no hobby frequentando o nosso evento e hoje tem uma coleção maior do que a nossa. Mas também tem muita gente que se torna frequentador assíduo, mesmo sem virar "heavy gamer". É legal não apenas ver pessoas novas, mas vê-las voltando e trazendo os amigos. 

Nosso evento contou com parceiros antigos e novos. Tivemos a presença do pessoal da Ace Studios e da Pensamento Coletivo mostrando seus jogos. Ambas já realizaram edições especiais com gente, são editoras pequenas cujo o trabalho admiramos demais e é sempre um prazer divulgar. A Galápagos Jogos, que não é uma parceira regular, mas sempre dá uma moral para o evento quando entramos em contato. Não tem como não admirar o trabalho dos caras, maior e melhor editora brasileira. Acreditaram e investiram muito no hobby, eles podem dizer que quando chegaram o mercado nacional era praticamente só mato.

Die die DIE, futuro lançamento da Ace Studios.

Space Cantina, jogo em financiamento coletivo da Ace Studios.

The Manhattan Project, jogo em pré-venda da Pensamento Coletivo.

Fechamos uma parceria bacana com a loja Game Of Boards. Rolou código de desconto para compras realizadas no site para serem retiradas no evento e também sorteio de diversos cupons promocionais. Eles se mostraram bastante satisfeitos com a participação no evento e nós também estamos. A Game Of Boards é uma loja online que em breve deve abrir sua primeira unidade física. A editora Papergames mandou o Flip City para gente. Foi uma grande surpresa porque não temos um contato mais próximo com eles, foi totalmente espontâneo. 

Nessa edição, eu comecei ensinando um pessoal a jogar Wasabi, que é um jogo com tema de culinária japonesa muito divertido. Depois acabei jogando Marco Polo, que é um jogo que fazia tempo que eu queria conhecer. Ele é um dice placement bem legal, mas não possui nada diferente para me motivar a comprar. Eu tenho outros jogos com esse tipo de mecânica e conheço bastante gente que tem o jogo, então sempre vai rolar oportunidade de jogar. O lance dele é viajar e cumprir contrato, para isso é necessário obter recursos. A duração dele é cinco turnos, acredito que se todos na mesa já conhecerem o jogo deva ir bem rápido. Não é um jogo em que se tenha muito para pensar, ele é bem enxuto de opções.



Depois ensinei Flip City para um grupo e entrei em uma mesa de um jogo totalmente desconhecido. Simurgh é um work placement com uma temática de universo alternativo medieval que confesso não prestei muita atenção. O que achei interessante foi a dinâmica diferente dos tiles de ação e sua relação com todo o andamento do jogo. É possível observar a existência de um bom mecanismo de controle e equilíbrio nele, porém não tão bem utilizado quanto poderia.



Os jogadores recebem uma mão inicial de tiles de ação que vão sendo colocados no mapa durante a partida. Não lembro de ver isso em nenhum outro jogo. Claro que ele tem locais básicos fixos no mapa, mas essa questão dos jogadores acrescentarem outros, adiciona um fator imprevisibilidade que me agradou. Se esse tile móvel ficar vazio, ele é retirado do tabuleiro. A quantidade descartada deles é o que controla a duração da partida. Pegar um worker de volta é uma ação assim como colocá-lo e cada jogador começa apenas com dois deles, que são de tipos diferentes. 

O evento começa às 14 horas, então a partir das 17 horas começamos os sorteios. Primeiro fizemos o Flip City e depois os cupons de desconto da loja Game Of Boards. Nós tínhamos anunciado o Sapotagem como sorteio, mas isso acabou sendo mudado na hora. Levou o ganhador da partida. Foi legal, porque ficamos com mais uma modalidade diferente de premiação. O Romulo do Die die DIE distribuiu bottons do jogo. Teve o Quarriors que a Galápagos Jogos enviou para gente e que demos para quem levou a maior quantidade de amigos, ganhou o William que trouxe quase Magé inteira para o evento.






Segue fotos de outros jogos que rolaram durante o Guadalupeças:

Ticket To Ride.

 DC Comics Deck-Building Game.

Dixit.

Agradecemos a todos que compareceram ao Guadalupeças, espero reencontrá-los no mês que vem, e aos parceiros que nos ajudaram nesta edição: Ace Studios, Galápagos Jogos, Game Of Boards, Papergames e  Pensamento Coletivo. Também acho importante agradecer ao pessoal que colaborou com a nossa divulgação: Mesacast e After Math. E por último, mas não menos importante, pessoal do Shopping Jardim Guadalupe por acreditar no projeto e ceder tão gentilmente o espaço. Estamos trabalhando para conseguir mais parceiros e promover um evento cada vez melhor. Curtam as páginas do Guadalupeças e do Turno Extra no Facebook para acompanhar as novidades. 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Flip City


Flip City é um cardgame simples e rápido lançado recentemente no Brasil pela editora Papergames. Ele reúne alguns conceitos diferentes e interessantes, mas que deixam um pouco a desejar na prática. Antes de começar a escrever sobre as regras do jogo em si, quero começar explorando um pouco essa questão. Como simplesmente juntar boas ideias pode não funcionar tão bem quanto o esperado. É preciso saber a forma correta de fazer isso e verificar se elas realmente possuem harmonia.

Componentes.

A temática de cidade junto com a arte que lembra SimCity são bacanas, mas podem gerar uma falsa expectativa. O jogador não se sente construindo uma cidade. Se ele for jogar esperando por isso vai se decepcionar. Isso poderia ter sido melhorado um pouco usando uma forma diferente de disposição das cartas na hora em que são baixadas na mesa. 

Forma como as cartas são tradicionalmente jogadas.

 Forma de jogar de maneira mais temática?

A proposta de aplicar a mecânica de Deck Building em um jogo de pequeno porte é bacana, mas não funciona tão bem como o desejado aqui. O início da partida é bem arrastado, praticamente burocrático, demora até os jogadores formarem um deck razoável. Além disso, contribui para questão exposta no parágrafo anterior. A mecânica colabora para deixar o tema com aparência de colado.

As "grandes inovações" propostas por Flip City são as cartas dupla face, que é o que motiva o nome do jogo, e o esquema de jogar sem utilizar uma mão de cartas, a jogada é baseada apenas na carta no topo do deck. Ideias teoricamente bem interessantes, mas que enfrentam problemas de ordem prática.

A cartas dupla face funcionam em um esquema de "evolução", em que virar o lado é preciso pagar um custo. O jogador joga sabendo apenas a carta que tem no topo do deck, ele não pode ver o que o está atrás. O que é bem difícil, porque para isso, o jogador precisa jogar com o deck na mão tomando cuidado, pois o sleeve faz a carta escorregar ou grudar, o que estraga o turno todo. Pois o jogo depende fortemente da mecânica de Press Your Luck nessa fase.

Nada prático.

Por isso, no momento de embaralhar o descarte para formar um novo deck, o mesmo deve ser feito sem olhar. Só que dessa forma, uma carta dupla face pode ser virada ou cair no chão por acidente. Uma situação nada absurda, tanto que está prevista no manual, que orienta que em caso de dúvida a carta deve ser colocada em sua posição inicial. Então, o risco de perder o investimento feito é considerável.

Como eu escrevi no início, muitas ideias interessantes, mas que não harmonizam bem juntas. Algumas se atrapalham nitidamente, enquanto outras simplesmente não são funcionais. Mas, apesar de todas as questões colocadas, o jogo é bacana. Nada de essencial para se ter na coleção, mas ainda assim uma boa alternativa. Falta sinergia entre os elementos, mas ele tem versatilidade. É um jogo barato, pequeno, simples, visualmente agradável, componentes de qualidade e roda tranquilo com qualquer quantidade de jogadores.

Dito tudo isso, vamos as regras do jogo em si. Cada jogador começa com um deck de 9 cartas, uma de cada tipo das existentes no jogo e mais 4 de Área Residencial As demais cartas vão ser separadas por tipos para formar as diferentes pilhas de compras. O turno é dividido em duas fases: jogar cartas e fazer ações. Cada carta possui obrigatoriamente um efeito especial, um custo de compra (com exceção da área residencial) e um custo para virar a face da carta; e de forma variável valores em dinheiro, prestígio e insatisfação.


Cartas iniciais.

Os jogadores em seu turno podem jogar quantas cartas quiserem desde que não ultrapassem o limite de duas insatisfações, por isso é fundamental jogar sem ver a carta de trás. A carta de área residencial possui o efeito de entrar em jogo imediatamente. O jogador não pode optar por parar se ela aparecer no topo do deck e é geralmente assim que se estoura o limite, pelo menos no início da partida. Se isso acontecer, o jogador perde o turno e todas as cartas jogadas são descartadas.

Na segunda fase do turno, o jogador irá verificar quanto de dinheiro conseguiu colocar na mesa e escolher uma das três ações possíveis: comprar carta, virar uma carta do descarte ou comprar e virar ao mesmo tempo. A partida acaba quando um jogador conseguir colocar 8 de prestígio na mesa ou baixou uma Loja de Conveniência e mais 18 cartas.

Cartas para compra.

Vitória por prestígio.

Loja de Conveniência mais 18 cartas.

Bem simples, três parágrafos para dizer como o jogo funciona. O resto é prestar atenção aos efeitos de cartas. Por exemplo: o Hospital dá dinheiro a mais por insatisfação; já a sua evolução, que é a Igreja, aumenta o limite de insatisfação. Os efeitos fazem sentido tematicamente, mas porque a igreja é evolução do hospital escapa a minha compreensão. Outra carta interessante de comentar é o Apartamento, ele é a evolução da Área Residencial. O efeito dele é que pode ser virado, voltando a ser Área Residencial, e colocado no deck de outro jogador. Isso me pareceu muito bom, se não fosse tão caro para fazer.

Lado a lado para comparação.

Na variante solo, não é utilizada a carta da expansão Escritório, a carta de Área Residencial quando for virada para Apartamento é removida da partida e toda vezes que o deck precisar ser reembaralhado, uma carta da pilha de compras (que vai ser bem menor) também é removida. As condições de vitória se mantém inalteradas. Como quase todo modo solo é mais um treino do que um modo de jogo independente.

Setup de partida solo.

A Papergames fez um bom trabalho no lançamento do Flip City na questão de componentes, preço, respeito aos prazos e publicidade. Escolheram um jogo de pequeno porte, com regras simples, de fácil produção e uma arte atrativa. Claro que existem vários jogos mais interessantes que também atendem esses critérios. Mas, apesar de todos os pesares já expostos aqui, é um jogo que tem suas qualidades se encarado da maneira certa.

Tire suas próprias conclusões sobre ele no Guadalupeças e ainda tenha a chance de levar uma cópia para casa.


quarta-feira, 25 de maio de 2016

O Morcego Covarde


Uma grande guerra estava sendo travada entre os Mamíferos e as Aves, e, entre eles, havia uma alternância de quem estava ganhando. O Morcego, temeroso, sempre lutava do lado de quem estivesse com a vantagem. Aos Pássaros, ele dizia que tinha asas e sabia voar, portanto, era um Pássaro. Já aos Mamíferos, que tinha pelugem e presas; portanto, era um Mamífero. Quando a paz foi proclamada, a atitude do Morcego ficou clara para ambos os lados. Assim, então, ele foi condenado por sua traição a abandonar a luz do dia, vivendo em cavernas e locais escuros, e a voar apenas à noite.
Esopo, 600 a.C.

Usando os elementos dessa fábula de Esopo, o game designer Taiki Shinzawa criou o jogo de blefe Hikyõ na Komori, lançado pela Oink Games em 2012 e que está sendo trazido ao Brasil pela Pensamento Coletivo como O Morcego Covarde, o primeiro lançamento da linha Microbox da editora. Parece que a ideia é desenvolver várias linhas diferentes com base no tamanho dos jogos, algo que está se mostrando uma tendência lá fora e agora também aqui no Brasil. Acho que as pessoas gostam de guardar seus jogos numerados na estante. Ano passado, a Pensamento Coletivo começou com a linha Smallbox lançando Gunrunners, um jogo que saiu com excelente qualidade; e que nos faz esperar o mesmo de O Morcego Covarde. Digo isso porque a cópia que está comigo não é a versão final, apenas um protótipo para demonstração.




Os jogos japoneses em geral costumam ser bem simples, porém intrigantes. Eles costumam trabalhar com poucos elementos físicos e regras, mas que produzem como resultado jogos que colocam a sua mente para funcionar. Eu gosto muito dos jogos da Oink Games, já tive o prazer de jogar alguns outros, que também devem ser lançados em breve pela Pensamento Coletivo. Mesmo O Morcego Covarde sendo o mais simples de todos, talvez por esse o motivo tenha sido escolhido como primeiro lançamento, ele tem seus detalhes estratégicos significativos. O jogo possui o mesmo número de cartas de Mamífero, Pássaro e Morcego. Essa informação para alguns jogadores não vai passar despercebida.



Como funciona O Morcego Covarde? As cartas são embaralhadas e cada jogador recebe um mesmo número de cartas fechadas aleatoriamente. O critério de escolha do Primeiro Jogador é aquele que for o mais covarde. Isso pode ser polêmico ou já servir para começar as risadas em alguns grupos, ao levar cada um a expor suas pequenas vergonhas. Em uma mesa que o Felipe esteja participando, ele provavelmente será o sempre o Primeiro Jogador. Difícil encontrar algo no mesmo nível de ter pânico de lagartixas. Enfim, o Primeiro Jogador irá jogar uma carta, ela pode ser aberta ou fechada. Se escolher a segunda opção, ele pode blefar sobre o conteúdo da carta jogada. É obrigatório anunciar de que tipo ela é não importando se é verdade ou mentira. O jogo roda em sentido horário e todos os jogadores irão fazer o mesmo até chegar ao último. Nesse momento, todas as cartas são reveladas e será verificado os vencedores da rodada. As situações podem ser as seguintes:

1- Todas as cartas são do mesmo tipo - Simples, todos os jogadores vencem.


2- Dois tipos de cartas diferentes - Maioria vence, exceto se for Morcego.




3- Três tipos de cartas diferentes - Os Morcegos vencem junto com a maioria.



Observação: Em casos de empates, os Morcegos sempre perdem.

Os jogadores que ganham a rodada pegam a carta utilizada de volta e a colocam a sua frente na mesa, ela servem para contar o ponto conquistado, a soma de todas elas ao final determinará o vencedor do jogo. Já aqueles que perderam descartam a carta que foi utilizada naquela rodada. Um jogador mais atento, com o passar dos turnos, consegue ter uma ideia cada vez mais nítida do que cada jogador tem na mão, pois ele consegue contar o que já foi jogador e saber quantas cartas de cada tipo ainda estão em jogo. Então, a complexidade que o jogo pode chegar vai depender da mesa. Se o grupo gosta de contar as cartas e ficar fazendo cálculos de probabilidade, se é um grupo que gosta mais da manipulação do blefe para induzir os demais ao erro ou se é um grupo que só quer relaxar dando boas risadas com erros e acertos quase aleatórios. 

O jogo ainda possui algumas variantes para aumentar sua rejogabilidade e complexidade. Assim ele tem regras para utilização de mecânica de draft durante a rodada, cartas iguais para todos os jogadores e até mesmo um modo onde os Morcegos podem virar o jogo. Um quarto modo citado é desempate de jogo através da quantidade de Morcegos, mas isso eu não considero como variantes. É apenas uma regra de desempate necessária entre os competitivos brasileiros que não estão muito acostumados com dividir a vitória ou mesmo não haver vencedores, algo que ocorre em alguns jogos japoneses.

A arte do jogo é bem minimalista, uma outra característica da simplicidade dos japoneses na elaboração de seus jogos. As cartas de Mamíferos são vermelhas e as de Pássaro azuis, por isso temos os Morcegos em cartas da cor lilás, que é a mistura das anteriores. O fundo das cartas parecem tábulas tipo de galpão de fazenda pintadas nas respectivas cores. Os desenhos dos animais são apenas silhuetas, porém bastante variadas. Isso ajuda a quebrar uma possível monotonia da arte. Algumas pessoas mais bem humoradas ao invés de declarar Mamífero ou Pássaro gostam de dizer o animal em si, tipo Porco ou Galinha.


Quanto a qualidade, já tivemos uma boa amostra com o Gunrunners, como já havia mencionado acima, então temos boas expectativas. O jogo está num preço bastante acessível, um dos mais baratos sendo vendido atualmente no mercado nacional. Acho que a única editora com preços iguais ou até melhores é a Funbox, porém eles têm gráfica. Como já demostrei acima, é um jogo que acredito pode agradar desde o público mais "heavy gamer" até o pessoal "não gamer". Dá para jogar com os amigos de jogatina, enquanto espera completar uma mesa ou até mesmo uma montagem de setup. Dá para jogar com os amigos do trabalho, da faculdade ou de qualquer outro lugar. Dá até para puxar no churrascão de final de semana da família, não deixando de fora nem as crianças. O Morcego Covarde comporta até 7 jogadores, mas se o seu grupo for muito grande, basta comprar duas cópias. Medo de ficar caro? Que nada! O jogo custa R$35, então vai sair por apenas R$70. Que jogo atualmente no mercado nacional possui tão boa relação custo-benefício?