quinta-feira, 27 de julho de 2017

Guadalupeças em novo local


Calma, calma, ainda estamos firmes e fortes no Shopping Jardim Guadalupe. Na verdade, cada vez mais firmes e mais fortes, agora que recebemos um espaço exclusivo e totalmente pensado para acomodar o nosso evento. É a isso que o título do post se refere. Não estamos mais na praça de alimentação. Foi realmente incrível ver o nosso trabalho sendo reconhecido tão positivamente pela administração do shopping. Toda a ideia do espaço partiu deles. E vai ser um local que ficará disponível para quem quiser ir lá e jogar, não apenas para o Guadalupeças. É um espaço livre para jogos no meio de um shopping, em plena Zona Norte do RJ. 



Esta nossa primeira edição no espaço novo contou com diversas presenças especiais, pessoas e empresas que nos concederam seu apoio ao longo dos anos em que estamos promovendo o evento, nos ajudando a chegar até onde chegamos. Além, é claro. dos nossos frequentadores, sem neles nada do que fazemos teria o menor sentido. Tanto os apoiadores e quanto o público estão sempre em um processo de renovação, o que nos deixa bastante felizes, pois temos sempre presenças novas, mas sem perder algumas das mais antigas.


Uma das presenças novas que tivemos neste Guadalupeças foi a do Michael Alves da Arcano Games, que foi bem especial porque ele é do interior de São Paulo, e não é sempre que podemos ter alguém de outro estado. Ele veio ao Rio de Janeiro para o evento de lançamento do Anime Saga promovido aqui pelo blog na loja Game Of Boards e sendo no mesmo final de semana, aproveitou e nos concedeu o prazer da sua presença. 


A Arcano Games é uma editora criada bem recentemente pelo Michael para viabilizar a publicação de seus próprios jogos e tem colocado no mercado títulos que realmente merecem a atenção, por trazer jogos bastante criativos, que apresentam propostas inovadoras. O Anime Saga é o terceiro título lançado, um cardgame que além da temática já bem diferente, traz um sistema de gerenciamento das cartas que acredito seja algo inédito. Os outros jogos lançados pela Arcano Games são o Contária e o Zona Mágica. Confira mais sobre eles assistindo ao excelente vídeo produzido pelo Alan Farias.


Outras duas pessoas que estiveram pela primeira vez no nosso evento mostrando seus trabalhos para os nossos frequentadores foram o Renan Oliveira e a Valquíria Lima, ambos trabalham com arte e jogos e ficaram com suas mesas cheias durante todo o evento. Lembrando que o Guadalupeças está sempre de portas abertas para quem quiser playtestar seus jogos ou mostrar algum outro trabalho relacionado a área. 



Contamos também com a presença da Redbox Editora apresentando seus novos jogos: Ancient Terrible Thing e Kanagawa. Foi a primeira vez deles com a gente, inclusive com a participação do Antonio Pop, mas a nossa cópia de Red Dragon Inn foi cedida pela editora na época do lançamento e é um dos títulos mais jogados do evento. Engraçado é que só aprendi a jogar recentemente e o Felipe mesmo nunca jogou. Confesso que tinha um preconceito com o lore, mas é um jogo divertidíssimo. Depois de jogar foi que entendi o porquê de tanta popularidade.

Dois game designer nacionais que já tem um histórico de participação no Guadalupeças e que assinaram com para lançar jogos pela Redbox Editora recentemente também marcaram presença no evento, os queridíssimos Rodrigo Rego e Sanderson Virgolino. Duas verdadeiras máquinas de fazer bons jogos. Eu fiquei muito feliz quando vi que a Redbox Editora fechou com esses dois talentos. Os caras estão fazendo um ótimo trabalho de curadoria de jogos nacionais.



Ainda em comemoração ao novo espaço do evento realizamos o sorteio de alguns jogos:




Confira outras fotos do evento:




Confira também o vídeo que gravamos no evento:


Agradecemos a todos que compareceram a mais uma edição do Guadalupeças. Espero que tenham se divertido tanto quanto a gente e que possamos nos reencontrar no próximo mês. Em razão do Diversão Offline, o evento de agosto ocorrerá no quarto domingo, dia 27. Por último, mas não menos importante, nosso agradecimento especial ao Shopping Jardim Guadalupe por nos proporcionar um espaço tão bacana.

sábado, 22 de julho de 2017

Lançamento do Anime Saga na Game Of Boards


Ocorreu no último sábado, dia 15, o lançamento do Anime Saga, novo jogo da Arcano Games, na loja Game Of Boards, no RJ. Além da presença do autor, Michael Alves, que veio de SP nos prestigiar com sua presença; o evento ainda contou com o Maid Café Rainbow Cos&Café e distribuição/sorteio de brindes temáticos. Tudo para deixar os participantes no clima das famosas animações japonesas que serviram de inspiração para o jogo.


Chegando a ter até 5 mesas acontecendo simultaneamente, quase todas com o número máximo de jogadores, o Anime Saga recebeu avaliações bem positivas durante todo o evento. Algumas pessoas se mostraram bastante surpreendidas, acho que o tema diferente fez com que elas criassem expectativas erradas em relação ao jogo.


Eu achei a proposta do Anime Saga sensacional, pois trabalha com uma temática praticamente inexplorada, mesmo no mercado internacional. O máximo que temos visto são lançamentos que aproveitam o sucesso de alguma grande franquia, como a Cryptozoic fez recentemente com Shingeki no Kyojin (Attack on Titan).

Muito se fala sobre a necessidade de expandir o hobby e conquistar mais público, mas pouco ou nenhum esforço se faz efetivamente para atrair novos jogadores. Tudo o que é produzido é muito mais pensado em agradar a quem já é do meio. Evidentemente é um esforço bem mais arriscado investir em algo que fuja do padrão para tentar conquistar quem é de fora do nicho.


Portanto, acho muito admirável a coragem do Michael ao publicar um jogo que claramente visa conquistar novos jogadores. Saindo da zona de conforto que seria lançar algo com temática de fantasia medieval, por exemplo, o que levaria a uma aceitação muito mais tranquila. O público de animes já possui uma boa afinidade com cardgames através de grandes títulos como Pokemon e Yu-Gi-Oh. Assim sendo, por que não investir em oferecer opções de entrada no hobby que tenham uma maior afinidade com esse público?


Apesar de ser um jogo que busca conquistar novos jogadores, o Anime Saga é possui um conjunto de regras bastante consistente, oferecendo um bom nível estratégico. Ele funciona como uma espécie de semi-cooperativo, pois os desafios/inimigos são enfrentados coletivamente, porém cada jogador ganha uma quantidade de pontos correspondente a sua contribuição individual. 


Eu gostei muito do sistema de compra e devolução de cartas aberto em pilhas. É simples, mas bem inovador. Algo que já está virando uma marca do Michael enquanto game designer, vide o Contária com seu sistema de cartas dupla-face. É muito legal ver essa preocupação em trazer sempre algo novo, não apenas mais uma implementação da mecânica exatamente como já conhecemos.

Os personagens são bem distintos entre si, cada um apresentando habilidades únicas, sendo muito de sua força determinada pelas escolhas dos demais jogadores. Apesar de não possuir combate entre os jogadores, afinal todos fazem parte de um mesmo grupo de heróis tentando derrotar as mesmas ameaças, Anime Saga apresenta diversos mecanismos de interação.


O evento de lançamento do Anime Saga aqui no RJ foi organizado por nós aqui do Turno Extra. Foi a primeira vez que fizemos algo desse tipo, então espero que todos os presentes tenham curtido. A ideia de fazer o evento surgiu de maneira completamente espontânea devido ao quanto o jogo nos agradou. Agradecemos ao Michael Alves, aos meninos da Game Of Boards e ao pessoal do Maid Café Rainbow Cos&Café por terem nos apoiado.


Confira também o vídeo que gravamos no evento:



Nós aproveitamos a presença do Michael aqui no RJ e gravamos dois vídeos bem bacanas com ele: um de entrevista e um outro explicando o Anime Saga. Por isso, não deixe de fazer a inscrição lá no nosso canal no Youtube. E ainda deve rolar, em um futuro próximo, aquele post escrito super especial aqui no blog. Enfim, muito conteúdo de Anime Saga chegando por aí. 

Segue mais fotos do evento: 





quarta-feira, 21 de junho de 2017

Guadalupeças 4 anos


A edição deste mês do Guadalupeças foi especial, pois comemorou os 4 anos de realização do evento. Para celebrar junto com a gente, tivemos o prazer de contar com as presenças especiais de Romulo Marques, um dos game designers do Gekido, e do pessoal da Game Maker, que estão estabelecendo um novo padrão de qualidade para confecção de protótipos e PNPs.

Como sempre, também contamos com o apoio do Shopping Jardim Guadalupe que disponibiliza a área para a realização do evento. Chegamos ao local e o espaço já estava devidamente separado e sinalizado. Como sempre acreditando mais na presença do público do que nós mesmos, eles reservaram uma grande quantidade de mesas. O que para nossa satisfação se mostrou plenamente correto e não demorou para termos todos os lugares ocupados.


O Guadalupeças sempre foi um evento com uma forte pegada de atrair um público novato, muita gente que hoje é reconhecida como hardcore dentro do hobby deu os primeiros passos com a gente. Essa característica tem se tornado ainda mais marcante desde que o evento se estabeleceu no Shopping Jardim Guadalupe, um local que nos dá uma visibilidade muito maior do que a que tínhamos anteriormente. Já está sendo possível notar a presença recorrente de vários grupos que começaram a jogar com a gente e nunca antes tinham tido contato com jogos de tabuleiro modernos.


Eu acho que esse crescente potencial de abertura das portas do hobby para novos jogadores que o evento tem demonstrado possuir ao longo de seus anos de existência combina muito com outra característica que procuramos ativamente cultivar que é a presença dos protótipos. Assim como o blog sempre procura dar destaque ao game design nacional, o evento também segue essa orientação. Então, além de poder apresentar os jogos de tabuleiro modernos, nós também temos a gratificante oportunidades de mostrar que tem muita coisa boa sendo feita aqui no nosso país.


Neste sentido, foi incrível ter a presença do Romulo Marques conosco nesta edição do evento. Ele que acabou de ter um de seus jogos publicado pela CMON, uma das maiores editoras do mercado mundial. Nós acompanhamos a trajetória do Gekido desde o principio, quando foi lançada a primeira versão de forma bastante artesanal. Tem entrevista aqui no blog com o Fel Barros, responsável pela criação jogo junto com o Romulo, da época desse lançamento. Além disso, ainda temos vídeo de gameplay no nosso canal e post aqui blog. Na época rolou também especial da Ace Studios no evento, uma coisa que a gente fazia bastante e quero muito retomar, voltar a fazer as edições dedicadas a editoras/autores. 


O Romulo já tinha estado com a gente antes apresentando o Die die DIE, um jogo de destreza muito foda dele em parceria com o Cacá, conhecido pelo blog "E aí, tem jogo?", um dos mais antigos em atividade no hobby. Eu escrevi bastante sobre ele porque gostei demais do jogo, quem tiver curiosidade basta dar uma olhada no post, tem vídeo também. No Guadalupeças, além de jogar os lançamentos mais recentes, a galera ainda pode conhecer os jogos bem antes de serem publicados. Pelas últimas notícias que tivemos, o Die die DIE deve ser lançado pela Ace Studios em parceria com a Redbox Editora.

Agora falando um pouco do Gekido, que foi o único jogo que efetivamente tive oportunidade de jogar nesta edição do Guadalupeças, foi muito legal poder ver o quanto ele evoluiu sem perder a essência. O jogo continua sendo basicamente pressionar a sorte através da rolagem de dados para conseguir as melhores combinações para realizar ataques mais poderosos. Conforme o personagem vai tomando dano, ele vai ficando mais forte e destrancando novas habilidades, o que mantém o equilíbrio da disputa.


O grande ganho que eu vejo no trabalho realizado pela CMON no Gekido, além é claro de toda a fantástica parte visual, é a implementação da arena, transformando ele em um jogo para 4 jogadores. Originalmente, o jogo havia sido pensado para apenas 2 jogadores, o que fazia das miniaturas mero item decorativo. Essa nova versão apresenta miniaturas incríveis e que possuem uma participação real na mecânica do jogo. Todo o esquema de movimentação criado, a forma como os ataques precisam ser obrigatoriamente intercalados e as bonificações de terreno acrescentam uma camada estratégica muito bem-vinda ao jogo, sem aumentar demasiadamente a complexidade. 

O Gekido é um lançamento bastante recente da CMON e não há ainda nenhuma previsão para uma versão nacional. Tradicionalmente, quem costuma publicar os títulos da CMON no Brasil é a Galápagos Jogos e o jogo tem um apelo fantástico junto ao público alvo da editora, então acho que ele deve aparecer por aqui em breve, ainda mais sendo de autoria de dois brasileiros. Ou pelos menos, essa é a nossa torcida. 


Porém, enquanto o Gekido não chega por aqui, sempre será possível jogá-lo no Guadalupeças, tenho certeza que ele verá muita mesa no evento. Assim como foi nesta edição em que o Romulo ficou bastante ocupado explicando o jogo repetidas vezes para os mais diversos interessados. Aguardem que em breve teremos muito mais material sobre o Gekido tanto aqui no blog quanto no nosso canal no Youtube.

Falando um pouco sobre os amigos da Game Maker que também estiveram com a gente nesta edição. Foi a primeira vez deles participando do Guadalupeças e ficamos muito felizes por ver que eles saíram com a impressão tão positiva do nosso evento. Ás vezes, é preciso que alguém novo chegue e faça a gente enxergar aquilo que estamos fazendo de bom, onde estamos acertando e o que podemos fazer para melhorar. Obrigada pelas palavras gentis e pelos conselhos.

A Game Maker surgiu tem pouco tempo, mas já está estabelecendo um novo padrão de qualidade na confecção de protótipos e PNPs, com um serviço bastante acessível a todos os interessados, apresentando soluções que vem para facilitar a vida dentro de um segmento específico do hobby que sofria com uma demanda que não estava sendo devidamente atendida. 


A Game Maker não apenas oferece um serviço profissional de impressão gráfica como também tem cada vez mais diversificado seu portfólio com diversos produtos personalizados. No momento todo o trabalho de divulgação está concentrado no Facebook, mas já foi anunciado que em breve eles estarão com um site no ar e uma loja física para atender melhor o crescente público. E com certeza, teremos mais sobre a Game Maker tanto aqui no blog quanto no nosso canal no Youtube.

Este foi o nosso Guadalupeças comemorativo de 4 anos, espero que todos tenham se divertido tanto quanto nos divertimos organizando o evento. Nosso muito obrigado aos frequentadores pela presença, espero que possamos estar juntos novamente no mês que vem. Agradecemos mais uma vez ao Shopping Jardim Guadalupe pelo espaço cedido, ao Romulo Marques que tão gentilmente veio apresentar o Gekido para a galera e ao pessoal da Game Maker, espero que esse tenha sido o primeiro de muitos. 

Por último, mas não menos importante, fica aqui registrado o nosso agradecimento ao pessoal da loja Game Of Boards que mesmo não participando ativamente desta edição do evento, apoia tanto o canal Turno Extra quanto o evento Guadalupeças, nos possibilitando sempre diversificar a oferta de jogos disponibilizados.

Confira mais fotos dos jogos que rolaram no evento:







As fotos desta edição do evento foram tiradas por Jesiel Araújo, nosso novo parceiro na organização do evento.


quinta-feira, 11 de maio de 2017

Medievalia


Medievalia é o novo jogo do game designer Fel Barros, o terceiro título da linha de jogos pequenos da editora Ace Studios. Devo confessar que quando o protótipo chegou por aqui demorou um pouco para ver mesa porque não animou na leitura do manual. Eu não sou uma grande fã de Sapotagem e Encantados, os dois primeiros jogos da coleção. Eu achava que era por causa da pegada jogo de vaza, que isso não era para mim. Então, qual não foi a minha surpresa quando finalmente joguei e simplesmente não conseguia parar rodada atrás de rodada.


Em Medievalia, os jogadores devem jogar cartas cujo valor individual ou sua soma supere o jogado antes pelo oponente. Porém, apenas cartas iguais podem ser jogadas juntas, aí é que está o desafio do jogo. Se o jogador não tiver como superar o valor exigida na sua vez, ele pega todas as cartas da mesa, formando uma pilha que contará como um ponto negativo por carta presente nela. A rodada termina quando um jogador baixar sua última carta. Os jogadores começam a partida com seis cartas na mão e sempre devem repor para manter esse número.


Além das cartas numeradas de 1 a 13, o jogo também conta com três cartas especiais. O curinga pode ser jogado possuindo um valor entre 1 e 13 à escolha do jogador, é uma boa forma de conseguir números mais altos. Não há limite para a quantidade de cartas desse tipo que podem ser jogadas. A carta de pular a vez funciona tipo aquela brincadeira da batata quente, é bom segurar para usar na hora em que a mesa está bem cheia e os números altos. A última carta é a que permite além de pular inverter o sentido da mesa. Também é uma carta para guarda para os números altos, mas com o adicional que é maravilhosa quando o jogador anterior sobe muito o valor para te derrubar.




Se fosse só isso, Medievalia já seria um ótimo jogo, mas ainda tem mais. Ele vem com dois outros tipos de cartas que acrescentam variações de regras e pontuação. A cada rodada, essas cartas vão sendo substituídas, o que aumenta ainda mais a sua rejogabilidade. São 10 cartas de cada tipo, então calcula aí o número de variações possíveis entre elas. Elas são naquele formato mini e para serem devidamente organizadas, o jogo conta com um mini tabuleiro. Mas desta vez, diferente do Encantados, ele acomoda perfeitamente as cartas.


O material do jogo está bem caprichado, tanto em aparência quanto em qualidade. Apesar da versão jogada ser protótipo, ela é praticamente final, dando para ter uma boa noção do que esperar. A qualidade das cartas está bem boa e parece que cabe na caixa com sleeve de boas. Digo que parece porque não testei, minha observação é baseada no espaço sobrando na caixa. Eu gostei das cores e da arte também, além da diagramação bem limpa. Minha única crítica vai para carta Cuthulhu que ficou muito escura. O manual também é bem tranquilo de entender, pois além do jogo ser simples, ele está bem completo e organizado. Ele tem imagens, exemplos e clarificações sobre as chamadas cartas de torre, que são as mini cartas que trazem modificações diferentes a cada turno. Por último, mas não menos importante, revisão profissional de Bianca Melyna.


Medievalia está em pré-venda na Game of Boards por R$59,9 com previsão de entrega para agora em maio. Pelo que foi postado pela Ace Studios nas redes sociais, o jogo já está com eles para começar a distribuição nas lojas. Então, garanta o seu exemplar, porque vai ser sucesso com os amigos. É o jogo para manter sempre na mochila para qualquer ocasião.


Saiba mais sobre o jogo assistindo também ao vídeo que gravamos sobre ele:


Império vs Rebelião


Fazia tempo que eu queria escrever sobre Império vs Rebelião por aqui, porque acho que ele não recebe a atenção merecida por grande parte dos jogadores. É bastante comum encontrá-lo encalhado nas lojas e isso me dá uma certa tristeza. Eu considero que ele é um dos jogos para dois jogadores com o melhor custo-benefício disponível no mercado nacional. Além disso, se formos analisar em termos de temática, seu destaque é ainda maior, já que as demais opções que temos baseadas na famosa franquia de George Lucas possuem um valor bastante elevado, por se tratarem de colecionáveis altamente competitivos: X-Wing e Destiny.



Um ponto que acredito que prejudicou muito a recepção do jogo foi o fato dele ter sido lançado logo após o fraquíssimo Intrigas em Westeros, uma reimplementação bem caça-níquel de Penguin, um jogo infantil do Reiner Knizia. Ambos os jogos possuem o mesmo formato de caixa, são baseados em franquias extremamente populares e utilizam fotos de cenas das produções em vez de arte desenhada. Para completar, Império vs Rebelião também é uma reimplementação, mas que consegue ser muito mais bem-sucedida, pois Cold War: CIA vs KGB tem a mesma pegada de conflito estratégico entre facções.

Império vs Rebelião é um jogo de cartas bem simples e rápido, nele os jogadores disputam pontos em eventos, sendo o vencedor aquele que conseguir somar sete ou mais pontos. Os eventos determinam uma quantidade máxima de cartas que podem ser baixadas pelos jogadores e o somatório máximo a que elas podem atingir. A maioria deles também adiciona algum tipo de condição especial. O vencedor do evento vai ser o jogador que conseguir o chegar ao valor mais próximo do estipulado. A recompensa pela vitória, além dos pontos em si, costuma ser marcadores de influência.


Na sua vez, o jogador vai escolher uma das quatro ações possíveis: jogar uma carta, usar uma ação de carta, usar uma influência ou passar. Quando ambos os jogadores passam seguidamente é verificado então o resultado do evento. O interessante nesse jogo é que os jogadores não possuem uma mão de cartas, eles jogam diretamente do deck. Isso traz um fator sorte muito grande, que em um primeiro momento pode parecer ruim, mas é muito bem administrado pelas ações de cartas.

Para o limite de cartas do evento só são contadas aquelas que estiverem na vertical. Ao ter a sua ação utilizada, a carta é virada na horizontal. Porém, ela continua contribuindo para o somatório. Entretanto, tal número costuma ser menor, sendo mais uma forma de controlar o valor colocado pelos jogadores na disputa. Por último, o jogo ainda oferece a possibilidade de retornar uma carta para a posição vertical gastando uma influência. Isso permite que em um próximo turno a ação possa ser utilizada novamente ou o jogador pode escolher essa opção apenas para alterar a contribuição numérica da carta.


Quando chega o momento de determinar quem venceu o evento, os jogadores revelam suas cartas de estratégia. Elas são escolhidas secretamente pelos jogadores jogador logo após a revelação do evento. As cartas de estratégia podem alterar radicalmente o resultado da disputa. Elas são iguais para ambos os jogadores, então é mais um ponto para ficar atento em relação as atitudes do oponente, pois elas podem dar uma pista de qual estratégia foi escolhida. Além disso, as estratégias não podem ser repetidas, então ao passar dos turnos as opções vão ficando reduzidas. Apenas que quando todas elas já foram utilizadas é que vão voltar a ficar disponíveis.


Império vs Rebelião é um jogo que apesar de simples possui diversos detalhes nas regras que lhe fornecem um bom fator estratégico sem torná-lo excessivamente denso, ao menos tempo que consegue passar o clima certo do universo Star Wars. Ele é bastante acessível para novos jogadores, não apenas por sua facilidade de aprendizagem, mas também pelo seu valor de R$49,9. Jogos realmente baratos e bons não são fáceis de encontrar, então considero que temos uma boa opção tanto para jogadores antigos quantos para os mais novos.

Confira mais sobre o jogo assistindo ao nosso vídeo: 


terça-feira, 25 de abril de 2017

Entrevista com o game designer Antoine Bauza


Antoine Bauza é certamente um dos game designers mais populares da atualidade. Seus jogos de maior sucesso foram lançados aqui no Brasil pela Galápagos Jogos, respectivamente: Hanabi, 7 Wonders, Takenoko, Tokaido e 7 Wonders Duel. Algo que sempre me chamou atenção no trabalho do autor francês é a sua versatilidade, como ele consegue a cada novo título apresentar propostas completamente diferentes. Além disso, como fã de cultura japonesa, não pude deixar de notar sua utilização recorrente como tema. 

Quando a Bianca Melyna me procurou para oferecer a publicação da entrevista aqui no blog, e ainda com a possibilidade de adicionar perguntas, eu fiquei bem feliz. Não tive muito o que acrescentar, pois ela já havia feito um trabalho primoroso, mas aproveitei esclarecer minha curiosidade sobre a relação do Bauza com o Japão e também o processo de desenvolvimento de Attack On Titan: The Last Stand, adaptação de um dos animes de maior sucesso dos últimos anos, que deve chegar pela Cryptozoic Entertainment na metade deste ano.



1. Para começar: você é formado em Química e Informática e possui um mestrado em Games. Como foi essa transição dos videogames para os jogos de tabuleiro?

R: Eu cresci nos anos 1980. Meu sonho de minha infância era criar jogos para videogames. Estudei Ciências, especificamente Informática, para depois trabalhar na indústria de videogames. Infelizmente, as vagas para criação são raras e preciosas. Eu preferi me voltar para os jogos de tabuleiros, que você pode conceber sozinho no seu canto. No entanto, continuo a jogar videogame com frequência, para me divertir...

2. Aqui no Brasil, os game designers enfrentam muitas dificuldades para entrar no mercado de jogos. Gostaria de saber como funciona na França, com que tipo de enfrentamentos você se deparou para publicar seu primeiro jogo (Chabyrinthe, 2007, Cocktail Games)?

R: Quando eu comecei, os jogos de tabuleiro não eram tão difundidos quanto são hoje.  Os autores eram pouco numerosos e era muito mais fácil conseguir uma reunião com uma editora para mostrar seu protótipo. Hoje, existem dezenas de autores que gostariam de ter seu jogo publicado, é mais difícil  encontrar  um  espacinho...

3. Como funciona seu processo criativo? Você costuma pensar primeiro no tema ou na mecânica?

R: Geralmente eu quero contar uma história. Com essa história vem naturalmente um tema e, para contá-la, eu preciso de mecânicas, ou seja, de ferramentas narrativas. Eu posso precisar de muito tempo para pensar em um jogo (1, 2 ou 3 anos antes de passar para o protótipo). A partir do momento em que eu tenho meu primeiro protótipo, eu encadeio as partes, primeiro com um grupo de playtesters regulares, depois com um máximo de jogadores diferentes para coletar um bom número de feedbacks. 


4. E quando o processo de criação se dá a 4 mãos, como costuma funcionar?

R: Isso depende muito da pessoa com quem eu trabalho, mas, normalmente, eu sou o mais dedicado à coerência narrativa, para que as mecânicas apresentadas sejam lógicas em relação à história que o jogo está tentando contar. Eu também passo muito tempo pensando sobre a iconografia, a apresentação dos elementos do jogo, tudo o que se relaciona com a ergonomia visual.

5. Você costuma participar dos playtests ou prefere apenas observar as partidas?

R: Sempre participo dos testes nas primeiras fases do desenvolvimento, é essencial jogar e sentir o que acontece na mesa. Nas últimas fases do desenvolvimento, coloco-me como observador a fim de detectar pontos conflitantes encontrados pelos jogadores. O objetivo é, claro, reduzir ao mínimo a sua resistência para que o jogo seja o mais acessível possível.


6. Você segue alguma metodologia na fase de testes para buscar balanceamento em seus jogos?

R: O único método que eu utilizo é testar, testar, testar. Eu tomo notas sobre o desenvolvimento da partida, as pontuações, os feedbacks dos jogadores, modifico e testo novamente, uma e outra vez.

7. Qual título te trouxe mais satisfação pessoal ao criar?

R: Difícil fazer uma classificação. Cada projeto conta uma história única. A satisfação vem quando um jogo está completamente finalizado e vai para impressão.

8. Depois da etapa de testes, com os jogos já produzidos, você costuma continuar jogando seus próprios jogos? Qual o seu preferido?

R: Uma vez que um jogo é finalizado, eu não jogo mais (a menos que eu tenho que trabalhar em uma expansão, claro). É mais ou menos como um quebra-cabeça: uma vez que é terminado, que todas as peças estão no lugar, eu passo à outra coisa,  sem olhar para trás.

9. Como game designer, sempre há aquele jogo que a gente joga e pensa “como eu gostaria de ter criado esse jogo”. Existe algum jogo que te desperte esse sentimento? Por que ele provoca sua admiração?

R: Jogos que exigem muito trabalho provocam minha admiração, provavelmente porque eu sou um pouco preguiçoso e porque o volume de trabalho me assusta um pouco. Mesmo assim, eu pretendo criar um, um dia...  Os jogos com o sistema Legacy (Rob Daviau) constituem o melhor exemplo...

10. Falando um pouco sobre um de seus jogos de maior sucesso, 7 Wonders (2010, Repos Production). Como surgiu a ideia de não utilizar recursos físicos no jogo, mas representá-los nas cartas? Isso teve alguma razão específica, como deixar o jogo com número de componentes reduzido?

R: Eu queria fazer um jogo rápido, de construção e set collection, que fosse jogado por muitos, sem downtime. A mecânica de draft encaixou perfeitamente nesse desejo. A materialização de recursos pelas cartas já era uma ideia antiga (que pode ser encontrada, por exemplo, em Magic: The Gathering e seus terrenos produtores de mana).


11.  Aliás, falando nesse assunto, esse é um aspecto que você costuma pesar quando está criando um jogo, ou a quantidade de componentes não costuma ser uma questão a ser pensada pelo autor, mas pela editora?

R: Os componentes são o elemento principal  na experiência de jogo. Eu presto muita atenção nisso. Eu penso sobre a forma dos diferentes marcadores, no formato das cartas e tabuleiros, nas cores e símbolos que eu utilizo. Muitas vezes, reduzimos um jogo injustamente a uma mecânica, mas trata-se de um conjunto muito mais refinado e rico do que isso.

12.  Voltando a falar sobre o 7 Wonders, em 2015 tivemos o lançamento do 7 Wonders Duel (Repos Production), que chegou este ano ao Brasil (2017, Galápagos Jogos). O que te motivou a criar uma versão 1 vs. 1 do jogo, considerando que já havia uma variante para dois jogadores no 7 Wonders de 2010?

R: Durante as inúmeras sessões de dedicatórias de 7 Wonders, várias pessoas se aproximaram e me confessaram que adoraram o jogo, mas que não jogavam a dois (geralmente com seu companheiro (a)). Essa revelação me deixou um pouco contrariado, pois se 7 Wonders propõe uma variante para jogar a dois, ele é, antes de tudo, um jogo concebido para mais jogadores. Foi daí que veio a ideia de fazer um 7 Wonders específico para 2 jogadores.


13. A maioria dos seus jogos podem ser caracterizados como jogos family, mas em 2016 tivemos o lançamento do Conan (Monolith), que por ser um jogo de miniaturas baseado em cenários, possui um público um pouco mais específico. Como foi a sua participação nesse projeto?

R: Frédéric Henry, autor do Conan, é um amigo. Conan é uma licença que eu aprecio e eu tive a oportunidade de testar o protótipo bastante cedo em seu desenvolvimento. Quando Frédéric me propôs (bem como a Ludovic Maublanc) de trabalhar em uma expansão para o jogo, eu disse que sim rapidamente...

14.  Você tem vários jogos com temática japonesa (Takenoko, Tokaido, Samurai Spirit…). Qual a sua relação com essa cultura? Tem planos para mais jogos relacionados?

R: Eu tenho atração pelo Japão e sua cultura desde a minha adolescência. Então, é natural que muitas das minhas criações tenham se alimentado do folclore do país do sol nascente. No entanto, estou tentando deixar o Japão em paz nos meus últimos projetos recentes... mas até quando?

15. Como foi o convite para trabalhar com Attack On Titan: The Last Stand (Cryptozoic Entertainment)? O que você poderia nos contar sobre o processo de desenvolvimento desse jogo? Você já conhecia o mangá/anime antes de entrar nesse projeto?

R: O projeto é iniciativa de Cédric Littardi, gerente da Don't Panic Game. Ele se aproximou da gente (de Ludovic Maublanc e de mim) para criar um jogo baseado na licença do mangá epônimo. E nós dois, como fãs do mangá, aceitamos o desafio!



16. Você tem conhecimento sobre os jogos que são produzidos no Japão? Caso positivo, qual a sua opinião sobre o estilo japonês de game design?

R: Eu vou ao Japão todos os anos, especialmente ao Tokyo Game Market, para descobrir novidades e encontrar jogadores, autores e editoras japonesas. Gosto muito dos jogos minimalistas que eles conseguem criar. É tão complicado fazer o simples...

17. Você tem conhecimento sobre os jogos que são produzidos no Brasil? Caso positivo, conte um pouco sobre como foi essa experiência.

R: Na verdade, não. É um país que eu não conheço. Só sei que os jogos de tabuleiro estão se desenvolvendo aí, como em muitos países. Preciso planejar uma viagem para o Brasil em um futuro próximo!
  
Entrevista: Bianca Melyna
Tradução e versão: Bianca Melyna


Confira também o vídeo que gravamos comentando sobre os principais títulos do autor francês: