quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Guadalupeças


Domingo tivemos uma edição um tanto quanto atípica do Guadalupeças, ocorreram alguns problemas que atrapalharam um pouco o bom andamento do evento. Em virtude disso, não pude me comprometer em jogos novos ou longos. Por isso, peço desculpas ao rapaz que estava lá com um protótipo e me convidou para experimentar, mas tive que declinar por não estar em condições de dar o tempo e atenção necessários. Espero poder compensar em uma outra oportunidade. Peço desculpas também por não lembrar os nomes nem do jogo, nem do autor.

Pelo menos a foto, eu consegui tirar.

Como eu precisava jogar algo rápido e de preferência que eu já soubesse a regra, acabei caindo no Ascension. Eu já havia jogado antes para conhecer e ver se valia a pena pegar porque eu já tinha o DC Comics Deck-Building Game. Minha conclusão foi que o jogo é genérico demais e não oferece nenhum diferencial que justifique sua presença na minha ludoteca. Mas é uma boa opção de compra aqui no Brasil para quem não tem nenhum jogo do gênero, acho melhor do que Dominion e se não me engano ainda é mais barato.

Joguei três partidas seguidas de Ascension, ele é bem agradável de jogar porque é bem rápido. Não é possível guardar cartas de um turno para o outro, independente de terem sido utilizadas ou não, todas vão para o descarte no final da vez do jogador. Isso faz o jogo ficar muito dinâmico e quanto mais você conhece as cartas, mais rápido faz suas jogadas e mais tem vontade de jogar, seja para tentar novas combinações ou corrigir falhas só percebidas posteriormente.

Eu joguei com o Heitor, um amigo de algum tempo já, que ficou um pouco sumido do universo do hobby, mas agora está de volta. Ele é um grande fã de cardgames, em especial essa mecânica de construção de deck. Ele ainda não conhecia o Ascension, mas já havia jogado bastante Dominion. Foi uma vitória para cada lado nas duas primeiras e na terceira foi uma vitória fácil dele. 

Então, fui apresentar para ele o DC Comics Deck-Building Game. Jogamos apenas uma partida, mas a opinião dele foi a mesma que a minha, e lamentou que só seja possível comprar o jogo através de importação. DC Comics Deck-Building Game deve ser o jogo que mais viu mesa esse ano e todos para quem apresentei sempre gostaram muito, tanto é assim que sempre rola várias mesas dele ao longo do dia no evento. Confira o nosso post completo sobre ele.

Um dos jogos mais jogados do evento. 

Depois foi a vez dele me apresentar um jogo novo. Rise To Power é um dos futuros lançamentos da Pensamento Coletivo no Brasil divulgados no Diversão Offline. Eu confio bastante nos gostos do Filipe Cunha, pois são muito parecidos com os meus, então sempre que eles anunciam novidade quero logo experimentar. E eu já tinha gostado bastante do jogo visualmente. Ele tem uma arte futurista que me remete a Race For The Galaxy.

Rise To Power é um jogo de construção de cidade que lembra Citadels, mas sem durar uma eternidade, porque aqui ninguém pode destruir suas construções, e também sem os papéis, apesar de que parece que eles existem em expansão. Mas o objetivo é construir um determinado número de construções, quando isso acontece o fim da partida é disparado e os demais jogadores têm mais um turno para tentar aumentar suas pontuações. 

As cartas são dupla face, de um lado temos os contratos e do outro as construções em si. O jogador pega o contrato e precisa pagar do valor em dinheiro especificado da sua mesma cor para virar para construção. Mas o lado do contrato possui ações muito boas, se o jogador optar por usar a ação, a carta vira para construção e vai para uma área aberta onde o próximo jogador pode pegá-la sem custo. Isso, entre outras coisas, torna Rise To Power um jogo de decisões difíceis. 

Visão geral do jogo.

Ele não tem regras complicadas, mas possui uma certa curva de aprendizagem. A primeira partida é só para pegar as regras mesmo, até porque o design e a iconografia geram um estranhamento inicial que precisa ser rompido. Escrevi bem superficialmente aqui porque pretendo fazer um post completo só sobre ele em breve. Rise To Power despertou em mim aquela vontade de jogar repetidas vezes para entender as suas regras e possibilidades estratégicas.

Como eu já disse no início, esse foi um Guadalupeças um pouco atípico por uma série de problemas que tivemos, isso acabou afetando também o registro fotográfico do evento. Como só eu estava tirando fotos, e quando sento para jogar acabo por esquecer de fazê-lo, acabamos com uma quantidade bem limitada, e nenhuma das partidas que participei, Preciso aprender a ficar mais atenta a isso e também tirar fotos de mim mesma quando jogo. Mas segue abaixo, algumas mesas que consegui fotografar.

Galera adorou jogar Vudu. Foi o sucesso dessa edição do evento.

Pessoal montando Cazadores de Fósiles, um jogo mexicano sobre o qual em breve vai rolar post aqui.

E é claro que não poderia faltar o Rock N Roll Manager.

Agradecemos a todos pela presença e esperamos revê-los no mês que vem. Curtam as páginas do Guadalupeças e do Turno Extra no Facebook para acompanhar todas as novidades. Estamos com uma parceria com a Bravo Jogos, compre com desconto utilizando o código TURNOEXTRA. E a nossa loja parceira aqui no RJ, a Game Of Boards, vai inaugurar sua primeira unidade física no próximo sábado com muitas promoções e descontos. Estaremos lá, apareça para conhecer a loja e também jogar com a gente. Com certeza será uma tarde muito divertida. 


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Rock N Roll Manager


Rock N Roll Manager é sem nenhuma sombra de dúvida um dos melhores lançamentos nacionais do ano, dividindo o posto apenas com o "arrasa-quarteirões" Space Cantina, pelo menos até o momento. A Conclave Editora foi bastante ousada ao optar por um lançamento direto ao público, algo que infelizmente ainda é pouco comum no nosso mercado. Admiro muito o trabalho desta editora mineira que, na minha opinião, tem se destacado com ações que a colocam sempre um passo a frente da concorrência. Trilhando caminhos alternativos, mas com o cuidado aprendido com  os longos anos de experiência. Isso passa credibilidade ao produto apresentado.

Jogo montado com setup para duas pessoas.

Sendo o primeiro investimento em jogo nacional feito pela Conclave Editora, não levei em consideração aqui o Midgard por ser de autoria do próprio Cristiano Cuty, desde o fechamento do contrato até o lançamento em si tivemos um processo que levou mais de um ano. Um tempo longo se considerarmos o quão sólido já estava o protótipo em termos de regras, tanto que as mudanças apresentadas no produto final foram mínimas, apenas ajustes finos

O grande trabalho da Conclave Editora foi na parte de arte e diagramação, além disso é perceptível o capricho nos componentes (a qualidade das cartas está absurdamente boa). O resultado final foi um produto que não fica devendo nada para nenhum jogo gringo. Algumas contribuições de destaque que ajudaram a enriquecer ainda mais esse produto que já era incrível foram: os workers no formato da famosa "mão chifrada", o dinheiro no formato de palhetas, as paródias de bandas clássicas e as pequenas modificações no tabuleiro que o tornaram ainda mais funcional.

Muito boa a ideia dos workers em formado de "mão chifrada".

O dinheiro em formato de palheta foi outra ótima sacada. 

O Rock N Roll Manager é um Euro leve-médio com regras bastante intuitivas e fluidas, usando uma das mecânicas mais queridas e clássicas - Work Placement, e um tema muito bem encaixado, além de altamente atrativo. Considero um bom gateway para apresentar o estilo a novos jogadores, mas sem deixar de lado a profundidade estratégica para os jogadores mais experientes. O tempo de duração das partidas também é um bom fator, pois dificilmente passa de duas horas, mesmo contando com a explicação. A quantidade de componentes é bem tranquila, o que torna fácil montar e guardar depois, tudo fica perfeitamente acomodado dentro da caixa. Além de rodar muito bem com qualquer quantidade de jogadores.

As cinco bandas disponíveis no jogo.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Meu primeiro contato com Rock N Roll Manager foi no primeiro semestre de 2014 em uma edição do Guadalupeças. Gostei muito do jogo porque ele unia duas coisas que gosto muito, Rock e Work Placement, de uma maneira simples e bem integrada. O tempo de partida relativamente rápido para o tipo de jogo que era também foi algo que considerei bem positivo. Além disso é um jogo que apesar de apertado, não chega ao nível frustrante de não conseguir fazer nada ou só começar a fazer as coisas já no final. Eu gosto dos chamados "jogos de cobertor curto", um dos meus Euros favoritos é Agricola. Porém, é bom ter opções para sentar e relaxar, administrando com mais tranquilidade seja lá o que for. Um jogo que me passa muito isso é Myrmes, Eu achei o Rock N Roll Manager mais próximo da paz de Myrmes do que do desespero de Agricola, guardadas as devidas proporções, pois ambos são jogos mais complexos.

Meu primeiro contato com o jogo.

Enfim, no segundo semestre de 2014, fizemos uma edição do Guadalupeças especial com a Conclave Editora. Era uma prática bastante comum que tínhamos e quero muito trazer de volta, especiais temáticos ou com editoras específicas. Neste dia, o Leandro estava novamente no evento e foi assim que o Cristiano e o Kleber conheceram o Rock N Roll Manager. Por menor que tenha sido a minha participação nesta história de sucesso, não posso deixar de expressar o orgulho que sinto por isso. Claro que eles poderiam ter se encontrado em qualquer outro evento, o crédito é todo do Leandro Pires pelo excelente trabalho como game designer e dos caras da Conclave Editora que tiveram visão para reconhecer o valor do material  que estava diante deles.

Primeiro contato da Conclave Editora com o jogo.

Depois disso, foi só a ansiedade de aguardar o lançamento do jogo. No post de retrospectiva de 2014, eu escrevi que o Rock N Roll Manager era um dos melhores protótipos que eu tinha jogado no ano e que tinha grande expectativa de vê-lo lançado em 2015. Nem lembro se na época eu já sabia que estava fechado com a Conclave Editora, acredito que não. Tudo aconteceu em dezembro, com poucos dias de intervalo, acho que eles nem tinham como ter negociado nada mais sério.

Em 2015, fiquei no processo de perturbar o Cristiano e o Leandro para saber novidades. As coisas pareciam estar andando devagar e a Conclave Editora estava envolvida em tantos projetos grandes. Eu lembro que soltaram a arte de capa e depois mais nada por meses. Quando chegaram com o protótipo no Diversão Offline fiquei bem feliz, o projeto estava andando. Ainda assim, entrei 2016 perturbando tanto designer quanto editora por mais informações. Nesse meio tempo, o Leandro me deixou ler o manual. A notícia do lançamento no Diversão Offline foi maravilhosa, mais uma vez a Conclave Editora acertando muito. Como pude ter dúvida do trabalho deles?

Diversão Offline 2015.

Diversão Offline 2016.

Antes do lançamento, eu ainda peguei a versão quase final do jogo. A ideia era fazer um vídeo de gameplay, o que infelizmente acabou não rolando. Usamos ele no nosso vídeo pré-evento para tentar passar uma ideia do que era o jogo. O que a Conclave Editora fez no Diversão Offline na verdade foi uma espécie de pré-lançamento com uma quantidade limitada de cópias, agora que o jogo está chegando as lojas de todo o Brasil. Eu gostei bastante disso por várias razões: valorizou o produto, prestigiou o evento e deu visibilidade para o game design nacional.

Leandro Pires, o feliz game designer do Rock N Roll Manager.

O JOGO

Este post está sendo quase como um álbum do Dream Theater, mas eu não tinha como simplesmente escrever sobre o jogo sem colocar todas as outras questões, Por isso mesmo, resolvi fazer o texto com divisões para quem quiser ir direto ao que interessa. Acho que vou fazer isso com tudo o que escrever de agora em diante, meus posts têm essa tendência de serem bem grandes, isso vai facilitar a leitura e a identificação mais rápida das informações.

Como eu já disse mais acima, Rock N Roll Manager é um Euro leve-médio cujo o tema é administração de banda de rock e a mecânica principal é o Work Placement. Com regras bem intuitivas e fluidas, acho um bom gateway para jogadores novatos no estilo. Cada jogador possui um tabuleiro individual que representa a sua banda e no tabuleiro principal temos as ações possíveis do jogo, em uma notável ordem lógica: Loja, Ensaio, Estúdio, Mídia e Shows.

Uma visão do geral do tabuleiro ainda vazio.

O jogo possui 9 turnos divididos em 3 temporadas, ao fim de cada uma delas, temos um evento extraordinário que é o Festival, algo que é verdadeiramente significativo no mundo do Rock. Além disso, nós temos as trilhas interligadas de Fama e Talento, importantes no gasto e ganho de dinheiro por causa da Parada de Sucesso. Mais Talento aumenta a Fama, porque aumenta o valor de seus álbuns lançados, porém também faz a banda ter um custo de manutenção maior. Essa é uma parte sensacional do jogo que vou detalhar mais abaixo.

Vamos ao funcionamento do Rock N Roll Manager, cada jogador possui três workers que serão posicionados alternadamente. A ordem inicial é feita através de sorteio. O primeiro jogador começa com $10, o segundo com $12 e assim sucessivamente, sempre aumentando em 2 o valor. Cada tabuleiro de banda tem uma formação inicial impressa, os jogadores escolhem dois tokens de instrumentos adicionais dos tipos mostrados para começar, porém precisam ser do primeiro nível. Toda banda possui um instrumento começando no segundo nível. As fichas extras não são adicionadas diretamente ao tabuleiro da banda, ficando do lado de fora.

Tabuleiro individual no início do jogo.

Anteriormente, não haviam essas fichas extras e nem a formação inicial fixa. Isso fazia com que os jogadores corressem obrigatoriamente para a ação de Loja e tornava o jogo mais lento e truncado. Essa modificação além de promover maior adequação temática como será explicado mais abaixo, também deu mais fluidez ao jogo por aumentar a liberdade de escolhas.

Vamos ao detalhamento de cada uma das ações possíveis em Rock N Roll Manager:

- LOJA

Essa é uma das principais ações do jogo e a que tem mais detalhes de regras. Cada tipo de instrumento possui duas tonalidades diferentes e cada linha da loja contando de cima para baixo um valor de custo crescente, conforme a tabela da temporada. O jogador pode comprar até três instrumentos, sendo que fichas coringas e instrumentos 2X valem como 2 fichas comuns. Os jogadores só podem comprar da linha no qual o worker foi posicionado. Porém, existe um espaço de alocação mais abaixo que permite comprar de qualquer linha, entretanto essa compra vai ser feita pelo preço mais alto da tabela e por último. No manual, essa opção é tratada como uma variante. Mas como aprendi o jogo já com ela, acabo sempre utilizando dessa forma e ensinando isso como parte da regra regular.

Os diferentes tipos de tokens de instrumentos do jogo.

Workers posicionados na Loja.

Worker alocado no espaço extra

O preenchimento da Loja não muda independente do número de jogadores, o que me deixou um pouco confusa por causa da última linha que vem indicando utilizando apenas com 4/5 jogadores. Não me pareceu a princípio fazer sentido preencher uma linha que não será utilizada. Porém, as fichas restante da primeira linha são retiradas e as demais deslocadas para cima, ficando assim mais baratas. Portanto, temos um mercado futuro que fica ainda mais proeminente na partida com 2/3 jogadores. Para completar, ocorreu um erro de diagramação que mostra 5 linhas preenchidas, quando na verdade essa quinta linha não existe, é só um espaço extra de alocação como explicado no parágrafo anterior.
Os tokens restantes sobem e os espaços vazios são completados por novos instrumentos.

- ENSAIO

A ação de Ensaio serve para o jogador posicionar as fichas compradas na ação de Loja. Ele pode colocar até 4 fichas de um único instrumento a sua escolha, respeitando a tonalidade previamente determinada. O limite de evolução de um instrumento é o nível 5, porém os níveis 3 e 4 exigem a sobreposição de duas fichas de instrumento ou então o uso da ficha especial 2X. Sempre que houver um avanço de nível deve ocorrer o ajuste correspondente na trilha de Talento. Existe uma linha em branco no tabuleiro da banda, para caso o jogador queira adicionar um instrumento extra.

Baterista rockstar.

Como já dito anteriormente, cada banda já vem com uma formação padrão, o instrumento dessa inicial que já vem com nível 2 homenageia em que a banda parodiada se destaca. Achei bacana a preocupação com esse tipo de pequeno detalhe. A escolha das bandas foi muito boa, cada banda com destaque em um instrumento específico, só os grandes clássicos. Ficou uma parada tipo "dream team". E ainda teve homenagem a nossa maior banda nacional. Só achei que poderia ter mais bandas, o número é certinho para a quantidade de jogadores. Fica aí aquela sugestão para uma futura expansão. Senti falta de Twisted Sister por motivos de I Wanna Rock. XD

Minhas bandas favoritas.

- ESTÚDIO

Uma ação bem importante no jogo é a gravação de álbuns, pois são fonte de Fama e Dinheiro. Quanto maior a posição na trilha de Talento, melhor colocado o álbum entra na Hit Parade, que eu realmente não entendo porque tem esse nome. Por que não Parada de Sucesso? O interessante aqui é que os álbuns são por temporada, dois para cada uma delas. Se não for lançado na temporada correta fica completamente inutilizado. Um álbum rende pontos de Fama apenas no momento de seu lançamento, apenas a renda em dinheiro é contínua. Entretanto, todo fim de turno os álbuns descem uma posição na Parada e sofrem uma diminuição de valor até chegarem a zero. Aqui ocorreu outra modificação interessante, pois anteriormente os álbuns eram descartados. Assim ficou mais suave.

Conseguir lançar todos os álbuns e mantê-los bem colocados é importante.

- MÍDIA

Essa ação permite escolher entre 3 opções diferentes: pegar o primeiro jogador e aumentar em 1 posição o valor de 1 dos seus álbuns na Parada de Sucessos, avançar um ponto nas trilhas de Fama e Talento ou receber dinheiro de acordo com a temporada ($7 / $10 / $15). Uma malandragem dessa ação especificamente é colocar seu worker no último espaço disponível, se o objetivo for pegar o lugar de primeiro jogador na ordem do turno. Particularmente, não me preocupo muito com isso não, meu objetivo é mais subir os álbuns na Parada de Sucesso para ganhar mais dinheiro.

- SHOWS

Aqui não tem muita disputa, o worker é alocado no show específico que o jogador deseja fazer. Diferente dos Festivais, os Shows não possuem nenhum tipo de pré-requisito. O jogador simplesmente ganha a recompensa mostrada na carta e pronto. Elas também vêm com símbolos geométricos que simbolizam os cinco diferentes continentes. O jogador que conseguir fazer esse pequeno Set Collection ganha um bônus de pontuação (Fama) no final da partida. Afinal, se a banda se apresentou em todos os continentes, ela é bem famosa. Sobrando cartas de show não realizados no final do turno, elas são descartadas e substituídas por novas. Essa é uma parte que ficou um pouco confusa no manual. Isso é explicado na parte de Manutenção que acabou ficando misturada a algumas outras questões relacionadas com a Mudança de Temporada. Era algo que deveria ter sido reforçado na parte específica que trata de Shows.

Exemplo de shows disponíveis na primeira temporada.

Shows em todos os continentes durante as três temporadas do jogo.

- PAGAMENTOS E EMPRÉSTIMOS

Depois de resolvidas todas as cinco ações do tabuleiro, é hora de fazer a contabilidade da sua banda. Verificar quanto ela arrecadou com os álbuns lançados e quanto precisará pagar de custos operacionais, o que é determinado pelo seu nível na trilha de Fama. Na falta de dinheiro o jogador recebe uma ficha de empréstimo de valor $10, ele também pode solicitá-la a qualquer momento da partida, porém não faz muito sentido pegar empréstimo quando se tem dinheiro em caixa. Empréstimos geram cobrança de $1 por turno e podem ser quitados a qualquer momento. Terminar a partida sem pagá-los acarreta na perda de pontos de Fama.

- FESTIVAIS

Eles ocorrem no final de cada temporada, após a fase de Pagamento. Existe uma variante que sugere fazê-los antes porque assim aumentaria os custos pagos pela banda dificultando mais o jogo. Ainda não experimentei jogar dessa forma. Em cada temporada, são resolvidas duas cartas de Festival, na primeira ambas ficam abertas, nas demais apenas as do lado esquerdo, ficando aquelas a direita como surpresas. Outro ponto que o manual falha na clareza da explicação.

Rock In Rio ou Tuska Open Air? XD

Para vencer um Festival, a banda precisa ter o maior nível somado dos instrumentos solicitados na carta. A ideia é com isso representar os anseios dos diferentes públicos. Só achei pequena a quantidade de cartas de Festival. Em caso de empate, ambos levam a pontuação de Fama do Festival. Porém, não a carta, que pode ser importante no final por se tratar de um critério de desempate, na verdade o único.

Após o último Festival da terceira temporada é hora de fazer a pontuação final, que foi colocada de uma maneira muito clara no tabuleiro de cada banda, para que os jogadores possam jogar saber o que dará ponto ou não no final e assim escolherem seus caminhos em busca dos pontos de Fama, que são o grande objetivo do jogo.

- OBJETIVOS

O jogo possui uma área de Objetivos aleatórios, sorteados no momento da montagem do Setup, que dão 5 pontos de Fama quando completados. Reivindicar Objetivo é uma ação livre que pode ser realizada a qualquer momento em que o jogador perceber que conseguiu cumpri-lo. É apenas um algo a mais no jogo para oferecer mais uma possibilidade para ganhar mais Fama.

Todos os Objetivos disponíveis no jogo.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Rock N Roll Manager é um jogo que consegue cumprir o que se propõe com regras simples que trabalham muito bem em prol do tema. Ele oferece sim boas opções estratégicas, mas nada que exija uma grande curva de aprendizado. O manual deixa a desejar em alguns pontos, mas não chega a ser ruim e dá conta de explicar bem o jogo. As regras intuitivas fazem com que depois de uma ou duas leituras iniciais só seja necessário consultá-lo para esclarecer questões muito pontuais. Digo isso por experiência própria, passei mais de um ano sem jogar e quando peguei novamente senti uma profunda familiaridade. Quanto aos componentes, a Conclave Editora fez um ótimo trabalho. Por seu tamanho e qualidade, acredito que o jogo saiu por um preço justo, cerca de R$220.  

Confira também as nossas opiniões sobre o jogo assistindo o vídeo abaixo:


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Guadalupeças



No último domingo ocorreu mais uma edição do nosso querido Guadalupeças. Ele foi realizado uma semana depois do habitual em razão do conflito de data com o Diversão Offline. Foi um evento um pouco mais vazio do que os anteriores em razão disso, até porque também não trabalhamos tanto a nossa divulgação, já que estávamos ocupados liberando o material produzido no Diversão Offline

Nesta edição do Guadalupeças, tivemos uma presença ainda mais significativa de pessoas completamente de fora do hobby, muitas famílias com crianças. Tanto que estamos pensando em ações para atender melhor a esse crescente e público nas próximas edições. Como jogadora, eu tenho uma inclinação bem maior para o lado dos jogos mais pesados; porém quando se organiza evento é preciso pensar mais no que é adequado aos seus frequentadores.

Fruit Salad estreou já fazendo sucesso.

Contamos com a presença do parceiro Filipe Cunha da Pensamento Coletivo, que trouxe os jogos novos da editora: Entropy, Don't Turn Your Back e Rise To Power. Infelizmente, ainda não foi desta vez que consegui experimentá-los, mas dei uma conferida nos componentes e gostei muito do que vi. Só a explicação sobre do que se tratava cada jogo já tinha me deixado bastante animada com eles. Assim sendo, ver a beleza do material só aumentou a minha ansiedade por oportunidade de jogá-los. Porém, o Filipe estava mais no clima jogador e acabou colocando na mesa o bichão que vocês podem ver nas fotos abaixo.


Cartas que não acabam mais.

Outra presença querida que tivemos no nosso evento foi do game designer Rodrigo Rego que trouxe o Micropolis e o Copacabana para apresentar para a galera, dois jogos que estão planejados para serem lançados pela Redbox Editora em 2017. No Diversão Offline, eu só tive a oportunidade de jogar rapidamente o Micropolis em uma partida contra o próprio Rodrigo. Tinha ficado só na vontade em relação ao Copacabana. Questão resolvida neste Guadalupeças.

Comecei jogando o Copacabana, um jogo com uma temática que tem bastante apelo com os cariocas e acredito que com jogadores de outros lugares do Brasil também, afinal é um local mundialmente conhecido, um dos símbolos do nosso país. O jogo situa os jogadores no momento histórico da expansão do bairro com a abertura do Túnel Velho e o mandato como prefeito de Pereira Passos que ficou conhecido pelo seu trabalho intenso de reforma urbana. Essas não são questões fundamentais no jogo, mas é interessante de saber.

A mecânica principal de Copacabana é colocação de tiles. A peça inicial do jogo marca as ruas mais importantes do bairro, tem a Praça Serzedelo Correa como área central, acima dela temos uma área para alocação de tiles de construções e os tiles de morro que delimitam a expansão do mapa; na parte de baixo ocorre o mesmo, um espaço para tile de construção e os tiles de praia. Então, temos uma expansão que ocorre basicamente na horizontal. O objetivo do jogo é montar ruas valorizadas para colocar nossos meeples.

Rodrigo explicando as regras para a galera.

Na sua vez, o jogador tem duas opções de tiles de construção abertas e os tiles de morro e praia. Ele vai escolher um deles e colocar em um local da sua escolha. Quando uma rua é fechada, duas colunas de três tiles posicionados lado a lado, verifica-se quem tem a maior quantidade de meeples na rua e o jogador ganha um tile especial que é algum marco do bairro, tipo o Copacabana Palace.

As primeiras ruas se formando.

Existem quatro tipos de tiles de construção no jogo: hotel, boate, cinema e apartamentos, cada um deles possui regras diferentes para colocação de meeples. O mais interessante é a boate que te dá pontos quando você coloca, mas desvaloriza a rua. É ótima para colocar em uma rua que outro jogador tenha maioria de meeples, porque te fazer pontuar e ainda atrapalha o oponente. Os hotéis também são um investimento importante, principalmente na orla.

Uma foto mais de perto para melhor visualização. 

Não vou entrar em mais detalhes porque o final é muito salada de pontos. Foi a parte que achei mais complicada no jogo. Porém, eu consegui ter uma boa visão do que fazer para ganhar o jogo. Minha vitória não foi um acidente inesperado, teve um planejamento. Apesar de eu estar jogando com uma mesa na qual praticamente todos eram novatos, isso claro que pesou a meu favor. Porém, eles conseguiram entender bem o jogo e a partida teve uma boa fluidez.

Fim de partida. Foi assim que ficou nossa versão de Copacabana.

Depois foi a vez de experimentar o Micropolis em duplas, tem em vista que eu já havia jogado a versão 1X1 na semana anterior. Ele é um jogo mais simples de regras e quantidade de componentes do que o Copacabana, porém com uma curva de evolução de aprendizado bem mais alta porque exige muito da sua atenção espacial e a temática é bem menos presente, o que torna ele um jogo mais seco.

Rodrigo explicando as regras de Micropolis.

Em Micropolis, tentamos juntar tiles de cores específicas conforme nossos objetivos, um aberto composto por três tiles e outro secreto formado por quatro. O jogo começa com três aleatórios sobre a mesa e a compra pode ser realizada de duas formas, pegar um tile aberto ou dois fechados para escolher um, o outro será colocado aberto na área de compras, não existe um limite para seu tamanho.

Quando um jogador cumpre um objetivo, ele coloca marcadores de influência em cima de cada tile usado para isso e o tile do objetivo é posicionado em cima de qualquer um deles, a escolha do jogador. Essa é a única influência definitiva possível no jogo, as demais podem ser futuramente substituídas pelas de outro jogador que venha a cumprir seu objetivo usando algum dos outros tiles restantes. O jogo acaba quando a última influência for utilizada.

Partida em andamento.

No jogo em dupla, os jogadores sentam intercalados e a principal estratégia é tentar preparar caminho para o seu parceiro fechar o objetivo dele, um deve tentar o outro a fechar seus objetivos ao invés de ficar focado em seu próprio, além é claro de manter o olho aberto nos objetivos dos jogadores da outra dupla para não entregar objetivo de bandeja. O jogo de dupla exige muito mais atenção e por isso acaba por fritar ainda mais o cérebro do que uma partida cada um por si. Eu gostei bastante da experiência apesar de ter sido massacrada. Para pegar as manhas do Micropolis é necessário jogar várias vezes. Espero poder jogar ambos os jogos outras vezes, pois gostei muito deles.

Momentos finais da partida. Na próxima, quero fazer dupla com o Rodrigo. XD

De resto, meu Rock N Roll Manager foi estreado no evento, mas eu não joguei, só ensinei as regras para a galera. A recepção foi muito boa como já era de se esperar, a Conclave Editora acertou muito em apostar nesse Euro nacional incrível. Eu já escrevi sobre ele aqui na época que joguei o protótipo, uns dois anos atrás. Mas pretendo fazer um post totalmente dedicado a ele para mostrar como ficou a versão final. E espero em uma próxima edição contar com a presença do Leandro Pires, game designer do jogo, pois já tem outros projetos rolando e quero conhecê-los.

Joguinho bom até para explicar. As dúvidas foram mínimas ao longo da partida.

E não parou por aí de nacional rolando no evento não, tivemos mesa de Zona Mágica, que o Shamou do Castelo das Peças trouxe para gente. Porém, o Michael da Arcano Games gentilmente já nos enviou uma cópia do jogo. Então, teremos sempre Zona Mágica no Guadalupeças, mas esse eu não vou fazer post de versão final porque o protótipo que recebi era praticamente uma versão final e o texto que fiz na época do FC dele ficou bem completo, porque não foi algo jogado apenas em evento, como é o mais comum. Eu tive a oportunidade de analisar com mais calma. O Contária, próximo lançamento da editora, já está a caminho aqui do RJ. Em setembro, teremos mais essa novidade para a galera conhecer.

Pessoal conferindo o Zona Mágica.

O Felipe apaixonado pelo Masmorra de Dados como é, toda edição ele quer levar o jogo para evento, aproveitou para apresentar o jogo para o pessoal. Acho que esse é o jogo que ele tem mais prazer de explicar. O Masmorra de Dados foi o primeiro jogo lançado pelo Daniel Alves da Histeria Games  e que recentemente ganhou uma versão pela CMON no universo de Arcadia. O game designer mineiro atualmente está no FC do seu quarto jogo, Sonhando com Alice. Uma pena que não conseguimos trazer o jogo para apresentar no evento.

Felipe feliz da vida explicando o Masmorra de Dados.

Foi uma edição com bastante presença de jogos brasileiros, tanto já lançados quanto ainda em fase de protótipo. Isso é algo que me alegra bastante. O Guadalupeças é um evento que abraça o trabalho de game design nacional, assim como este blog. Então, se quiser playtestar seu jogo com a gente, será muito bem-vindo. Nosso público é bastante variado, então acredito ser uma boa experiência.

Segue fotos de outros jogos que rolaram no evento:

Tokaido.

Red 7. 

Wasabi.

Obrigada a todos que compareceram a esta edição do Guadalupeças, espero poder rever a todos no mês que vem, voltando a data normal do terceiro domingo (18). Curtam as páginas do Guadalupeças e Turno Extra no Facebook para acompanhar todas as novidades. Tem algumas parcerias que a gente está negociando por aí, sempre procurando fazer um evento cada vez mais bacana para todos. Fiquem ligados!!!

domingo, 28 de agosto de 2016

Confira o que rolou no Diversão Offline 2016



Domingo passado ocorreu a segunda edição do Diversão Offline e tivemos a oportunidade de verificar que realmente houve uma melhora em relação a sua já ótima estreia, cada vez mais se consolidando como o grande evento do nosso hobby no Brasil. Apesar do bom público, fiquei com a impressão de ter sido um pouco menor que o do ano passado. É difícil precisar por conta da mudança na organização do espaço. Essa minha percepção se deu principalmente por causa da ausência de fila na entrada. Acredito que o evento foi um pouco prejudicado pela escolha um tanto quanto equivocada da data que bateu com o encerramento das Olimpíadas, além do tempo bem frio e chuvoso no RJ. Levando em conta essas duas questões, talvez possamos considerar que tivemos uma adesão ainda mais significativa por parte dos jogadores. Este post seguirá o mesmo modelo do anterior, pois acredito que as informações ficaram mais fáceis e agradáveis de serem visualizadas.

ESPAÇO:

Ficou bem bacana a organização do térreo: os estandes das editoras com as mesas para demonstração dos jogos e a área freeplay de boardgames estavam muito legais. Já o mezanino deixou um pouco a desejar e precisa ser melhor pensado para a próxima edição. Achei alguns estandes meio aleatórios, não tinham muito a ver com o evento e outros utilizaram muito mal seus espaços. Os destaques positivos foram a Toys For Fans, que apesar de pequena veio com bastante material e a Game Of Boards, que estava com organização e apresentação muito boas. As salas estavam divididas entre Palestras, Quadrinhos, Freeplay de RPG e Protótipos. Apesar do flyer com os mapas das atrações do evento distribuído na entrada, e que já tínhamos adiantado aqui no post pré evento, faltou uma sinalização mais expressiva no local.

Eu entendi que o evento está querendo expandir sua abrangência e por isso fizeram a sala de Quadrinhos, mas foi uma primeira tentativa bastante fraca. Qual teria sido a contribuição dada pela Panini Comics que aparece nos créditos de apoio? O que vi na sala foi uma galera independente mostrando seu trabalho, eles estavam posicionados nos cantos deixando o meio vazio, o que não causava uma boa impressão. A sala freeplay de RPG também parecia pouco frequentada, acho que talvez fosse interessante juntar com boardgames. Nos estandes tivemos ambos misturados, já que muitas editoras de RPG estão também começando a investir em boardgames, que é um mercado em franca ascensão. Sobre as salas de Palestras e Protótipos comentarei separadamente mais adiante, pois têm uma maior relação com o nosso hobby e portanto será um assunto tratado de maneira um pouco mais detalhada.

ESTANDES:

Visão geral do estande.

Mais uma vez a Conclave foi a editora que melhor se saiu no evento, na minha opinião. Ano passado, eles surpreenderam trazendo o game designer francês Christopher Boelinger com Dungeon Twister Card Game. Agora em 2016, a editora mineira veio com mais um lançamento, porém desta vez um jogo nacional. Rock N Roll Manager do game designer carioca Leandro Pires foi lançado com poucas cópias no evento que se esgotaram rapidamente. A primeira coisa que fiz ao chegar foi ir direto ao estande da Conclave garantir a minha, uma pena que não me liguei de tirar uma foto com o Leandro. A previsão é que o jogo esteja amplamente disponível para compra entre o final de agosto e o início de setembro.

Leandro Pires posando super orgulhoso e feliz com seu primeiro jogo lançado. (foto por Mansão das Peças)


Esqueci a foto, mas não o autógrafo.

Além disso, tivemos o discreto lançamento de Fruit Salad, jogo que o Christopher Boelinger já tinha sido apresentado ao público que compareceu na edição passada do evento. É um party game bem divertido e com um visual muito atrativo. Comprei também, estava estrategicamente posicionado ao lado do caixa. Tivemos também em destaque Dead Man's Draw que saiu a pouco tempo e parecia estar agradando bastante quem jogava. Outros jogos disponíveis no estande que estavam atraindo bastante público eram os sucessos Robinson Crusoe e Merchants & Marauders. A editora também revelou dois lançamentos futuros no evento: Barony e Room 25, que já vai chegar ao Brasil com a Season 2.

O youtuber Igor Knop jogando com a galera.

Confira as entrevistas que fizemos com Leandro Pires, game designer do Rock N Roll Manager e Cristiano Cuty, o editor da Conclave.



- Funbox:

Visão geral do estande.

A Funbox já é bastante conhecida pelos bons preços que pratica na venda dos seus jogos e nesta edição do Diversão Offline, eles garantiram com folga o título de estande com as melhores ofertas de todo o evento. Eu quase infartei quando cheguei e vi Yomi por R$75, sendo que comprei a pouco mais de um mês por mais de R$100. A editora ainda fez um pequeno lançamento de Good Cop Bad Cop (poucas unidades) que pelo que ouvi parece agradar bastante o público que curte Coup, que acredito seja o party game de maior sucesso no mercado nacional. Outros destaques do estande foram a reprint de Quartz e o recém-lançado de Matryoshka, ambos do grande game designer nacional Sérgio Halaban. Eu comprei três jogos no estande da Funbox: Deterrence 2X62, Duelo Kung Fu e Matryoshka. Devia ter pego o Tides Of Time também. A linha de jogos pequenos da Funbox é sensacional.

Edição nacional foi lançada junto com a gringa.

O mais recente lançamento da editora.

Confira a entrevista que fizemos com a Vanessa sobre as novidades da Funbox.




Visão geral do estande.

A Galápagos usou a criatividade para marcar presença no evento. Conversamos com Gabriel Caropreso, o simpático representante da editora no evento, que nos explicou da dificuldade logística envolvida na presença deles, já que o estoque da editora fica em outro estado. A solução encontrada foi vir apenas com jogos para demonstração. Além disso, estava sendo distribuído cupons de 10% de desconto com frete grátis para compras no site. Acho que eles conseguiram dentro do que era possível fazer um bom trabalho. O estande passou o dia todo bastante cheio. De jogos já lançados tínhamos o arrasa-quarteirões Blood Rage e o recém-saído do forno Flick'em Up. De futuros lançamentos, rolou exposição do tão aguardado Mansion Of Madness, e mesas de Mysterium, Munchkin Panic e Tokaido. Vi que o Dead Of Winter Long Night também estava lá.


Porém, o grande destaque foi Star Wars Destiny que ainda não foi lançado nem lá fora. A cópia que estava no estande era uma versão protótipo que eles conseguiram com a Fantasy Flight. Apesar de ainda não ter previsão de lançamento, um grande esforço está sendo feito para lançar a versão nacional o mais próximo possível da gringa, se não tiver como ser simultâneo. Uma boa notícia para a galera que curte campeonato. Já que se trata de um jogo colecionável com booster, o formato controverso que nos lembra o famoso Magic. Uma aposta arriscada da editora, que já não teve uma boa experiência com LCG. Infelizmente, não tive a oportunidade de jogar para conhecer, apesar de saber que não é o tipo de jogo eu vá querer ter na coleção, no máximo um ou outro starter set.

Imagem dos componentes. (foto por Jack Explicador)

Como eu disse no início, achei bacana a solução criativa da Galápagos para driblar os problemas e marcar presença no evento, corrigindo a falha com a público carioca que foi a sua total ausência na edição anterior. Porém, foi perceptível uma certa correria na arrumação do estande, ficou parecendo que chegaram com pressa e foram colocando as caixas meio que de qualquer jeito. Deixou a desejar na arrumação, poderiam ter caprichado mais nas vitrines, colocando as peças dos jogos expostas como a gente vê em outros eventos do gênero. Mas, apesar dessas pequenas ressalvas, eles tiveram um bom desempenho e estão de parabéns. Acredito que viram ainda melhores no ano que vem com a experiência inicial que tiveram nesta edição. Que sirva de inspiração para as gigantes Grow e Devir que mais uma vez ignoraram o evento. 

Confira a entrevista que fizemos com o Gabriel Caropreso e saiba mais sobre os próximos lançamentos da Galápagos.



Visão geral do estande.

A Pensamento Coletivo estava com mesas demonstrando o já lançado Gunrunners e os em processo de produção The Manhattan Project e Imperial 2030. A editora que tem um foco grande em RPG também tinha várias mesas dedicadas a títulos do gênero. Porém, o grande destaque foi o anúncio surpresa de três novos boardgames. Eles publicaram a notícia na página do Facebook faltando poucos dias para o evento. A Pensamento Coletivo é uma editora para prestar atenção por investir jogos desconhecidos e inesperados, mas sempre de altíssima qualidade. Os títulos anunciados são Entropy, Rise To Power e Don't Turn Your Back

Confira mais informações sobre os futuros lançamentos na entrevista que gravamos com Filipe Cunha, editor da Pensamento Coletivo.

- Redbox

Visão geral do estande.

Na edição anterior do evento, a Redbox havia vindo muito mais como loja. Agora, a coisa mudou bastante e eles vieram com foco total no trabalho como editora. Ao longo do período de um ano que se passou muitos títulos foram anunciados, além de ter enfim começado a venda de Red Dragon Inn e Raid & Trade, os jogos de estreia na linha de boardgames. A Redbox já atuava no ramo editorial, mas apenas com RPG. No estande da editora era possível jogar todos os futuros lançamentos já anunciados anteriormente, como por exemplo: Boss Monster, Hive e Ancient Terrible Things




Além disso, a Redbox anunciou sua estreia na publicação de jogos nacionais logo com três títulos: Micropolis e Copacabana do Rodrigo Rego e Tsukiji do Leandro Pires. Uma notícia que considero extremamente empolgante. Gosto muito do trabalho do Rodrigo, joguei o Micropolis lá e achei incrível. Ele é um jogo de pequeno, rápido e de regras simples, mas com nível alto de fritação de cérebro. É uma batalha de puzzle, o vencedor será o jogador com melhor visão espacial. É necessário cumprir os seus objetivos ao mesmo tempo que bloqueia o do adversário ou pelo menos tenta evitar de facilitar a vida dele. O Copacabana infelizmente não deu tempo de jogar, mas me pareceu muito legal pelo que eu pude ver.

Conheça mais sobre os jogos que serão lançados pela Redbox e outros projetos do Rodrigo conferindo a entrevista que fizemos com ele durante o evento.


A Retropunk é uma editora de RPG que começou agora a se aventura no mercado de boardgames, eles começaram lançando o divertido Escola de Dragões, um cardgame de bolso bem rapidinho, e agora estão com Arena: Sangue e Glória, um jogo com um porte um pouco maior. Não consegui parar para jogar, mas ouvi falar bem sobre ele. Acredito que devo conseguir jogá-lo em breve, então poderei registrar minhas impressões por aqui.

Confira a entrevista que gravamos no evento com Fernando Del Angeles, editor da Retropunk, falando sobre os planos da editora para o mercado boardgame.



Visão geral do estande.

O maior estande de loja presente no evento e único no térreo junto com as editoras, a Tabuleiro Mix veio representando diversas editoras menores, dentre as quais destaco Histeria Games, Ace Studios e Meeple BR. Porém, eles não perderam o foco como loja. Vieram com um grande estoque que incluía jogos importados, várias promoções e figuras conhecidas do hobby na parte de vendas. Como resistir ao apelo sobrenatural de Rodrigo Deus? Foi o estande onde passei mais tempo e acabei comprando jogos inesperados. Na caixa da promoção de R$50 peguei Collapse e Minecraft Card Game. Também acabei pegando uma edição especial de Boss Monster 2 que vem com cartas foil. 

A Histeria Games colocou duas mesas de demonstração de Sonhando com Alice, novo jogo do game designer Daniel Alves que está em FC no Kickante. Foi um dos pouquíssimos jogos que consegui jogar, eu estava bastante curiosa sobre ele porque curto muito o tema e achei a mecânica bem interessante. Infelizmente, pela editora ser de MG acaba sendo raras as vezes que temos a oportunidade de ter contato com seus jogos antes do lançamento. Apesar de divertido e agradável, devo confessar que saí da mesa um tanto quanto decepcionada. A mecânica de seleção de dados não trabalha em conjunto com o tema que poderia ser qualquer outro. Senti falta de uma dose de imersão no jogo, em momento algum me senti no País das Maravilhas. Acho que esse tema é um pouco como Senhor dos Anéis ou Cthulhu, não se sustenta só com uma boa mecânica, precisa de fator narrativo.

Mesas de Sonhando com Alice passaram o dia todo cheias.

Um pouco sobre a mecânica de Sonhando com Alice, cada jogador possui seis dados e eles serão rolados todos juntos e alocados nos seis locais correspondentes do tabuleiro de acordo com os seus resultados: Lagarta, Chapeleiro, Alice, Coelho, Gato e Rainha de Copas. na sua vez, o jogador vai escolher uma dessas localizações, pegar todos os dados e fazer a ação correspondente. Não existe limite de ações que podem ser executadas, mas cada jogador só pode usar seis dados durante a sua vez, o que obriga um certo planejamento estratégico. A Lagarta e o Coelho são trilhas de pontos, Chapeleiro e Gato são compra de cartas, Alice é para cumprir/pegar objetivo e Rainha de Copas para colocar influência no tabuleiro. O final do jogo é disparado quando um jogador chega ao final de uma das trilhas ou coloca todas as suas influências no tabuleiro. Claro que essa é uma explicação bem básica do jogo e que deixou de fora vários detalhes.

Tabuleiro e componentes de Sonhando com Alice.

Mas a vinda ao evento parece que me fez bem ao FC do jogo que depois de algum tempo estagnado conseguiu avançar mais de 10% e chegou aos 80%, sendo que ainda tem mais duas semanas de campanha pela frente e muita gente deixa para apoiar só no final. Porém, vai ser um FC apertado, a oferta de jogos nacionais está cada vez maior e os padrões de qualidade bastante elevados. O preço de Sonhando com Alice também me pareceu elevado para o que está sendo oferecido em termos de componentes e complexidade do jogo, que querendo ou não também é algo levado em consideração. A arte infantil pode enganar e fazer parecer que é um jogo bobo. Porém, apesar do bom nível estratégico, ele é bastante leve. É um jogo para se divertir com a família. Dificilmente vai atrair a atenção de um heavy gamer.

Confira a entrevista que fizemos com o Daniel Alves, além de falar sobre Sonhando com Alice, ele também comenta sobre como anda a produção de Reinos de Drunagor e a emoção de ter seu primeiro jogo publicado fora do país, Dungeons Of Arcadia.


A Ace Studios teve como principal destaque a primeira apresentação nacional do protótipo quase final da versão do Gekido que vai ser lançado pela CMON. Infelizmente, não consegui jogar, lamentei mais ainda quando vi o vídeo do Aftermath sobre ele. Pelo que foi descrito pelo Fabrício, o jogo que já era muito bom ganhou um super upgrade. Espero que apareça uma nova oportunidade de conhecer essa nova versão em um futuro próximo. Apesar de ser um protótipo, as miniaturas apresentadas já são as finais, só os demais componentes que não.

CMON como sempre mandando muito bem nas miniaturas.

O game designer Fel Barros aproveitou e trouxe para mostrar para a galera o cardgame baseado no famoso jogo de videogame Bloodborne, do grande Eric Lang, lançado pela CMON na GenCon deste ano. Outro jogo que eu queria jogar muito, mas acabou não rolando. Eu preciso aprender a não deixar para depois, porque aí sempre acaba passando a chance, principalmente nesse tipo de evento. Para saber mais sobre Bloodborne recomendo mais uma vez o vídeo do Aftermath, só é uma pena que o Fabrício não jogou a versão videogame para fazer as comparações.

Galera aproveitando para conhecer Bloodborne.

Claro que a Ace Studios também trouxe seus próprios jogos para apresentar, o Space Cantina que é o próximo lançamento, parceria do Fel Barros com Warny Marçano, e está em fase de produção depois de uma campanha de financiamento coletivo muito bem-sucedida. Outro jogo em destaque foi o Die, Die, DIE, parceria de Romulo Marques e Carlos Couto, que está programado para sair para venda direta no final do ano. 

Confira a entrevista que fizemos com Fel Barros sobre seu trabalho na CMON e os planos futuros com a Ace Studios.



Para finalizar, chamou a minha atenção o trabalho da Meeple BR, que estava apresentando Vudu e Wrong Chemistry. Já tinha ouvido falar antes de ambos os jogos, mas não tinha sentido nenhum interesse em conhecê-los. Porém, depois de ver a mesa de demonstração que estava com um monitor caracterizado, além de bastante e notoriamente simpático bateu uma vontade de jogar. Não rolou por falta de tempo, mas foi um bom trabalho que eles fizeram, por isso fica aqui o meu destaque.

Alguém percebeu o spoiler na foto?

PROTÓTIPOS E PALESTRAS:

A sala de Protótipos ficou bem prejudicada com a nova organização de espaço do evento. Ao contrário do ano passado, em que foi um dos locais mais movimentados do evento, nesta edição acabou ficando bastante vazia. Apesar da indicação no flyer do evento sobre sua localização e até uma lista dos jogos que haveriam lá, o que achei uma ideia muito boa, faltou mais sinalização para atrair a galera até lá. Uma pena que não consegui jogar nada por lá. Queria muito ter parado na mesa da Mansão das Peças, um coletivo carioca de game designers que desenvolve um trabalho muito bacana, porém não rolou. A gente ainda teve um problema na gravação da entrevista com eles, infelizmente. Porém, gravamos um vídeo bem legal dando uma geral em todos os jogos que estavam por lá. Quanto ao pessoal do Mansão das Peças, como eles são aqui do RJ mesmo, haverão outras oportunidades. 


The Bright's Fall foi um dos protótipos que mais me chamou atenção.

Mansão das Peças: os donos do boardgame carioca. (Foto por Mansão das Peças)

O nível das palestras melhorou bastante em relação a edição passada. Foi um acerto colocarem em uma sala fechada, onde as pessoas podem ficar mais focadas, sem distrações para desviar a atenção. Desta vez, tivemos uma palestra com um game designer com real experiência de mercado, Fel Barros falando sobre o FC de Space Cantina. Além disso, rolou painel de boardgame com os representantes das principais editoras e um bate papo interessante com a galera da Mansão das Peças. Quando vi a programação fiquei bem empolgada, mas acabei não conseguindo assistir nada. A gente vai se distraindo com outras coisas no evento e quando vê passou o horário. Eles estavam fazendo alguns anúncios no microfone, sinceramente não lembro se fizeram das palestras, mas seria uma boa. 

Queria muito ter assistido a palestra com o pessoal da Mansão das Peças. (foto por Mansão das Peças)

CONCLUSÃO:

A organização do Diversão Offline está de parabéns por acreditar no nosso hobby e nos proporcionar um evento com uma estrutura tão boa. Houve uma grande melhora na organização dos estandes das editoras. Espero que elas invistam cada vez mais em atrações, lançamentos e promoções diferenciados para incentivar a participação do público. Muitas expectativas para o ano que vem, já que temos o rumor de que o evento passará a contar com dois dias. Isso seria maravilhoso, pois nos daria tempo de curtir tudo o que é oferecido com mais calma. Tanto público quanto empresas só teriam a ganhar. 

Mas não se pode deixar de ter atenção com as pequenas questões a serem melhoradas como a sala de Protótipos e outros estandes em geral. Espero que na próxima edição, o evento já seja grande o suficiente para que sua importância seja reconhecida e todas as empresas do ramo se sintam na obrigação de participar. Isso é algo importante para o mercado, pois junta todos os lados do processo em um só lugar, proporcionando um ambiente de troca fundamental ao crescimento e profissionalização cada vez maior do hobby. Acredito que o Diversão Offline tem potencial para chegar a um nível equivalente à GenCon, guardada as devidas proporções. Até o ano que vem, galera! 

Para ainda mais informações sobre o que rolou na edição do Diversão Offline deste ano, assista ao vídeo que gravamos pós evento.